LIGA DE ACAO REVOLUCIONARIA

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Nome: LIGA DE AÇÃO REVOLUCIONÁRIA
Nome Completo: LIGA DE ACAO REVOLUCIONARIA

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:
LIGA DE AÇÃO REVOLUCIONARIA

LIGA DE AÇÃO REVOLUCIONARIA

 

Organização política fundada em julho de 1930 em Buenos Aires por Luís Carlos Prestes, Aristides Lobo, Emídio da Costa Miranda e Silo Furtado Soares de Meireles. Dissolveu-se logo após a Revolução de 1930.

 

Antecedentes

Exilado em Buenos Aires depois de terminada a marcha da Coluna Prestes, no mês de maio de 1930 Luís Carlos Prestes redigiu um manifesto expondo uma orientação política que divergia inteiramente do “programa anódino” defendido no Brasil pela Aliança Liberal. Qualificando de apenas “aparentemente democrática” a campanha eleitoral encerrada pouco antes (3/3/1930), o documento criticava também a omissão da Aliança frente à perseguição política sofrida pelas associações proletárias brasileiras.

Prestes combatia ainda a grande propriedade territorial e o imperialismo anglo-americano e defendia a instauração de um governo de trabalhadores urbanos e rurais. Esta seria a única forma de garantir o atendimento das reivindicações sociais bem como a nacionalização de importantes setores da economia.

Uma cópia desse manifesto foi levada a São Paulo e ao Rio de Janeiro por Emídio Miranda, ex-integrante da Coluna Prestes, que acabou sendo preso pela polícia carioca.

Na tentativa de adiar a publicação do documento, os tenentes Antônio de Siqueira Campos e João Alberto Lins de Barros, antigos companheiros de Prestes, foram a seu encontro em Buenos Aires. Ainda assim, o manifesto foi publicado no final de maio.

O Manifesto de maio recebeu severas críticas tanto dos membros da Aliança Liberal como dos políticos ligados ao presidente Washington Luís e dos comunistas. Estes últimos ressaltaram o fato de Prestes não ter mencionado o papel condutor do proletariado na revolução agrária e antiimperialista, o que levava a crer que a revolução brasileira seria liderada pela pequena burguesia. Criticaram ainda a omissão de Prestes em relação ao papel de direção do proletariado desempenhado pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Através de entrevistas concedidas a O Jornal, Prestes respondeu às críticas feitas pelo capitão Juarez Távora, pelo deputado Maurício de Lacerda e pelo comunista Otávio Brandão.

 

Atuação

No mês de julho, com a ajuda de Aristides Lobo e outros, Prestes fundou a LAR, com o objetivo de pôr em prática a revolução agrária e antiimperialista. No mesmo mês, lançou um manifesto qualificando a organização de “órgão técnico” de preparação dos trabalhadores rurais e urbanos, assim como da pequena burguesia empobrecida, para a revolução. Segundo o documento, o PCB deveria orientar o proletariado, ao qual caberia a direção do movimento. Por fim, o manifesto conclamava todos aqueles que acreditavam na necessidade de uma transformação social a procurarem os comitês locais que se formariam em todo o Brasil ou então o comitê provisório da LAR, sediado em Buenos Aires.

Os comunistas não aceitaram a formação da LAR na medida em que não consideravam necessária a criação de um outro partido para dirigir o proletariado. O jornal comunista A Classe Operária chegou a identificar em Prestes “o adversário mais perigoso do PC” devido à sua influência e popularidade entre “as massas não experimentadas na luta revolucionária”. Prestes foi acusado também de representar os interesses da “pequena burguesia pauperizada”.

A LAR contou com um reduzido número de adeptos, e os comitês brasileiros não chegaram a se formar. Prestes chegou a enviar Emídio Miranda a Porto Alegre para tentar convencer alguns integrantes do movimento tenentista, como Herculino Cascardo, Newton Estillac Leal e Estênio Caio de Albuquerque Lima a aderirem à LAR, mas a missão não obteve sucesso. Por outro lado, um pequeno contingente simpatizante de Prestes seguiu para a Argentina, pretendendo unir-se a seu grupo.

Em 2 de outubro de 1930, Prestes foi preso em Buenos Aires. A primeira explicação para o fato foi que, em entrevista à United Press, que não chegou a ser publicada, Prestes acusara o presidente argentino, general Uriburu, e outros oficiais argentinos de se terem vendido ao imperialismo norte-americano. O governo argentino na verdade prendeu Prestes atendendo a um pedido de extradição feito pelo governo brasileiro.

Prestes foi libertado três dias depois e exilou-se em Montevidéu. Na capital uruguaia, soube da deposição de Washington Luís, ocorrida no dia 24 de outubro. Reunindo-se então a Emídio Miranda, Silo Meireles e Aristides Lobo, decidiu dissolver a LAR, já que a organização não tinha condições de liderar um movimento revolucionário.

No início de novembro, Prestes lançou um manifesto sem mencionar a LAR. Os membros da organização aderiram em sua maioria à Revolução de 1930. Alguns anos mais tarde, Prestes, que já vinha mantendo contato com o secretariado sul-americano do Komintern, filiou-se ao PCB.

Mônica Kornis

 

 

FONTES: DULLES, J. Anarquistas; MORAIS, D. Prestes; NOGUEIRA FILHO, P. Ideais.

 

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