RADIO JORNAL DO BRASIL AM

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Nome: Rádio Jornal do Brasil AM
Nome Completo: RADIO JORNAL DO BRASIL AM

Tipo: TEMATICO


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RÁDIO JORNAL DO BRASIL AM

RÁDIO JORNAL DO BRASIL AM

 

A Rádio Jornal do Brasil é uma emissora criada no Rio de Janeiro a partir de uma concessão federal obtida pelo conde Pereira Carneiro e que entrou no ar em 10 de agosto de 1935 como PRF-4/Rádio JB AM, com 10kw de potência.

Dentre as rádios que inauguraram o período de experiência das concessões federais para a área das comunicações — Rádio Roquete Pinto, Rádio Clube do Brasil, Rádio Educativa, Rádio Mayrink e Rádio Philips —, a Rádio JB surgiu como uma das mais bem equipadas. Para pôr no ar sua opção de programação ao vivo, contava, em seus estúdios, com um órgão elétrico de dois teclados e 25 registros, uma orquestra de salão e um coral de vozes.

Acompanhando a característica musical das transmissões radiofônicas do período, a Rádio JB destacou-se pela preponderância de apresentação de música erudita, sobretudo de peças operísticas, e por sua seleção especial de música popular. Como atração exclusiva, transmitia, desde 1940, os páreos disputados no Jóquei Clube do Rio de Janeiro, inclusive o Grande Prêmio Brasil, tendo como locutor-chefe o radialista Teófilo de Vasconcelos, programação mantida até meados da década de 1960.

Entre as décadas de 1940 e 1950, a PRF-4 manteve-se em quarto lugar na classificação de audiência das rádios cariocas, tendo como uma de suas principais atrações o programa Música melodiosa. Uma das maiores inovações nesses anos foi a padronização de voz de seus locutores, sendo que a locução de Luís Jatobá serviu como modelo e ponto de equilíbrio.

Em 1952, teve sua potência de transmissão aumentada para 50kw e passou a contar com Osvaldo Eboli como seu diretor.

Durante a década de 1950, tiveram lugar várias modificações na JB. Uma das primeiras tentativas de transformação, em busca de ampliação de sua faixa de audiência e que respondeu a um novo interesse de seus ouvintes, foi a implantação do “rádio-teatro”, com a apresentação de peças ao vivo.

Por volta de 1959, Nascimento Brito, então diretor da Rádio JB, convidou o jornalista José Kosinski de Cavalcante para liderar o processo de modernização da PRF-4. O jornalista montou uma nova equipe trazendo Reinaldo Jardim, um dos principais realizadores da mudança de paginação do Jornal do Brasil. O processo de modernização desenvolvido não apenas modificou a estrutura física dos seus estúdios, como também alterou as características de suas transmissões. Para sua concretização, foi montado um estúdio sinfônico, retirado o som do “carrilhão”, que desde o início de suas transmissões marcava no ar o passar das horas, e o sinal de pontuação da PRF-4 foi substituído por prefixos mais sofisticados. Entre as modificações introduzidas estava a leitura das notícias do suplemento dominical do Jornal do Brasil feita na rádio pelos próprios redatores do jornal.

Nesse período, a Rádio JB começou a construir o modelo que passou a caracterizá-la desde então: “música e informação”, em que o cuidado e preocupação com a seleção dos discos a serem apresentados substituiu o modelo da “música ao vivo”. Entre os anos de 1958 e 1959, a equipe de produção e seleção musical apoiou o movimento da Bossa Nova, tornando-se uma das primeiras rádios a apresentar suas músicas. Com o propósito de apoiar e divulgar a música popular brasileira, foi também instituído um prêmio aos compositores revelação do ano, o Prêmio Rádio JB.

A rádio contava então com uma equipe efetiva de rádio-jornalismo, dirigida por Clóvis Paiva, que tinha como seu principal locutor Alberto Cury. Ainda em 1959, foi inaugurado o Serviço de Utilidade Pública da Rádio JB, que trazia aos seus ouvintes informações e assistência para a aquisição de remédios, endereços de serviços públicos etc.

Até 1964, com a liberdade de expressão garantida aos meios de comunicação e o auxílio do gravador portátil, o noticiário pode cobrir o movimento político desse período. O modelo “música e informação”, desenvolvido pela JB, teve como objetivo tornar a rádio um pólo mais atraente para a aplicação das verbas publicitárias, além de permitir a redução de seu staff operacional. Com ele, a Rádio JB voltou a ocupar a quarta posição em audiência e a primeira em faturamento.

Ainda durante a década de 1960, a equipe de produção da Rádio JB, com o apoio do jornalismo, inaugurou a apresentação de uma série de documentários temáticos que evoluíram para a apresentação da série de documentários retrospectivos, que ia ao ar no final do ano, trazendo os principais acontecimentos do período. Nos quadros desse programa, em 1963, a PRF-4 colocou no ar o documentário Bloqueio de Cuba. Com o programa Retrospectiva 1964, a Rádio JB ganhou em 1965 um prêmio internacional concedido aos melhores do rádio, o Prêmio Ondas.

Entre os anos de 1965 e 1966, o Conselho Nacional de Telecomunicações (Contel) iniciou um processo de ampliação e redistribuição das faixas de transmissão radiofônicas, introduzindo o FM. Em 30 de setembro de 1970, a PRF-4 transformou-se na ZYJ-166 para a freqüência em AM e em 1973 ampliou sua potência de transmissão para 100kw, indo para a freqüência de 940MHz das ondas médias. No ano de 1977, a JB AM passou a ser a ZYJ-453. Em 1973, foi uma das primeiras emissoras a inaugurar sua estação de FM, a ZYG, que levou para si boa parte da característica da Rádio JB AM, mantendo e aprofundando o modelo musical vigente, especialmente com música clássica, e com informação, ainda que trabalhando com uma preponderância maior da programação musical.

A partir de meados da década de 1970, com a ampliação da concorrência pelas verbas publicitárias entre os meios audiovisuais, o mercado radiofônico de freqüência AM passou por uma nova crise. Entre os anos de 1974 e 1975, a JB AM deixou de pôr no ar a Retrospectiva, em sua forma editada. A dificuldade de comercialização de sua programação levou a equipe a buscar novos caminhos.

Em setembro de 1982, o jornalista político Peri Cota, que já havia trabalhado nos jornais Correio da Manhã, O Globo, O Estado de S. Paulo e na Manchete, foi convidado por Procópio Mineiro para coordenar a cobertura das eleições para governador do estado do Rio de Janeiro na Rádio JB. Foi durante essa cobertura que a equipe de jornalistas da JB veio a detectar a tentativa de fraude dos resultados da eleição em prejuízo do então candidato Leonel Brizola. Pela comparação entre seus boletins de evolução da votação e os processados pela empresa Proconsult e emitidos pela TV Globo, a equipe de jornalismo da JB permitiu a eliminação da fraude.

Entre os anos de 1984 e 1985, teve início um dos principais programas da emissora, o Encontro com a imprensa. Indo ao ar diariamente das 13 às 14 horas, era um programa de entrevistas, em forma de mesa-redonda, que teve entre seus entrevistados: Darci Ribeiro, Leonel Brizola, o embaixador Paulo Sérgio Rouanet — que lá esteve à época da aprovação da Lei Rouanet —, o seringueiro Chico Mendes, o ministro da Fazenda do governo de José Sarney, Dílson Funaro — que ocupou os microfones da rádio para esclarecer a população sobre as novas regras econômicas do Plano Cruzado —, Tom Jobim, Chico Buarque e muitos outros.

No início da década de 1990, Geraldo Leite, vindo da Rádio Eldorado de São Paulo, assumiu a Superintendência da JB, com o encargo de dinamizar a produção da emissora, tanto em sua área jornalística, quanto na de programação. Foi então montada uma editoria cultural, paralela à editoria de jornalismo, que veio a gerar o núcleo dos 14 novos programas da emissora. Na área musical, entre outras atrações, a JB passou a transmitir o programa Jazz e blues apresentado por Jô Soares na Eldorado de São Paulo e na área jornalística teve início o Primeira página, jornal de duas horas de duração que trazia informações de várias partes do mundo através das reportagens de seus correspondentes estrangeiros.

Em 1992, a empresa à qual a Rádio JB estava ligada chegou ao ápice de uma profunda crise financeira que levou a emissora a trabalhar com um quadro reduzido de profissionais. A JB viu-se obrigada a demitir 10% de seus funcionários sem que, no entanto, conseguisse se recuperar da crise.

A concessão da freqüência de 940kw, em ondas médias, foi vendida em 1993, passando a ir ao ar como Rádio Brasil, com o codinome "Cristo em Casa" e pertencendo, desde então, à Legião da Boa Vontade (LBV), que tinha então como seu presidente, José de Paiva Neto.

Desde então, a rádio Brasil AM tornou-se integrante da Rede Boa Vontade e passou a apresentar uma programação eclética, com esportes, utilidade pública e entretenimento, com programas espiritualistas, todos com a apresentação de José de Paiva Neto, ou gravações antigas do falecido Alziro Zarur.

 

Maria Ester Lopes Moreira

 

FONTES: ABDALA, C. Encontro; INF. Luís Carlos Saroldi; Portal Super Rede Boa Vontade de Rádio. Disponível em : <http://radio.boavontade.com/rj>. Acesso em : 04 nov. 2009; Portal Super Rede Boa Vontade de Rádio – Rio de Janeiro – AM 940. Disponível em : <http://www.radiorj.com.br/am0940.html>. Acesso em : 28 out. 2009; Revista de Comunicação; Veja (22/11/82).

 

 

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