Carlos Chagas Filho

Entrevista

Carlos Chagas Filho

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por seu cargo como presidente da Academia Pontifícia de Ciências do Vaticano e da Sociedade Brasileira de Biofísica, além de ser pesquisador do CNPq.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Maria Clara Mariani
Tjerk Franken
Simon Schwartzman
Data: 17/11/1976 a 10/1/1977
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 11h0min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Carlos Chagas Filho
Nascimento: 12/9/1910; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Falecimento: 16/2/2000; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação: Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro (1931); doutor em Ciências pela Universidade de Paris (1946).
Atividade: Estagiou nos Laboratórios de José da Costa Cruz, Miguel Osório de Almeida e Carneiro Felipe (1926); assistente da Cadeira de Anatomia Patológica do Instituto Osvaldo Cruz (1931); pesquisador em Manguinhos (1935); Livre-Docente da cadeira de Física biológica da Faculdade de Medicina; Catedrático (1937); deixou o Instituto Osvaldo Cruz em 1937; supervisor do Serviço de Estudo das Grandes Endemias (SEGE) do Instituto Osvaldo Cruz (1941-1942); fundou o dirigiu o Instituto de Biofísica da Universidade do Brasil (1946-1964); dirigiu a Faculdade de Medicina (1964); nomeado Delegado permanente do Brasil junto à UNESCO (1966); reassumiu a Direção do Instituto de Biofísica (1970-1973); nomeado Decano do Centro de Ciências Médicas da UFRJ (1973); foi Secretário Geral da Conferência das Nações Unidas para a Aplicação da Ciência da Tecnologia ao Desenvolvimento (1962-1963); entre outros.

Equipe


Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Sumário: Patrícia Campos de Sousa;

Temas

Afrânio Peixoto;
Amoroso Costa;
Atividade acadêmica;
Biologia;
Botânica;
Carlos Chagas;
Carlos Chagas Filho;
Carneiro Felipe ;
Ciência e tecnologia;
Congressos e conferências;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
Cooperação científica e tecnológica;
Dependência cultural;
Educação;
Energia nuclear;
Ensino profissionalizante;
Ensino superior;
Escola Politécnica;
Faculdade Nacional de Medicina;
Física;
Formação profissional;
França;
Getúlio Vargas;
Guilherme Guinle;
Gustavo Capanema;
História da ciência;
Inácio de Azevedo Amaral;
Instituições acadêmicas;
Instituições científicas;
Instituições de saúde;
Instituto Oswaldo Cruz;
Intercâmbio cultural;
Luiz Simões Lopes;
Máquinas e equipamentos;
Medicina;
Miguel Osório de Almeida;
Minas Gerais;
Muniz de Aragão;
Museu Nacional;
Olímpio Monat da Fonseca;
Organização das Nações Unidas;
Oswaldo Cruz;
Pedro Calmon;
Política científica e tecnológica;
Política energética;
Pós - graduação;
Positivismo;
Primeira Guerra Mundial (1914-1918);
Professores estrangeiros;
Química;
Radiodifusão;
Reforma administrativa;
Relações internacionais;
Revolução Constitucionalista (1932);
Rio de Janeiro (estado);
São Paulo;
Segunda Guerra Mundial (1939-1945);
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência;
UNESCO;
Universidade de São Paulo;
Universidade do Brasil;
Universidade do Distrito Federal;
Universidade Federal do Rio de Janeiro;
Viagens e visitas;
Zoologia;

Sumário

1ª entrevista:
Fita 1: formação secundária; o curso da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro; o ingresso no Instituto de Manguinhos em 1926; o início da atividade laboratorial no Hospital Osvaldo Cruz; a escolha da carreira; a formação universitária; os estágios no Pavilhão Carlos Chagas e no Serviço de Anatomia Patológica do Hospital São Francisco de Assis; os cursos de medicina tropical ministrados por seu pai; a contribuição da anatomia patológica para o progresso da medicina; a escola de patologia de Manguinhos; a obrigatoriedade da autópsia no Hospital São Francisco de Assis; a influência do Osvino Pena em sua formação; a formação dos primeiros pesquisadores brasileiros; o interesse pelas ciências básicas; as experiências nos laboratórios de José da Costa Cruz, Miguel Osório de Almeida e Carneiro Felipe, no Instituto Osvaldo Cruz; a carreira de Carneiro Felipe e a importância desse cientista em sua formação; a revolução da biologia no século XX: a redescoberta das leis de Mendel, a utilização de métodos da física e da química; a reestruturação do Instituto de Manguinhos durante a gestão de Carlos Chagas; a decadência desse instituto nos anos 30; o alto nível da equipe de pesquisadores de Manguinhos; a ciência brasileira após a Primeira Guerra Mundial; a criação da Universidade do Distrito Federal e da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP: a contratação de professores estrangeiros; as relações entre Carlos Chagas e Getúlio Vargas; a crise do Instituto Osvaldo Cruz: a distribuição dos lucros da vacina da manqueira; a participação do entrevistado na Revolução Constitucionalista de 32; a formação dos pesquisadores de Manguinhos; as oficinas e a equipe técnica do Instituto; ó impacto da Lei de Desacumulação de Cargos sobre os institutos de pesquisa; a participação de cientistas brasileiros em congressos internacionais; o convite para dirigir o Instituto de Manguinhos e a reforma proposta para esse instituto.

Fita 2: a importância da vinculação do ensino à pesquisa e a tentativa de incorporação do Instituto de Manguinhos à Universidade do Brasil; o Museu Nacional e o Instituto de Biologia da UFRJ; as gestões de Cardoso Fontes, Olímpio da Fonseca e Muniz de Aragão no Instituto Osvaldo Cruz; o recrutamento dos pesquisadores desse instituto; o laboratório dos irmãos Osório de Almeida; as relações com Amoroso Costa e Joaquim Costa Ribeiro; o intercâmbio entre a comunidade científica brasileira: o papel da SBPC e da Academia Brasileira de Ciências; a visita de Einstein ao Brasil em 1925.

2ª entrevista:
Fita 3: as relações com Gustavo Capanema e Luiz Simões Lopes e a experiência como administrador; as influências de Carneiro Felipe, Francisco Mendes de Oliveira Castro e Joaquim Costa Ribeiro em sua formação; o início da pesquisa fisiológica no Brasil: a criação do laboratório de fisiologia experimental do Museu Nacional, os trabalhos de João Batista de Lacerda, o laboratório dos irmãos Osório de Almeida; o mecenato de Cândido Gaffré e de Eduardo e Guilherme Guinle; a contribuição científica de Álvaro e Miguel Osório de Almeida; os trabalhos desenvolvidos com Marcelo Damy no Departamento de Física da USP; a captação de recursos para o laboratório de biofísica da Faculdade de Medicina da Universidade do Brasil: o auxílio dos deputados Rui Santos e Jorge Jabour; a contribuição de Tito Enéas Leme Lopes ao desenvolvimento desse laboratório; os cursos da Faculdade Nacional de Medicina e da Escola Politécnica do Rio de Janeiro; a influência positivista no Brasil: o estabelecimento do livre exercício profissional no Rio Grande do Sul; o positivismo nas escolas médicas: o combate à teoria microbiana; as interpretações neopositivista e emergencialista dos fenômenos biológicos; a quantificação da biologia: a utilização de métodos da biofísica e da bioquímica, a descoberta dos radioisótopos de baixo peso molecular; a gestão de Inácio de Azevedo Amaral na Universidade do Brasil e sua substituição por Pedro Calmon; a expansão do Instituto de Biofísica da UFRJ: o apoio de Azevedo Amaral e Pedro Calmon; a contribuição do entrevistado ao desenvolvimento da atividade científica na Universidade do Brasil: a criação do Conselho de Pesquisa e do Conselho de Pós-Graduação, a organização dos cursos pós-graduados, a luta pela instituição do regime de tempo integral; sua atuação em favor da criação do CNPq e a participação nesse órgão; a contribuição do CNPq ao amadurecimento da ciência brasileira; a gestão de Álvaro Alberto no CNPq; a origem social dos primeiros cientistas; o contato com o papa João XXIII e o convite para integrar a Academia Pontifícia de Ciências; os programas de divulgação científica realizados para a Rádio Educação.

Fita 4: as relações com Álvaro Alberto e a participação no conselho deliberativo do CNPq; a política nuclear defendida por Álvaro Alberto; a organização do Instituto de Biofísica da UFRJ: os laboratórios, as unidades e os departamentos; a carência de técnicos qualificados no Brasil e a importância desses profissionais para a manutenção dos equipamentos científicos; a formação da equipe técnica do Instituto de Biofísica; o prestígio dos técnicos no Brasil e no exterior; os cursos de radioisótopos organizados no Instituto de Biofísica; as aplicações dos radioisótopos na medicina clínica; o laboratório de radioisótopos do Instituto: a contratação de Pena Franca, o auxílio de Guilherme Guinle; o curso de microscopia eletrônica; os primeiros microscópios eletrônicos adquiridos pelo país; a Sociedade Brasileira de Microscopistas Eletrônicos; a criação da Unidade de Coração do Instituto de Biofísica da UFRJ: a contratação de Hoffman e o treinamento de Paes de Carvalho e Walmor Melo nos EUA; o Projeto Pena Franca: o estudo da radioatividade natural em Guarapari, o apoio da Comissão de Energia Atômica do CNPq; a posição defendida no Comitê Científico das Nações Unidas sobre os Efeitos das Radiações lonizantes; o desenvolvimento da ciência no após-guerra e o crescente sentimento anticientífico da humanidade; ciência e tecnologia; os programas aplicados desenvolvidos pelo Instituto de Biofísica da UFRJ; ciência pura e ciência aplicada; o sistema de financiamento das agências governamentais de amparo à ciência: as relações entre administradores e cientistas; o papel da Academia Brasileira de Ciências.

3ª entrevista:
Fita 5: o papel e a atuação da SBPC e da Academia Brasileira de Ciências; a gestão do entrevistado na presidência da Academia: a obtenção de novos recursos, o programa de intercâmbio científico com a London Royal Society; a revista Ciência e Cultura e os Anais da Academia Brasileira de Ciências; os limites da atuação política da Academia; a opção cios cientistas brasileiros pela publicação de trabalhos em revistas estrangeiras; as pré-publicações e as modalidades de publicações científicas; o problema da autoria nos trabalhos realizados em grandes equipes; a importância da criação de revistas nacionais e a viabilidade do projeto; a carência de livros texto no país; a excelência do setor clínico da Faculdade Nacional de Medicina: Torres Homem, Miguel Pereira, Pedro de Almeida Magalhães, Agenor Porto, AIuísio de Castro; o antagonismo entre a Faculdade de Medicina e o Instituto de Manguinhos: as divergências entre Afrânio Peixoto e Osvaldo Cruz; as debilidades do ensino de ciências básicas nessa faculdade; a escola de anatomia patológica de Miguel Couto; a formação universitária: o grupo de estudos com Walter Cruz e Emanuel Dias; o ingresso no Instituto de Manguinhos: o estágio no Hospital Osvaldo Cruz, sob a orientação de José Guilherme Lacorte.

4ª entrevista:
Fita 6: a inexistência de atividades científicas na Faculdade Nacional de Medicina; a decadência das instituições de pesquisa brasileiras: a dissociação do ensino e a falta de renovação dos quadros; o curso de aplicação do Instituto Osvaldo Cruz; a tentativa de incorporação desse instituto à Universidade do Brasil; o contato do entrevistado com a comunidade científica européia após a guerra; a participação na Associação Internacional das Universidades; o Comitê Científico das Nações Unidas sobre os Efeitos das Radiações lonizantes e sua importância para o desenvolvimento da radiobiologia; a experiência como vice-presidente desse comitê; o veto das universidades leigas italianas à sua reeleição para o conselho administrativo da Associação Internacional das Universidades; a participação nos Comitês de Pesquisas Médicas das Organizações Mundial e Pan-Americana de Saúde; o convite do governo norte-americano para integrar o grupo de trabalho incumbido da organização de um programa de educação e ciência para a América Latina; os resultados dos trabalhos; a experiência como secretário geral da Conferência das Nações Unidas para a Aplicação da Ciência e da Tecnologia ao Desenvolvimento: os debates sobre a limitação da natalidade e a aplicação da energia nuclear nos países em desenvolvimento; a politização da ciência; o atual investimento do governo brasileiro nas atividades científicas; a natureza internacionalista da ciência; os recursos e os equipamentos necessários à pesquisa biológica; a importância e os perigos da engenharia genética; as possibilidades de sua aplicação no país; o apoio do CNPq ao desenvolvimento da química; a dependência tecnológica nacional e a política científica do governo.

Fita 7: a importância do trabalho de campo: os laboratórios naturais; os obstáculos à publicação de trabalhos em revistas internacionais; a proliferação de publicações científicas e a rentabilidade das editoras.

5ª entrevista:
Fita 7 (continuação): a educação e a ciência em países em desenvolvimento; o veto das Nações Unidas ao programa de produção de proteínas proposto pelo entrevistado; o ensino médico no Brasil; a nomeação para a direção da Faculdade Nacional de Medicina em 1964; sua gestão nessa instituição: a criação do Serviço de Medicina Social; o convite do presidente Castelo Branco para chefiar a delegação do Brasil na UNESCO e a experiência nesse organismo: os relatórios sobre as atividades culturais, científicas e educacionais desenvolvidas no país; a participação na Organização Internacional de Pesquisas Cerebrais, na Organização Internacional de Pesquisas Celulares, no Conselho Internacional das Organizações de Pesquisas Médicas e no Conselho Internacional de Uniões Científicas; a importância dos congressos internacionais e os entraves do governo brasileiro à participação dos cientistas nesses eventos; o Colóquio sobre o Cérebro e o Comportamento Humano organizado em 1968; o movimento de maio de 68 na França; a organização do Instituto Brasileiro de Educação, Ciência e Cultura (IBECC); o papel da UNESCO e as relações do Brasil com esse organismo; a oposição do entrevistado à criação, no país, do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Fita 8: as dificuldades enfrentadas pelo cientista brasileiro: a falta de infra-estrutura; a situação da zoologia e da botânica no Brasil; a decadência dos Institutos Biológico e Osvaldo Cruz; a importância da ligação dos institutos de pesquisa aos centros universitários; as características dos líderes; o recrutamento dos pesquisadores nos institutos estrangeiros e o sistema adotado no Instituto de Biofísica da UFRJ; a solidariedade entre a comunidade científica brasileira; a atuação do Comitê Internacional de Salvaguarda de Veneza; a eleição para a presidência da Academia Pontifícia de Ciências; as atividades desenvolvidas por essa entidade; a legitimidade dos prêmios Nobel na área científica.

6ª entrevista:
Fita 8 (continuação): a vinda de professores italianos e alemães para o Brasil durante a guerra; a contribuição científica de Fritz Feigl e sua influência na comunidade científica brasileira; o desenvolvimento da física e da química no país: o papel da Faculdade de Filosofia da USP; a fundação da Faculdade de Medicina de Belo Horizonte; o desenvolvimento da bioquímica nos EUA; a contribuição de Baeta Viana à implantação da bioquímica no Brasil.

Fita 9: a bioquímica no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Minas Gerais; a importância dessa ciência para a medicina; a escola de Rheinboldt e Hauptmann na USP; a utilização da mecânica quântica na interpretação dos fenômenos químicos; a ética científica; a falta de autonomia universitária; o trabalho de iniciação científica das crianças; o papel dos "articuladores" da ciência; a política científica do atual governo brasileiro; a participação dos cientistas no CNPq após 1964; os recursos da universidade e a importância das agências governamentais de amparo à pesquisa; o controle dos resultados das pesquisas pelos órgãos financiadores; o intercâmbio entre os cientistas brasileiros.
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