PARTIDO NACIONALISTA DE SAO PAULO

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: PARTIDO NACIONALISTA DE SÃO PAULO
Nome Completo: PARTIDO NACIONALISTA DE SAO PAULO

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:
PARTIDO NACIONALISTA DE SÃO PAULO

PARTIDO NACIONALISTA DE SÃO PAULO

 

Partido político paulista fundado em 20 de novembro de 1932.

Seu diretório central era integrado por Mário Antunes Maciel Ramos (presidente), Manuel Vítor de Azevedo, Alfredo Pinheiro, Elias Siqueira Cavalcanti, José Mário d’Ávila, Paulo de Godói, Marcelo Miranda Torres, Ciro Melo Pupo e Amadeu Fernandes Fidalgo.

A leitura de seu manifesto-programa ocorreu durante uma solenidade realizada no Teatro Municipal de São Paulo, em 4 de março de 1933. Segundo o documento, em que se achavam resumidas as finalidades da nova agremiação, o Partido Nacionalista tinha “Deus como fundamento de suas leis básicas, Deus como inspirador de suas decisões e Deus como orientador de seus atos”. A Constituição do país deveria ser, pois, promulgada em nome de Deus.

Nos 22 itens que se seguiam, o Partido Nacionalista declarava-se “favorável à manutenção do regime republicano federativo, com autonomia dos estados e municípios, à implantação do voto secreto e à responsabilidade efetiva pelos excessos do mandato representativo”.

Propondo uma reforma do regime tributário, o partido defendia “a) a substituição dos impostos de exportação (sobretudo dos que incidiam sobre o café) por outros mais racionais; b) a modificação dos impostos de importação, refundindo-se as tarifas alfandegárias, introduzindo-se medidas de proteção aos produtos nacionais com qualidades econômicas próprias, e facultando-se a livre entrada aos produtos estrangeiros sem similares nacionais, e c) a eliminação de todos os impostos interestaduais e intermunicipais”.

O manifesto solicitava providências para que se intensificasse a imigração. No tocante à higiene, pleiteava a ampliação e o aperfeiçoamento dos serviços de saneamento das zonas rurais e urbanas, bem como a proteção à infância.

Pretendia ainda o Partido Nacionalista bater-se por uma reforma bancária que atendesse “às diferentes modalidades de crédito, tendo como centro propulsor um banco de emissão; pela implantação e desenvolvimento do cooperativismo moderno, e pela intensificação das vias de comunicação, sobretudo estradas de rodagem”.

O manifesto-programa pregava a adoção dos princípios da encíclica Rerum Novarum referentes ao capital e ao trabalho e propunha ainda a organização da sindicalização gradativa das classes proletárias e patronais, a instituição do seguro para o operário e a criação nos estados de tribunais encarregados dos litígios entre os operários e patrões

Adotando as doutrinas da Igreja Católica, o Partido Nacionalista manifestava-se também favorável à manutenção do vínculo conjugal e à instituição do ensino religioso facultativo nas escolas públicas.

Apesar da influência da Igreja no programa de seu partido, Mário Antunes Maciel Ramos declarou que a organização não era um partido católico, e ao mesmo tempo desmentiu as notícias de que o cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, dom Sebastião Leme, a ele se opunha. Em princípios de abril de 1933, Mário Antunes Maciel Ramos afirmou que o Partido Nacionalista não criaria obstáculos à formação de uma chapa única paulista para concorrer às eleições para a Constituinte.

Ainda no início de abril, entretanto, foi registrada uma cisão nas fileiras do Partido Nacionalista com o desligamento de Ciro Pupo e de José Maria d’Ávila, que foram acompanhados pelos diretórios distritais de Santana, Liberdade e Consolação.

Segundo Edgar Carone, o Partido Nacionalista de São Paulo teria sido fundado sob inspiração fascista. Como vários outros que precederam a emergência do integralismo e tiveram pequena expansão, teria desaparecido ou se fundido na Ação Integralista Brasileira.

 

 

FONTES: CARONE, E. Revolução; Correio da Manhã (7/3/33); Estado de S. Paulo (5/3/33); Jornal do Comércio (2 e 6/4/33); República (23/11/32).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados