Bernhard Gross

Entrevista

Bernhard Gross

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por ter sido diretor do setor de Física do CNPq, da Divisão de Informações Científicas e Técnicas da Agência Internacional de Energia Atômica, e do departamento de Pesquisas Técnicas e Científicas da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Tjerk Franken
Ricardo Guedes Pinto
Sérgio Mascarenhas
Data: 26/11/1976 a 28/11/1976
Local(ais):
São Paulo ; SP ; Brasil

Duração: 7h30min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Bernhard Gross
Nascimento: 22/11/1905; Stuttgart; --; Alemanha;

Falecimento: 1/2/2002; São Carlos; SP; Brasil;

Formação: Engenharia pelo Instituto Técnico de Stuttgard (1929); doutor em Ciências Naturais (1932).
Atividade: Assistente de Erich Reggener no Instituto Técnico de Stuttgard, iniciando suas pesquisas no campo da física de raios cósmicos (1932); veio para o Brasil em 1933; foi contratado pelo Instituto Nacional de Tecnologia, no Rio de Janeiro (1933); recebeu a Cátedra de Física Geral da Escola de Ciências da Universidade do Distrito Federal (1935-1937); dirigiu a divisão de metrologia do Instituto Nacional de Tecnologia (1938); integrou a Comissão de Metrologia do Ministério do Trabalho, participando da regulamentação da Nova Lei de Metrologia (1939); dedicou-se ao estudo dos chamados eletretos, durante a entrada do Brasil na Guerra; dirigiu a Divisão de Eletricidade e Medidas Elétricas no INT (1946); professor dos cursos práticos de Máquinas Elétricas e Medidas Elétricas do Instituto (1948-1958); foi pesquisador associado da Electrical Research Association, em Londres (1949-1951); no Brasil, foi reintegrado na Comissão de Metrologia (1951-1959); estagiou no Departamento de Físico-Química da Universidade de Yale, nos EUA (1954-1955); professor dos cursos de Medidas Elétricas da PUC-RJ e da Escola de Engenharia da UFRJ (1955); dirigiu o Departamento de Pesquisas Técnico-científicas da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) (1967-1970); integrou o corpo docente do Instituto de Física e Química de São Carlos (USP) (1970); recebeu o Título de Doutor Honoris Causa da USP (1975).

Equipe


Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Sumário: Patrícia Campos de Sousa;

Temas

Alemanha;
América Latina;
Artur Moses;
Atividade acadêmica;
Bernhard Gross;
Congressos e conferências;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
Cooperação científica e tecnológica;
Energia nuclear;
Ensino secundário;
Ensino superior;
Escola Politécnica;
Estados Unidos da América;
Física;
Formação profissional;
História da ciência;
Instituições científicas;
Máquinas e equipamentos;
Marcas e patentes;
Metodologia de pesquisa;
Metrologia;
Ministério da Agricultura;
Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política científica e tecnológica;
Política salarial;
Pontifícia Universidade Católica;
Pós - graduação;
Professores estrangeiros;
São Paulo;
Segunda Guerra Mundial (1939-1945);
UNESCO;
Universidade de São Paulo;
Universidade do Distrito Federal;

Sumário

1ª entrevista: 27.11.1976
Fita 1: a transferência para o Brasil e os amigos brasileiros; o contato com Dulcídio Pereira, Joaquim da Costa Ribeiro, Francisco Mendes de Oliveira Castro e Eugênio Hime, na Escola Politécnica do Rio de Janeiro; as conferências sobre raios cósmicos proferidas na Escola Politécnica; a repetição da palestra no Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e a contratação por este instituto em 1934; a criação do INT e sua transferência do Ministério da Agricultura para o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio; a antiga Diretoria Geral de Pesquisa Científica; o trabalho sobre a condutividade elétrica dos zeólitos: a opinião de Schottsky, a publicação nos Anais da Academia Brasileira de Ciências e na Revista de Cristalografia; a aquisição de novos equipamentos pelo INT; os trabalhos sobre a absorção dielétrica realizados com Plínio Sussekind da Rocha; o interesse de Oliveira Castro e Costa Ribeiro por este fenômeno; a visita a recém-criada Universidade de São Paulo: o contato com Gleb Wataghin e Marcelo Damy; a contratação pela Universidade do Distrito Federal (UDF); a elaboração do currículo do primeiro curso de física do Rio de Janeiro, nesta universidade; seus assistentes na UDF; o aparelhamento da Universidade em 1937; a primeira turma formada na UDF; a Lei de Desacumulação de Cargos e a opção do entrevistado pelo INT; o acesso à bibliografia especializada: as visitas à biblioteca do Instituto de Manguinhos; o contato com os pesquisadores deste instituto; os salários do INT; a nomeação para dirigir a Divisão de Metrologia do INT e para integrar a Comissão de Metrologia do Ministério do Trabalho; a participação na regulamentação da Lei de Metrologia; o ingresso na Academia Brasileira de Ciências: as relações com Álvaro Alberto, Artur Moses, Meneses de Oliveira, Eusébio de Oliveira, Lélio Gama e outros cientistas; a participação nas reuniões mensais da Academia; a visita de Alexander Fleming e de H. Bhaba a esta entidade; os Anais da Academia Brasileira de Ciências.
Fita 2: a entrada do Brasil na guerra e a transferência da direção da Divisão de Metrologia do INT para Oliveira Castro; a reestruturação do INT em 1946 e a nomeação do entrevistado para dirigir a recém-criada Divisão de Eletricidade e Medidas Elétricas; os trabalhos realizados durante a guerra; o incremento do apoio governamental ao INT após o término do conflito: o auxílio de Bernardino de Matos, do CNPq e da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), a contratação de novos técnicos; a participação na reunião internacional de raios cósmicos promovida pela UNESCO em 1947; a vinda de Gunther Kegel para o Brasil e sua transferência para os EUA, em busca de melhores condições de trabalho; as viagens à Argentina e o contato com cientistas e instituições platinas; a Expedição Compton (1941) e a medida da radiação cósmica em São Paulo: a experiência de Wataghin com balões-sonda em Bauru e Marília; as condições de trabalho e os salários dos docentes no RJ e em SP; a visita de George Gamow ao país em 1939; os professores estrangeiros das Faculdades de Filosofia da USP e da Universidade do Brasil; o desenvolvimento da física brasileira: seu conteúdo acentuadamente teórico dos primeiros tempos; a contribuição dos cientistas estrangeiros para a valorização do trabalho prático; o autodidatismo e o isolamento dos primeiros cientistas brasileiros; o estabelecimento de um maior intercâmbio entre os pesquisadores e o conseqüente desenvolvimento científico do país; a produção científica nacional no após-guerra: a abertura de campos de atividade científica com critérios menos rígidos de excelência; a "física artesanal" e o impacto dos modernos equipamentos; a pesquisa básica e a pesquisa tecnológica no Brasil; a colaboração do INT com a indústria; os cursos "práticos" organizados no INT; os trabalhos do entrevistado sobre os dielétricos: a teoria dos eletretos; a produção dos primeiros microfones práticos de eletretos por Sessler e West.
Fita 3: o microfone de eletreto desenvolvido por Preston V. Murphy nos EUA; a política de patentes no Brasil e nos EUA; o registro, pioneiro na América Latina, da recaída radioativa (fali-out); a apresentação desse trabalho na Conferência de Atomos para a Paz (1957); a participação no Comitê Científico das Nações Unidas Sobre os Efeitos das Radiações lonizantes.

2ª entrevista: 28.11.1976
Fita 3 (continuação): as repercussões de seus trabalhos sobre os dielétricos: o efeito Costa Ribeiro; os institutos técnicos brasileiros; o caso das células de laboratórios quentes e a investigação dos efeitos da irradiação de raios gama sobre os dielétricos sólidos, realizada no Massachusetts Institute of Tecnology (MIT); a continuação das pesquisas no Rio de Janeiro, com a colaboração de Edgar Meyer e Preston Murphy: a descoberta da corrente Compton e a construção de um dosímetro para medida deste efeito; a obtenção da patente do aparelho no Brasil, na Alemanha e nos EUA; a repercussão de seus trabalhos na comunidade científica internacional; os dosímetros norte-americanos e suas aplicações; a perda da prioridade da patente nos EUA; os trabalhos realizados com o bétatron do Centro Nuclear de Karlsruhe.
Fita 4: as pesquisas sobre a corrente Compton desenvolvidas por instituições norte-americanas; os trabalhos de Gross sobre a viscoelasticidade dos materiais; o convite para integrar o Comitê Internacional de Reologia; a continuação das pesquisas na Electrical Research Association; a repercussão de seus trabalhos no país e no exterior; a participação no grupo de trabalho sobre isótopos e no Comitê Científico da Agência Internacional de Energia Atômica; a representação brasileira na Agência Internacional de Energia Atômica e a nomeação do entrevistado para dirigir a Divisão de Informações Técnico-Científicas desse organismo; a experiência na direção dessa Divisão: o estabelecimento de um serviço internacional de informações nucleares; o trabalho desenvolvido no Departamento de Pesquisas Técnico-Científicas da CNEN; o Centro de Informações Nucleares da CNEN; a contratação pelo Instituto de Física e Química de São Carlos; os estudos secundários e o ingresso no Instituto Técnico de Stuttgart; a primeira viagem ao Brasil e a atração pelo país; os trabalhos publicados na Alemanha; a transferência para o Brasil em 1933; o recrutamento dos técnicos do INT; o desenvolvimento do INT após a guerra: as novas instalações e linhas de trabalho, os "cursos práticos"; as gestões de Ernesto Lopes da Fonseca Costa e Sílvio Fróes de Abreu; a Divisão de Eletricidade e Medidas Elétricas do INT: o apoio de Bernardino de Matos, do CNPq, da CNEN e da United States Air Force Office of Scientific Research, os salários dos técnicos, o regime de trabalho, as linhas de investigação, a equipe de pesquisadores; a instalação do laboratório de dosimetria da PUC-RJ: o apoio da Agência Internacional de Energia Atômica.
Fita 5: os Anais da Academia Brasileira de Ciências; os livros-texto de física adotados no país; o intercâmbio de pré-publicações entre os cientistas; as relações do INT com os institutos congêneres; as conferências internacionais de física organizadas no Brasil; as relações com Álvaro Alberto; a participação em congressos científicos; o prestígio social dos cientistas; a formação do físico no Brasil e na Alemanha, antes e depois da guerra; as características do "bom professor" e do "bom pesquisador"; a pós-graduação nas universidades e nos institutos de pesquisa isolados; a atividade científica no Brasil: a orientação das agências financiadoras do governo; a participação da comunidade científica no planejamento da ciência no país; o prestígio dos cientistas no Brasil e em outros países.
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