Francisco de Mello Franco I

Entrevista

Francisco de Mello Franco I

Entrevista realizada no contexto da pesquisa "Trajetória e Desempenho das Elites Políticas Brasilieras", parte integrante do projeto institucional Programa de História Oral do CPDOC, em vigência desde sua criação, em 1975. Ela se insere no conjunto de depoimentos sobre a história política da cidade e do estado do Rio de Janeiro. A escolha do entrevistado justificou-se por ter sido secretário estadual de Planejamento nos dois governos de Chagas Freitas no Rio de Janeiro (1971-1975 e 1979-1983). Esta entrevista encontra-se editada e publicada no livro "A construção de um estado: a fusão em debate". (Organizadores Marly Motta e Carlos Eduardo Sarmento. Rio de Janeiro, Editora FGV, 2001). Sobre esta entrevista, ver também: Marly Motta. "Saudades da Guanabara" (Rio, Editora FGV, 2000); Idem. "O governador da Guanabara", in: Carlos Eduardo Sarmento (org.). "Chagas Freitas" (Rio de Janeio, Editora FGV, 1999); Idem. "Mania de estado: o chaguismo e a estadualização da Guanabara", "História Oral" (revista da Associação Brasileira de História Oral, (3). jun. 2000); Idem. "Frente e verso da política carioca: o lacerdimos e o chaguismo". "Estudos Históricos" (Rio de Janeiro, (13)24. 1999).
Forma de Consulta:
Entrevista publicada em livro.
Entrevista publicada em livro.
Referência completa: A CONSTRUÇÃO de um Estado: A fusão em debate / Organizadores Marly Silva da Motta e Carlos Eduardo Sarmento; [Entrevistadores Américo Freire ...[et al] ; Edição de texto: Lucia Hippolito] . Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getulio Vargas, 2001. 254p. il.

Tipo de entrevista: História de vida
Entrevistador(es):
Ignez Cordeiro de Farias
Marieta de Moraes Ferreira
Marly Silva da Motta
Data: 24/11/1992 a 4/12/1992
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 9h0min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Francisco Manoel de Mello Franco
Formação: Possui graduação em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (1956) e especialização em Engenharia de Petróleo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1959) .
Atividade: Secretário de Planejamento nos dois Governos C.Freitas no Rio De Janeiro.

Equipe

Levantamento de dados: Marly Silva da Motta;Ignez Cordeiro de Farias;Marieta de Moraes Ferreira;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Marly Silva da Motta;Ignez Cordeiro de Farias;Marieta de Moraes Ferreira;

Transcrição: Lia Carneiro da Cunha; ;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Sumário: Marly Silva da Motta;

Temas

Afonso Arinos de Melo Franco;
Banco Central do Brasil;
Carlos Lacerda;
Chagas Freitas;
Chaguismo;
Delfim Neto;
Economia;
Empresas estatais;
Empresas públicas;
Ernesto Geisel;
Floriano Peixoto Faria Lima;
Francisco de Melo Franco;
Fusão Rio de Janeiro - Guanabara (1975);
Governo Café Filho (1954-1955);
Governo estadual;
Governos militares (1964-1985);
Guanabara;
Hélio Beltrão;
Inflação;
Juscelino Kubitschek;
Leonel Brizola;
Mário Henrique Simonsen;
Militares e estado;
Ministério do Planejamento;
Otávio Gouvêa de Bulhões;
Parlamentarismo;
Petrobras;
Petróleo;
Planejamento econômico;
Política estadual;
Política nacional;
Reis Veloso;
Rio de Janeiro (estado);
Roberto Campos;
União Democrática Nacional;

Sumário

1ª Entrevista: 24.11.1992
Fita 1-A: Influência da família na formação do entrevistado; família Melo Franco: ambiência intelectual e envolvimento político; escolha da carreira de engenheiro; o peso de ser filho de Afonso Arinos; primeiros estudos; convivência com políticos e intelectuais; a figura da mãe; impacto do assassinato do tio Virgílio de Melo Franco; viagem para a Europa (1952); Afonso Arinos na liderança da UDN (1952).

Fita 1-B: Relações de Afonso Arinos com Carlos Lacerda; comentários sobre Carlos Lacerda; candidatura de Afonso Arinos ao Senado (1958); criação da UDN; dificuldades da UDN como partido político; o sentimento antigetulista da família; o governo Café Filho; Gudin no Ministério da Fazenda, a divisão interna na UDN; a personalidade de Juscelino Kubitschek; relações entre Kubitschek e Afonso Arinos; as dificuldades da campanha de Afonso Arinos em Minas Gerais e a disputa para o Senado do Distrito Federal (1958); a ascensão de Lacerda na UDN carioca; as várias UDNs; as relações de San Tiago Dantas com Afonso Arinos; Afonso Arinos no secretariado do governo Magalhães Pinto (1964); a UDN e a transferência da capital para Brasília.

Fita 2-A: Os vínculos de Afonso Arinos com os projetistas de Brasília; as afinidades entre Rio de Janeiro e Brasília; o ingresso no curso de Engenharia da PUC/RJ (1952); cursos de especialização em petróleo na Petrobrás (1957-58) e de análise econômica no Conselho Nacional de Economia (1960); engenheiro na refinaria de Capuava (1958-60); assessor da Segunda Comissão sobre Petróleo na ONU (196l); contatos com Roberto Campos em Washington (1962); assessor para assuntos de petróleo no Ministério do Planejamento (1965); a situação das estatais no Brasil.

Fita 2-B: Na refinaria de Capuava: o processo de estatização, a atuação do coronel Ernesto Geisel, a devolução das refinarias encampadas (1965); assessor para assuntos de petróleo no Ministério do Planejamento; no Grupo Executivo da Indústria Química (Geiquim): a evolução de indústria petroquímica e a Petroquisa; os grupos executivos ligados ao Ministério da Indústria e Comércio; a evolução da indústria de telecomunicações e a criação da Embratel; militares na política e na tecnocracia; o economista como "técnico" privilegiado no regime militar; a política monetária; o pensamento econômico americano; o funcionamento das economias desenvolvidas e da economia brasileira; o fracassso dos choques anti-inflacionários; a administração da moeda e do crédito; a imposição das medidas econômicas.


2ª Entrevista: 27.11.1992
Fita 3-A: Comentários sobre a inflação brasileira; a engenharia no desenvolvimento nacional; a relação entre economistas e militares; a atuação de Roberto Campos no Ministério do Planejamento; a atuação do Escritório de Planejamento Econômico e Social (EPEA); na coordenação dos setores técnicos do Ministério do Planejamento; na presidência da FINEP (1967-70); na chefia do setor industrial do Ministério do Planejamento.

Fita 3-B: A especialização técnica no Ministério do Planejamento; Pratini de Morais; economistas "hídricos" e "puros"; as relações entre governo e empresa privada; as relações entre os ministérios da Fazenda e do Planejamento; a gestão econômica de Roberto Campos e Otávio Gouveia de Bulhões; as relações entre Hélio Beltrão e Delfim Netto; comentários sobre o Ministério da Economia e o Banco Central; as funções do Ministério do Planejamento; comentários sobre o papel do Estado na economia; Castelo Branco e Costa e Silva; a atuação de Delfim Neto no Ministério da Fazenda; o papel do Estado como instrumento de ação e desenvolvimento; a atuação da tecnocracia na área monetária e creditícia.

Fita 4-A: O EPEA; a indicação de Reis Veloso para o Ministério do Planejamento; contatos com o governador Chagas Freitas: o convite para a assessoria de planejamento; as relações entre Delfim Neto e Reis Veloso; perfil de Reis Veloso; as relações entre Reis Veloso e Mário Henrique Simonsen; atuação da FINEP; comentários sobre a federação brasileira; indicação de Bulhões para o Banco do Estado da Guanabara; as condições da fusão; curso na ADESG; as dificuldades de Afonso Arinos durante o regime militar; a atuação de Hélio Beltrão no Planejamento e suas relações com Delfim Neto.

Fita 4-B: Atuação de Reis Veloso no Ministério do Planejamento; comentários sobre o governo Médici; a saída do Ministério do Planejamento e da FINEP (1970); contatos com Ernesto Geisel, presidente da Petrobrás; as críticas de Afonso Arinos a Geisel; Médici; as rivalidades entre militares; a transição do governo Castelo para o de Costa e Silva; a cassação de Antonio Houaiss; a importância de Hélio Beltrão no Ministério Costa e Silva; a indicação de Delfim Neto para a Fazenda; o crescimento da influência do Ministério da Fazenda e a perda de prestígio do Ministério do Planejamento; Hélio Beltrão; a influência de São Paulo na gestão de Defim Neto; a atuação de Mário Henrique Simonsem no atendimento ao Rio de Janeiro; o peso da regionalização na política brasileira; a discussão do parlamentarismo na Constituinte.


3ª Entrevista: 30.11.1992
Fita 5-A: Primeiras iniciativas na assessoria de planejamento da Guanabara; elaboração de um plano de ação do governo: contatos com Lúcio Costa; relação com Negrão de Lima; balanço das administrações Lacerda e Negrão de Lima; comentários sobre a cidade-estado; plano de expansão física da Guanabara; projetos para a cidade e para o estado; o convite para a Secretaria de Planejamento; a herança orçamentária do governo Negrão de Lima; a implementação dos planos e projetos: o porto de Sepetiba, o metrô; a inserção da Guanabara na federação: situação orçamentária; comentários sobre a atuação política de Chagas Freitas.

Fita 5-B: Características da política de Chagas Freitas; relações com Chagas Freitas; o Conselho de Planejamento Urbano; perfil político de Chagas Freitas; relações de Chagas Freitas com Miro Teixeira; autocrítica de Chagas Freitas; a participação da Guanabara no âmbito federal; posição em relação à equipe de Chagas Freitas; relações com Chagas Freitas após o fim do governo (1975-79); perspectivas de ingresso na vida partidária; atuação da bancada carioca na Câmara Federal; negociações para a liberação de recursos para o metrô; as obras viárias; a ordenação da Barra da Tijuca; a proposta de centro administrativo da Barra da Tijuca.
Fita 6-A: Oposição à construção do elevado sobre a avenida Rodrigues Alves; o projeto de monotrilho para a Barra da Tijuca; os investimentos na cidade e no estado: zona industrial na avenida Brasil, usina siderúrgica, porto de Sepetiba; relações com a FIEGA (Federação das Indústrias da Guanabara); a política urbana do Conselho de Planejamento Urbano; as pressões da construção civil contra o Conselho; a CEASA (Central de Abastecimento); relacionamento com Heitor Schiller (secretário de Fazenda) e com Otávio Gouveia de Bulhões (presidente do Banco do Estado da Guanabara); situação financeira e orçamentária da Guanabara às vésperas da fusão; o impacto das estatais no estado da Guanabara; a reforma administrativa.

Fita 6-B: As atribuições da Secretaria de Planejamento; a autarquização da máquina administrativa do estado; a reforma administrativa: a extinção das autarquias, o sistema de planejamento e coordenação geral; a experiência do planejador no Ministério do Planejamento e na Secretaria Estadual de Planejamento; as teses sobre o "esvaziamento" do Rio de Janeiro no início dos anos 70; os projetos de reversão do "esvaziamento" do Rio de Janeiro; a criação da RIOTUR; a questão geopolítica e espacial do Estado da Guanabara; a criação de empresas e companhias; o Decreto-Lei 200 e a administração descentralizada; o processo de escolha da direção das companhias e empresas públicas; a criação do Conselho de Desenvolvimento Econômico (1972); a COPEG; a reversão do "esvaziamento" do Rio de Janeiro; a crise ética do país.

Fita 7-A: Comentários sobre o destino nacional da cidade do Rio de Janeiro; a representatividade regional no Congresso: atuação das bancadas paulista e carioca; avaliação da situação da Guanabara após o governo Chagas Freitas; comentários sobre os problemas criados ao Estado da Guanabara pela fusão; reação de Chagas Freitas ao processo de fusão; a disputa Chagas Freitas x Amaral Peixoto pela sucessão no novo Estado do Rio; o peso do autoritarismo do governo federal no processo de fusão; a atuação dos remanescentes da UDN em favor da fusão; o fracasso da fusão; a vulnerabilidade política de Chagas Freitas diante da fusão.

Fita 7-B: Investimentos no metrô do Rio; endividamento da administração Faria Lima; Chagas Freitas: atuação política, origens familiares, perfil psicológico; estilo de governo de Chagas Freitas; a bancada chaguista; avaliação do governo Chagas Freitas no Estado da Guanabara; comentários sobre o fracasso da Guanabara e de Chagas Freitas; dificuldade de Chagas Freitas na política estadual pós-fusão; a fusão: tomada de decisão, implementação; atuação na EMBRATUR (Empresa Brasileira de Turismo); o desinteresse do governo Faria Lima pela cidade do Rio de Janeiro; a montagem e as dificuldades da prefeitura da cidade do Rio de Janeiro.


4ª Entrevista: 04.12.1992
Fita 8-A: Situação da prefeitura do Rio de Janeiro após a fusão; Marcos Tamoio; ameaça de demissão da EMBRATUR; vícios de origem do novo Estado do Rio de Janeiro; o regime tributário da Guanabara; situação do funcionalismo do novo Estado do Rio; relações entre a EMBRATUR e a Secretaria de Turismo da cidade do Rio de Janeiro: Riocentro, projeto de Niemeyer para a construção de um Centro de Artes no Aterro do Flamengo; Faria Lima; situação de Chagas Freitas no governo Faria Lima.

Fita 8-B: Investimentos federais no Rio de Janeiro; atuação na EMBRATUR; a volta à Secretaria de Planejamento do Estado do Rio (1979); convite para a prefeitura da cidade do Rio de Janeiro e a saída da Secretaria de Planejamento (1980); proposta de Afonso Arinos para o final do AI-5; contatos com Aureliano Chaves e indicação para a subchefia da vice-presidência da República; a candidatura a vice-governador na chapa de Moreira Franco (1982); relações com Moreira Franco; prestígio político de Afonso Arinos na cidade do Rio de Janeiro.

Fita 9-A: Segundo governo Chagas Freitas (1979-83); perfil político de Chagas Freitas; a campanha para vice-governador do Estado do Rio (1983); rompimento com Chagas Freitas; a atuação de Chagas Freitas no processo de abertura; articulações políticas para a criação do Partido Popular (PP); relações com Chagas Freitas com o governo federal; o Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro (BD-Rio); a montagem da máquina chaguista; perfil pessoal de Leonel Brizola; comentários sobre a trajetória política de Brizola; Ulisses Guimarães; a pespectiva do fim do brizolismo.

Fita 9-B: Comentários sobre as mudanças políticas pós-Guerra Fria; na assessoria para assuntos de petróleo da Comissão Nacional de Energia ligada ao gabinete civil de Aureliano Chaves; o isolamento de Chagas Freitas; comentários sobre o prefeito César Maia; comentários sobre valores familiares; na assessoria de Antônio Houaiss no Ministério da Cultura; o significado do depoimento oral.
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