Darcy Ribeiro

Entrevista

Darcy Ribeiro

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por sua trajetória profissional. Etnólogo, antropólogo, professor, educador, ensaísta e romancista, o entrevistado fundou o Museu do Índio, que dirigiu até 1947, e criou o Parque Indígena do Xingu.Elaborou para a UNESCO um estudo do impacto da civilização sobre os grupos indígenas brasileiros no século XX e colaborou com a Organização Internacional do Trabalho na preparação de um manual sobre os povos aborígenes de todo o mundo. Organizou e dirigiu o primeiro curso de pós-graduação em Antropologia, tendo sido professor de Etnologia da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (1955-56).
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Maria Clara Mariani
Tjerk Franken
Márcia Bandeira de Mello Leite Ariela
Carla Costa
Maria Tereza Lopes
Data: 15/2/1978 a 22/2/1978
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 2h15min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Darcy Ribeiro
Nascimento: 26/10/1922; Maceió; AL; Brasil;

Falecimento: 17/2/1997; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação: Ciências Sociais pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo (1946); especializou-se em Antropologia.
Atividade: Pesquisador pelo Serviço de Proteção dos Índios (1947-1957); organizou e dirigiu o Museu do Índio, no Rio de Janeiro (1954); deu início ao curso de pós-graduação em antropologia cultural; professor de etnologia da Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (1955-1961); dirigiu a Divisão de Estudos do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE) (1957); coordenou o planejamento da Universidade de Brasília (1960); dirigiu a Comissão de Estruturação da UnB (1961); reitor da UnB (1962-1963); presidiu o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) (1962); assumiu o Ministério de Educação e Cultura do gabinete Parlamentarista do primeiro-ministro Hermes Lima (1962); chefiou a Casa Civil do presidente João Goulart (1963); exilou-se no Uruguai, com o golpe de 1964, tornando-se professor de antropologia da Faculdade de Humanidades e Ciências da Universidade da República Oriental do Uruguai, recebeu o título de doutor honoris causa; professor-pesquisador do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile (1972); planejou, organizou e dirigiu o Centro de Estudos de Participação Popular, em Lima, Peru (1972); integrou a comissão organizada pelo PNUD para planejar a Universidade do Terceiro Mundo, no México (1975); regressou ao Brasil (1976); foi professor titular do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ (1979); elegeu vice-governador do estado do Rio de Janeiro (1982); assumiu também a secretaria Extraordinária de Ciência e Cultura e de chanceler da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) (1983).

Equipe

Levantamento de dados: Patrícia Campos de Sousa;
Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Administração federal;
Anísio Teixeira;
Antropologia;
Arquitetura;
Atividade profissional;
Brasília;
Ciências Sociais;
Comunismo;
Crises políticas;
Darcy Ribeiro;
Ensino superior;
Formação profissional;
Governo João Goulart (1961-1964);
Hélder Câmara (Dom);
História da ciência;
Igreja Católica;
Instituições acadêmicas;
Instituições científicas;
Israel Pinheiro da Silva;
Juscelino Kubitschek;
Metodologia de pesquisa;
Oscar Niemeyer;
Perseguição política;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política científica e tecnológica;
Pós - graduação;
Positivismo;
Professores estrangeiros;
São Paulo;
Serviço de Proteção aos Índios;
Universidade de Brasília;
Universidade de São Paulo;
Universidade Federal do Rio de Janeiro;

Sumário

1ª entrevista:
Fita 1: os primeiros anos em Montes Claros; o ingresso na Faculdade de Medicina da UFMG e o interesse pelas ciências humanas; a transferência para a Escola de Sociologia e Política de São Paulo; o curso de ciências sociais: os professores estrangeiros; a militância comunista e a opção pela carreia científica; a influência positivista; o início da vida profissional como pesquisador do Serviço de Proteção aos índios: as pesquisas etnológicas de campo em tribos indígenas e os trabalhos publicados; a incompatibilidade do entrevistado com a perspectiva antropológica da época; o contato com Anísio Teixeira e a colaboração na criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais (CBPE); as pesquisas realizadas nessa instituição; a designação para organizar a UnB; a experiência como redator das mensagens presidenciais de Juscelino Kubitschek, em colaboração com Ciro dos Anjos.

2ª entrevista:
Fita 1 (continuação): a oposição inicial à criação de Brasília; Oscar Niemeyer e a arquitetura moderna a contribuição de Niemeyer para o sucesso do projeto de Brasília; a organização da UnB: a oposição de Israel Pinheiro, a comissão de planejamento, as divergências com Anísio Teixeira; as finalidades da nova universidade; a origem e as características da universidade brasileira; o modelo da UnB: a estrutura dos institutos centrais, as faculdades profissionais e os cursos pós-graduados; o auxílio da Fundação Ford à ciência brasileira.

Fita 2: a biblioteca de ciências da UnB: o auxílio da Fundação Ford; as novas instalações da Universidade do Brasil na ilha do Fundão; o projeto da UnB e seu impacto sobre a estrutura universitária brasileira; a gestão de Laerte Ramos de Carvalho na UnB; o projeto inicial da USP; as rivalidades entre essa universidade e a UnB; a proposta de dom Helder Câmara para a criação de uma universidade católica em Brasília e o apoio do papa João XXIII ao projeto da UnB; a criação do Instituto de Teologia Católica da UnB e a proposta de organização da Bíblia de Brasília; a extinção desse instituto em 1964; a aprovação do projeto de criação da UnB na Câmara e no Senado; a nomeação do entrevistado para a reitoria da UnB; o afastamento da Universidade em 1963 para assumir a chefia da Casa Civil do presidente João Goulart; a gestão de Zeferino Vaz na UnB; a crise de 1965 e a demissão em massa do corpo docente; a UnB após a crise; o plano orientador da UnB: a estrutura dos institutos centrais, a articulação da carreira docente com os graus acadêmicos; a adoção desse modelo pelas demais universidades brasileiras; os sistemas de ensino da UnB; o método Keller de ensino experimental; a natureza da atividade científica; a escolha das linhas de investigação pelos departamentos da Universidade.
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