PARTIDO TRABALHISTA NACIONAL (PTN)

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Nome: PARTIDO TRABALHISTA NACIONAL (PTN)
Nome Completo: PARTIDO TRABALHISTA NACIONAL (PTN)

Tipo: TEMATICO


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PARTIDO TRABALHISTA NACIONAL (PTN)

PARTIDO TRABALHISTA NACIONAL (PTN)

 

Partido político de âmbito nacional fundado em 1945 por elementos diretamente vinculados ao Ministério do Trabalho, que tinham como objetivo organizar a massa sindicalizada independente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), criado sob inspiração de Getúlio Vargas. Foi extinto pelo Ato Institucional nº 2 (AI-2), de 27 de outubro de 1965.

 

Atuação

Os quadros dirigentes do Partido Trabalhista Nacional (PTN) em sua fase de formação eram partidários da candidatura do general Eurico Dutra à presidência da República e não contavam com grande popularidade, o que limitou sua penetração no seio das massas.

Nas eleições para a Assembléia Nacional Constituinte realizadas em 2 de dezembro de 1945, o partido participou de uma coligação com o Partido Republicano Progressista (PRP) em São Paulo, que elegeu Romeu de Campos Vergal, pertencente a essa última agremiação. No ano seguinte o PRP se transformaria no Partido Social Progressista (PSP) e o PTN obteria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o registro definitivo.

Ainda em 1946, Hugo Borghi, líder do PTB paulista, em virtude de suas divergências com a direção do partido, sentiu-se desprestigiado e considerou sua candidatura ao governo de São Paulo boicotada. Ainda que sem cancelar sua filiação, Borghi afastou-se então do PTB, lançando sua candidatura pelo PTN. Derrotado nas eleições em janeiro de 1947, retornou ao PTB convocando uma convenção desse partido, elegendo-se outra vez presidente do seu diretório estadual. Contudo, o diretório nacional do PTB não reconheceu a eleição e expulsou Borghi do partido. Nessas condições Borghi ingressou efetivamente no PTN, trazendo consigo antigos petebistas, entre os quais Emílio Carlos, e passando a dedicar-se à sua organização.

À frente do novo partido, Borghi propôs sua reestruturação total, assumindo seu controle através da eleição do deputado federal Emílio Carlos para a direção nacional, e da sua própria eleição para presidência do diretório paulista.

A ascensão do grupo petebista dentro do PTN foi marcada por uma luta intensa entre as diversas facções, ficando o domínio desse grupo consolidado somente em 1950, quando o TSE reconheceu a eleição de Emílio Carlos para a presidência nacional do PTN.

Com a proximidade das eleições de outubro de 1950, Borghi propôs a fusão do PTN com o PTB, argumentando com as afinidades ideológicas de ambos os partidos. Essa proposta entretanto, não se concretizou, em virtude da negativa de Emílio Carlos, que defendia a continuidade do PTN independente. Ainda assim, o partido se colocou nessas eleições ao lado do PTB, apoiando a candidatura de Getúlio Vargas para a presidência da República. Para o governo de São Paulo, o PTN lançou candidato próprio, Hugo Borghi, que foi derrotado por Lucas Nogueira Garcez, lançado pelo Partido Social Progressista (PSP).

Em termos globais, os resultado eleitorais desse pleito foram bastante limitados para o PTN. Em São Paulo, o PTN elegeu cinco deputados federais (Emílio Carlos, Dario de Barros, Joaquim Coutinho Cavalcanti, Nélson Omegna, Alberto Botino), e em Goiás apenas um, em coligação com o PSP (João d’Abreu). Para as assembléias estaduais elegeu quatro deputados em Minas, cinco em Goiás e nove em São Paulo.

Em vista dos resultados eleitorais pouco favoráveis do PTN, ao se iniciar o ano de 1951 Borghi e alguns de seus seguidores retornaram ao PTB, ocorrendo aí sua cisão com Emílio Carlos, que permaneceu no PTN. Superada essa fase de conflitos, o PTN evoluiu sob a égide de Emílio Carlos, estruturando-se em definitivo. Ainda assim sua capacidade eleitoral manteve-se limitada, continuando São Paulo a ser sua principal base eleitoral mantendo-se reduzida a sua expansão para outros estados, através de coligações.

Seu primeiro sucesso eleitoral significativo ocorreu em 1953, com a vitória de Jânio Quadros para a prefeitura de São Paulo, em coligação com o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Nas eleições de 1954 novamente PTN obteve algum êxito eleitoral em São Paulo, ao eleger Jânio Quadros para o cargo de governador e Auro de Moura Andrade para senador em coligação com o PSB. Além disso, o partido elegeu cinco deputados federais (Emílio Carlos, Miguel Leuzzi, Luís Francisco de Silva Carvalho, Luís Carlos Pujol e Carlos Castilho Cabral). Contudo, nos demais estados, não conseguiu se expandir.

Tendo em vista as eleições presidenciais de 1955, o PTN realizou sua convenção nacional e firmou seu apoio à candidatura de Juscelino Kubitschek, lançada pela coligação entre o Partido Social Democrático (PSD) e o PTB, indicando o senador Auro de Moura Andrade para a vice-presidência. Consta que essa indicação foi feita por pressão de Jânio Quadros, em virtude de um suposto acordo seu com Juscelino, prevendo o apoio deste para a sua candidatura à presidência em 1961. Tal arranjo, entretanto, não se consolidou, tornando-se João Goulart o companheiro de chapa de Juscelino. Realizado o pleito, ambos foram eleitos.

Coerente com sua posição de apoio à candidatura de Juscelino, o PTN apoiou o Movimento do 11 de Novembro, que depôs o presidente em exercício Carlos Luz com o objetivo de garantir a posse do presidente eleito, questionada por setores udenistas. Poucos dias mais tarde, a bancada do PTN votou a favor do impeachment do presidente João Café Filho, que impediu seu retorno ao poder.

Nas eleições de 1958 o PTN manteve um crescimento significativo em São Paulo, elegendo em coligação com o Partido Democrata Cristão (PDC) Carlos Alberto de Carvalho Pinto para o governo do estado, e oito deputados para a Câmara Federal (Emílio Carlos, Olavo de Castro Fontoura, Rui Novais, Gualberto Moreira, Harry Normanton, Hamilton Prado, Luís Francisco da Silva Carvalho e Miguel Leuzzi).

No ano seguinte, o PTN realizou sua convenção anual e lançou a candidatura de Jânio Quadros para concorrer à presidência da República nas eleições de 1960 em aliança com a União Democrática Nacional (UDN), o PDC, o Partido Libertador (PL) e uma dissidência do PSB. Emílio Carlos, ao lado de Jânio, lutou pela indicação do nome de Fernando Ferrari como candidato à vice-presidência. No entanto, a UDN não aceitou essa indicação e lançou o nome de Mílton Campos, o que provocou uma divisão no eleitorado e acabou por propiciar a vitória do candidato petebista João Goulart, companheiro de chapa de Henrique Teixeira Lott.

Eleito Jânio e iniciado seu mandato em janeiro de 1961, o PTN teve pouca participação no governo, reivindicando apenas que fosse mantida a coligação que garantira a vitória do presidente.

Nas eleições de outubro de 1962, o PTN formou em São Paulo a Coligação Janista, juntamente com o Movimento Trabalhista Renovador (MTR), logrando eleger nove deputados federais, devido principalmente à grande votação alcançada por Emílio Carlos. Realizou coligações também na Bahia, Ceará, Espírito Santo, Guanabara, Pará, Maranhão e Rio Grande do Norte.

Em São Paulo, seu principal núcleo eleitoral, o PTN, mantendo seu apoio a Jânio Quadros, atuou com todo vigor no sentido de promover essas candidaturas ao governo do estado. Entretanto, a renúncia de Jânio à presidência da República criou um descrédito em torno do seu nome, o que levou sua candidatura a um grande fracasso.

Em 23 de janeiro de 1963 morreu repentinamente em Brasília Emílio Carlos, deixando o PTN sem liderança. A partir de então o partido teve uma atuação pouco significante.

Em abril de 1964 o PTN, temendo a perspectiva de ver os congressistas obrigados a simplesmente homologar o nome do general Humberto de Alencar Castelo Branco para o cargo de presidente da República, lançou a candidatura de Amauri Kruel, que no entanto não obteve sucesso.

O PTN, assim como os demais partidos existentes na época, foi extinto em decorrência da promulgação do AI-2 em 27 de outubro de 1965.

Marieta de Morais Ferreira

 

 

FONTES: CARDOSO, F. Partidos; CARMO, J. Diretrizes; ENTREV. BORGHI, H.; PETERSON, P. Brazilian; SKIDMORE, T. Brasil; TRIB. SUP. ELEIT. Dados (1945-1970).

 

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