REDE BRASIL SUL

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REDE BRASIL SUL

Em 1957 Maurício Sirotsky Sobrinho e Frederico Arnaldo Ballvê adquiriram o controle acionário da Rede de Emissoras Reunidas, de Arnaldo Ballvê, que funcionava no interior do Rio Grande do Sul, para integrá-la à Rádio Sociedade Gaúcha, como estação-chave na capital. Neste empreendimento participaram como sócios minoritários Nestor Rizzo, Manuel Arrochelas Galvão e Eduardo Esquenazzi, que assumiram a Rádio Sociedade Gaúcha. Maurício começou as atividades radiofônicas num serviço de alto-falantes instalado na praça principal de Passo Fundo, em 1943, sua cidade natal, antes de ingressar como corretor de anúncios e locutor na Rádio Passo Fundo, da Rede de Emissoras Reunidas, de propriedade de Arnaldo Ballvê. Frederico era filho de Arnaldo.

Em 1962 Maurício Sirotsky Sobrinho, junto com Frederico Arnaldo Ballvê e Nestor Rizzo, fundaram a TV Gaúcha, hoje RBS TV, canal 12, ficando Maurício como principal acionista.

No dia 29 de dezembro daquele ano, a TV Gaúcha iniciava suas transmissões, com uma potência de 88kW, irradiada numa altitude de 160 metros acima do mar, através de uma antena instalada no morro Santa Teresa.

No local foram instalados ainda dois estúdios, uma mesa de suíte, um caminhão de reportagens externas, um pequeno departamento de jornalismo, um transmissor PYE e as torres, junto ao prédio. O ato contou com a participação do então presidente da República João Goulart e de Leonel Brizola, governador do estado. A imagem inicial apresentava as figuras de uma cuia e chimarrão e o slogan “Imagem viva do Rio Grande”. Como chefe de telejornalismo foi nomeado o jornalista Lauro Schirmer.

Com o movimento revolucionário de 1964, quando foi instaurada uma rigorosa censura à imprensa, Maurício preferiu manter a liberdade de expressão, ocasionando, às vezes, algumas hostilidades.

Um dos casos ocorreu com o jornalista Cândido Norberto, então deputado, que teve de anunciar a própria cassação em seu programa de televisão. Ainda assim foi mantido como funcionário da emissora. Outro episódio foi o de seu chefe de jornalismo, Lauro Schirmer, ao ser acusado de subversivo. Pressionado a demiti-lo, Maurício preferiu mantê-lo no cargo.

No entanto, naquele ano, devido aos altos investimentos envolvidos e os escassos resultados financeiros obtidos, a TV Gaúcha acabou sendo vendida ao Grupo Simonsen. A decisão foi aprovada pelos demais sócios, contrariando a vontade de Maurício e seu irmão, Jaime Sirotsky, que ficaram com a direção da emissora.

Dois anos após, Maurício passou a dirigir a TV Excelsior do Rio de Janeiro, até o ano seguinte, quando retornou a Porto Alegre. No Rio de Janeiro, ainda sob o regime militar, em 1968, teve de enfrentar muitas pressões políticas, num ambiente terrivelmente tenso e agitado. A decisão de voltar ao Sul originou-se no fato da Rede Globo, em ascensão, ter desbancado a Excelsior, ocasionando sua falência.

Com a participação de seu irmão Jaime e do comentarista esportivo Fernando Ernesto Correia, Maurício conseguiu recuperar o controle da Rádio e da TV Gaúcha, assim como uma parte do Grupo Excelsior e do Grupo Frias, associado a Excelsior. Com a inauguração da Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) e de seu primeiro tronco de microondas ligando Porto Alegre e São Paulo, em 1967 associou-se à Rede Globo, consolidando a supremacia da televisão no estado. Em 1970 adquiriu o controle integral do jornal Zero Hora, formando o complexo de comunicações Rede Brasil Sul (RBS).

As emissoras da família Sirotsky se afiliaram à Rede Globo em 1971. A Rede Brasil Sul possuía em 1972, cinco emissoras e 104 retransmissoras-repetidoras de TV, cobrindo todo o interior do Rio Grande do Sul. A estratégia adotada pelos gaúchos foi a de adicionar à programação nacional global o toque local produzido pelas emissoras da RBS. Foi assim que, em 1977, com oito geradoras no Rio Grande do Sul, a RBS se preparou para ampliar seus negócios até Santa Catarina.

Em 1972 um incêndio destruiu as instalações da emissora, mas com a ajuda da TV Difusora, ligada à ordem religiosa dos padres capuchinhos, que ofereceu seus estúdios, no dia seguinte a TV Gaúcha voltava ao ar. Poucos dias depois, embora em caráter precário, utilizando um galpão e um caminhão de transmissões externas, a Gaúcha voltava a funcionar por conta própria.

O passo seguinte foi estabelecer um sistema de emissoras interligadas no interior do estado. Embora a implantação de um sistema de retransmissores que cobrisse todo o estado fosse viável tecnicamente, o empreendimento exigia investimentos maciços. Inicialmente utilizou-se o sistema em UHF, menos oneroso que o de microondas. Mais tarde, para melhorar a qualidade, passaram a utilizar o sinal da TV Gaúcha para as emissoras regionais. Estas eram equipadas com a aparelhagem básica, mantendo um percentual de 20% de programação local, enquanto o Dentel exigia um mínimo de 5%.

Em 13 de agosto de 1969 foi formada a Rede Regional de Televisão, composta atualmente pelas seguintes emissoras: RBS TV Porto Alegre (canal 12) fundada em 29/12/1962; RBS TV Caxias (canal 8) fundada em 22/2/1970; RBS Santa Maria (canal 12) fundada em 13/12/1970; RBS TV Pelotas (canal 4) fundada em 5/7/1972; RBS TV Erexim (canal 2) fundada em 30/4/1974; RBS TV Uruguaiana (canal 13) fundada em 2/4/1974; RBS TV Rio Grande (canal 9) fundada em 26/10/1977; RBS TV Bajé (canal 6) fundada em 18/1/1977; RBS TV Cruz Alta (canal 5) fundada em 1/7/1979; RBS TV Passo Fundo (canal 7) fundada em 28/5/1980 RBS TV Santa Cruz (canal 6) fundada em 28/9/1988; RBS TV Santa Rosa (canal 12) fundada em 28/2/1991.

Em maio de 1979 a Rede Brasil Sul ampliou a rede para Santa Catarina, marcando definitivamente sua presença no estado vizinho. A TV Catarinense (RBS Florianópolis), canal 12, foi o primeiro veículo da mídia eletrônica em Santa Catarina. A direção foi entregue a seu filho Nélson, que contava, então, com apenas 26 anos de idade.

Na ocasião, já havia sido aberta concorrência para a implantação de uma emissora de televisão em Joinville. A TV Coligadas, existente desde 1969, passou a integrar a Rede Regional de Televisão em 1980, com a denominação de RBS TV Blumenau. A TV Chapecó, fundada em 1982, passou à Rede Regional de Televisão em 1983, sob a denominação de RBS TV Chapecó.

Em Santa Catarina, integram a RBS: RBS TV Florianópolis (canal 12) fundada em 1/5/1979; RBS TV Blumenau (canal 3) fundada em 2/9/1969; RBS TV Joinville (canal 5) fundada em 7/12/1979; RBS TV Chapecó (canal 12) fundada em 23/4/1982; RBS TV Criciúma (canal 9) fundada em 31/8/1995.

Tanto as emissoras do Rio Grande do Sul como as de Santa Catarina são afiliadas à Rede Globo.

Fazem parte ainda da RBS a Rádio Diário da Manhã AM e FM, emissoras tradicionais em Florianópolis, dando início à formação da Rede Itapema e Rede Atlântida em Santa Catarina.

Com a formação de uma rede de emissoras em freqüência modulada no Rio Grande do Sul, a partir de 1976, com a Rádio Gaúcha Zero Hora FM, transformada depois na Rádio Atlântida, foi criada a Rede Atlântida com as seguintes emissoras: Atlântida FM Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria, Passo Fundo, Santa Cruz do Sul, Florianópolis, Blumenau, Chapecó, Lajes e Brasília, depois vendida em 1988.

Em 23/9/1983 foi constituída a Rede Itapema FM, para a transmissão exclusiva de música brasileira, localizadas nas seguintes cidades: Porto Alegre, transformada em 1983 na Gaúcha FM, Rio Grande e Florianópolis. Em 1990 a Rádio Cidade passou a integrar a rede de emissoras FM.

Sob a liderança da Rádio Gaúcha, com uma potência de 100kW, foi composta uma rede de emissoras FM, integradas pela Farroupilha, de Porto Alegre, fundada em 1935 e integrada à RBS em 1982; a 1.120, de Porto Alegre, transformada em CBN 1.120; a Diário da Manhã, de Florianópolis, transformada em CBN 1.120 e a Princesa, de Lajes (SC), em 1986.

Em 1986 foi inaugurado em Santa Catarina o Diário Catarinense, idealizado por Maurício, que não chegou a inaugurá-lo devido a seu falecimento pouco antes.

Em 1988 foi a criada a Sison, uma empresa de informática que atua, também, como prestadora de serviço de software-house e treinamento, em nível nacional.

Em 1990 assumiu o controle acionário da ADP Systems do Brasil, incorporando a Sison, funcionando com mais de 760 funcionários em Porto Alegre, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Curitiba e Florianópolis.

Em 1991 criou a Horizonte Sul, atual NET Sul, um sistema de televisão a cabo para a distribuição da programação da Globosat. São atualmente 19 operações de TV por assinaturas localizadas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Em 15 de maio de 1995 foi lançada a TV Com, canal 36 em UHF, dirigida à Grande Porto Alegre. Também entrou em funcionamento a Rede Gaúcha Sat, integrada por 30 emissoras, atingindo oito milhões de ouvintes via satélite.

Em 1992 passou à RBS o controle do Jornal de Santa Catarina, em Blumenau, e em 1993, o jornal O Pioneiro, de Caxias do Sul.

Em 1996 foi incorporada ao grupo Nutec Informática S.A., empresa de software, consultoria, distribuição de software, projeto de redes corporativas e serviços especializados em Internet. Numa associação com a Central Brasileira de Notícias (CBN), das Organizações Globo, foi criada em Porto Alegre a CBN 1.120 e em Florianópolis a CBN Diário. Em setembro de 1996 foi lançado pela RBS e Globosat, num projeto inédito na América Latina, o Canal Rural, dedicado aos assuntos agropecuários. As transmissões iniciaram-se a 8 de novembro de 1996.

No dia 1º de agosto de 1997 o grupo RBS, com sede em Porto Alegre, passou o controle acionário da ADP brasileira para a Automatic Data Processing Inc., com sede em Roseland, Nova Jersey, nos Estados Unidos.

Com esta decisão, a RBS concentrou os esforços no segmento mídia, telecomunicações, TV por assinatura e Internet, com foco na região Sul do Brasil.

A ADP norte-americana ampliou, assim, sua presença no Brasil como parte do objetivo de expandir seus negócios internacionalmente, passando a deter 95% do capital da ADP brasileira, ficando os restantes 5% com o grupo RBS.

A ADP brasileira passou a concentrar sua expansão no Mercosul e América Latina, com o intercâmbio tecnológico entre as empresas brasileira e americana.

Em 16 de julho de 1998, o consórcio Telefónica de España, sócia da RBS no leilão de privatização das empresas do Sistema Telebrás, surpreendeu a todos, em especial a própria RBS, ao fazer um lance e arrebatar a Telesp. Esta aquisição teria prejudicado a RBS, pois seu objetivo era adquirir a Tele Centro Sul, garantindo o controle das telecomunicações na região de Pelotas, no Rio Grande do Sul, no Distrito Federal e em oito estados – Acre, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia, Santa Catarina e Tocantins. As regras para a privatização impediam que um grupo adquirisse duas empresas no mesmo setor de atuação. No caso da Telesp e da Tele Centro Sul, ambas operariam com a telefonia convencional. O plano estratégico da RBS visava a sedimentação de seu papel de destaque nas telecomunicações no país, uma vez que a Rede Brasil Sul seria a única empresa de comunicação com empreendimentos simultâneos em jornais, rádios, TVs aberta e paga, internet e telecomunicações.

A intenção da RBS era a de fechar um ciclo iniciado em 1991, com a posse de Nelson Sirotsky na presidência da empresa. A empresa caminhava no plano da convergência tecnológica, que, se bem-sucedido, poderia ter colocado o grupo na vanguarda da comunicação de massa brasileira.

A atitude da Telefónica de España, assim como crise mundial causada pela queda da Rússia, levou a RBS a uma de suas maiores crises. Toda a estratégia montada que teria como desfecho a compra da Tele Centro Sul foi desmontada, o que levou a diversos boatos que a RBS estava com grandes dificuldades financeiras. No dia 20 de setembro de 1998, o grupo demitiu 275 dos seus 6.300 funcionários, extinguiu programas de incentivos e reordenou gastos com a produção de programas. Para financiar seu investimento na Companhia Rio-Grandense de Telecomunicações e a expansão de suas redes de TV a cabo, o grupo havia lançado US$ 175 milhões em títulos de dívidas no mercado internacional com captação em duas etapas: uma de US$ 50 milhões, para vencimento em oito anos, e a outra de US$ 125 milhões, com prazo de dez anos.

Em 1999, RBS negociou com a própria Telefónica de España – por meio de uma subsidiária do conglomerado europeu, a Telefônica Interativa Brasil –, o seu provedor da internet, ZAZ, por US$ 200 milhões, que deu lugar ao provedor Terra no país. A venda foi uma das alternativas de superar a crise. No ano seguinte, a Net Sul, operadora de TV por assinatura no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná foi negociada em troca de ativos e passivos no valor de US$ 900 milhões, assim, a Globocabo passou a controlar 90% das ações da empresa. Ao longo do processo de crise e reestruturação, no entanto, a predominância da RBS nos mercados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina não se alterou.

Em 3 de fevereiro de 2003, as atividades operacionais da RBS passaram a ser subordinadas ao novo vice-presidente, Pedro Pullen Parente, ex-chefe da Casa Civil do governo Fernando Henrique Cardoso. Entretanto, as áreas institucional e editorial do grupo, ficaram sob a supervisão de Nelson Sirotski.

Em termos de propriedade direta de veículos, o grupo gaúcho RBS era em 2009 a terceira maior organização de mídia privada do Brasil, reunindo 57 veículos entre rádios, emissoras de TV e jornais. A emissora possuía também negócios na área de TV por assinatura, internet, mercado editorial e indústria fonográfica. O alcance real de seus produtos, entretanto, era reduzido devido à atuação concentrada exclusivamente nos estados de RS e SC. O número de veículos distribuía-se de forma equilibrada, com predomínio no rádio FM (21 emissoras) e na televisão (18 emissoras). Além das geradoras de TV, a RBS possuía então 259 retransmissoras nos dois estados. 

 

Colaboração especial Sérgio Dillenburg/Lilian Lustosa (atualização)

 

 

 

FONTES: ABERT. Rádio & TV. (5/97); CRUZ, D. M.  A televisão como um negócio; DILLENBURG, S. R. Os anos; FERRARETTO, L.A.  Rádio e capitalismo no Rio Grande do Sul; GRUPOS de comunicação : Brasil; Memória RBS; Portal Caros Ouvintes. Dis- ponível em : <http://www.carosouvintes.org.br/blog/?p=734>. Acesso em : 15 nov. 2009; Portal Donos da Mídia. Disponível em : <http://donosdamidia.com.br/grupo/21409>. A- cesso em : 15 nov. 2009; Radio news (5/97); SCLIAR, M. Maurício; SIROTSKY SO- BRINHO, M. Situação; VAMPRÉ, O. A. Raízes; Zero Hora; O Jornal.; Zero Hora/ Suplementos Diários; Zero Hora/Suplemento Gaúcha.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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