RADIO MAYRINK VEIGA

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Nome: Rádio Mayrink Veiga
Nome Completo: RADIO MAYRINK VEIGA

Tipo: TEMATICO


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RÁDIO MAYRINK VEIGA

RÁDIO MAYRINK VEIGA

 

Emissora de rádio carioca inaugurada por Antenor Mayrink Veiga em 20 de janeiro de 1926, com o prefixo PRA-9. Começou a funcionar em 6 de março de 1926, à rua Municipal, depois rua Mayrink Veiga, sob as condições comuns às emissoras da época: funcionavam como associações ou clubes, sobrevivendo da contribuição financeira dos ouvintes, que também participavam emprestando discos. Durante a década de 1920, o rádio caracterizou-se pela produção de programas simples, informativos ou musicais, resultado da falta de investimentos no setor.

A partir de 1932, quando o rádio recebeu autorização oficial para a veiculação de anúncios, através do Decreto-Lei nº 21.111, começou a exploração comercial do veículo. As principais emissoras da época, como a Mayrink Veiga e a Philips, no Rio, ou a Record e a Cruzeiro do Sul, em São Paulo, introduziram o pagamento regular de cachês pelas apresentações de artistas nos seus programas principais, começando também a formar os primeiros elencos profissionais e exclusivos. Mas já em 1927 a Mayrink Veiga havia firmado contrato com Sílvio Caldas (o primeiro da carreira do cantor), recebendo o cachê por audição.

No início da década de 1930, a Mayrink Veiga e a Record paulista estabeleceram programas em cadeia de forma mais efetiva, não apenas eventual. Coube a uma agência norte-americana aqui instalada, a N. W. Ayer, a criação do programa pioneiro, um musical de freqüência semanal, onde eram inseridos comerciais da Ford, da General Electric e da Gessy Lever. Revelação da década, Emilinha Borba assinou seu primeiro contrato com a Mayrink Veiga, em 1938, ali ficando até 1943, quando foi para a Rádio Nacional. A Mayrink Veiga foi também a primeira emissora de Nélson Gonçalves e de Ângela Maria, que assinaram seus contratos em 1941 e 1951, respectivamente.

Após a Revolução Constitucionalista de 1932, César Ladeira, um dos locutores mais famosos do país, transferiu-se de São Paulo para o Rio de Janeiro, indo trabalhar na Mayrink Veiga. César Ladeira, muito ouvido no Rio de Janeiro por sua ativa participação na Revolução de 1932 através da Rádio Record (SP), havia se tornado popular entre os ouvintes cariocas. Na Mayrink, César Ladeira atuou como locutor e diretor artístico, sendo em grande parte responsável pela posição de liderança da emissora até a década de 1940, quando a Rádio Nacional passou a dominar em nível de audiência e de popularidade. César Ladeira consolidou seu prestígio no Rio de Janeiro lendo diariamente a “Cidade maravilhosa”, crônica literária redigida por Genolino Amado.

Neste período de maior evidência da Mayrink Veiga, Almirante ali lançou o seu programa Caixinha de perguntas e mais Programa do almoço, com Bibi Ferreira, Lenita Bruno, Alvarenga e Ranchinho e Jararaca e Ratinho. É também nesta época que tem início O teatro pelos ares, com Plácido e Cordélia Ferreira, que durante muitos anos seria uma das maiores atrações da rádio. Outro grande sucesso foi a Hora da ginástica, em que Osvaldo Diniz Magalhães irradiava exercícios físicos e lições de moral e civismo. O programa permaneceu na Mayrink Veiga de 1933 a 1936, quando Osvaldo Diniz Magalhães transferiu-se para a Rádio Nacional.

Em 1942, o Programa Casé, de Ademar Casé, comemorou na Rádio Mayrink Veiga seus dez anos de existência, após ter passado por outras emissoras, como a Rádio Philips, a Rádio Transmissora e a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro. O programa de aniversário durou um dia inteiro, apresentando quadros diversos: “Valsas inesquecíveis”, “Arranjos de Pixinguinha”, “Imagens sonoras do Brasil”, “Cantigas de Portugal”, o policial “Defensores da lei” e os humorísticos de Alvarenga e Ranchinho e de Lauro Borges. O Programa Casé ficou durante sete anos na Mayrink Veiga. Em 1948, devido às interrupções que era obrigado a fazer para as transmissões de partidas de futebol, que começavam a tomar conta da programação radiofônica de domingo, Casé preferiu deixar a emissora, indo para a Rádio Globo.

Nos anos 1940, os programas de calouros faziam enorme sucesso, a ponto de haver dois com o mesmo nome, A hora do pato, um na Mayrink e outro na Nacional. As novelas chegavam a ocupar 40% do horário noturno e 70% do diurno na Mayrink Veiga, assim como na Nacional e na Tupi. Sob a direção de Edmar Machado, a rádio realizou também programas educativos, como Desfile da juventude, organizado pelo professor Benjamim do Lago. César Ladeira foi o apresentador de Biblioteca do ar, uma espécie de ensaio literário diário, que ganhou prêmios da prefeitura como o melhor programa do ano.

Nos últimos anos do Estado Novo, começaram a surgir programas de sátira política e social no rádio brasileiro. A programação humorística da Mayrink Veiga nos anos 1940 era liderada por Antônio Maria, Sérgio Porto e Silvino Neto, o Pimpinela Escarlate. Silvino Neto parodiava figuras como Getúlio Vargas e, mais tarde, Ademar de Barros, Jânio Quadros e Carlos Lacerda. A popularidade de Silvino tornou-se tão grande que, em 1950, foi o vereador mais votado do Rio, com 25 mil votos. Candidato do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), imitava a voz de Getúlio nos comícios: “Trabalhadores do Brasil! (...) Votem em mim porque eu quero entrar nessa boca. Quero entrar na Gaiola de Ouro.”

No final dos anos 1940, Oduvaldo Cozzi fazia parte da equipe esportiva da Mayrink Veiga, Carlos Lacerda apresentava O assunto do dia e Rodolfo Mayer trabalhava como ator, diretor e redator para o rádio-teatro. Um dos programas escritos por Mayer foi Aconteceu com você? São desta mesma época os seguintes programas, todos eles patrocinados: Jornal falado, oferecido pelos Chapéus Sarkis; Ritmo alegre, pela Drogaria V. Silva; Calouros em apuros, pelo Sabão Carioca; Esportes pela sua PRA-9, pela empresa R. Monteiro S.A.; Rádio-novela, pelo Sabão Platino; e Resenha Esportiva, sob o patrocínio de A Exposição.

Em 1948, o jornalista Carlos Lacerda, que tinha um programa de comentário político à noite na Mayrink Veiga, sofreu um atentado na porta da emissora, no dia 17 de abril, como conseqüência de críticas feitas ao Exército. Durante todo o dia seguinte, a Rádio Mayrink Veiga recebeu telefonemas anônimos, com ameaças de que a estação seria destruída caso Lacerda continuasse irradiando ali. Segundo Lacerda, o mandante do atentado teria sido o general Mendes de Morais, prefeito do Rio de Janeiro e alvo de seus ataques.

Os concursos para a escolha da Rainha do Rádio acentuavam a disputa entre as emissoras. Em 1949, por exemplo, concorreram três candidatas da Mayrink Veiga (Carmélia Alves, Violeta Cavalcanti e Léa Coutinho), contra as quatro apresentadas pela Rádio Nacional (Emilinha Borba, Marlene, Dora Lopes e Heleninha Costa), além das representantes das rádios Guanabara (Julie Joy) e Mauá (Ieda Reis).

Segundo a classificação do IBOPE em 1950, a Mayrink Veiga já não aparecia mais entre as primeiras emissoras do Rio de Janeiro. Enquanto a Rádio Nacional, a Tupi, a Tamoio e a Globo apareciam nas melhores colocações, com, respectivamente, 34%, 20%, 10,3% e 10% da audiência, a Mayrink empatava com a Mauá em oitavo lugar, ambas com apenas 3,5%. Apesar deste quadro desfavorável, neste ano de Copa do Mundo no Brasil, Oduvaldo Cozzi figurava como o terceiro locutor esportivo mais escutado, depois de Antônio Cordeiro, da Nacional, e de Ari Barroso, da Tupi.

Ainda em 1950, a Rádio Mayrink Veiga apareceu em quinto lugar na relação das emissoras brasileiras que mais haviam faturado com propaganda. Naquele ano, a Rádio Nacional havia faturado 50 milhões de cruzeiros; a Rádio Tupi (RJ), 24 milhões; a Globo (RJ), 17,6 milhões; a Gazeta (SP), 9,5 milhões; e a Mayrink Veiga, 7,6 milhões. Em 1951, a diretoria da emissora era constituída por Antônio Mayrink Veiga, Antenor Mayrink Veiga, Gilson Amado e Gilberto Martins. Em 1953 Estácio Lacerda e Armando Louzada figuravam como parte da diretoria da rádio, que contava então com quatro estúdios, auditório, um elenco de rádio-teatro de 26 pessoas, uma orquestra com 41 músicos e um conjunto regional.

Alguns programas da década de 1950 foram: A cidade se diverte, produzido por Haroldo Barbosa; Diversões Cibele, Levertimentos e Da boca pra fora, escritos por Haroldo Barbosa e Sérgio Porto; Me dá o meu boné, apresentado por Chico Anísio; Alegria da rua; Musical Antônio Maria; Aquarela sertaneja; Resenha esportiva; Aí vem o sucesso e Miss Campeonato, programa humorístico que as rádios Tupi e Mayrink Veiga apresentavam juntas. Em alguns momentos as rádios produziram programas conjuntamente ou fizeram permutas de artistas. Em 1952, por exemplo, a Mayrink, a Rádio Clube do Brasil e a Nacional emprestaram cantores e rádio-atores entre si. Também trabalharam na Mayrink Veiga nos anos 1950, entre outros, Roberto Luna, Luís Jatobá, Carlos Galhardo, Luís Gonzaga, Aluísio Silva Araújo, Elizete Cardoso, Lana Bittencourt, Ari Leite, Denilza Brand e Dora Lopes. Max Nunes foi autor de vários programas da Mayrink Veiga, entre eles, O mundo é dos vivos, Marmelândia e Boate do Ali Babá.

No final da década de 1950, Antenor Mayrink Veiga vendeu a metade de suas ações à organização Vítor Costa, que por sua vez as vendeu a Assis Chateaubriand, sendo depois adquiridas pelo grupo Simonsen. Em 1959, a pesquisa do IBOPE sobre a audiência radiofônica, no então Distrito Federal, indicava a Rádio Mayrink Veiga empatada em terceiro lugar com a Rádio Tupi, ambas com 3,1%. Em primeiro e segundo lugar apareciam a Nacional e a Tamoio, com 14% e 4,5%.

Em 1962, Antenor Mayrink Veiga vendeu a sua metade da rádio ao senador Miguel Leuzzi. O senador não cumpriu todas as suas obrigações legais, o que levou a Rádio Globo a recorrer à Justiça para o fechamento da rádio. À Rádio Globo interessava conseguir a freqüência da Mayrink Veiga, uma vez que a sua, proveniente do Chile, estava sendo requisitada.

Durante os anos de 1962 e 1963, já eleito deputado federal, o mais votado da antiga Guanabara, Leonel Brizola ocupava quase que diariamente o microfone da Rádio Mayrink Veiga, onde proclamava que iria conseguir a aprovação das reformas de base “na lei ou na marra”. Em 1964, para se contrapor às transmissões de Leonel Brizola pela Rádio Mayrink Veiga e pelas emissoras a ela ligadas, formou-se a Rede da Democracia, uma cadeia radiofônica que, através de programas diários, combatia a política do presidente João Goulart. A Rede da Democracia exerceu um papel preponderante na preparação do golpe de 1964. Carlos Lacerda, Adauto Lúcio Cardoso, Aliomar Baleeiro, Raul Brunini e outros, então detentores de mandatos políticos, atuaram nesta rede.

Após o golpe de 1964, os pronunciamentos políticos desapareceram da Rádio Mayrink Veiga. Em 1965, a emissora foi fechada pelo presidente Castelo Branco, através do Mandado de Segurança nº 16.132/65.

Carla Siqueira

 

FONTES: BRANCO, R. C. História; CABRAL, S. No tempo; CASÉ, R. Programa; Collector’s Notícias. (1996); DULLES, J. W. F. Carlos Lacerda; ENTREV. Estácio Brugger Lacerda; INF. Antônio Mayrink Veiga; Manchete (21/5/60 e 13/11/71); MOREIRA, S. V. O rádio; MURCE, R. Nos bastidores; Nosso Século; PN — Anuário de Imprensa, Rádio e Televisão (1958, 1959, 1960, 1961); PN — Anuário do Rádio (3/50, 8/51, 10/52, 1953); Revista Alô — Tudo de Rádio (jan./fev. 1949); Revista Foco (jun. 1951); Revista Rádio Ilustrado (1954); Revista Radiolândia (dez. 1953, maio 1954, abr. de 1957 e 1959); SAMPAIO, M. F. História; VAMPRÉ, O. A. Raízes.

 

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