PARTIDO NACIONALISTA (PN)

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: PARTIDO NACIONALISTA (PN)
Nome Completo: PARTIDO NACIONALISTA (PN)

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:
PARTIDO NACIONALISTA (PN)

PARTIDO NACIONALISTA (PN)

 

Partido político fundado sob a presidência do militar da reserva Nemo Canabarro Lucas. Legalizado em maio de 1985, não chegou a obter registro definitivo e foi extinto em 1990.

O PN recebeu habilitação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 1985, mas sua origem é bem mais antiga. Segundo o jornalista Loureiro Júnior, secretário-geral e redator do programa da agremiação, o partido tem origem na agremiação homônima fundada na década de 1950 e na campanha do “Petróleo é nosso”.

Em 1955, foi criada a Frente Nacionalista, organização cujo principal líder era Nemo Canabarro Lucas. Em 1961 ela deixou de existir sendo substituída pelo Partido Nacionalista, que embora oficialmente fundado já em janeiro de 1958 não tivera existência concreta até então. Em 28 de dezembro de 1963 uma nota do Partido Nacionalista (PN), assinada pelo coronel Nemo Canabarro Lucas, foi publicada no Jornal do Brasil. Na nota se afirmava que seria iniciado no mês de janeiro de 1964 um movimento para combater “as falsas reformas de sentido comunizante” do governo João Goulart. Com a promulgação do Ato Institucional nº 2, de 27 de outubro de 1965, o regime militar que depusera João Goulart da presidência em 1º de abril de 1964 extinguiu todos os partidos existentes, entre eles o PN.

Em novembro de 1977, ainda durante a vigência do regime militar, e quando só existiam dois partidos legais no país — a agremiação governista Aliança Renovadora Nacional (Arena) e seu opositor, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) —, foi divulgado um manifesto assinado pelo PN em defesa da candidatura do senador e ex-governador mineiro Magalhães Pinto à presidência da República. Membro da Arena, Magalhães buscava apoio para viabilizar sua candidatura presidencial, apresentando-se como um continuador civil do regime. Apesar de defender, neste documento, o restabelecimento do estado de direito, o PN elogiou o movimento político-militar de 1964, responsável, segundo o partido, pelo fim da “política facciosa do grupo esquerdista dominante no governo federal”.

Quando se promovia em todo o país a campanha das diretas, o PN voltou a se manifestar, em abril de 1984, apoiando o movimento popular e defendendo o lançamento da candidatura do vice-presidente Aureliano Chaves à presidência. Segundo o partido, Aureliano era o único nome capaz de unir oposicionistas e governistas favoráveis ao restabelecimento das diretas em torno de uma candidatura “nacional” e “suprapartidária”.

Divulgado por ocasião da legalização do partido, em 1985, o programa do PN defendia a transformação de todas as instituições de base classista em instituições de base nacional, propunha a organização econômica do país com base na cooperação, para valorizar todos os que participavam do trabalho e da produção; pedia a suspensão temporária do pagamento da dívida externa e a revogação da Lei de Segurança Nacional. Segundo seu secretário-geral, o PN rejeitava qualquer movimento político estrangeiro, o que incluía tanto o nazismo quanto o comunismo. Os verdadeiros inspiradores do partido eram Tiradentes, Getúlio Vargas e Monteiro Lobato.

Em novembro de 1985, o PN participou da eleição para prefeito do Rio de Janeiro lançando a candidatura do vereador Wilson Leite Passos, egresso do Partido Democrático Social (PDS). Leite Passos obteve 6.997 votos, ficando na 14ª posição entre os 19 concorrentes.

No ano seguinte, o partido apresentou candidatos às eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, mas nenhum de seus membros foi eleito. Em 1989, o PN lançou a bancária Lívia Maria de Abreu à presidência da República. Única mulher a disputar o cargo naquele pleito, a candidata do PN recebeu 179.896 votos (0,22% do total), ficando na 16ª posição entre os 21 candidatos.

Sem conseguir cumprir as exigências necessárias para a obtenção de seu registro definitivo, o PN foi declarado extinto pelo TSE em agosto de 1990.

 

FONTES: Folha de S. Paulo (18/8/85); Jornal do Brasil (15/4/84, 13/5, 27/6, 13/7, 16/8 e 18/11/85, 19/9/89); Mensagem (11/77); NICOLAU, J. Multipartidarismo; Veja (26/7/89).

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados