REDE RECORD DE TELEVISAO

Ajuda
Busca

Acervos
Tipo
Verbete

Detalhes

Nome: Rede Record de Televisão
Nome Completo: REDE RECORD DE TELEVISAO

Tipo: TEMATICO


Texto Completo:
REDE RECORD DE TELEVISÃO

REDE RECORD DE TELEVISÃO

Rede de emissoras de televisão que teve origem na fundação de emissora de TV paulista, inaugurada em 27 de setembro de 1953, sob o nome de TV Record, canal 7. Pertencia ao Grupo das Emissoras Unidas (donos das emissoras de rádio Record e Panamericana), que tinha como diretores Paulo Machado de Carvalho, Paulo Machado de Carvalho Filho e Erasmo Alfredo Amaral de Carvalho. Foi a primeira emissora do país a se instalar num local construído especialmente para esse fim (os estúdios ao lado do aeroporto de Congonhas) e não adaptado, como aconteceu com as outras emissoras da época. Seu primeiro diretor artístico foi Hélio Ansaldo. Tinha como principais rivais, na época, a TV Tupi e a TV Paulista.

O ponto forte da programação da TV Record foram os programas musicais. Foi inaugurada transmitindo um programa do qual participavam os cantores Dorival Caymmi e Inesita Barroso. Era considerada uma das emissoras de TV de melhores equipamentos e recursos na América Latina, possuindo inclusive a única lente Ballowstar (que permitia gravações em locais pouco iluminados) do Brasil, na época.

A TV Record é conhecida por seu pioneirismo em alguns campos. Em 1954, foi a primeira emissora a produzir um seriado de aventuras televisivo, denominado Capitão 7, que era estrelado por Aires Campos e Idalina de Oliveira. No ano seguinte realizou a primeira transmissão externa ao vivo de um jogo de futebol: Santos e Palmeiras, na Vila Belmiro, ocorrido em 18 de setembro de 1955, patrocinado pela RCA Victor e pela Atlantic, com produção da agência de publicidade J. W. Thompson (prática pouco utilizada na época).

Diferentemente das outras emissoras de TV, a Record não tinha nas telenovelas seu ponto forte. No entanto, em 1955, teve grande sucesso no ramo da teledramaturgia, com o programa Teatro Cacilda Becker. Transmitido às segundas-feiras às 21:30h, o programa contou com importantes nomes do teatro da época, tais como: a própria Cacilda Becker, Ziembinsky, Lidia Lícia, Sérgio Cardoso, Fredi Kleeman, entre outros, com a direção do cineasta Alberto Cavalcanti.

Voltando ao campo das inovações, em 1956, a Record realizou a primeira transmissão em rede (Rio-São Paulo). Foi neste ano que a televisão começou a se tornar um negócio lucrativo, pois pela primeira vez a arrecadação publicitária das televisões superava a das emissoras de rádio.

No campo do jornalismo, diariamente ia ao ar pela Record, às 22:00 horas, o telejornal O estado de São Paulo (que na década de 1960 passou a se chamar Record em notícias). As questões da cidade de São Paulo estavam presentes em Nossa cidade, apresentado por Nicolau Tuma. As questões ligadas à política apareciam em Preto e branco, apresentado por Viegas Neto.

No final da década de 1950 e início da de 1960, a Record começou a se destacar e a obter a liderança da audiência em São Paulo. Em 1964, a emissora investiu, novamente, nos programas de música, obtendo grande sucesso com O fino da bossa, apresentado pelos cantores Elis Regina e Jair Rodrigues, Jovem guarda, que tinha como apresentador o cantor Roberto Carlos, e Bossaudade, com os cantores Elisete Cardoso e Ciro Monteiro.

Em setembro e outubro de 1966, a TV Record realizou o II Festival de Música Popular Brasileira, que teve como vencedoras as composições de Chico Buarque de Holanda (A banda) e de Geraldo Vandré (Disparada) — o primeiro festival da MPB fora realizado em 1965 pela TV Excelsior de São Paulo. Para realizar o evento, a emissora contratou o organizador de festivais Solano Ribeiro. Os festivais alcançavam uma enorme popularidade. Em 1967, na transmissão da disputa final, vencida por Edu Lobo, com a música Ponteio, a Record registrou um índice quase que insuperável de audiência: 95%. Em 1968, a Record criou um júri popular para votar junto com o júri oficial dos festivais, que na maioria das vezes tinha suas decisões vaiadas pelo público. Entretanto, com a decretação do Ato Institucional nº 5, o governo iniciou um forte esquema de censura e criou empecilhos para o funcionamento do novo modelo de festival da MPB, contribuindo para o fim dos festivais da Record.

Os principais programas da TV Record, na década de 1960, foram: Praça da alegria, Família Trapo, Hebe etc. No final desta década, mais especificamente entre os anos de 1968 e 1969, a emissora sofreu uma série sucessiva de incêndios que destruíram suas instalações, auditório e equipamentos. O primeiro ocorreu no estúdio de Congonhas; em seguida, no Teatro Record; o terceiro, na torre da Avenida Paulista; e, por fim, um que destruiu o seu novo teatro, o Paramount, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio.

No início da década de 1970 Rogélio Rodrigues Thomaz passou a ocupar o cargo de diretor-presidente da TV Record, enquanto Paulo Machado de Carvalho permaneceu como diretor superintendente da Rede Record. A primeira metade desta década foi de muitas dificuldades para a Record. Aos problemas da falta de estúdios e equipamentos, somou-se o do crescimento vertiginoso da TV Globo, para onde migraram muitos dos profissionais da Record, tais como: Roberto Carlos, Nílton Travesso, Jô Soares, Lauro César Muniz, entre outros. O conjunto dos problemas fez com que os índices de audiência caíssem e que os patrocinadores se desinteressassem da emissora.

No início de 1970 teve início a aproximação entre o animador e empresário Sílvio Santos e a Record, o que produz bons resultados para a emissora: os índices de audiência começaram a aumentar. A Record passou a transmitir programas produzidos pela TVS e, em especial, o próprio programa Sílvio Santos.

Foi nesse período que o empresário comprou 50% das ações da Record (inicialmente o empresário recebeu as ações como garantia de um empréstimo realizado ao Grupo Machado de Carvalho). A transação comercial somente foi revelada e confirmada publicamente anos depois, pois o empresário estava ligado à Rede Globo de televisão por um contrato que o proibia de participar do controle acionário de outros veículos de comunicação. Em 1972, um novo grupo de ações da Record foi vendido e comprado por Joaquim Cintra Gordinho, que estaria representando o Grupo Sílvio Santos. O somatório das ações dava ao empresário Sílvio Santos o controle acionário da emissora (61,1%). Depois de uma série de negociações, a direção da emissora foi repartida de forma eqüitativa entre Sílvio Santos e a família Machado de Carvalho. No final da década de 1970, Luciano Calegari e Demerval Gonçalves (ligados ao grupo Sílvio Santos) eram diretores da TV Record, junto com Paulo Machado de Carvalho Filho e Paulo Machado de Carvalho Neto.

Começaram a ocorrer mudanças na programação da Record e a emissora voltou a contratar atrações de porte, como Raul Gil. Em meio ao clima de início de retorno à normalidade política, o diretor artístico Hélio Ansaldo, em 1978, tentou contratar o ex-presidente Jânio Quadros, que havia retornado do exílio, para estrelar um programa na TV Record, mas a proposta foi recusada (a TV Tupi também tentou contratá-lo, no mesmo período). Ainda em 1978, depois de cinco anos consecutivos de prejuízos, a Record conseguiu fechar o ano com lucros. Em 1979, ultrapassou, em audiência, as TVs Tupi e Bandeirantes.

Em 1982, o locutor esportivo Luciano do Vale se transferiu para a TV Record, investindo na transmissão de acontecimentos esportivos, principalmente as competições internacionais de vôlei.

Em 1984, teve início o programa de auditório Perdidos na noite, que ia ao ar semanalmente, aos sábados, a partir das 23 horas, apresentado pelo paulista Fausto Silva. O programa rapidamente atingiu bons índices de audiência. Marcado por um estilo irreverente, tanto no trato dos convidados como no do próprio público, o programa tinha sua transmissão ao vivo, tanto as entrevistas como os números musicais, o que não era uma prática comum naquele momento.

No final do ano de 1989 e no início do ano seguinte, a Rede Record foi vendida ao bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, por 45 milhões de dólares. A rede se encontrava com muitos problemas financeiros. Em 1992, Edir Macedo foi processado sob a acusação de charlatanismo, curandeirismo e estelionato. Os bens de Macedo ficaram sob intervenção judicial, inclusive a Rede Record, sob a qual havia ainda o problema de que sua venda não havia sido devidamente registrada junto ao Ministério dos Transportes e das Comunicações.

Com Edir Macedo afastado da presidência da Record, a emissora começou a investir em algumas modificações, tentando desvincular sua imagem da Igreja Universal do Reino de Deus. Em 1994, contratou a jornalista Alice Maria, para reformar o núcleo de jornalismo.

No início de 1995, o presidente da Record, o economista e também bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, João Batista Ramos da Silva, declarou que a Record era uma empresa eminentemente comercial, que tinha a Igreja Universal como um de seus principais clientes. A emissora tinha como diretor-executivo Demerval Gonçalves e Eduardo Lafon como diretor de operação e programação. Em outubro do mesmo ano, um novo incidente reacendeu a discussão em torno da ligação da emissora com a Igreja Universal. Na noite do dia 12 de outubro, o bispo da Igreja Universal Sérgio von Helder chutou a estátua da padroeira do país, Nossa Senhora da Aparecida, gerando uma série de protestos. A repercussão do ato foi tamanha, que o próprio bispo Edir Macedo (dono da emissora) veio a público pedir perdão pelo acontecido. Imediatamente alguns anunciantes se retiraram da emissora, o mesmo ocorrendo com algumas produtoras independentes que transmitiam seus programas através da TV Record. O incidente também gerou a demissão de Francisco Pinheiro (Chico Pinheiro), diretor de jornalismo da Rede Record de Televisão, que incluiu notícias sobre o incidente no jornal da própria emissora. A saída de Chico Pinheiro demonstrou, mais uma vez, o forte esquema de censura imposto pela cúpula da Igreja Universal do Reino de Deus sobre a programação da emissora, apesar das declarações de João Batista Ramos, negando tal fato.

No início de 1996, a Record voltou a ter problemas com o Ministério das Comunicações, pois surgiu a suspeita da utilização de acionistas de “fachada” para ocultar o verdadeiro proprietário, que, segundo as investigações, seria a Igreja Universal do Reino de Deus, desrespeitando o artigo 4º do Decreto-Lei nº 236 do Código Nacional de Telecomunicações, onde fica vetada a pessoas jurídicas a posse total de emissoras. O processo faz parte do inquérito movido pelo Ministério Público, que investiga as irregularidades cometidas pela Igreja Universal.

Desde 1996 a Record passou a enfrentar uma série de processos do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, que passaram a investigar o uso indevido, nas emissoras, do dinheiro das doações dos fiéis da Igreja Universal. A Rede Record foi acusada de receber o dinheiro dessas doações através da compra de horários de sua programação pela Igreja Universal a preços superfaturados. Estimava-se que cerca de um terço do faturamento da rede arrecadado no mercado publicitário vinha dos investimentos irregulares da Igreja na emissora. O Bispo Edir Macedo foi acusado também por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, junto com outros nove membros da Igreja Universal, que pediu abertura de sindicância no Ministério Público .

Em 2002, a Record emissora aliou-se à Rede Bandeirantes de Televisão e ao Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e rompeu com a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) alegando que esta favorecia a Rede Globo. As emissoras anunciaram em nota, nos principais jornais do país, que a Associação não estava mais autorizada a representá-las em nenhum foro e sob qual­quer pretexto. Em 2006, porém, a Record voltou a filiar-se à Abert.

Em 2007, a Record lançou um canal de notícias 24 horas, o Record News. O canal fez parte da expansão das atividades da Rede que, em 2008, criou também a Record Entretenimento, empresa que passou a atuar no mercado de criação, desenvolvimento e execução de projetos de entretenimento. Ainda em 2008, a rede mexicana Televisa fechou contrato com a Rede Record para a produção de novelas por um período de cinco anos. O contrato pôs fim a pareceria entre Televisa e SBT que já durava oito anos. As novelas passaram a ser produzidas no Núcleo de Teledramaturgia localizado em Várzea Grande, Rio de Janeiro, construído em 2005.

Outro setor que recebeu grandes investimentos da rede foi o de jornalismo, inclusive com o estabelecimento de correspondentes internacionais nos Estados Unidos, Inglaterra, África do Sul, Portugal, Japão e Israel.

Ao final da década de 2000, a Record passou a disputar o segundo lugar em audiência com o SBT, chegando a atingir picos de ibope, o que a levou a competir, inclusive, com a Rede Globo, que ocupava o primeiro lugar na média geral.

Em 2009, a Record possuía 98 emissoras geradoras e retransmissoras em todo o país. Sua transmissão também se estendia a outros 150 países através da Record Internacional, que contava com bureaus de representação em países como Portugal, Espanha, França, Inglaterra, Suíça, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau,África do Sul, EUA, Israel,  Japão, e também em países da América Central. A Record também investiu na expansão de sua transmissão digital.

 

 

colaboração especial Lia Calabre de Azevedo/Lilian Lustosa (atualização)

 

FONTES: Anuário brasileiro de mídia (1977-1978, 1983-1984, 1988-1989); Anuário brasileiro de Propaganda (1970-1971, 1972-1973 e 1984-1985); ARI, W. 30 anos; ÁVILA, C. R. A. A teleinvasão; Equipe FUNTEVE. Cronologia; ESQUENAZI, R. No túnel; FREDERICO, M. E. B. História; MACEDO, C. TV ao; MIRA, M. C. Circo eletrônico; SABADIN, C. Os 25 anos; SAMPAIO, M. F. História; SILVA, M. F. & MONTEIRO, M. A História; Veículos brasileiros de publicidade; Veja (30/6/76, 29/8/79, 3/8/83, 27/2/85).

Fontes:

Rede Record (www.rederecord.com.br / acessado em 30/08/2009)

Revista Veja (http://veja.abril.com.br/101007/p_084.shtml/acessado em 30/08/2009)

Folha Online (http://www.folha.uol.com.br/acessado em 30/08/2009)

Terra (http://noticias.terra.com.br/acessado em 30/08/2009)

 

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados