REVOLTA CAMPONESA DO SUDOESTE DO PARANA

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Nome: REVOLTA CAMPONESA DO SUDOESTE DO PARANÁ
Nome Completo: REVOLTA CAMPONESA DO SUDOESTE DO PARANA

Tipo: TEMATICO


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REVOLTA CAMPONESA DO SUDOESTE DO PARANÁ

REVOLTA CAMPONESA DO SUDOESTE DO PARANÁ

 

Revolta ocorrida em 1957, tendo como motivo principal a luta pela posse da terra. Francisco Beltrão foi a localidade em que se realizou a maior mobilização de colonos (camponeses), seguindo-se os municípios de Pato Branco, Santo Antônio e Capanema. O movimento decorreu do antagonismo entre os interesses de posseiros e de pequenos proprietários rurais e os interesses especulativos de diversas companhias de colonização ou de terras.

A ocupação da região teve origem no movimento migratório de agricultores rio-grandenses, intensificando-se na década de 1941 e atingindo seu auge em meados da década de 1950 e início da de 1960. Em um primeiro momento, a ocupação se fez mediante a doação de lotes médios de 15 alqueires pela entidade federal encarregada da colonização da área, a Colônia Agrícola Nacional General Osório (CANGO), criada em 1939 e instalada em 1948. Como se tratava de área litigiosa entre os interesses de companhias privadas, do governo do estado do Paraná e da União, ampliou-se a ocupação através da posse pura e simples.

A partir de 1955 as companhias intensificaram suas pressões sobre os colonos. A Clevelândia Industrial e Territorial (Citla), a Comercial Agrícola Paraná e a Companhia Apucarana utilizaram violência através da organização paramilitar de jagunços. Em abril de 1957, o colono-vereador Pedro José da Silva, o Pedrinho Barbeiro, organizou abaixo-assinado para as autoridades federais. Foi assassinado por jagunços em 8 de agosto. Outras violências foram praticadas quando entre quinhentos a seiscentos colonos armados fizeram uma marcha para protestar junto ao escritório da companhia. Ocorreu um tiroteio (localidade de Verê) após o assassinato do colono “Alemão”, que conduzia a marcha. A polícia interveio em favor das companhias. Na região de Santo Antônio-Capanema, os colonos organizaram uma tocaia, que resultou na morte de seis pessoas. Temendo represálias, cerca de dois mil colonos ocuparam a cidade de Capanema, obstruindo a estrada para Santo Antônio. No dia 10 de outubro cerca de seis mil colonos armados ocuparam a cidade de Francisco Beltrão, aprisionaram os jagunços e destruíram as instalações da companhia de terras, promissórias e contratos de compra de terras assinados sob coação dos jagunços. Sob a liderança do médico Válter Pecoits, exigiram a demissão das autoridades comprometidas com as companhias, bem como o fechamento de seus escritórios. Um levante na cidade de Pato Branco apresentou as mesmas reivindicações. Com as promessas de regularização da posse da terra, os colonos se desmobilizaram, embora os conflitos tenham-se estendido até 1960.

Em março de 1961, decreto federal expropriou terras do sudoeste do Paraná, compreendidas nas glebas Chopim e Missões. Durante o governo João Goulart, criou-se o Grupo Executivo para as Terras do Sudoeste do Paraná (Getsop), com a principal finalidade de regularizar a posse e os títulos de propriedade de milhares de posseiros e pequenos proprietários. Encerrou-se, então, este ciclo da luta pela posse da terra no sudoeste do Paraná.

Rubem Murilo Leão Rego/Brás José de Araújocolaboração especial

 

 

FONTES: Estado de S. Paulo (1957); Estado do Pará (1957); FOWERAKER, J. Frontier; Tribuna do Paraná (1957); WESTPHALEN, C. Nota.

 

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