José Sette Câmara Filho II

Entrevista

José Sette Câmara Filho II

Entrevista realizada no contexto da pesquisa "Trajetória e Desempenho das Elites Políticas Brasilieras", parte integrante do projeto institucional Programa de História Oral do CPDOC, em vigência desde sua criação, em 1975. Ela se insere no conjunto de depoimentos sobre a história política da cidade e do estado do Rio de Janeiro. A escolha do entrevistado justifica-se pelo fato dele ter sido o primeiro governador do estado da Guanabara.
Forma de Consulta:
Entrevista em áudio disponível na Sala de Consulta do CPDOC.

Tipo de entrevista: História de vida
Entrevistador(es):
Ignez Cordeiro de Farias
Marly Silva da Motta
Alexandra de Mello e Silva
Data: 18/2/1993 a 6/5/1993
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 13h40min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: José Sette Câmara Filho
Nascimento: 14/4/1920; Alfenas; MG; Brasil;

Falecimento: 30/5/2002; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação: Faculdade de Direito da Universidade de Minas Gerais; mestre em Direito Civil pela Universidade McGill (Canadá).
Atividade: Diplomata; chefe do Gabinete Civil da Presidência da República (1959-60); governador Gb (1960); prefeito do Rio de Janeiro (1961-62); embaixador do Brasil na ONU (1964-68); presidente da Comissão de Direito Internacional (CDI) da ONU (1978); membro da Corte Internacional da Justiça de Haia (1978-??)

Equipe

Levantamento de dados: Marly Silva da Motta;Ignez Cordeiro de Farias;Alexandra de Mello e Silva;Paulo Wrobel;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Marly Silva da Motta;Ignez Cordeiro de Farias;Alexandra de Mello e Silva;Paulo Wrobel;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Sumário: Ignez Cordeiro de Farias;

Temas

América Latina;
Brasília;
Carlos Lacerda;
Celso Furtado;
Crise de 1954;
Departamento Administrativo do Serviço Público;
Diplomacia;
Elites políticas;
Energia nuclear;
Ernesto Che Guevara;
Estado Novo (1937-1945);
Fidel Castro;
Getúlio Vargas;
Governo estadual;
Governo Getúlio Vargas (1951-1954);
Governo Jânio Quadros (1961);
Governo João Goulart (1961-1964);
Governo Juscelino Kubitschek (1956-1961);
Guanabara;
José Sette Câmara;
Juscelino Kubitschek;
Leonel Brizola;
Minas Gerais;
Ministério das Relações Exteriores;
Organização das Nações Unidas;
Política estadual;
Política externa;
Reforma agrária;
Relações internacionais;
Revolução Cubana (1956-1959);
Revolução de 1930;
Rio de Janeiro (estado);
Sindicalismo;
Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene);
Vinícius de Moraes;

Sumário

1ª Entrevista: 18.02.1993
Fita 1-A: Nascimento (Alfenas, MG, 14.04.20); família; infância em Alfenas e mudança para Belo Horizonte em 1925; carreira profissional do pai; formação escolar e religiosa; considerações sobre o ensino público no Brasil; comentários sobre o Colégio Arnaldo de Belo Horizonte; estudo de línguas estrangeiras; vida de jovem em Belo Horizonte; estudante de Direito em Belo Horizonte (1939-45); escolha da carreira; concurso do DASP para o Itamarati (1944); primeira nomeação na carreira diplomática (1945); casamento; política estudantil durante o Estado Novo.

Fita 1-B: Política estudantil durante o Estado Novo; Revolução de 1930 em Belo Horizonte; considerações sobre Benedito Valadares; entrada de Juscelino Kubitschek na política; comentários sobre Júlio Soares; Kubitschek na prefeitura de Belo Horizonte (1940-45); como funcionário concursado da prefeitura de Belo Horizonte; oposição mineira ao Estado Novo; no gabinete do prefeito Juscelino Kubitschek; comentários sobre método de trabalho de Getúlio Vargas e de Kubitschek; início da carreira política de J.K.

Fita 2-A: Convivência com os políticos brasileiros e a vocação pelo serviço público; ainda no gabinete do prefeito de Belo Horizonte após o Estado Novo; escolha da carreira diplomática; concurso do DASP para o Itamarati; casamento; mudança para o Rio de Janeiro trabalhando na Divisão Política do Itamarati; como chefe de gabinete do embaixador Camilo de Oliveira no Departamento Político, Econômico e Cultural; repercussões da Segunda Guerra Mundial em Belo Horizonte; comparação entre o pessoal do Itamarati recrutado pelo DASP e o recrutado pelo Instituto Rio Branco; nomeação para secretário do chefe do Gabinete Civil Lourival Fontes (1952); no gabinete do chefe do Gabinete Civil da Presidência da República (1952-54); como ghost-writer de Getúlio Vargas.

Fita 2-B: Como diplomata posto à disposição da presidência da República; comentários sobre Lourival Fontes e Getúlio Vargas; considerações sobre seu trabalho no Gabinete Civil; contatos com os políticos; companheiros de trabalho no Gabinete Civil e a Assessoria Econômica da Presidência da República; despachos com Getúlio Vargas; comentários sobre ditaduras nos anos 1930-40; considerações sobre Getúlio Vargas e Café Filho.


2ª. Entrevista: 04.03.1993
Fita 3-A: Getúlio Vargas e Café Filho; políticos ligados a Getúlio Vargas; considerações sobre Maciel Filho; Assessoria Econômica e ministério do segundo governo Vargas; ministros das Relações Exteriores, João Neves da Fontoura e Vicente Rao; jornal Última Hora, Samuel Wainer e apoio ao governo; Tribuna da Imprensa, Carlos Lacerda e oposição a Vargas; Diário Carioca, José Eduardo Macedo Soares e oposição a Vargas; reforma ministerial em 1953.


Fita 3-B: Reforma ministerial em 1953; João Goulart no Ministério do Trabalho (1953-54); relações Getúlio Vargas e João Goulart; sindicalismo no governo Vargas; a questão do aumento do salário mínimo e da saída de Jango do ministério (1954); militares e crises políticas em 1954.

Fita 4-A: Crise de agosto de 1954; comentários sobre o isolamento dos chefes de governo; crises políticas de 1954; considerações sobre regime republicano e presidencialismo; suicídio de Vargas; transmissão do cargo do chefe do Gabinete Civil e volta do entrevistado ao Itamarati; nomeação para o consulado em Florença; candidatura de Kubitschek à presidência da República e campanha eleitoral de 1955; oposição militar a J.K.; viagem do presidente eleito à Europa (1956); convite para subchefe do Gabinete Civil do presidente Kubitschek.

Fita 4-B: Como subchefe do Gabinete Civil, diretamente ligado ao presidente J.K.; comentários sobre o vice-presidente João Goulart; considerações sobre o estilo de trabalho de J.K.; no Conselho Nacional de Abastecimento e Preços (1958); comparação entre o Brasil durante o governo Kubitschek e o Brasil de hoje; crise do abastecimento durante o governo J.K.; problemas na administração do Conselho Nacional de Abastecimento e Preços.


3ª. Entrevista: 11.03.1993
Fita 5-A: Problemas na administração do Conselho Nacional de Abastecimento e Preços; a questão do estoque regulador; criação da Companhia Nacional de Armazéns e Silos, Cibrazem; considerações sobre o relatório Saks (1954); comentários sobre promoções na carreira diplomática; grupo do Itamarati no governo Kubitschek; Itamarati e burocracia no Brasil; Juscelino em relação à política externa; comentários sobre a seca de 1958 e sobre estudos feitos sobre a situação do Nordeste; idéia de criação de um órgão para solucionar o problema nordestino.

Fita 5-B: Criação do Codeno, Conselho de Desenvolvimento do Nordeste (1958) e da Sudene, Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (1959); escolha de Celso Furtado para superintendente da Sudene; comentários sobre a atuação da Sudene; Celso Furtado como primeiro superintendente da Sudene; as questões de eletrificação e de irrigação no Nordeste; recursos financeiros da Sudene; considerações sobre a dicussão da reforma agrária no governo J.K.; chefes do Gabinete Civil do governo Kubitschek; nomeação para o governo do Estado da Guanabara (1960).


4ª. Entrevista: 19.03.1993
Fita 6-A: Considerações sobre os discursos do presidente Kubitschek e seu ghost-writter, Augusto Frederico Schmidt; como chefe de gabinete do presidente J.K.; crises políticas e militares no governo Kubitschek; general Lott no Ministério da Guerra e Nelson de Melo na Casa Militar; comentários sobre o general Denis; Carlos Lacerda e a oposição a J.K.; Congresso no governo J.K.; convivência do presidente Kubitschek com os governadores Jânio Quadros e Leonel Brizola.
Fita 6-B: Saída de Lucas Lopes do Ministério da Fazenda; comentários sobre a doença de Juscelino no início de 1960; construção de Brasília; considerações sobre a nova capital.

Fita 7-A: Mudança da capital para Brasília e nomeação do entrevistado para o governo provisório da Guanabara; no governo da Guanabara; campanha e eleição do governador do novo estado (1960); candidatura do general Lott para a presidência da República (1960); considerações sobre seu secretariado no governo provisório da Guanabara.

Fita 7-B: Considerações sobre a mudança da capital e a criação do estado da Guanabara; convivência do governo provisório com a Câmara de Vereadores; comentários sobre sua atuação como governador da Guanabara; Sá Freire Alvin, prefeito do antigo Distrito Federal e a criação da Sursan na prefeitura Negrão de Lima; principais obras de engenharia no Distrito Federal e na Guanabra; o problema da habitação.


5ª. Entrevista: 25.03.1993
Fita 8-A: Considerações sobre o problema de transporte e habitação no Rio de Janeiro; criação, organização e atuação da Sursan; relação da Sursan com os políticos e com os empresários de construção civil; orçamento do novo estado da Guanabara; campanha eleitoral para o governo do estado (1960).

Fita 8-B: Contatos com Jânio Quadros, no período de transição, entre eleição e posse na presidência da República; nomeação para a prefeitura de Brasília (1961, governo Jango); considerações sobre a Novacap; na prefeitura de Brasília; problemas com o presidente da Novacap e sua demissão (1962); considerações sobre a administração da prefeitura do Distrito Federal.


6ª. Entrevista: 01.04.1993
Fita 9-A: Comentários sobre a vida particular do diplomata; trabalhando no Jornal do Brasil (1968-72); prisão em 1968; trabalhando no Conselho Coordenador do Comércio Exterior do Café e escrevendo no O Globo (1962-63); considerações gerais sobre sua atuação em cargos públicos no Brasil; na Comissão de Direito Internacional da ONU (1950-52).

Fita 9-B: Como consultor jurídico da delegação permanente junto à ONU (1950-52); participando de assembléias gerais da ONU; considerações sobre a ONU; volta à ONU como chefe da delegação brasileira permanente (1964-68); como chefe da delegação brasileira nas negociações da dívida externa (1964); criação do comitê que trata da revisão e fortalecimento da Carta de São Francisco; a questão dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU; considerações sobre a Guerra dos Seis Dias (1967); Resolução 242 sobre os territórios palestinos ocupados.

Fita 10-A: Discussões no Conselho de Segurança da ONU sobre a República Dominicana (1965); comentários sobre a formulação da política externa no segundo governo Vargas; posição do Brasil perante o colonialismo; tentativa de aproximação de Perón com Getúlio Vargas; relação Brasil-Estados Unidos no governo Vargas.
Fita 10-B: A questão do envio de tropas brasileiras para a Coréia; comentários sobre o Acordo Militar Brasil-Estados Unidos e sobre a Comissão Mista Brasil-Estados Unidos; considerações sobre a IV Reunião de Consulta dos Ministros das Relações Exteriores (Washington, 1951) e sobre a X Conferência Interamericana (Caracas, 1954); nomeação para o consulado em Florença (1954); acompanhando o presidente eleito J.K. na viagem à Europa (1956); comentários sobre o Ministério das Relações Exteriores no governo Kubitschek.


7ª. Entrevista: 22.4.1993
Fita 11-A: Mudanças na política externa durante o governo Kubitschek; negociações para a criação da Operação Pan Americana, OPA; criação do Banco Interamericano de Desenvolvimento, BID; comentários sobre Fidel Castro, Che Guevara e a Revolução Cubana; Brasil e Estados Unidos em relação à OPA; a questão do reatamento das relações comerciais com a União Soviética.

Fita 11-B: A chamada política externa independente nos governos Jânio Quadros e João Goulart; política externa brasileira em relação à Cuba no início nos anos 60; política externa e política interna no governo Jânio; o Brasil e a descolonização; comentários sobre o chanceler Afonso Arinos; Itamarati e a política externa independente; a questão das Guianas no governo Jânio Quadros.

Fita 12-A: Mudanças na política externa brasileira após a Revolução de 1964; dificuldades com a França durante o governo João Goulart; como chefe da delegação brasileira na renegociação da dívida externa (1964); como chefe da delegação brasileira permanente na ONU (1964-68); aposentadorias no Itamarati após a Revolução de 1964; comentários sobre Vinícios de Morais; reunião preparatória para o tratado de desnuclearização da América Latina (México, 1964) e a criação da Copredal; reunião, no Brasil, sobre o tratado de desnuclearização (1965); o Tratado de Tlatelolco (1967).

Fita 12-B: Assinatura do Tratado de Tlatelolco; idéia de criação de zonas livres de armas nucleares; Tratado de Não Proliferação, TNP (1968); a questão dos dejetos nucleares; problemas da energia nuclear; considerações sobre a Guerra dos Seis Dias (1967) e sobre a Guerra do Yom Kippur (1973); votação da Resolução Anti-Sionista (1975); trabalhando no Jornal do Brasil (1968-72); considerações sobre a Primavera de Praga; como embaixador em Praga (1972-79).


8ª Entrevista: 06.05.1993
Fita 13-A: Como embaixador em Praga; como membro eleito da Corte Internacional de Justiça, Corte de Haia, desde 1978; considerações sobre sua atuação em cargos públicos no Brasil e sobre os políticos brasileiros; comentários sobre a queda do mundo comunista; como terceiro-secretário na embaixada do Brasil em Washington (1947).

Fita 13-B: Transferência para o Canadá e como vice-cônsul em Montreal (1947-50); curso de mestrado e defesa de tese em Direito Civil na Universidade Mc Gill; assessor de Gilberto Amado na ONU (1950); negociações no Clube de Paris (1964); como chefe da delegação brasileira nas negociações com o Clube de Paris; comentários sobre reuniões no Brasil preparando o reescalonamento da dívida externa (1964); no consulado brasileiro em Florença (1954-56).

Fita 14-A: Como cônsul do Brasil em Florença; como consultor jurídico junto à ONU; Álvaro Lins como chefe de gabinete do governo J.K. e como embaixador em Lisboa; considerações sobre a nomeação de embaixadores políticos e sobre a carreira diplomática; nomeação para chefe da delegação brasileira permanente na ONU (1964); relacionamento do entrevistado com representantes de países africanos; impacto da descolonização africana e asiática na ONU; como embaixador em Berna (1963-64); eleição para a Comissão de Direito Internacional, CDI, da ONU e considerações sobre a Comissão.

Fita 14-B: Considerações sobre sua carreira diplomática e sobre sua especialização em direito internacional; comentários sobre a delegação brasileira na UNCTAD (1964); considerações sobre o general Vernon Walter; função dos adidos militares.

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