EMBRATEL

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Nome: Embratel
Nome Completo: EMBRATEL

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EMBRATEL

Embratel

Empresa pública criada em 16 de setembro de 1965 com base no Código Brasileiro de Telecomunicações, instituído pela Lei nº 4.117 de 27 de agosto de 1962. Transformada em sociedade de economia mista em agosto de 1972, passou à condição de subsidiária da holding Telecomunicações Brasileiras (Telebrás) em novembro do mesmo ano. A Lei Geral de Telecomunicações (LGT), promulgada sob o nº 9.472 em 16 de julho de 1997, autorizou a privatização da Embratel e das demais concessionárias do sistema Telebrás, efetivada em 29 de julho de 1998.

Antecedentes

Os serviços de telecomunicação foram implantados no Brasil sob o regime de concessões, contando com a participação predominante de empresas privadas estrangeiras até o início da década de 1960.  O poder concedente encontrava-se então dividido entre a União, os estados e os municípios, cabendo ao governo federal a competência para explorar diretamente ou mediante outorga os serviços telegráficos, de radiocomunicação e de telefones interestaduais e internacionais. A exploração dos serviços telefônicos locais era objeto de concessões estaduais ou municipais, sendo também descentralizado o poder de fixação de tarifas.

A principal empresa do setor era a Companhia Telefônica Brasileira (CTB), que operava nos estados da Guanabara, São Paulo e Rio de Janeiro, servindo à região mais industrializada e urbanizada do país. A CTB e suas duas subsidiárias, atuantes em Minas Gerais e no Espírito Santo, reuniam cerca de 70% dos telefones instalados no país. Eram controladas pela holding Brazilian Traction, Light and Power, de origem canadense, mais conhecida como Light, que ocupava uma posição chave na indústria de energia elétrica nacional desde o início do século XX.

Outra grande empresa estrangeira com forte presença no setor era a norte-americana International Telephone Telegraph Company (ITT) que dominava os serviços de telefonia no Rio Grande do Sul e no Paraná, por intermédio da Companhia Telefônica Nacional (CTN) e prestava serviços de radiotelefonia interurbana e com o exterior, através da Companhia Rádio Internacional do Brasil (Radional). A ITT controlava também a Standard Electric, grande fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações. As demais empresas responsáveis pelas comunicações telefônicas e telegráficas internacionais também eram estrangeiras, como a inglesa Western Telegraph, a italiana Italcable e as norte-americanas Radiográfica Brasileira (Radiobrás) e American and Foreign Power Company (Amforp), a qual atuava na exploração dos serviços de telefonia de algumas capitais nordestinas. Os serviços funcionavam apenas nas regiões Sudeste e Sul. A grande maioria das mais de mil concessionárias era de pequeno porte, sem nenhuma coordenação entre si e sem compromisso com diretrizes comuns de desenvolvimento e de integração de sistemas.

A partir da Segunda Guerra Mundial, reclamando das baixas tarifas, a Light, a ITT e a Amforp deixaram de investir na modernização e ampliação de suas plantas, provocando sérios atritos com os poderes concedentes.

Em 1960, contando com uma população estimada em 70 milhões de habitantes, o Brasil dispunha de apenas um milhão de telefones e cerca de mil terminais de telex. A crescente necessidade de telecomunicações revelou a fragilidade técnica e institucional do sistema existente. Tanto no nível urbano quanto no interestadual, os serviços telefônicos se tornaram extremamente precários. As ligações interurbanas eram apoiadas basicamente em linhas físicas ou rádios que empregavam alta freqüência (HF). Somente São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília estavam interligados por troncos de microondas de média capacidade. As comunicações internacionais eram realizadas por canais de HF para voz e cabos submarinos para telegrafia, com tecnologia obsoleta.

A precariedade das telecomunicações em todo o país e a má qualidade dos serviços prestados pelas operadoras estrangeiras suscitaram ampla intervenção estatal no setor. Em fevereiro de 1962, o governador Leonel Brizola encampou a divisão gaúcha da CTN, provocando protestos da ITT e do governo norte-americano. No mês seguinte, o presidente João Goulart decretou a intervenção federal na CTB, evitando a encampação dos bens da empresa no estado da Guanabara, anunciada pelo governador Carlos Lacerda. Sob o impacto desses acontecimentos, o Congresso Nacional aprovou o Código Brasileiro de Telecomunicações, promulgado pela Lei nº 4.117 em 27 de agosto de 1962, que reestruturava o setor.

O código estabeleceu premissas básicas para a modernização do setor, incluindo a criação de uma empresa operadora estatal, a futura Embratel, visando à integração dos serviços de telecomunicação em todo o país. Determinou a criação do Sistema Nacional de Telecomunicações (SNT), autorizando o Poder Executivo a constituir uma entidade autônoma, sob a forma de empresa pública, com a finalidade precípua de operar industrialmente os troncos integrantes do SNT e suas conexões com o exterior (artigo 42).  O código também instituiu o Conselho Nacional de Telecomunicações (Contel), órgão federal com atribuições normativas, de fiscalização e planejamento, encarregado, entre outras tarefas, de aprovar as especificações das redes telefônicas, estabelecer critérios para a fixação de tarifas e elaborar o Plano Nacional de Telecomunicações. Preconizou ainda a criação do Fundo Nacional de Telecomunicações (FNT), destinado a financiar as atividades da futura empresa operadora estatal.

Ao longo de 1963, o código foi regulamentado por diversos decretos que complementaram a estrutura jurídica básica relativa aos serviços de telecomunicação. Em maio, o governo promoveu a instalação do Contel e, em setembro, designou uma comissão para estudar a criação e a organização da Empresa Brasileira de Telecomunicações Aprovado em novembro, o Plano Nacional de Telecomunicações definiu o sistema básico de microondas que, com poucas modificações, seria implementado pela Embratel entre 1967 e 1972. O Fundo Nacional de Telecomunicações (FNT) foi regulamentado em dezembro de 1963, instituindo a cobrança de uma sobretarifa de até 30% sobre as tarifas dos serviços públicos de telecomunicações.

Criação

A mudança do regime político em abril de 1964 retardou em certa medida o processo de constituição da Embratel. A criação da empresa foi combatida por personalidades influentes do governo do general Humberto Castelo Branco (1964-1967), sobretudo o ministro do Planejamento, Roberto Campos, e o novo presidente do Contel, almirante José Cláudio Beltrão Frederico. Ao mesmo tempo, a ITT e outras companhias estrangeiras tentaram negociar com o governo sua participação na instalação e operação do Sistema Nacional de Telecomunicações, buscando ocupar o espaço destinado à empresa estatal.

Entretanto, o presidente Castelo Branco firmou posição em favor da Embratel, endossando o ponto de vista dos principais chefes militares e de vários elementos das forças armadas com formação técnica no setor, entre os quais, o comandante Euclides Quandt de Oliveira, que assumiu a presidência do Contel em julho de 1965. Ainda nesse mês, o governo designou uma comissão para elaborar os atos constitutivos da empresa. Em 16 de setembro de 1965, a Embratel foi fundada com sede no Rio de Janeiro, tendo a União contribuído para a subscrição de 97% de suas ações. Entidades públicas e governamentais, como o Banco do Brasil e a Petrobras, integralizaram o restante do capital. Seu primeiro presidente foi o general Dirceu de Lacerda Coutinho.

Suas atribuições relacionavam-se à operação e expansão dos vários equipamentos empenhados nas telecomunicações entre os estados e com o exterior, além das redes nacionais de telex e transmissão de dados. A par dessas atividades, a empresa foi chamada a assumir o controle acionário da CTB. Em 26 de março de 1966, a Embratel firmou o contrato de compra da CTB no valor de 92 milhões de dólares a serem pagos em 20 anos. Essa medida significou a estatização de 2/3 do sistema telefônico brasileiro. A participação estatal no setor seria ampliada um ano depois mediante a compra da divisão paranaense da ITT.

Em 25 de fevereiro de 1967, o governo criou o Ministério das Comunicações que assumiu as atribuições do Contel, e em junho a Embratel foi formalmente vinculada à nova pasta.

Empresa pública

Quando a Embratel iniciou suas atividades em 1965, o Brasil contava com apenas 1,3 milhão de telefones, três sistemas de microondas e alguns circuitos-rádio, ligando Brasília às capitais dos estados. Para as comunicações internacionais só havia 39 circuitos de voz e alguns canais telegráficos. Com o apoio do Fundo Nacional de Telecomunicações (FNT), a empresa lançou-se à tarefa de interligar todas as capitais e principais cidades brasileiras por troncos de microondas, recebendo ainda a missão de conectar o país ao sistema mundial de comunicações por satélite do consórcio Intelsalt.

O Brasil se associou ao consórcio Intelsat em fevereiro de 1965. No ano seguinte, a ITT dispôs-se a construir com recursos próprios a estação terrena para a operação das transmissões via satélite, em troca da exploração comercial dos serviços internacionais por um prazo de dez anos, findo o qual a estação passaria à propriedade da Embratel. O presidente Castelo Branco reuniu o ministério para deliberar sobre a matéria e, contrariando os votos de Roberto Campos e de seus colegas Otávio Gouveia de Bulhões (Fazenda) e Juraci Magalhães (Relações Exteriores), tomou decisão favorável à Embratel.

Presidida entre 1967 e 1972 pelo general Francisco de Sousa Galvão, a Embratel logrou conectar nesse período, por microondas ou satélite, todas as capitais e as quinhentas maiores cidades brasileiras.

Em fevereiro de 1969, foi inaugurada a estação terrena do Sistema Internacional de Comunicações por Satélite, situada em Tanguá, no município de Itaboraí (RJ). Além de ampliar as comunicações do Brasil com o exterior, até então restritas aos sistemas de cabos submarinos e de rádio em ondas curtas, a estação de Tanguá possibilitou a transmissão de imagens de televisão ao vivo, inclusive daquelas geradas do exterior.

A implantação da rede básica de microondas começou pelo tronco sul, abrangendo São Paulo e os estados da região Sul. O primeiro trecho da rede entrou em operação em março de 1969, interligando Curitiba a Porto Alegre. Ao longo de 1970, a Embratel instalou novos troncos de microondas de alta capacidade nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste, ativando o sistema de Discagem Direta a Distância (DDD) entre São Paulo e Porto Alegre. Na região amazônica, a empresa implantou em 1972 um sistema de microondas em tropodifusão, considerado o maior do gênero em operação comercial do mundo. Com exceção dos sinais de TV, o sistema de tropodifusão viabilizou o tráfego gerado por todos os serviços de telecomunicação entre a região amazônica e as principais cidades do país.

Ainda em 1972, a Embratel absorveu os serviços da Radiobrás, da Italcable e da ITT Comunicações Mundiais S.A., tornando-se no ano seguinte a única operadora de serviços internacionais do Brasil com o encerramento das atividades da Western.

Subsidiária da Telebrás

O trabalho desenvolvido pela Embratel contribuiu para a melhoria dos serviços interurbanos e internacionais, mas os problemas da telefonia local persistiram, levando o governo federal a propor a criação da holding Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebrás), empresa pública destinada a centralizar, coordenar e planejar todas as atividades de telecomunicação do país. O projeto de organização da Telebrás enfrentou certa resistência de dirigentes da Embratel que temiam a perda da autonomia da empresa.

Em 11 de julho de 1972, o presidente da República, general Emílio Médici, sancionou a Lei nº 5.792 que aprovou a criação da Telebrás, colocou à sua disposição os recursos do FNT e autorizou a transformação da Embratel em sociedade de economia mista. A empresa tornou-se subsidiária da Telebrás em 9 de novembro do mesmo ano, quando a holding foi efetivamente constituída. De imediato, a Telebrás deu partida ao processo de aquisição e absorção das centenas de concessionárias que prestavam serviços telefônicos no Brasil, visando a consolidá-las em empresas de âmbito estadual.

O reordenamento institucional do setor implicou mudanças no comando da Embratel. Em agosto de 1972, Iberê Gilson assumiu a presidência da empresa, permanecendo no cargo até o final da administração Médici. Durante os dois últimos governos militares, a empresa foi dirigida por Haroldo Correia de Matos (1974-1979) e Helvécio Gilson (1979-1985).

Como empresa do sistema Telebrás, a Embratel continuou a prestar contribuição fundamental para o desenvolvimento das telecomunicações no país. O sistema de microondas em visibilidade passou a contar com troncos paralelos à rede básica nas rotas de maior densidade de tráfego, alcançando uma extensão de 27 mil quilômetros aproximadamente em 1979. Outra meta alcançada foi a expansão da rede nacional de telex, operada pela Embratel a partir de convênio firmado em novembro de1974 com a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT).

Em setembro de 1975, com a inauguração da segunda antena de Tanguá, o Brasil passou a utilizar com exclusividade um canal do Intelsat para comunicações domésticas, o que permitiu o início das transmissões de TV para a região amazônica. Em junho do ano seguinte, entrou em operação a Estação de Monitoração de Satélites, também situada em Tanguá, tendo em vista o controle das transmissões para o Atlântico Sul.

O sistema de Discagem Direta Internacional (DDI) foi ativado em novembro de 1975, ligando inicialmente o Brasil aos Estados Unidos e ao Canadá. Quatro anos depois, esse serviço já atingia 55 países, beneficiando mais de seiscentas localidades brasileiras. Também foram estabelecidas novas conexões com a Europa e os Estados Unidos por intermédio dos cabos submarinos Bracan e Brus, respectivamente. O primeiro interligou Recife às ilhas Canárias, entrando em operação em maio de 1973. O segundo, lançado de Fortaleza em direção às ilhas Virgens, foi inaugurado em outubro de 1980. Além disso, a Embratel promoveu ligações terrestres por microondas em visibilidade com a Argentina e o Paraguai em 1978.

Ainda em 1978, a empresa inaugurou a nova Rede Nacional de Estações Costeiras (Renec) com o objetivo de prestar o Serviço Móvel Marítimo, e o Sistema Computadorizado de Retransmissão Automática de Mensagens (Sicram), pioneiro na América Latina na utilização de computadores para telecomunicações. Em 1980, foi implantado o Serviço Especializado de Comunicação de Dados (Transdata), voltado para o atendimento de importantes setores econômicos, como o financeiro (Interdata, Findata e Interbank) e o de transportes (Airdata). Também nesse ano, entrou em operação o satélite do consórcio Inmarsat, por meio do qual a Embratel pôde oferecer às embarcações situadas em quaisquer pontos dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, serviços de qualidade em telefonia, telex, telegrafia e transmissão de dados

O programa de expansão do sistema Telebrás sofreu acentuado corte de investimentos em virtude da crise financeira que atingiu o setor público no início da década de 1980. Nesse período, o pico de investimentos da Embratel ocorreu em 1982, somando 661 milhões de reais (em moeda constante de 1995), correspondentes a 18,5% do total do sistema Telebrás. O valor mínimo de 477 milhões de reais ocorreu em 1987, representando 13,4% de todos os investimentos federais no setor.

Apesar das restrições orçamentárias, a Embratel buscou manter seu pioneirismo na internalização de novas tecnologias na América Latina e sua posição estratégica entre as maiores operadoras de telecomunicações dos países em desenvolvimento.

Em outubro de 1982, o sistema de cabos submarinos Atlantis, o terceiro da empresa, interligou o Brasil à Europa mediante conexões em Dacar (Senegal) e Lagos (Portugal). Em abril de 1984, o escoamento do tráfego de comunicações marítimas via satélite com o Atlântico foi facilitado pela instalação da quarta antena de Tanguá. 

O marco mais importante da expansão das comunicações de longa distância na década de 1980 foi, sem dúvida, o lançamento dos primeiros satélites nacionais  Em 1981, o governo Figueiredo assegurou os investimentos necessários para implantação do sistema Brasilsat, levando em conta a crescente utilização e os elevados dispêndios com os serviços do consórcio internacional Intelsat. Além disso, o Brasil corria o risco de perder o direito internacional de ter seu satélite geoestacionário doméstico, uma vez que a Colômbia também se candidatara à mesma órbita.

A Embratel contratou duas empresas, a norte-americana Hughes e a canadense Spar, para o fornecimento de seus primeiros satélites, confiando a operação de lançamento à empresa francesa Ariannespace, com base em Kourou, na Guiana Francesa. Com o lançamento do Brasilsat A1, em fevereiro de 1985, e do Brasilsat A2, em março do ano seguinte, o Brasil passou a dispor de um canal autônomo para tráfego doméstico, com capacidade para transmissão simultânea de até 12 mil ligações telefônicas, 24 programas de televisão e 28.800 linhas de telex.

O centro de operação do sistema Brasilsat foi instalado em Guaratiba, no município do Rio de Janeiro, onde enormes antenas e sofisticados equipamentos de controle monitoram as transmissões de televisão, telefonemas e outros dados e informações. As comunicações via satélite (telefonia, dados, telex etc.) deixaram de ser realizadas exclusivamente em Tanguá com a inauguração da estação terrena de Morungaba (SP) em outubro de 1987.

A existência dos satélites domésticos possibilitou em 1988 o lançamento do Programa de Popularização e Interiorização das Telecomunicações, destinado a levar ao maior número de localidades brasileiras as facilidades de comunicações. Ocorreu entretanto que os canais de satélites ficaram ociosos, com grande prejuízo, devido à falta de investimentos no setor terrestre (estações retransmissoras). Durante o governo José Sarney, a empresa foi presidida por Pedro Jorge Castelo Branco Sampaio (1985-1987) e José Eugênio Guisard Ferraz (1987-1990).

Na década de 1990, a Embratel incorporou as mais modernas tecnologias de telecomunicações, aperfeiçoando as transmissões por satélite, digitalizando suas redes e acessos, além de lançar novos serviços de comunicação de dados para atender à demanda cada vez mais diversificada das grandes empresas de diversos setores da economia nacional.

Para atingir as metas de digitalização, a Embratel empreendeu a implantação da Rede Nacional de Fibras Ópticas. O primeiro trecho da rede entrou em operação em 1993, ligando Rio de Janeiro e São Paulo e aumentando em 80% a capacidade de tráfego de telecomunicações entre os dois estados. No ano seguinte, a empresa interligou a malha doméstica à rede mundial de fibras ópticas, por intermédio de dois cabos submarinos: o Americas 1, instalado entre Fortaleza e a ilha de St. Thomas, no Caribe, permitiu a ligação com os Estados Unidos, ao passo que Columbus 1, partindo de St. Thomas, assegurou novo canal de comunicação com a Europa. Ainda em 1994, foi ativado o sistema Unisur de cabos submarinos de fibras ópticas, interligando os países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) à rede mundial

Como os satélites possuem uma vida útil de cerca de oito anos, foi necessária a licitação de um novo sistema, vencida em 1990 pelo consórcio formado pela Hughes e pela empresa nacional de engenharia Promon. Os satélites brasileiros de segunda geração, Brasilsat B1 e Brasilsat B2, foram postos em órbita a partir da base de Kourou em agosto de 1994 e março de 1995, respectivamente. O satélite B1 passou a atender a demanda de TV e o B2 os serviços de telefonia e de comunicação de dados, também cobertos pelo Brasilsat A2 que, mesmo ultrapassando o prazo previsto de vida útil,  foi mantido em órbita pela Embratel, ao contrário do A1, desativado em 1994.

O cargo de presidente da Embratel foi ocupado na primeira metade da década de 1990 por Carlos de Paiva Lopes (1990-1992) e Renato Archer (1992-1995).

Privatização

O movimento em favor da reforma do modelo de organização institucional das telecomunicações no Brasil começou a ganhar corpo durante o governo José Sarney. Entretanto, a Constituição de 1988 reafirmou o monopólio estatal dos serviços telefônicos, de telegrafia, de transmissão de dados e demais serviços públicos. A nova Carta assegurou a prestação de serviços de informação por entidades de direito privado através da rede pública de telecomunicações.

No começo da década de 1990, o governo Collor de Melo empreendeu a primeira tentativa de desregulamentar o setor, autorizando a participação da iniciativa privada no segmento da telefonia celular (anulada por medidas judiciais) e promulgando em julho de 1991 o Decreto nº 177 que eliminou o monopólio da Embratel no serviço limitado de telecomunicações, constituído basicamente por transmissão de dados via satélite.

A posse de Fernando Henrique Cardoso na presidência em janeiro de 1995 abriu caminho para o processo de reestruturação do setor que culminaria com a privatização da Embratel e demais empresas do sistema Telebrás. O primeiro passo consistiu na quebra do monopólio estatal das telecomunicações, efetivada com a aprovação de emenda constitucional em 15 de agosto de 1995.

Seguindo estratégia traçada pelo ministro das Comunicações, Sérgio Mota, o governo propôs logo em seguida um projeto de lei com medidas regulamentares destinadas a viabilizar a abertura imediata do mercado de telefonia celular privada Em 19 de julho de 1996, a Lei nº 9.295, também conhecida como Lei Mínima, estabeleceu as condições para a licitação das concessões da Banda B de telefonia celular, além de abrir a exploração de serviços por satélites para o capital privado.

Em 16 de julho de 1997, a Lei Geral de Telecomunicações (LGT), promulgada sob o nº 9.472, estabeleceu os princípios do novo modelo institucional do setor, abrangendo uma ampla gama de medidas, como a criação do órgão regulador, denominado Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o estabelecimento das condições de interconexão e concorrência na rede básica, a conceituação do serviço universal e a reorganização do sistema Telebrás com vistas à sua privatização. A LGT autorizou o Poder Executivo a promover a desestatização de todas as empresas federais de telecomunicações, inclusive a Embratel, inicialmente descartada por Sérgio Mota no começo do governo Fernando Henrique, devido à sua importância estratégica excepcional.

O próprio ministro resolveu dar outro encaminhamento, assegurando porém, em julho de 1997, que o modelo de privatização da Embratel conteria “rigorosos procedimentos de proteção”, além de anunciar que nenhuma entidade usuária de infra-estrutura da estatal poderia assumir o seu controle. Um dos aspectos mais polêmicos da venda da Embratel dizia respeito justamente à participação de redes de televisão, notadamente da Rede Globo. Mota também prometeu limitar a participação do capital estrangeiro no leilão da Telebrás, mas Fernando Henrique decidiu não estabelecer qualquer restrição. O governo acenou ainda com a criação de ação especial (golden share) que lhe daria poder de veto sobre decisões da Embratel privatizada, mas acabou voltando atrás.

Em 2 de abril de 1998, o Plano Geral de Outorgas, elaborado pela Anatel, fixou parâmetros gerais para estabelecimento da concorrência no setor. As demais etapas do programa de privatização do sistema Telebrás foram comandadas pelo economista e banqueiro Luís Carlos Mendonça de Barros, que deixou a presidência do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em 30 de abril para assumir a pasta das Comunicações, em decorrência do falecimento de Sérgio Mota.

No final de maio, a Telebrás foi desmembrada em três operadoras de telefonia fixa e oito de telefonia celular, sendo mantida a Embratel em sua configuração tradicional. O modelo de reestruturação do setor previu a licitação de serviços para a criação de empresas-espelho que competiriam com a Embratel e as três holdings de telefonia fixa, em suas respectivas áreas de atuação. Em junho, o governo aprovou os preços mínimos de alienação das ações ordinárias pertencentes à União representativas de 19,26% do capital social e de 51,79% do capital votante das 12 companhias oriundas da cisão da Telebrás. O preço mínimo do bloco de controle da Embratel foi fixado em 1,8 bilhão de reais.

O leilão da Telebrás ocorreu em 29 de julho de 1998 na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. O controle acionário das 12 empresas privatizadas foi alienado por 22,058 bilhões de reais. Considerada a “jóia da coroa das telecomunicações no Brasil”, a Embratel foi arrematada por 2,65 bilhões de reais pela empresa norte-americana MCI. Segunda maior operadora de longa distância nos EUA, a MCI concorreu com o consórcio liderado pela norte-americana Sprint em associação com seis fundos de pensão nacionais e o Banco Opportunity. O lance vencedor representou um ágio de 47,22% sobre o preço mínimo. Logo depois da compra da Embratel, maior investimento da empresa no exterior, a MCI concluiu o processo de fusão com a WorlCom (um negócio de 31 bilhões de dólares) que deu origem à MCI WorlCom, segunda maior companhia de telefônica de tráfego internacional de voz do mundo.

Quando foi privatizada, a Embratel era a principal provedora de serviços telefônicos de longa distância domésticos e internacionais no Brasil, oferecendo mais de 40 outros serviços de telecomunicações, voltados para a transmissão de dados, texto, imagem e som. Com uma rede diretamente ligada a dezenas de milhares de empresas, destacava-se como principal provedora de dados em alta velocidade e de serviços de Internet no país, liderando esse segmento do mercado. Operava 28 troncos de microondas com extensão de 23.900km (integralmente digitalizados), possuindo excelente infra-estrutura de cabos ópticos terrestres e submarinos. A malha de rotas ópticas domésticas, ligando 16 capitais de Porto Alegre a Fortaleza, apresentava uma extensão de 9.500km. O sistema doméstico de telecomunicações via satélite fora reforçado com o lançamento do Brasilsat B3 em fevereiro de 1998. A empresa contava com 10.400 funcionários e vinha sendo presidida pelo engenheiro Dílio Sérgio Penedo desde o começo do governo de Fernando Henrique Cardoso.

A Anatel promoveu a licitação da empresa-espelho concorrente da Embratel em janeiro de 1999, recebendo apenas uma proposta no valor de 55 milhões de reais com deságio de 86% em relação ao valor de referência, apresentada pelo consórcio Bonari Holding, formado pela Sprint norte-americana em associação com a France Telécom e a Energies, braço da empresa de energia elétrica britânica National Grid que cuida dos investimentos em telecomunicações. A empresa constituída pelo consórcio Bonari receberia a denominação de Intelig. 

Rejane Araújo/Paulo Brandicolaboração especial

FONTES: ALENCASTRO E SILVA, J. Telecomunicações; ARAÚJO, R. Embratel; BIONDI, A. Brasil privatizado; BNDES. Internet; CEPAL. Internet;  DIEESE. Telecomunicações (1999); DORES, A. Telecomunicações; EMBRATEL. Embratel; EMBRATEL. Internet; EMBRATEL. Interligando; EMBRATEL. PequenaFolha de S. Paulo (15/5, 4/7 e 3/10/97, 25 e 30/7/98); FITTEL. Leia; Gazeta Mercantil;  IPEA. Infra-estrutura; MAGALHÃES, G. Telecomunicações; MIN. COMUN. Relatório Internet; Panorama (1997); PIRES, J. Reestruturação; PRADO, S. Aspectos; PRATES, L. Movimento; SIQUEIRA, E. Três momentos; TELEBRÁS. Relatório; VILLELA, A. Empresas; VIANA FILHO, L. Governo Castelo Branco;  WHOLERS, M. Investimento.

 

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