PATRIA, A

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Nome: PÁTRIA, A
Nome Completo: PATRIA, A

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:
PÁTRIA, A

PÁTRIA, A

 

Jornal carioca diário e matutino fundado em 14 de setembro de 1920 e extinto em 1940.

A Pátria foi fundado por João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, também conhecido como Paulo Barreto ou João do Rio. Tendo-se indisposto com a direção da Gazeta de Notícias, da qual fazia parte, Paulo Barreto recorreu às suas ligações com a colônia portuguesa no Rio de Janeiro para obter as bases financeiras que lhe permitiriam instalar o novo jornal.

Em sua fase inicial, embora não abrisse mão de uma definição política, criticando o governo de Epitácio Pessoa, A Pátria caracterizou-se sobretudo por seu noticiário voltado para a literatura.

Em 1921, devido ao falecimento de Paulo Barreto, a propriedade do jornal passou às mãos de Francisco Valadares, mineiro ligado ao grupo bernardista. Quando Artur Bernardes assumiu a presidência da República, Valadares foi nomeado chefe de polícia do Distrito Federal, o que significou um estreito envolvimento de seu jornal com o governo.

No período seguinte, iniciado em 1926 com a posse do presidente Washington Luís, A Pátria manteve uma posição governista, enfocando porém todos os assuntos sob o ângulo do interesse da política mineira. Ao findar a década de 1920, com a cisão entre as oligarquias mineira e paulista, provocada pela condução do processo sucessório, e diante da formação da Aliança Liberal, a orientação do jornal sofreu uma redefinição.

Em setembro de 1929, Lindolfo Collor, então deputado federal pelo Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), assumiu a direção do diário e passou a apoiar a Aliança Liberal. Desse momento até as eleições de março de 1930, A Pátria tornou-se porta-voz do movimento aliancista, exigindo a anistia, criticando o governo de Washington Luís e promovendo a candidatura de Getúlio Vargas à presidência da República.

Com a derrota de Getúlio, o jornal passou a encampar soluções revolucionárias para a crise política. Dentro dessa perspectiva, foi duramente criticada em suas páginas a entrevista concedida por Borges de Medeiros, antigo chefe do PRR, ao jornal A Noite, conclamando o povo a acatar o resultado das urnas. Essas críticas colocaram Lindolfo Collor em posição difícil e acabaram por forçar sua substituição. A nova diretoria, chefiada por Gil Pereira, manteve a orientação anterior, publicando editoriais violentos em defesa da solução revolucionária.

A eclosão da Revolução de Outubro veio totalmente ao encontro dos anseios de A Pátria, que não poupou seu apoio ao novo Governo Provisório.

No decorrer do ano de 1931, porém, o jornal sofreu profundas alterações, iniciadas com sua venda a Antenor Novais. O novo proprietário passou a imprimir uma feição nitidamente popular ao periódico, alterando ao longo dos meses a anterior simpatia pelo governo.

O progressivo adiamento da restauração da normalidade constitucional recebeu árduas críticas de A Pátria. Em seus editoriais o jornal passou a acusar Vargas por seu autoritarismo e maquiavelismo na condução do processo político, impedindo a redemocratização do país.

Por ocasião da Revolução de 1932, o jornal criou uma coluna diária intitulada “A revolução contra a ditadura”, onde eram noticiados os acontecimentos relativos à revolta paulista. Em conseqüência de sua posição, a partir desse momento A Pátria passou a sofrer severa censura, tendo seu noticiário esvaziado e orientado de acordo com as determinações do governo.

Em meados de 1933, ao se iniciar a abertura política, traduzida entre outras coisas pela suspensão da censura policial, o jornal retomou sua postura oposicionista, dando ampla cobertura aos movimentos e reivindicações populares. Entre suas principais preocupações estavam a denúncia da fome e da miséria reinante no país, bem como a cobertura do movimento sindical.

Em 1934, com o avanço da redemocratização, A Pátria anunciou o início de uma nova etapa em sua existência, comprometendo-se claramente com os interesses do proletariado. Seu desejo não era servir a uma facção do operariado, e sim “cooperar para que suas reivindicações em geral [fossem] atendidas e assim [os trabalhadores pudessem] usufruir dos benefícios a que têm direito”. Defendendo “a liberdade de expressão de todos os credos e ideologias”, o jornal colocava-se “ao lado do proletariado, sem distinção de cor política”.

A despeito dessa perspectiva mais ampla, Antenor Novais se engajou na Frente única Proletária do Rio de Janeiro, candidatando-se a deputado federal nas eleições de outubro de 1934, e fez propaganda política através do jornal. Mesmo diante da derrota dos “candidatos protelários”, A Pátria manteve sua linha, reiterando seu apoio ao movimento operário.

Por ocasião da fundação da Aliança Nacional Libertadora (ANL), em 1935, o jornal deu cobertura ao novo movimento, divulgando farto noticiário e denunciando a repressão policial. A Pátria fez também severas críticas à promulgação da Lei de Segurança Nacional, que a seu ver era apenas uma “lei de segurança pessoal de Getúlio Vargas”.

A crescente repressão desencadeada pelo governo provocou entretanto uma mudança gradativa na linha do jornal. O noticiário político tendeu a se reduzir, sendo enfatizados temas como crimes e esportes. Mesmo sem que fossem feitas críticas diretas ao governo, a preocupação social do jornal ainda se manteve através de reportagens de conteúdo político diluído sobre os problemas dos subúrbios, o atraso dos trens, as condições de vida das classes trabalhadoras. Nessa fase, o jornal deu também especial atenção às denúncias de Abel Chermont sobre torturas a presos políticos.

A despeito do abandono de sua combatividade política e de sua tentativa de conciliação com o governo, A Pátria viu-se envolvida em progressivas dificuldades financeiras.

A partir de 1937, o jornal abandonou definitivamente sua antiga linha, entrando em completo declínio. Suas matérias passaram a apoiar integralmente o governo, a criticar as esquerdas e a justificar a repressão policial. O noticiário político praticamente desapareceu, predominando a publicação de crônicas policiais e de páginas inteiras de algarismos, resultados da loteria e de outros concursos.

Em 1940, A Pátria fechou definitivamente suas portas.

Marieta de Morais Ferreira

 

 

FONTES: ENTREV. MAGALHÃES, M.; Pátria (1920-40).

 

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