Naide Regueira Teodósio

Entrevista

Naide Regueira Teodósio

Entrevista realizada no contexto da pesquisa "Trajetória e Desempenho das Elites Políticas Brasileiras", parte integrante do projeto institucional do Programa de História Oral do CPDOC, em vigência desde sua criação, em 1975. Ela se insere no contexto do estudo sobre a história Partido Comunista Brasileiro (PCB), realizado pela pesquisadora Dulce Pandolfi entre 1990 e 1994. A escolha da entrevistada se justificou pelo fato de ter sido militante do PCB, além de uma importante intelectual. A pesquisa resultou no livro "Camaradas e companheiros: história e memória do PCB" (Relume Dumará, 1995) de autoria da mesma pesuisadora. Uma análise desta entrevista pode ser encontrada em Pandolfi, Dulce Chaves. "Femmes militantes: une histoire de plusieurs vies.", in: VIII International Oral History Conference, "Memory and Multiculturalism", Siena-Lucca, 25-28 fevereiro 1993. Anais da conferência, p.874-881.
Forma de Consulta:
Entrevista em áudio disponível na Sala de Consulta do CPDOC.

Tipo de entrevista: História de vida
Entrevistador(es):
Dulce Chaves Pandolfi
Data: 1/7/1991 a 15/7/1991
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 10h55min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Naide Regueira Teodósio
Formação: Doutorado com Estágio pós-DOC pela Universidade Federal de Pernambuco na Área de Ciências da Saúde.
Atividade: Militante do PCB; Médica e Pesquisadora.

Equipe

Levantamento de dados: Dulce Chaves Pandolfi;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Dulce Chaves Pandolfi;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Sumário: Claudia Peçanha da Trindade;

Temas

Agamenon Magalhães;
Aliança Nacional Libertadora (1935);
Comunismo;
Departamento de Ordem Política e Social - DOPS;
Estado Novo (1937-1945);
Golpe de 1937;
Golpe de 1964;
Gregório Bezerra;
Instituições científicas;
Instituições de ensino;
Instituições de saúde;
Ligas camponesas (1955-1964);
Luís Carlos Prestes;
Marxismo;
Miguel Arraes;
Naide Regueira Teodósio;
Partido Comunista Brasileiro - PCB;
Pernambuco;
Repressão política;
Revolta comunista (1935);
Revolução de 1930;
Roberto Freire;
Socialismo;
União Soviética;

Sumário

1ª Entrevista: 01/07/1991

Fita 1-A: origens familiares: trajetória política do pai - Joel Regueira Pinto de Souza; lembranças da infância; lembranças do colégio interno.

Fita 1-B: atividades na cidade natal após o colégio interno; relato sobre amizades do colégio interno; o trabalho no armazém do pai; a ida para Recife aos 15 anos; o curso ginasial.

Fita 2-A: livros importantes em sua formação; o início do interesse pela política; os contatos e o início da militância política; participação na Aliança Nacional Libertadora; relação com integralistas; o ingresso na faculdade de Direito; lembranças da Revolução de 1930; participação no Socorro Vermelho; entrada na faculdade de Medicina; a atividade dentro da Aliança Nacional Libertadora; visão do comunismo; a revolta comunista (1935): assistência aos presos políticos; convocações para depoimentos no DOPS: 1937; relações com Carlos de Lima Cavalcanti; secretária no Hospital Corrêa Picanço; a escolha pelo curso de Medicina; mudança para Santarém do Pará; lembranças e atividades no período do Golpe de 1937; a relação com o Partido Comunista Brasileiro (PCB): os cursos de formação política.

Fita 2-B: perseguição e prisão no período do golpe de 1964; participação no governo Arrais; opinião sobre Agamenon Magalhães; militância política no período da faculdade de Medicina; influência de professores; a relação com Bianor da Silva Teodósio; as experiências em Santarém do Pará; a primeira experiência profissional depois de formada; o nascimento dos filhos.

2ª Entrevista: 03/07/1991

Fita 3-A: relato do período da Revolução de 1930; lembranças da cidade natal; contra-revolução e entusiasmo popular com a Revolução de 1930; a experiência em reuniões e movimentações de esquerda clandestina; as atividades da Aliança Nacional Libertadora no Nordeste; o caráter inesperado da revolta comunista: a visão dos levantes e da própria revolta.

Fita 3-B: observações sobre Silo Meireles, Gregório Bezerra e Carlos de Lima Cavalcanti; impressões do governo Carlos de Lima Cavalcanti; o caráter de frustração da Revolução de 1930; visão do PCB: o estudo teórico; o trabalho na Universidade Federal de Pernambuco em 1948 (UFPE); opinião sobre Stalin; a ligação com o PCB; as personalidades que figuravam no PCB de Pernambuco.

Fita 4-A: os cursos do PCB; a relação com Apolônio de Carvalho; a relação com Etelvino Lins: breve comentário sobre Leite Lopes; o desempenho no curso de Medicina; as eleições pernambucanas de 1950, 1952 e 1954; breve comentário sobre Gutemberg Peixoto; a campanha para a prefeitura de Recife em 1956; a campanha para governador de Pernambuco em 1958: a participação do PCB; a campanha para governador de Pernambuco de 1962: a participação no Movimento de Cultura Popular; observações sobre o governo Arrais: a situação da saúde; a criação do LAFEP - Laboratório Farmacêutico do Estado de Pernambuco; a concepção de saúde do governo Arrais.

Fita 4-B: comentários sobre o Serviço de Atendimento Itinerante (ou Serviço de Assistência Itinerante); a participação no Serviço Social Contra o Mocambo como chefe do Departamento de Assistência aos Centros Educativos: a cartilha do Movimento de Cultura Popular (MCP), a estrutura do serviço de saúde.

Fita 5-A: reação das professoras contra as atitudes da entrevistada enquanto chefe do Departamento de Assistência aos Centros Educativos.

3ª Entrevista: 05/07/1991

Fita 5-A (continuação): considerações sobre o governo Arrais: Serviço Social Contra o Mocambo, a candidatura de Pelópidas Silveira para a prefeitura de Recife e a campanha dentro dos Centros Educativos; relato sobre a estrutura dos Centros Educativos; a mentalidade dos serviços públicos; a elaboração dos Centros Educativos; a instalação de serviço médico para as famílias em Cajueiro Seco; comentário sobre as Ligas Camponesas; o relacionamento de Arrais com o PCB: complô para assassinato de Arrais.

Fita 5-B: complô para assassinato de Arrais; planos do PCB para o governo Arrais; a militância no PCB no período do governo Arrais; a semi-clandestinidade do PCB; as figuras principais do PCB em Pernambuco; a atuação na UFPE; o primeiro contato com Luís Carlos Prestes; comentário sobre a Federação de Mulheres do Brasil; críticas ao movimento feminista; o papel da mulher na sociedade; a prisão em 1964: análise das Ligas Camponesas através da companheira de prisão; observações sobre Francisco Julião; comentário sobre uma conversa entre Gildo Guerra e Luís Carlos Prestes, presenciada pela entrevistadora, em janeiro de 1964; a conjuntura antes do golpe de 1964.

Fita 6-A: os primeiros momentos do golpe de 1964: considerações sobre José Otávio de Freitas, a preparação da prestação de contas do Serviço de Assistência Itinerante; a prisão da entrevistada a 13 de abril de 1964: o encontro com Anita Paes Barreto no DOPS, o interrogatório; o despreparo da "Reação" e a entrada dos Estados Unidos no treinamento dos policiais; o encontro no DOPS com Jader de Andrade; o caminho para o Comissariado da Várzea.

Fita 6-B: o período e as ameaças no Comissariado na Várzea; o DOPS: as condições de prisão, os interrogatórios; relato sobre o período da Casa de Detenção: breve comentário sobre Olinto Ferraz; relação de companheiras de prisão no DOPS; a rotina na Casa de Detenção;



4ª Entrevista: 08/07/1991

Fita 7-A: a Casa de Detenção: as condições físicas, a convocação do DOPS para explicações sobre as atividades dentro da prisão, a liderança da entrevistada reconhecida pelos próprios guardas, novo comentário sobre o período no Comissariado na Várzea.

Fita 7-B: o relacionamento com os presos comuns, a comunicação entre os presos políticos - homens e mulheres, a entrada de livros e jornais, a dificuldade de discutir política, o relacionamento com Bianor Teodósio e os filhos durante as visitas; crítica a participantes do MR-8; as notícias sobre Arrais; os processos impetrados contra a entrevistada.

Fita 8-A: continuação dos relatos sobre os processos: os habeas-corpus, o tempo de prisão no Hospital do Centenário; a transferência e a estadia no Rio de Janeiro: o trabalho na Comissão de Educação Nacional no PCB, o projeto de análise da atuação do PCB; a possibilidade de volta a Pernambuco.

Fita 8-B: a visão do PCB: opinião quanto a falta de reação ao golpe de 1964 e sobre a posição do partido, a participação das bases, os cursos na União Soviética, opinião sobre a estrutura do partido; breve comentário sobre o trabalho na UFPE na volta do Rio de Janeiro; os contatos com o PCB na volta do Rio de Janeiro e a elaboração de documento para as bases, comentário sobre a Comissão de Educação Nacional do PCB, comentário sobre o racha no partido e a luta armada; comentário sobre socialismo, capitalismo e conquistas sociais; a viagem para a União Soviética.

Fita 9-A: continuação de comentário sobre socialismo: visita a União Soviética, opinião sobre a queda do Leste Europeu, comentário sobre Alemanha Oriental e Ocidental; opinião sobre o PCB após 1985 e seus problemas estruturais; comentário sobre a saída de Luís Carlos Prestes do PCB: comentário sobre o trabalho de restruturação do partido;

Fita 9-B: breve comentário sobre a restruturação do PCB; as eleições para vereador, deputado estadual e federal; comentário sobre as opiniões do partido a respeito de Gregório Bezerra; princípios da campanha eleitoral de Manoel Teodósio, e atitudes do PCB.

5ª Entrevista: 15/07/1991

Fita 10-A: opinião sobre a estrutura do PCB baseado nos participantes ex-militares: impressões sobre a formação de um partido marxista-leninista, comentário sobre Gregório Bezerra e Luís Carlos Prestes; citação de nomes de militares participantes do PCB; a produção proveniente do estudo do Comitê de Restruturação do Partido; comentário sobre Astrogildo Pereira, Otávio Brandão e Cristiano Cordeiro; a visão geral do PCB.

Fita 10-B: (continuação) visão geral do PCB: comentário sobre Gregório Bezerra, o lado místico do partido; comentário sobre a participação dos filhos na luta contra a ditadura de militar: relato das prisões de Manoel Teodósio; o retorno para Recife no segundo semestre de 1966: a volta a UFPE, comentário sobre Nelson Chaves, relato sobre todo o trabalho na UFPE.

Fita 11-A: (continuação) o trabalho na UFPE: a tese de livre-docência, o trabalho no laboratório de neuro-fisiologia; cassação branca na universidade; a criação da pós graduação na UFPE de Recife; transferência para o Instituto de Nutrição; relato do Encontro Nacional de Psico-Biologia organizado pela entrevistada; comentário sobre homenagem prestada à entrevistada pela UFPE.

Fita 11-B: comentário sobre as publicações da entrevistada; a participação em bancas de pós-graduação e no Comitê Assessor de Nutrição e Medicina Preventiva do CNPq; a consonância entre pesquisa e magistério na entrevistada; a posição da entrevistada quanto a sua realização profissional; opinião sobre a experiência de ser professora e sobre a própria UFPE de Recife; a relação entre o marxismo e a ciência na vida da entrevistada; as posturas em relação ao PCB atualmente e ao socialismo, opinião sobre Roberto Freire; opinião sobre sua própria vida; considerações sobre o PCB e a democracia como valor supremo.
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