PARTIDO DE REEDIFICACAO DA ORDEM NACIONAL (PRONA)

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Nome: PARTIDO DE REEDIFICAÇÃO DA ORDEM NACIONAL (PRONA)
Nome Completo: PARTIDO DE REEDIFICACAO DA ORDEM NACIONAL (PRONA)

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:

PARTIDO DE REEDIFICAÇÃO DA ORDEM NACIONAL (Prona)

 

 

Partido político nacional fundado em 1989, sob a presidência do médico Enéias Ferreira Carneiro. Foi extinto em 26 de outubro de 2006, após fundir-se com o Após obter seu registro provisório no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 20 de junho de 1989, o Prona lançou a candidatura de Enéias Carneiro à eleição presidencial prevista para novembro seguinte. Como não possuía representante no Congresso Nacional, o partido só podia contar com duas inserções diárias de 15 segundos no horário eleitoral gratuito no rádio e na TV. O até então desconhecido Enéias Carneiro conseguiu chamar a atenção pelo tom enfático e pela rapidez com que defendia suas propostas, finalizando invariavelmente suas aparições com a frase: “Meu nome é Enéias!”

O discurso do candidato do PRONA era marcado por uma retórica agressiva contra os “políticos profissionais” e enfatizava a necessidade de se restabelecer a ordem na sociedade. Enéias acabou por se destacar entre os candidatos menos conhecidos que disputavam o pleito, conquistando algum espaço nos meios de comunicação. Na grande maioria das vezes, porém, os jornais preferiam chamar a atenção mais para o lado considerado excêntrico do candidato do que para as propostas por ele defendidas. Realizado o pleito, Enéias obteve 360.557 votos (0,46% do total), ficando em décimo lugar entre os 21 concorrentes.

No ano seguinte, o PRONA concorreu com candidatos próprios às eleições para o Congresso Nacional e para os governos e as assembléias legislativas estaduais. Enéias, cumprindo o compromisso assumido no ano anterior, de não utilizar a candidatura presidencial como trampolim para a conquista de outro cargo eletivo, limitou-se a apoiar seus correligionários na disputa por cadeiras no Parlamento. Nenhum deles, porém, conseguiu eleger-se. Em 30 de outubro o Prona obteve seu registro definitivo no TSE.

Após novos resultados inexpressivos nas eleições municipais de 1992, o PRONA reapareceu com mais força no pleito de 1994, quando novamente apresentou a candidatura presidencial de Enéias, tendo como candidato a vice o almirante Roberto Gama e Silva. Nessa ocasião, o tempo destinado ao partido no horário eleitoral no rádio e na TV foi ligeiramente ampliado, em virtude da entrada no partido da deputada federal fluminense Regina Gordilho, que fora eleita pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). As pesquisas eleitorais indicavam, então, que o candidato do PRONA teria um número de votos significativamente maior do que na eleição anterior, o que lhe valeu um tratamento mais sério e ao mesmo tempo mais hostil por parte da maioria da imprensa. Durante a campanha, diversos jornalistas acusaram Enéias de representar o fascismo e de ser o candidato da ultradireita.

Registrado em 17 estados, o Prona também apresentou candidatos a governador em 12 deles. Nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, os candidatos foram respectivamente o brigadeiro Álvaro Dutra e o coronel-aviador Paulo Santoro. Negando-se a realizar coligações com outros partidos, o Prona apresentou ainda candidatos próprios ao Senado, à Câmara e às assembléias legislativas.

Identificando o PRONA como a “única coisa séria que existe no país”, Enéias pautou novamente sua campanha por uma crítica virulenta aos demais partidos e candidatos. Denunciou a ausência de autoridade na vida do país e chamou a atenção para o fato de o Brasil estar “à beira do caos”. Segundo ele, “da ação centralizadora das décadas de 1960 e 1970, que esmagava o pensamento e silenciava as vozes de oposição, chegou-se, num processo dialético, à sua antítese, à não-autoridade, à não-decisão, à não-realização, à inação, à quase anarquia”. Em contraposição ao neoliberalismo, propunha um “Estado forte, intervencionista e técnico”. Afirmando ser um partido “nacionalista”, o PRONA criticava “a abertura total do sistema produtivo nacional”, “a entrega do subsolo do país às mineradoras multinacionais” e “a eliminação de qualquer privilégio às empresas de capital nacional”. O partido acusava ainda a democracia brasileira de estar “a serviço das alienadas elites dirigentes” e defendia um modelo econômico que priorizasse o mercado interno e combatesse a concentração da renda e os desequilíbrios regionais. O Plano Real, adotado pelo governo Itamar Franco para conter a inflação, e que consistia no principal impulsionador da candidatura presidencial de Fernando Henrique Cardoso, ex-ministro da Fazenda, era classificado de “político-eleitoreiro” e apontado como responsável por uma enorme queda no poder aquisitivo da população.

Ocupando um espaço político maior que na disputa anterior, Enéias obteve 4.671.810 votos, correspondentes a 7,4% dos votos válidos. Classificou-se na terceira posição entre os nove concorrentes, superando candidatos lançados por partidos mais estruturados, como os ex-governadores Orestes Quércia, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Leonel Brizola, do PDT, e Esperidião Amin, do Partido Progressista Reformador (PPR).

O desempenho dos candidatos do PRONA aos demais cargos em disputa, porém, não acompanhou a votação de Enéias. Nenhum dos candidatos aos governos estaduais e ao Senado conseguiu uma votação expressiva. As chapas do partido à Câmara não atingiram o coeficiente eleitoral em nenhum dos estados do país, o que deixou o Prona novamente sem representantes no Congresso Nacional.

Nas eleições gerais de 1998 o partido apresentou novamente a candidatura de Enéias Carneiro à presidência da República. Dessa vez, porém, seu desempenho não foi tão bom como em 1994: Enéias terminou a eleição em quarto lugar, e sua votação caiu para 1.447.080 votos, ou cerca de 2,14% do total. Na disputa pelo governo do estado do Rio de Janeiro o PRONA apresentou o nome do médico Lenine de Sousa, que obteve 0,96% dos votos, terminando em quinto lugar. O candidato do partido ao governo de São Paulo foi Constantino Cury Neto, que acabou em sexto lugar com 0,41% dos votos válidos. Para a Câmara dos Deputados o partido elegeu seu primeiro e único representante, o pastor evangélico De Velasco, de São Paulo.

Nas eleições de 2000 foram apresentados pelo PRONA candidatos a prefeitos em quinze municípios, inclusive no Rio de Janeiro, em São Paulo, e em importantes municípios das regiões metropolitanas destas duas capitais, mas nenhum se elegeu.

Já dois anos depois, nas eleições gerais, o partido de Enéias Carneiro não lançou candidatura própria para presidente da República, nem se coligou oficialmente para isso. O partido apresentou candidatos aos governos de cinco estados: Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Rondônia. Mais uma vez, nenhum se elegeu ou qualificou-se para um eventual 2º turno. Também disputaram pelo PRONA, com o mesmo resultado, sete candidatos ao Senado, nos cinco estados mencionados anteriormente, e também em Roraima e no Distrito Federal. Para a Câmara Federal, porém, o partido obteve talvez o mais expressivo resultado de sua história, elegendo cinco representantes, todos em São Paulo, graças ao expressivo desempenho de seu líder nas urnas. Enéias Carneiro obteve, sozinho, mais de 1, 5 milhão de votos, e garantiu cadeiras para os colegas, tendo três deles obtido menos do que 700 votos, no maior colégio eleitoral do Brasil. O resultado e disparidade das votações obtidas pelo PRONA deram início, inclusive, a debate sobre o nosso modelo de sistema eleitoral proporcional. Finalmente, foram eleitos na legenda sete deputados estaduais, concentrados em sua maioria, mais uma vez, em São Paulo.

Dos trinta e sete candidatos a prefeito lançados pelo partido nas disputas de 2004, sete tiveram êxito no 1º turno, quase todos em municípios de estados do Nordeste, particularmente no Maranhão. Nas eleições gerais de 2006, Enéas Carneiro chegou a anunciar sua candidatura à Presidência da República outra vez, mas desistiu do tento após ser acometido por graves problemas de saúde. Ainda assim, concorreu no pleito realizado em Outubro a um novo mandato de deputado federal por São Paulo, quando, sem a tradicional barba em função de tratamento médico, recebeu 387 mil votos e obteve êxito no tento da reeleição. Neste pleito, não foi o único candidato eleito pelo PRONA, que também elegeu a deputada Suely Santana, no Rio de Janeiro, além de ter lançado candidatos a governador no Acre, Maranhão, Minas Gerais e Pernambuco.

Em 26 de Outubro de 2006, foi anunciada a fusão do PRONA com o Partido Liberal (PL), dando ensejo à criação de uma nova legenda: o Partido da República. A fusão foi motivada pela tentativa de escapar às exigências da chamada cláusula de barreira, fixada pela legislação eleitoral, que seria posta em prática após confirmados os resultados das eleições daquele ano, e que praticamente inviabilizaria a existência de partidos relativamente pequenos, como o PRONA.

 

 

André Couto

 

 

FONTES: Estado de S. Paulo (18/11/1989); Folha de S. Paulo (22/10/1989 e 18/11/1989); Isto É (19/10/1994); Jornal do Brasil (22/10/89, 19/10/1990, 30/05/1994 e 17/10/94); PRONA. Estatuto; PRONA. Grande; Veja (31/08/1994 e 14/09/1994); Portal TSE. Disponível em: <http://www.tse.gov.br/>.  Acesso em 21/12/2009.

 

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