RADIO JOVEM PAN

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Nome: RÁDIO JOVEM PAN
Nome Completo: RADIO JOVEM PAN

Tipo: TEMATICO


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RÁDIO JOVEM PAN

RÁDIO JOVEM PAN

Emissora paulista, fundada em 6 de outubro de 1942, sob o nome de Rádio Panamericana, com o prefixo PRH-7.

A rádio teve como primeiros diretores Júlio Cozi, presidente de uma das primeiras agências de propaganda de São Paulo, a Eclética; Oduvaldo Viana, famoso teatrólogo, dono de uma imensa produção de radionovelas; e Eugênio Santos Neves. Funcionou no prédio 299 da rua São Bento, até o início da década de 1950. Na sociedade, Oduvaldo Viana entrou com o trabalho e a experiência, enquanto os outros participaram com os recursos financeiros. Depois de diversas dificuldades e adiamentos, a Panamericana fez sua primeira transmissão oficial em 3 de maio de 1944. Tinha como prefixo de abertura as primeiras notas da Quinta Sinfonia de Beethoven, que, no código Morse, significavam o “V” da Vitória. No início de 1944 o Brasil enviou para a Europa os primeiros combatentes para lutar ao lado das forças aliadas na Segunda Guerra Mundial.

Já na inauguração, os diretores Oduvaldo Viana e Júlio Cozi contavam com um cast próprio. A emissora contratou jovens que já possuíam experiência e que vieram, mais tarde, a se transformar em importantes personalidades do rádio, e depois da TV, tais como Mário Lago, Dias Gomes, Nélio Pinheiro, Sônia Maria e Lurdes Mayer, entre outros. A inauguração da rádio contou ainda com a presença de nomes já consagrados como Vicente Celestino e Gilda Abreu. A proposta inicial do grupo era a de veicular uma produção diferente das outras emissoras da época, transformando a Rádio Panamericana em uma emissora onde os interesses artísticos, e não os econômicos, fossem a base do funcionamento. Com aparelhos pouco potentes e diante da forte concorrência de poderosas emissoras como as rádios São Paulo (SP), Bandeirantes (SP), Difusora (SP) e Nacional do Rio de Janeiro (RJ), a situação financeira da Panamericana foi se complicando.

Acabou sendo vendida em dezembro de 1944 para o grupo das Emissoras Unidas de São Paulo, ao qual pertenciam as rádios Record e São Paulo. Antônio Hermann Dias de Meneses assumiu a direção da emissora e os funcionários que não concordaram com as mudanças implementadas demonstraram seu desacordo usando tarjas de luto no local de trabalho. Os protestos resultaram no afastamento de alguns e na substituição do diretor.

No período entre 1944 e 1946, a Panamericana manteve uma programação variada, contando com algumas radionovelas, programas musicais, de humor e jornalísticos. A partir de 1947, começou a se especializar, passando a dedicar a maior parte da programação às transmissões esportivas, transformando-se, assim, na “emissora dos esportes” e alcançando liderança de audiência no gênero.

Nos anos 1950, em São Paulo, ocorria no campo das transmissões esportivas uma disputa entre a Panamericana e a Bandeirantes, com sucessivas alternâncias na preferência popular. Em 1953 destacavam-se Hélio Ansaldo, Otávio Munis e Salem Júnior, como locutores esportivos, além de Nicolau Cheguer e Mário Morais, também integrantes da equipe esportiva. As informações do esporte contaram, por exemplo, com a participação do repórter Wilson Fittipaldi, pai do futuro piloto automobilístico Emerson Fittipaldi, fato que tornou a Pan uma das pioneiras na transmissão das corridas de automóveis. No início da década de 1950, a rádio mudou-se para a rua do Riachuelo 275, 13º andar.

Nas décadas de 1950 e 1960, a Panamericana teve como presidente João Batista do Amaral; na superintendência, Paulo Machado Carvalho; como diretores, Antônio Toledo Passos, Aristides de C. Leite e Pedro Edmundo Santoro e, como diretor-geral, Antônio Augusto do Amaral Carvalho. Em 1967, a Panamericana montou uma equipe de jornalismo bem estruturada, o que fez com que a imagem da própria emissora mudasse de esportiva para jornalística e de prestação de serviços. A reportagem de rua foi intensificada e a informação passou a estar presente não mais em horários fixos, mas no momento em que o fato acontecia, a qualquer hora do dia ou da noite (a rádio já permanecia 24 horas no ar).

A emissora também adotou então a prestação de serviços como recurso para enfrentar a concorrência da televisão. Em 1966, a Panamericana que havia ensaiado a especialização como “emissora de esportes”, mudoua a programação e o nome. A emissora passou a dividir seu tempo entre esporte, radiojornalismo e prestação de serviço. A rádio foi uma das que logo lançou mão do recurso inovador, à época, pelo qual as emissoras entravam em rede e conseguiam, inclusive, fazer transmissões simultâneas ao vivo, colocando-o à serviço do seu então crescente radiojornalismo, especialmente, no caso da Panamericana, do seu “Jornal de Integração”. Em 1968, a emissora fez a cobertura das manifestações estudantis contra o regime militar.

Em 1970, Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta, desligou-se comercialmente da família proprietária da TV Record e, em 1973, assumiu o total controle acionário da emissora, acompanhado por Fernando Vieira de Melo, que se tornou diretor de jornalismo e homem-chave da programação. Entre as mudanças implementadas na década de 1970, houve a mudança do nome da emissora, que passou a se chamar Jovem Pan, por causa de um programa musical da TV Record, a “Jovem Guarda”, comandado por Roberto Carlos, um grande sucesso da época, que dominava a audiência televisiva dos domingos.

Em 1971, a Jovem Pan coordenou o primeiro noticiário de integração nacional que interligava todo o Brasil. As emissoras integrantes eram as rádios Itatiaia de Belo Horizonte, Continental do Rio de Janeiro, Cabuji de Natal, Tropical de Manaus, Difusora de Porto Alegre, Cruzeiro de Salvador e Nacional de Brasília. Cada uma destas emissoras tinha o tempo de três minutos de participação, permitindo o intercâmbio de informações jornalísticas de caráter regional em uma rede nacional.

O Jornal de Integração Nacional da Jovem Pan era retransmitido em rede e procurava veicular informações de vários centros do país e para isso, contava com repórteres em várias cidades, nas décadas de 70 a 90, tal tendência iria se ampliar e consolidar na figura dos chamados correspondentes. Nas notícias começaram a ser usados recursos como as inserções sonoras, modificando o tipo de texto, que passou a ser mais coloquial e um pouco menos rígido em termos de objetividade.

Com a intenção de tornar-se uma rádio prestadora de serviços à comunidade, a Jovem Pan, no início da década de 1970, criou o programa Sala do povo, sempre recebendo queixas por telefone e enviando repórteres aos locais indicados pelo público. Em fevereiro de 1972, ocorreu em São Paulo o incêndio do edifício Andraus. Durante 24 horas, a Jovem Pan realizou o trabalho de jornalismo em torno do prédio, contribuindo para organizar o trânsito, apoiando a doação de sangue e o atendimento aos parentes das vítimas. Obteve até autorização do Ministério das Comunicações para deixar de transmitir o programa oficial A voz do Brasil podendo assim prosseguir com a cobertura. O mesmo se repetiu durante o incêndio do edifício Joelma. A rádio recebeu o Prêmio Esso de Melhor Contribuição ao Jornalismo em 1974.

Em 1º de julho de 1976, a Jovem Pan 2 começou suas transmissões operando na faixa FM, sob o comando de Antonio Augusto Amaral de Carvalho Filho, o Tutinha.  As duas emissoras passaram a receber tratamento idêntico, atuando na mesma área.

Em 1977, a Jovem Pan recebeu do Ministério das Comunicações um canal de televisão, que não entrou no ar imediatamente. A emissora mudou-se e passou a ocupar o 24º andar na avenida Paulista 807.

Em 1979, a Jovem Pan impetrou mandado de segurança para assegurar o direito à divulgação das pesquisas eleitorais prévias até as vésperas das eleições, fato até então proibido, e obteve ganho de causa.

Na década de 80, a emissora ditou “moda” radiofônica no Brasil. A radialista Maria Elisa Porchat, produziu um Manual de Radiojornalismo que ensinava que as notícias deviam ser faladas de forma “manchetada”, uma maneira de redigir as notícias de maneira curta e sintética, indo diretamente ao fato principal, o que com o tempo passou a ser característico da Rádio.

Em 1984, a emissora apontou a vitória de Jânio Quadros na eleição para a prefeitura de São Paulo, quando as pesquisas divulgadas pelos outros órgãos de imprensa davam como vencedor da disputa Fernando Henrique Cardoso. A Jovem Pan, baseada em suas próprias pesquisas, foi a primeira emissora a colocar Jânio como líder da disputa.

A emissora participou ativamente do processo de esclarecimento à população das novas regras da economia com o início do funcionamento do Plano Cruzado, reforma econômica de fevereiro de 1986.

Em julho de 1987 a TV Jovem Pan iniciou suas transmissões. A emissora tinha como sócios Antônio Augusto Amaral de Carvalho (dono da emissora), João Carlos Di Gênio (dono do complexo educacional Objetivo, que controla a Universidade Paulista, uma rede de colégios e cursos de pré-vestibular e a Rádio Trianon) e Hamílton Lucas de Oliveira (dono da empresa IBF de formulários e dos jornais DCI e Shopping News).

Em 1992, a rádio Jovem Pan realizou ampla cobertura do processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, desencadeado pelos trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apurou as denúncias contra Paulo César Farias, o tesoureiro de sua campanha eleitoral.

Em 1994, para preparar a comemoração dos 50 anos da emissora de rádio, foram gravados depoimentos com diversas personalidades, tais como a ex-prefeita de São Paulo Luísa Erundina, a apresentadora de TV Hebe Camargo, o jurista Saulo Ramos, entre outros. No mesmo período, o diretor de jornalismo Fernando Vieira de Melo declarou que a emissora sempre se manteve neutra politicamente. A verba governamental recebida nos últimos 13 anos não ultrapassou 1,8% de toda a receita da emissora, isso somando-se as verbas dos governos federal, estadual e municipal. Como exemplo da independência da emissora, Vieira de Melo citou o fato de que durante o governo Orestes Quércia (1986-1990) somente a Jovem Pan e a Rádio Eldorado (do grupo de O Estado de S. Paulo) não transmitiam em rede o programa Bom dia, governador.

A  Jovem Pan, em 1992, ano em que celebrou 50 anos de existência, desenvolveu a Rede Jovem Pan SAT, levando via satélite através dos seus módulos AM e FM, uma programação musical e jornalística para várias regiões do país. O projeto foi iniciado em junho de 1994, com o objetivo de integrar à Rede emissoras de todo o Brasil. A Rede Jovem Pan SAT foi a primeira rede de rádios do país, a operar via satélite com áudio totalmente digital e empregando uma tecnologia de radiodifusão que garantia a cada emissora afiliada a fidelidade do áudio produzido nos estúdios de São Paulo, sem o risco da pirataria, já que toda a programação era gerada através de sinal codificado. Em 1996, a Jovem Pan-SAT atingiu a marca de 15 milhões de ouvintes em todo o Brasil.

Apoiada no binômio informação e prestação de serviços, a Jovem Pan passou a ser considerada uma rádio formadora de opinião, com seu público concentrando-se nas faixas A e B, diferentemente das outras emissoras.

O empreendimento da TV Jovem Pan não conseguiu obter o mesmo êxito da emissora de rádio. Em início de 1995, a emissora de TV encontrava-se repleta de dívidas e com problemas para pagar o salário dos funcionários. A solução encontrada foi a venda das instalações da TV, em Barra Funda, e de parte de seus equipamentos para a Rede Record de Rádio e Televisão, de propriedade do bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Ocorreram juntamente com a venda alterações na constituição da sociedade. Antônio Augusto Amaral de Carvalho, que tinha 30% das ações, deixou a sociedade. A emissora passou para o controle de Di Gênio e Hamílton Lucas de Oliveira, cada um com a participação de 50%.

No dia 28 de setembro de 2003, estreou o programa O Pânico na TV! na Rede TV!,  baseado no sucesso do programa na rádio Pânico, onde os radialistas Emílio Zurita e Bola atendiam os ouvintes de maneira irreverente. O programa ia ao ar pela Rádio Jovem Pan FM, de São Paulo, em rede nacional, de segunda a sexta-feira, das 12h às 14h, liderando a audiência no horário.

Em 2007, Antonio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta criou na rede mundial de computadores, a Internet, a Jovem Pan Online, com uma programação variada, abrangendo vários os setores, como Política, Economia, Esportes, Internacional, Cultura, Ciências e Comportamento.

Em 2009 a rádio estava presente em várias regiões do país, através do sistema SAT, contando de correspondentes em Brasília, Rio de Janeiro e outras capitais brasileiras, além de profissionais na Europa,  Estados Unidos e Japão. Com a inauguração da Jovem Pan Sat, a Jovem Pan FM atingia grande parcela do país por meio de suas 53 afiliadas, especialmente o público jovem, seu alvo principal, com  programação diversificada e uso do humor , alem de sua programação musical.

Lia Calabre de Azevedo/ colaboração especial Lilian Lustosa (atualização)

 

FONTES: Anuário Brasileiro de Midia (1975-1978); Anuário Brasileiro de Rádio (1950-1953); BARELLI, S. Rádio; CARVALHO, A.A.A. de. Ninguém faz sucesso sozinho; FARIA, A. A. de. Jovem Pan, 50 anos; FREDERICO, M. História; FRUGOLI, M.D. Programa Pânico na TV!;JORGE, E. Rádio; LAGO, M. Bagaço; MOREIRA, S. Rádio; ORTRIWANO, G. Informação; PN. Anuário; PORCHAT, M. Manual; Portal da Jovem Pan FM. Disponível em : <http://jovempanfm.virgula.uol.com.br>. Acesso em : 15 out. 2009; Rádio Almanaque Paulistano; RODRIGUES, J. Jovem Pan; SAMPAIO, M. História; VIANA, O. Demagogia; ZUCULOTO, V. R. M. A notícia no rádio; ZUCULOTO, V. R. M. As transformações da.

 

 

 

 

 

 

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