PARTIDO SOCIALISTA FLUMINENSE (PSF)

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Nome: PARTIDO SOCIALISTA FLUMINENSE (PSF)
Nome Completo: PARTIDO SOCIALISTA FLUMINENSE (PSF)

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PARTIDO SOCIALISTA FLUMINENSE (PSF)

PARTIDO SOCIALISTA FLUMINENSE (PSF)

 

Partido político fluminense fundado em 14 de dezembro de 1932, filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB). Foi extinto junto com os demais partidos do país pelo Decreto nº 37, de 2 de dezembro de 1937, logo após a instauração do Estado Novo.

Com um programa idêntico ao do PSB, o PSF teve como principais organizadores César Tinoco, Vicente Ferreira de Morais, José Alípio Costallat, Eugênio de Macedo Torres, Altivo do Vale e Silva, Altivo Linhares, Carlos Alberto Nóbrega da Cunha, o general Cristóvão Barcelos e o capitão Asdrúbal Gwyer de Azevedo. Os dois últimos, por discordarem das linhas expostas no programa, em pouco tempo desligaram-se da agremiação.

Nas eleições de maio de 1933 para a Assembléia Nacional Constituinte, o PSF coligou-se com o Partido Proletário do Rio de Janeiro e conseguiu eleger dois representantes: José Alípio Costallat e César Tinoco. Sua força eleitoral concentrava-se sobretudo em Rio Bonito, Itaboraí, Capivari, Barra de São João e Mangaratiba.

Em 1934, na preparação das eleições de outubro para a Câmara Federal e a Assembléia Constituinte estadual — a qual, por sua vez, deveria eleger o governador do estado e dois senadores, a aliança com o Partido Proletário se rompeu. Devido a divergências quanto à organização das chapas de candidatos, uma facção do Partido Proletário uniu-se ao Partido Liberdade e Trabalho, enquanto a comissão executiva mantinha o acordo com o PSF. Realizado o pleito, o Partido Proletário não elegeu nenhum representante, mas o PSF reconduziu Alípio Costallat e César Tinoco à Câmara Federal e elegeu cinco deputados estaduais.

Por essa época, os partidos de maior força eleitoral no estado do Rio eram a União Progressista Fluminense (UPF) e o Partido Popular Radical (PPR). Para conquistar o governo do estado, ambos os partidos precisariam do apoio do PSF. Dos cinco deputados socialistas eleitos, três — Quinto Ferrari, Luís Frederico Carpenter e João Herdy Boechat — eram simpatizantes da UPF. A comissão executiva do PSF, entretanto, iniciou entendimentos com o PPR, o que provocou atritos com outro deputado socialista eleito, Antero Manhães. Empenhados cada vez mais num acordo com o PPR, os dirigentes socialistas decidiram substituir esses quatro deputados por suplentes, a saber, José de Oliveira Campos Júnior, Modesto Vilela, Carlos Alberto Nóbrega da Cunha e Francisco Bittencourt Júnior.

Nesse momento, o PPR apresentou ao PSF uma lista com cinco nomes, entre os quais deveria ser escolhido o candidato a governador: Raul Fernandes, João Guimarães, Levi Carneiro, Oscar Weinschenck e José Eduardo de Macedo Soares. O PSF não aceitou a lista, alegando já ter um candidato: o deputado Pedro Luís Correia e Castro, o quinto membro de sua bancada estadual. Correia e Castro, apoiado sobretudo por Alípio Costallat, Altivo do Vale e Silva e Luís Guarino, tampouco foi aceito pelo PPR.

Em junho de 1935 ocorreu uma cisão na comissão executiva do PSF, no momento em que César Tinoco anunciou que seu candidato não seria mais Correia e Castro e sim Alfredo Backer, ex-membro do Partido Republicano Fluminense (PRF), fundador do Partido Liberal Social Fluminense e desde o ano anterior filiado ao PSF. Por outro lado, os suplentes do PSF indicados para substituir os titulares passaram a apoiar uma terceira candidatura, a de Vicente Ferreira de Morais, ex-secretário de Finanças do estado.

Dentro do PPR as divergências também se sucediam. As preferências polarizavam-se em torno de Macedo Soares e Raul Fernandes. A maioria decidiu-se por este último, mas não conseguiu a concordância do PSF. Ao final, ficou assentado que o candidato dos dois partidos, unidos na Coligação Radical Socialista, seria o almirante Protógenes Guimarães. Seu adversário, lançado pela UPF, seria o general Cristóvão Barcelos.

O clima de tensão nas eleições fluminenses era agravado pelas tentativas de interferência tanto do governo federal como dos governos de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul, preocupados com o peso político que teria o estado do Rio na escolha do sucessor de Getúlio Vargas em 1938. Contra esse tipo de interferência externa, representantes de quase todos os partidos fluminenses, inclusive o PSF, tentaram organizar em setembro de 1935 um movimento denominado Aliança Autonomista Fluminense.

Nesse mês, foi definida a bancada do PSF na Assembléia estadual. Além de Correia e Castro, dela faziam parte Antero Manhães, Capitulino dos Santos Júnior, Alfredo Backer e Luís Guarino. Definiram-se igualmente os dois blocos adversários: a Coligação Radical-Socialista incluiu 18 deputados do PPR, quatro do PSF e um do PRF, num total de 23 representantes, enquanto a UPF, além de seus 19 deputados, recebeu o apoio de dois deputados do Partido Evolucionista do Rio de Janeiro e de Correia e Castro, dissidente do PSF, totalizando 22 votos.

No momento da votação o tumulto tomou conta da Assembléia. Capitulino dos Santos, cuja adesão à UPF seria decisiva, foi ferido a bala ao depositar seu voto na urna. No tiroteio foi também alvejado o general Barcelos.

O vencedor do pleito foi Protógenes Guimarães, mas, alegando coação manifesta, tentativa de morte e quebra do sigilo do voto, a UPF interpôs recurso junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra esse resultado. A ação foi aceita e novas eleições foram marcadas. A Coligação Radical Socialista reapresentou Protógenes Guimarães, que foi afinal eleito em novembro seguinte. Para o Senado elegeram-se José Eduardo de Macedo Soares e Alfredo Backer.

O almirante Protógenes começou sua administração tentando a pacificação política do estado através de um acordo entre a Coligação Radical Socialista e a UPF. As disputas dos dois grupos pelas prefeituras municipais neutralizavam, contudo, qualquer iniciativa conciliadora. Uma comissão da Coligação Radical Socialista manifestou ao governador sua desaprovação diante de sua política, o que o levou a pensar em renunciar. A UPF apresentou, porém, uma moção de solidariedade ao governo, que acabou sendo apoiada por 21 dos deputados da coligação.

Sempre na tentativa de solucionar os conflitos partidários, o almirante Protógenes criou uma comissão política na Assembléia Legislativa, da qual participou César Tinoco. As disputas se prolongaram, enquanto, por outro lado, era articulada a organização de um novo partido de apoio ao governo. Os representantes do PSF nessas negociações eram César Tinoco e Correia e Castro.

Em 1937, a campanha pela sucessão presidencial acirrou a luta entre os políticos fluminenses. Os membros da Coligação Radical Socialista que apoiavam Protógenes aderiram à candidatura de José Américo de Almeida e, para intensificar esse apoio, César Tinoco, à frente de um grupo unido ao Partido Proletário, fundou a Coligação Democrática Fluminense.

Com a instalação do Estado Novo, o PSF e todos os partidos do país foram extintos.

Alzira Alves de Abreu

 

 

FONTES: Diário de Notícias, Rio (1930-37); Estado, Rio (1930-37).

 

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