LIGA DE ACAO SOCIAL E POLITICA DA BAHIA (LASP)

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: LIGA DE AÇÃO SOCIAL E POLÍTICA DA BAHIA (LASP)
Nome Completo: LIGA DE ACAO SOCIAL E POLITICA DA BAHIA (LASP)

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:
LIGA DE AÇÃO SOCIAL E POLÍTICA DA BAHIA (LASP)

LIGA DE AÇÃO SOCIAL E POLÍTICA DA BAHIA (LASP)

 

Partido político baiano criado em 15 de dezembro de 1932 por Otávio Mangabeira. Em 1935, passou a integrar a Concentração Autonomista da Bahia.

 

Origens

Ao eclodir a Revolução de 1930, a política baiana era dominada pelo Partido Republicano Baiano, que fora criado em 1927 e era liderado por Otávio Mangabeira (ministro do Exterior de Washington Luís), Vital Soares (presidente estadual e vice-presidente da República eleito na chapa de Júlio Prestes), Pedro Lago (presidente estadual eleito em 1930), João Mangabeira, Miguel Calmon e José Wanderley de Araújo Pinho (deputados federais), Ubaldino Gonzaga (senador) e Ernesto Simões Filho (líder da maioria na Câmara Federal e proprietário do jornal A Tarde).

A revolução teve poucos adeptos no estado. Apenas um pequeno grupo de jovens estudantes, reunidos no Partido Universitário da Bahia e tendo como patrono José Joaquim Seabra, do Partido Republicano Democrata, deu seu apoio às idéias revolucionárias. J. J. Seabra havia dominado a política baiana de 1912 a 1924, quando perdera o controle da situação para o Partido Republicano Baiano, e seu próprio partido praticamente se extinguira. Seabra fora também um dos poucos a apoiar na Bahia a campanha da Aliança Liberal, feita através de O Jornal, onde Leopoldo do Amaral, Arnaldo Silveira, Manuel Novais e Nélson Carneiro difundiam o programa aliancista.

Vitoriosa a revolução, o governo da Bahia foi entregue sucessivamente a dois militares (o major Custódio dos Reis Príncipe Júnior e o coronel Ataliba Osório) e a dois intelectuais, o matemático Leopoldo do Amaral, professor da Escola Politécnica e um dos dirigentes locais do movimento revolucionário, e Artur Neiva, naturalista e sanitarista. As dificuldades políticas enfrentadas pelos primeiros interventores levaram o Governo Provisório a nomear para o cargo o jovem tenente Juraci Magalhães, que encontrou séria oposição tanto por parte dos políticos do Partido Republicano Baiano, contrários à revolução, como dos membros do Partido Republicano Democrata, que dela haviam participado. Contando com o apoio de grande número de intelectuais, como Aluísio de Carvalho Filho, Nestor Duarte, Luís Viana Filho e Jaime Junqueira Aires, a oposição reivindicava um interventor baiano e civil, combatendo Juraci Magalhães, que era cearense e militar. Por seu lado, o interventor iniciou seu governo tentando articular-se politicamente com os grupos ligados à antiga oligarquia local e com os jovens políticos que haviam aderido à Revolução de 1930.

A campanha pela constitucionalização do país, organizada principalmente por São Paulo e pelo Rio Grande do Sul, teve na Bahia maior penetração entre os estudantes e os professores universitários. Estes, ao eclodir o movimento constitucionalista em São Paulo, organizaram atos de solidariedade aos paulistas, promovendo na Faculdade de Medicina um protesto contra o regime instalado e contra o interventor no estado. Esse movimento, conhecido como o 22 de Agosto, levou o interventor a dar ordens à polícia para cercar e invadir a faculdade, sendo presos na ocasião mais de quinhentos estudantes.

No final do ano de 1932, quando se iniciaram os preparativos para as eleições para a Assembléia Nacional Constituinte, a oposição organizada em torno de Otávio Mangabeira e do Partido Republicano Baiano decidiu criar a Liga de Ação Social e Política (LASP) da Bahia, que também foi chamada de “Liga dos Amigos de São Paulo”. O outro grupo de oposição era liderado por J. J. Seabra, que tentou reorganizar o Partido Republicano Democrata da Bahia.

Embora no exílio, Otávio Mangabeira foi um dos principais artífices da LASP, que lançou as bases de sua organização e de seu programa através do manifesto de 15 de dezembro de 1932. Este programa foi oficialmente aprovado em reunião de 7 de fevereiro de 1933.

 

Programa

Os principais itens do programa da LASP defendiam o governo federativo; o parlamentarismo; a separação da Igreja e do Estado; a ampliação dos direitos políticos e civis da mulher; o direito de voto aos estudantes superiores (proposta do acadêmico de direito Rômulo de Almeida); a prioridade dos problemas educacionais sobre o demais e o ensino obrigatório e gratuito no primário e acessível nos demais estágios; a justiça una e módica, com processo uno e simples; o incentivo à indústria, e a melhoria da agricultura.

A presidência da LASP foi entregue a Aluísio de Carvalho Filho. Luís Viana Filho foi eleito primeiro-secretário; ao engenheiro Valdomiro Montenegro de Oliveira coube o cargo de segundo-secretário, e a Renato Teixeira, o cargo de tesoureiro.

 

Atuação

Logo após a organização da nova agremiação, Luís Viana Filho dela se desligou por divergir do item de seu programa que defendia o parlamentarismo.

As forças oposicionistas não eram importantes numericamente, mas tinham uma certa tradição política e possuíam um órgão de divulgação de grande prestígio no jornal A Tarde.

A LASP iniciou sua propaganda eleitoral apresentando como candidatos à Constituinte Aluísio de Carvalho Filho, Ernesto de Sá Bittencourt Câmara, Jaime Tourinho Aires, Nestor Duarte Guimarães e Rui Penalva. Seus candidatos se integraram na legenda A Bahia ainda é a Bahia, que reuniu numerosos candidatos independentes identificados com a oposição. Sob essa legenda a LASP elegeu um único representante, Aluísio de Carvalho Filho. O outro candidato eleito pela legenda foi J. J. Seabra, do Partido Republicano Democrata.

Diante do resultado obtido nas eleições de 1933 e com a proximidade das eleições de 14 de outubro de 1934, em que seriam escolhidos os representantes baianos à Câmara Federal e à Assembléia estadual, a oposição se reorganizou em torno da legenda Governador Otávio Mangabeira. Essa legenda reuniu toda a oposição ao interventor Juraci Magalhães e seu partido, o Partido Social Democrático (PSD) da Bahia. Entretanto, mesmo unida, a oposição não conseguiu derrotar a situação. O PSD elegeu 14 deputados federais, enquanto apenas sete oposicionistas foram indicados. Para a Assembléia Constituinte estadual a oposição elegeu dez representantes, enquanto os governistas elegeram 32. Os oito representantes classistas vieram reforçar ainda mais a posição do PSD.

Após a derrota de 1934, desejando integrar uma ação de caráter nacional contra a política dominante, as oposições baianas formalizaram sua união fundando a Concentração Autonomista da Bahia, sob a liderança de Otávio Mangabeira. A LASP foi assim absorvida pelo novo partido.

Alzira Alves de Abreu

 

 

FONTES: Correio da Manhã (11/2/33); Diário Oficial da Bahia (23/2/33); Tarde (5/1, 1, 8, 10 e 24/2/33).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados