ZERO HORA

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Nome: ZERO HORA
Nome Completo: ZERO HORA

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ZERO HORA

ZERO HORA

 

Jornal surgido em Porto Alegre em 1964, em substituição à edição gaúcha de Última Hora, e ainda hoje em circulação.

Com a criação da rede nacional de Última Hora, o jornalista Samuel Wainer começou a lançar edições regionais de seu jornal Última Hora em todo o país. Ao eclodir o movimento político-militar de março de 1964, a edição gaúcha, inaugurada em 1960, era dirigida por Ari de Carvalho, que, segundo o depoimento do jornalista José Silveira, se solidarizou com a novo regime. Diante dos profundos vínculos de Wainer com o governo deposto de João Goulart, Ari de Carvalho teria pedido ao comandante do III Exército cobertura para encampar o jornal. Como a Última Hora gaúcha não possuísse equipamentos próprios, sendo rodada nas oficinas do Diário de Notícias, a transação teria sido realizada com facilidade. Ari de Carvalho assumiu a propriedade do jornal e trocou seu nome para Zero Hora, passando a defender o regime militar instaurado no país.

Como herança da Última Hora, o novo jornal recebeu apenas quatro jipes, 20 máquinas de escrever, um confuso arquivo fotográfico e cinco motocicletas do tipo lambreta, além de continuar enfrentando a desconfiança dos empresários e dos militares. Mesmo assim, em 1965 Ari de Carvalho adquiriu uma rotativa e organizou os próprios serviços de tipografia e estruturação de pessoal. O sistema tipográfico, contudo, ainda usava telhas de chumbo que imprimiam diretamente sobre o papel. As edições saíam com 24 páginas, ao preço de 35 cruzeiros.

Dois anos depois, em 1967, Zero Hora realizou a primeira cobertura internacional, ao enviar o repórter Carlos Alberto Kolezca ao Vietnã. Ainda assim, as dificuldades financeiras eram crescentes. Os salários dos funcionários estavam atrasados, assim como o pagamento dos fornecedores. Um dos primeiros redatores desta fase foi Luís Fernando Veríssimo, que acabou saindo do jornal em 1970, para retornar em 1975.

Com o objetivo de evitar a falência da empresa, Ari de Carvalho associou‑se a Maurício Sirotsky Sobrinho, primo de Samuel Wainer e proprietário da Rádio e Televisão Gaúcha, além de diretor da Mercur Publicidade. A encampação completa do jornal por Maurício Sirotsky se daria pouco tempo depois, quando passou a haver uma visão mais aberta de gerenciamento e elaboração do jornal. A direção passou a ser compartilhada por seu irmão Jaime Sirotsky e Fernando Ernesto Correia, com a colaboração de Lauro Shirmer.

Em 31 de março de 1969 entrou em operação a rotativa Goss-Urbanite, que imprimia 15 mil exemplares por hora, com 64 páginas. O Zero Hora passou, então, a circular em 110 municípios gaúchos e, na ocasião, empregava duzentos profissionais. A redação e oficinas foram transferidas para um amplo prédio próprio, na avenida Ipiranga.

Desde o início, a jornal preocupou‑se em cobrir setores em que os concorrentes não atuavam, aproveitando-se da modernização do parque gráfico da empresa e do uso de pesquisas junto aos leitores como método corriqueiro de aferição do produto. O resultado foi que o Zero Hora, que tinha como concorrentes o Correio do Povo, a Folha da Tarde, o Diário de Notícias e o Jornal do Comércio, começou a firmar-se não apenas na capital, mas também no interior do estado.

Zero Hora, que inicialmente era vespertino, passou a ser impresso cada vez mais cedo para chegar às bancas antes da Folha da Tarde, seu maior concorrente. Em 1970 passou definitivamente a sair pela manhã.

O diagramador argentino Anibal Bendatti, um dos primeiros funcionários do jornal da Rede Brasil Sul de Comunicações (RBS), observou que o Rio Grande do Sul era o único estado em que a fórmula do tablóide, utilizado com êxito pela Folha da Tarde e depois pela Última Hora, também teria sucesso com Zero Hora, como periódico dinâmico e moderno.

Baseado nessa aceitação dos gaúchos é que a RBS, holding formada pela família Sirotsky em 1970, e proprietária do Zero Hora, acabou lançando em Santa Catarina, no mesmo formato, o Diário Catarinense.

De acordo com Jaime Sirotsky, o Zero Hora conquistou seu espaço por se apresentar como uma publicação mais dinâmica e moderna, dotado de recursos técnicos inovadores, que o ajudaram a consolidar sua posição de liderança.

Em 1972 a sede do jornal foi atingida pela inundação do riacho Ipiranga. Apesar de a enchente ter atingido as rotativas, o jornal não deixou de circular. No ano seguinte, um incêndio iniciado na área administrativa e que se propagou para a redação levou o fotógrafo Telmo Cúrcio a atirar-se num tanque de água do laboratório fotográfico, depois de ficar encurralado pelas chamas, e escapar por um buraco aberto para a instalação de um aparelho de ar-condicionado.

Na década de 1970, como os demais jornais do país o Zero Hora era visitado diariamente por um censor da Policia Federal, com uma lista de assuntos que não podiam ser tratados. O editor-chefe, Lauro Shirmer, chegou a ser processado por ter publicado, contra as diretrizes da censura, um discurso do então ministro da Agricultura, Alysson Paulinelli, criticando a política agrária do governo.

Em 1975 Zero Hora suplantou o até então imbatível Correio do Povo na venda avulsa no Rio Grande do Sul, segundo dados da Marplan. Seu parque gráfico recebeu novos equipamentos, e seu sistema de distribuição, seu planejamento mercadológico e sua estrutura sólida o elevaram à situação de líder do mercado. Os anúncios classificados, um dos pontos fortes do Correio do Povo, passaram a ser publicados também em grande quantidade pelo Zero Hora.

Em 1981, o então editor-chefe Carlos Fehlberg, ex-secretário de Imprensa da Presidência da República no governo do general Emílio Garrastazu Médici, noticiou em primeira mão a morte do papa João Paulo I, depois de receber um telex pela madrugada e mudar a edição que, àquela altura, estava nas rotativas.

Com o falecimento de Maurício Sirotsky em 1986, a presidência do jornal foi assumida por seu irmão Jaime Sirotsky. A década de 1980 foi também a era da informatização da redação, a um custo de quatro milhões de dólares. Em 1989 foi lançado o programa Jornalista dos Anos 90, visando à preparação dos profissionais para as áreas específicas da redação.

Marcos Dvoskin, um dos responsáveis pela mídia impressa do grupo RBS, calcula em um milhão de dólares o investimento feito na ocasião nessa área. A tiragem média de Zero Hora em 1989 era de 130 mil exemplares nos dias de semana e 260 mil aos domingos. Tinha 30 mil assinantes e gastava duas mil toneladas por mês em papel e 25 toneladas por mês em tintas. O jornal respondia, na época, por 36% do faturamento do grupo RBS, enquanto a emissora de TV do grupo ficava com 55%.

Em 1997 o Zero Hora chegou à sua edição de número 11.582 com mais de duzentos mil exemplares distribuídos em todo o Rio Grande do Sul e em parte do Uruguai, da Argentina e de outros estados do Sul do Brasil.

Segundo o Balanço Anual da Gazeta Mercantil, a RBS se situava em 1998 na quinta posição entre as maiores empresas jornalísticas do Brasil, sendo o Zero Hora o quinto jornal do país em circulação e faturamento publicitário e o primeiro fora do eixo Rio-São Paulo, segundo dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC).

Em 1998, Marcelo Rech, que substituíra Augusto Nunes, era o diretor de redação do jornal. Como editores-chefes estavam Ciro Martins Filho e Marta Gleich.

Estudo do Marplan Brasil Pesquisas, realizado no segundo trimestre de 2000 revelou que Porto Alegre era a capital brasileira com maior percentual de leitura de jornais, e segundo a pesquisa, os jornais Zero Hora e Diário Gaúcho atingiam conjuntamente cerca de 76% do total da população com idade superior a 15 anos, um número de leitores equivalente a 1,4 milhão de pessoas.

Em 2004 o Zero Hora foi eleito o veículo do ano pelo Prêmio Comunicação 2004, da Associação Brasileira de Propaganda (ABP).

Era de mais de 187 mil exemplares a média diária de circulação do Zero Hora ao final do ano de 2008, de acordo com dados do IVC, o que colocava o jornal gaúcho em 7º lugar no ranking dos títulos nacionais.

Com a presença do Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, foi inaugurado no primeiro semestre de 2009 o novo parque gráfico da RBS em Porto Alegre, em evento comemorativo dos 45 anos do jornal Zero Hora. Foram investidos R$70 milhões em instalações, equipamentos de impressão e novo sistema automatizado de expedição.

 

 

Carlos Eduardo Leal/Sérgio Roberto Dillenburg

 

FONTES: ENTREV. RYFF, R.; ENTREV. SILVEIRA, J.; Imprensa (2, 16 e 21); Memória RBS;Portal M&M Online ( http://www.mmonline.com.br; acessado em 22/12/2009); Portal Imprensa (http://portalimprensa.uol.com.br; acessado em 22/12/2009).

 

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