Crodowaldo Pavan

Entrevista

Crodowaldo Pavan

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por sua trajetória profissional e contribuição para a pesquisa acadêmica, especialmente no que diz respeito a suas inovadoras descobertas no estudo da ação gênica e de citologia, que vieram a abrir novos campos da pesquisa biológica.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Tjerk Franken
Márcia Bandeira de Mello Leite Ariela
Data: 6/5/1977 a 25/5/1977
Local(ais):
São Paulo ; SP ; Brasil

Duração: 7h35min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Crodowaldo Pavan
Nascimento: 1/12/1919; Campinas; SP; Brasil;

Falecimento: 3/4/2009; São Paulo; SP; Brasil;

Formação: Nasceu em 1919. História Natural pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP (1941); doutor em Ciências pela USP (1944).
Atividade: Assistente de André Dreyfus (1942); visitou o Instituto Agronômico do Norte, Belém (1943); Bolsista da Fundação Rockefeller, seguiu para os Estados Unidos (1945-1946); acompanhou Theodosius Dobzshansky em excursões exploratórias pelo interior do país (1948-1949); livre docente da Cadeira de Biologia Geral do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo- USP (1951); chefiou o Departamento de Biologia do Instituto de Biociências da USP; Lecionou na Universidade do Texas, nos EUA (1968-1974); retornou à USP em 1974. Descobriu no litoral de São Paulo um inseto muito favorável ao estudo da ação gênica e da citologia, o que veio a abrir novo campo de pesquisa biológica. Foi membro da Delegação Brasileira no Comitê Científico para estudos dos efeitos das radiações atômicas, junto às Nações Unidas. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Genética e, entre 1974 e 1980 foi coordenador geral do Programa de Integração Genética do CNPq. Foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência-SBPC (1981/1983, 1983/1985, 1985/1987) e presidiu o CNPq de 1986 a 1990.

Equipe

Levantamento de dados: Patrícia Campos de Sousa;
Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Atividade acadêmica;
Biologia;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
Crodowaldo Pavan;
Ensino superior;
Escola Superior de Guerra;
Estados Unidos da América;
Formação profissional;
Fundação Rockefeller;
História da ciência;
Instituições acadêmicas;
Instituições científicas;
Mercado de trabalho;
Metodologia de pesquisa;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política científica e tecnológica;
Pós - graduação;
São Paulo;
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência;
Universidade de São Paulo;

Sumário

1ª entrevista:
Fita 1: origem familiar e primeiros estudos; os cursos pré-universitários da época; a opção pela biologia: a influência de André Dreyfus; o ingresso na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP; o curso de história natural: o corpo docente; a contratação como assistente de Dreyfus pela Faculdade de Filosofia da USP; a participação na excursão liderada por Lauro Travassos; o acidente e as operações no crânio; as pesquisas sobre os peixes cegos das cavernas de Iporanga; o auxílio da Fundação Rockefeller à genética brasileira: a atuação de Harry Miller Jr., a vinda de Theodosius Dobzshansky para o país; as relações com Dobzshansky e a influência deste cientista em sua carreira; o relacionamento entre Dreyfus e Dobzshansky; o curso de evolução ministrado por Dobzshansky em São Paulo; as pesquisas realizadas com Dobzshansky no Instituto Agronômico do Norte.

Fita 2: a colaboração de Dobzshansky em sua tese de doutorado; os primeiros trabalhos realizados com esse cientista; a opção do Departamento de Biologia da Faculdade de Filosofia da USP pelo estudo das drosófilas; as pesquisas de Dobzshansky sobre a DrosophHa Willistoni: os marcadores genéticos; a volta de Dobzshansky ao Brasil em 1949 e a expansão do laboratório de genética do Departamento de Biologia da USP; a morte de Dreyfus em 1952 e a instituição do Prêmio Nacional de Genética André Dreyfus; a colaboração de Dreyfus com Marta Breuer e a contribuição dessa cientista ao Departamento de Biologia; a formação, a carreira e os últimos anos de vida de Dreyfus; os trabalhos realizados com Marta Breuer sobre a Rhynchosciara; a volta de Dobzshansky ao país em 1949 e os trabalhos desenvolvidos no Departamento de Biologia; a produtividade científica de Dobzshansky; a experiência na Universidade de Colúmbia; a vinda de Charles Birch e Bruno Bataglia ao país em 1955; as contribuições de Dreyfus, Dobzshansky, Carlos Arnaldo Krug, Friedrich Brieger e Harry Miller Jr. ao desenvolvimento da genética brasileira; o auxílio da Fundação Rockefeller ao entrevistado e ao laboratório de genética do Departamento de Biologia da USP: a atuação de Harry Miller Jr.; a nova fase de desenvolvimento desse laboratório: a descoberta da Rhynchosciara em 1950 e os trabalhos sobre a diferenciação cromossômica e a amplificação gênica; a área de genética humana no Brasil: o apoio da Fundação Rockefeller, a especialização de cientistas brasileiros nos EUA e a organização da Comissão de Genética Humana da Sociedade Brasileira de Genética; os entraves ao desenvolvimento científico do país: o isolamento dos pesquisadores e a falta de estímulo da universidade à atividade científica dos docentes; a produtividade dos cientistas brasileiros: a publicação de trabalhos em revistas internacionais; a importância da criação de revistas científicas nacionais para os jovens pesquisadores; as duas fases da pesquisa científica; a orientação de Harry Miller Jr. e sua contribuição para o desenvolvimento científico nacional; a política da Fundação Rockefeller após 1963: o fim do auxílio ao Brasil.

Fita 3: a assessoria da comunidade científica aos órgãos governamentais de financiamento à pesquisa: a atuação de Pavan no Comitê Assessor do CNPq; a orientação desse órgão na seleção dos projetos de pesquisa; os trabalhos desenvolvidos pelo laboratório de genética do Departamento de Biologia da USP após 1955; a colaboração com Antônio Brito da Cunha e a contribuição deste cientista ao Departamento; a viagem à Europa e aos EUA em 1964; a contratação pela Universidade do Texas e o contato mantido com o país; as pesquisas realizadas na Universidade do Texas; as atuais linhas de pesquisa do entrevistado: a substituição das drosófilas pelas moscas de frutas; a importância da engenharia genética e as possibilidades de sua aplicação no país; as perspectivas de desenvolvimento dessa área no Brasil: os atuais núcleos de pesquisa.

2ª entrevista:
Fita 4: os departamentos do Instituto de Biociências da USP; os cursos de graduação e pós-graduação ministrados pelo Departamento de Biologia; o regime de trabalho do Departamento: a dedicação dos docentes ao ensino e à pesquisa; os seminários semanais; a falta de intercâmbio entre os cientistas brasileiros; o incentivo da Universidade do Texas à atividade científica dos docentes; a atuação comunitária do Departamento de Biologia da USP; sua contribuição ao controle das pragas agrícolas: as pesquisas sobre a ecologia das moscas de frutas; as bases da genética brasileira: as pesquisas de Dobzshansky sobre as drosófilas; a importância do estudo das drosófilas e das moscas de frutas; o início das pesquisas em genética humana no Departamento; a descoberta da Rhynchoscíara em 1950 e os trabalhos realizados com Marta Breuer; as pesquisas sobre a Drosophila, em colaboração com Stevens; a morte de Stevens e a dedicação do entrevistado ao estudo da Rhynchosciara; as atuais linhas de pesquisa do Departamento de Biologia da USP; a importância do controle biológico das cigarrinhas de pastagens; o Programa Integrado de Genética do CNPq e a falta de apoio desse órgão à área de parasitologia agrícola; a importância da engenharia genética e as propostas para o desenvolvimento dessa área científica no país; a situação da genética de células somáticas e da genética de melhoramentos no Brasil; as fontes de recursos do Departamento de Biologia da USP; o papel da universidade e das agências financiadoras do governo no amparo à pesquisa científica; a atuação do CNPq e da FAPESP: a participação dos comitês assessores, a avaliação dos relatórios de pesquisa.

Fita 5: o financiamento à pesquisa científica no Brasil e nos EUA: a liberdade dos pesquisadores; o prestígio social dos professores universitários brasileiros e norte-americanos; a "personalidade egoísta" dos cientistas; a importância do intercâmbio entre os cientistas brasileiros: as experiências da Escola Superior de Guerra e da Academia de Ciências de São Paulo; o papel e a atuação da SBPC e da Academia Brasileira de Ciências; a Sociedade Brasileira de Genética: a Comissão de Genética Humana, o relacionamento entre os geneticistas, a participação nas reuniões anuais da SBPC; o intercâmbio do Departamento de Biologia da USP com universidades do país e do exterior; a qualidade dos cursos de doutoramento nacionais e o incentivo ao pós-doutoramento no exterior; os cursos de doutorado do Departamento de Biologia da USP: a seleção dos candidatos; a colaboração de professores da USP na organização de novas faculdades paulistas; o incentivo do Departamento ao pós-doutoramento dos melhores alunos no exterior; as finalidades e a atuação da Academia de Ciências de São Paulo: suas relações com a Academia Brasileira de Ciências e com o governo do estado; o papel da Academia Brasileira de Ciências e da SBPC; a proposta de organização de cursos de especialização no combate às pragas agrícolas e a falta de apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da FAPESP a esta iniciativa; a atual política brasileira de treinamento de pessoal no exterior: a falta de orientação dos jovens pesquisadores na escolha dos objetos de investigação; a importância das pesquisas sobre a genética das moscas de frutas; o mercado de trabalho para os pós-graduados no Departamento de Biologia da USP; os serviços prestados pelo Departamento à comunidade; a situação atual da genética no Brasil: a captação de recursos, as áreas deficientes; a equipe de pesquisadores e as instalações do Departamento de Biologia; a pesquisa genética contemporânea: a utilização de equipamentos sofisticados; o ensino pós-graduado nas universidades e nos institutos de pesquisa isolados; as bibliotecas do Instituto de Biociências da USP; os custos da pesquisa científica no Brasil; os critérios de avaliação da produtividade científica dos pesquisadores; o acesso do Departamento de Biologia às principais revistas especializadas; a carência de publicações científicas nacionais de boa qualidade.

Para enviar uma colaboração ou guardar este conteúdo em suas pesquisas clique aqui para fazer o login.

CPDOC | FGV • Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil
Praia de Botafogo, 190, Rio de Janeiro - RJ - 22253-900 • Tels. (21) 3799.5676 / 3799.5677
Horário da sala de consulta: de segunda a sexta, de 9h às 16h30
© Copyright Fundação Getulio Vargas 2009. Todos os direitos reservados