MOVIMENTO SINDICAL DEMOCRATICO

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Nome: MOVIMENTO SINDICAL DEMOCRÁTICO
Nome Completo: MOVIMENTO SINDICAL DEMOCRATICO

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MOVIMENTO SINDICAL DEMOCRÁTICO

MOVIMENTO SINDICAL DEMOCRÁTICO

 

Organização de trabalhadores, de orientação anticomunista, constituída durante o I Encontro Interestadual do Sindicalismo Democrático, realizado em São Paulo em fins de julho de 1961. Desapareceu após o movimento político-militar de 31 de março de 1964.

Pouco antes do mês de julho de 1961, as lideranças das associações sindicais anticomunistas do então estado da Guanabara formaram o núcleo de uma nova entidade trabalhista, denominada Movimento dos Trabalhadores Livres e Democráticos do Brasil.

Por outro lado, em contrapartida ao encontro sindical nacional realizado no mês de maio em Belo Horizonte por iniciativa dos líderes trabalhistas vinculados ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) e ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), as entidades sindicais anticomunistas promoveram no mês de julho em São Paulo o I Encontro Interestadual do Sindicalismo Democrático. Seu objetivo era articular as forças de oposição ao comunismo em defesa da propriedade privada e da livre empresa.

Durante a reunião, da qual participaram Carlos Alberto de Carvalho Pinto, governador de São Paulo, um representante de Carlos Lacerda, governador da Guanabara, e Herbert Levy, deputado federal pela União Democrática Nacional (UDN), o Movimento dos Trabalhadores Livres e Democráticos do Brasil converteu-se no Movimento Sindical Democrático (MSD), aglutinando também líderes sindicais recém-saídos do Conselho Sindical dos Trabalhadores (CST) de São Paulo.

O MSD era apoiado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC) e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes Terrestres (CNTTT), ambas filiadas à Confederação Internacional dos Sindicatos Livres e à Organização Regional Interamericana de Trabalhadores (ORIT). Além de contar com o apoio dos governadores udenistas Carvalho Pinto e Lacerda, o movimento era controlado pelo Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), organização de direita formada por empresários em 1959.

Por ocasião da renúncia do presidente Jânio Quadros, em agosto de 1961, e diante da disposição dos comunistas de declarar greve geral em apoio à posse do vice-presidente João Goulart, contestada pelos ministros militares, o MSD lançou um manifesto conclamando os operários a manterem a ordem. No mês de setembro, como solução para a crise política, foi adotado o regime parlamentarista e Goulart assumiu a presidência da República.

Nas eleições para a diretoria da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), realizadas em dezembro de 1961, o MSD apoiou o candidato Heraci Fagundes Wagner em oposição à chapa sustentada por Goulart, que incluía os nomes de Clodesmidt Riani, Dante Pelacani e Benedito Cerqueira. Esta última chapa saiu vitoriosa e, logo após tomar posse, organizou uma greve geral em São Paulo e na Guanabara com o objetivo de forçar a aprovação pelo Congresso do abono de Natal (salário extra a ser pago ao final do ano). O movimento contou com a oposição dos líderes do MSD.

Em fins de abril de 1962, durante um congresso do MSD de São Paulo, realizado na cidade de São José do Rio Preto com a presença de mais de 20 entidades sindicais, foram apresentadas algumas reivindicações, entre as quais a de que as autoridades federais desenvolvessem uma ação enérgica para impedir a elevação dos preços, responsável pela ocorrência de greves.

Em junho de 1962, após a renúncia de Tancredo Neves ao cargo de primeiro-ministro, o MSD pediu ao Congresso que ignorasse a pressão do recém-formado Comando Geral de Greve (CGG), que reivindicava a indicação de Francisco Clementino de San Tiago Dantas para a chefia do ministério.

No dia 5 de julho, o CGG deflagrou greve geral por 24 horas em protesto contra a indicação do senador Auro de Moura Andrade para o cargo de primeiro-ministro. Nove sindicatos filiados ao Fórum Sindical de Debates, de Santos, discordaram da greve, ingressando no fim do mês no MSD.

Em agosto, realizou-se em São Paulo o IV Congresso Sindical Nacional dos Trabalhadores, durante o qual o CGG transformou-se no Comando Geral dos Trabalhadores (CGT). Em reação a esse encontro, o MSD organizou no Rio de Janeiro, com o apoio de Carlos Lacerda, o II Congresso do Sindicalismo Democrático, que foi presidido por Antônio Pereira Magaldi, presidente da CNTC. Durante o encontro, que reuniu 1.400 delegados representando 298 sindicatos, Lacerda propôs a criação da Central dos Trabalhadores Democráticos, destinada a neutralizar a ação do CGT. As reivindicações de caráter econômico, defendidas em sua grande maioria pelos sindicatos católicos, foram assim abafadas por propostas de cunho político.

Em abril de 1963, em colaboração com o MSD, o Instituto Americano para o Desenvolvimento do Sindicalismo Livre financiou a criação em São Paulo do Instituto Cultural do Trabalho, que mantinha estreita ligação com a embaixada norte-americana.

Em meados do ano, Antônio Pereira Magaldi colaborou com a União Sindical dos Trabalhadores, organização trabalhista proposta por Goulart com a finalidade de enfraquecer o CGT.

O MSD apoiou o movimento político-militar de março de 1964, tendo seus membros logo depois assumido a direção de grande número de sindicatos em substituição às diretorias depostas.

Mônica Kornis

 

 

FONTES: BANDEIRA, M. Presença; CÂM. DEP. Anais; DULLES, J. Unrest; GRIECO, J. Union; HARDING, T. Political; RODRIGUES, J. Sindicato.

 

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