Derly Barreto

Entrevista

Derly Barreto

Esta entrevista é parte integrante de uma série de depoimentos realizados pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) entre 1977/1979 e doadas ao CPDOC em 15/08/1996. A escolha do entrevistado se justifica pela sua atuação como repórter, especialmente dedicado a cobertura política. Ao longo de sua trajetória profissional, atuou em alguns dos mais relevantes jornais da história da imprensa brasileira.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Não há informação
Data: 18/3/1977
Local(ais):
Não há informação ; - ; -

Duração: 2h47min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Derly Barreto e Silva
Nascimento: 1/1/0001; Belo Horizonte; MG; Brasil;

Formação: Curso primário.
Atividade: Repórter, especialmente dedicado a cobertura política. Ao longo de sua trajetória profissional, atuou em alguns dos mais relevantes jornais da história da imprensa brasileira.

Equipe


Transcrição: Maria Izabel Cruz Bitar;

Conferência da transcrição: Daniela Ammann;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Sumário: Julio Augusto Nassar Alencar;

Temas

Censura;
História da imprensa;
Imprensa;
Jornalismo;
Liberdade de imprensa;
Última Hora;

Sumário

Entrevista: 18.3.1977

Fita 1-A: Breve apresentação pessoal; detalhadas recordações do início jornalístico na Folha de Minas de Moacyr Andrade, aos 16 anos de idade: obtenção do emprego, apresentação ao pessoal da redação, rotina de atividades na cobertura policial, ascensão e aprendizado dentro do jornal; motivos pelos quais pediu para trabalhar na imprensa logo após o curso primário: interesse pela leitura, bom desempenho nas composições escolares e crença na boa remuneração dos profissionais; referência à paralisia infantil que o acometeu e retardou seus estudos; menção da origem familiar modesta e pouco instruída; considerações sobre o jornal Folha de Minas: propriedade do governo, pouca expressão jornalística, baixa tiragem e precariedade dos salários; breves lembranças do trabalho como diretor da sucursal de Belo Horizonte (MG) da agência carioca de notícias Telepress, exercido concomitantemente com o emprego na Folha de Minas; referência aos empregos de remuneração fixa, paralelos ao jornalismo, que teve numa livraria e num escritório; explicações sobre os mecanismos de captação de notícias de outros estados para publicação nos jornais de Belo Horizonte quando o entrevistado começou na imprensa; experiência e conseqüências da passagem de um mês pelo Diário Carioca no início da década de 1950: grande aprendizado, status e salário fixo no retorno à Folha de Minas e vontade de transferir-se definitivamente para o Rio de Janeiro (RJ).

Fita 1-B: Longo relato de seu começo profissional no jornalismo carioca: transferência definitiva para o Rio de Janeiro em meados dos anos 1950, primeiros empregos no jornal da juventude comunista Novos Rumos, na sede da agência de notícias Telepress, no jornal A Noite e no jornal Última Hora; explicações sobre os mecanismos de captação de notícias de outros estados para publicação nos jornais de Belo Horizonte quando o entrevistado começou na imprensa; considerações sobre as fontes de renda dos membros das redações em Belo Horizonte na década de 1950: ligação entre profissão jornalística e funcionalismo público; breves comentários sobre sua vida social quando chegou ao Rio de Janeiro: forte ritmo de trabalho, conversas com os colegas, relacionamentos românticos, álcool e rodas de intelectuais, artistas e jornalistas; rápidas considerações sobre os jornais cariocas em meados dos anos 1950, principalmente quanto a repercussão e a ligações políticas: A Noite, Tribuna da Imprensa, O Globo, Última Hora, Diário Carioca, Correio da Manhã e Jornal do Brasil; explicações sobre a divisão entre jornais matutinos e vespertinos rompida por Samuel Wainer com a Última Hora editando duas tiragens, uma matutina e outra vespertina; breve comparação entre o jornalismo no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte na década de 1950; observações sobre o processo de racionalização do jornalismo que encontrou no jornal Última Hora.

Fita 2-A: Detalhadas observações sobre o processo de racionalização do jornalismo que encontrou no jornal Última Hora: organização dos quadros de pessoal da redação, ordenação espacial e inovação no material de escritório; referência ao Diário Carioca como um jornal em que o embrião dessa organização já existia; considerações sobre sua ida para trabalhar no Jornal do Brasil no final da década de 1950: pedido a Odylo Costa, filho, e reencontro com Wilson Figueiredo; menção do caráter inflacionado dos salários no Jornal do Brasil após a reforma; referência à implementação paulatina das mudanças que levaram à reforma do Jornal do Brasil; relações entre a crise da imprensa após a Carta-Testamento do presidente Getúlio Dornelles Vargas e o sucesso das mudanças implementadas no Jornal do Brasil; considerações sobre censura no período em que trabalhou no jornal Última Hora de Samuel Wainer: ausência de pressão governamental e presença do crivo da própria empresa; repercussão da reforma do Jornal do Brasil entre os profissionais da imprensa: entusiasmo pelas novidades jornalísticas e medo dos efeitos no mercado de trabalho; comparação entre o poder econômico do Jornal do Brasil, fundado nos pequenos anúncios comerciais, e a situação financeira dos outros jornais cariocas na década de 1950; comentários sobre os motivos que garantiam o sucesso dos investimentos financeiros e das reformulações técnicas do Jornal do Brasil: boa administração empresarial pela condessa Maurina Dunshee de Abranches Pereira Carneiro, frágil concorrência dos outros jornais e público leitor majoritário de pequenos anúncios que independia de opinião política ou de quaisquer mudanças propriamente jornalísticas.

Fita 2-B: Comentários sobre os motivos que garantiam o sucesso dos investimentos financeiros e das reformulações técnicas do Jornal do Brasil: público leitor majoritário de pequenos anúncios, frágil concorrência dos outros jornais, sistematização de experiências técnicas de sucesso já comprovado e segurança da estrutura empresarial do Jornal do Brasil; longas considerações sobre o funcionamento do Jornal do Brasil após a reforma: salário inicial na reportagem geral, duração da jornada de trabalho, equipe de profissionais da reportagem, linha política do noticiário, estilo lingüístico dos textos, copidesque e arte fotográfica; menção do Diário Carioca como um equivalente mais modesto do Jornal do Brasil; efeitos da reforma do Jornal do Brasil para os profissionais da imprensa: valorização dos repórteres e enfraquecimento da ligação desses jornalistas com o serviço público; comparação entre as linhas políticas de noticiário do Jornal do Brasil e dos outros jornais cariocas após a reforma; recordações emblemáticas do Jornal do Brasil: foto de Juscelino Kubitscheck de Oliveira e John Foster Dulles com os versos da marchinha Me dá um dinheiro aí como legenda (1958), reportagem "Central do Brasil: dois pontos" ganhadora do Prêmio Esso de Jornalismo de 1959, secção "Rondó" onde os repórteres podiam publicar pequenas crônicas e contos, e cobertura da gestão do ministro da Saúde Mário Pinotti; breve relato da trajetória profissional do entrevistado após sua primeira passagem pelo Jornal do Brasil até seu retorno com uma posição melhor dentro dos quadros de reportagem em 1962, durante o governo João Belchior Marques Goulart; observações sobre a reformulação dos quadros profissionais da redação do Jornal do Brasil durante a reforma: elogios à conduta de Odylo Costa, filho, e críticas à direção do jornal; exemplos do trabalho do entrevistado na secção "Correio da Política" a partir de seu retorno ao Jornal do Brasil: entrevista com Henrique Batista Duffles Teixeira Lott sobre o plebiscito de 6-1-1963 e reportagem sobre a atividade de Olímpio Mourão Filho no Plano Cohen; menção de nunca ter ganhado ou disputado prêmios jornalísticos; referência aos grandes nomes da reportagem política brasileira no início da década de 1960; breves considerações sobre reportagem política: menção da diferença frente à reportagem geral e comentário sobre as relações do repórter político com fontes e entrevistados.

Fita 3-A: Longas considerações sobre as relações com fontes e entrevistados na reportagem política; opinião crítica sobre o cenário político brasileiro atual e a acomodação da imprensa frente a essa realidade; breve comparação da acomodação da imprensa no presente com o que sucedeu no período anterior ao suicídio de Getúlio Dornelles Vargas em 1954; comentário sobre os atuais esforços de resistência política dos jornais Estado de São Paulo e Folha de São Paulo e da revista Veja; reflexões sobre o auge e a estagnação do Jornal do Brasil, associados à economia do país e a especulações sobre uma nova crise da imprensa; referências à trajetória profissional do entrevistado na imprensa carioca a partir de sua segunda saída do Jornal do Brasil em 1965: trabalho na cobertura política dos jornais Diário de Notícias, O Jornal, Jornal do Comércio e da revista O Cruzeiro; breves memórias da censura na imprensa: atuação de Ascendino Leite sobre o Diário de Notícias durante o governo de Carlos Frederico Werneck de Lacerda em 1961, referência à censura sob o comando de Henrique Teixeira Lott em 1955, e menção da diferença entre censura do patrão e censura do governo; comentários sobre a valorização dos repórteres a partir da reforma do Jornal do Brasil: liberdade de iniciativa e identificação pessoal da autoria das boas matérias; menção da permissão para interpretar os fatos que tinham os repórteres políticos em matérias assinadas no Jornal do Brasil, antes algo exclusivo de revistas; considerações sobre a voz narrativa em que se escreviam as reportagens nos jornais das décadas de 1950 e 1960; lembranças de uma série de reportagens sobre juventude transviada que envolveu Pinheiro Júnior e Nelson Rodrigues para a Última Hora de Samuel Wainer no final dos anos 50; experiências de outros jornais que a reforma do Jornal do Brasil sistematizou e desenvolveu: utilização de lide e sublide pelo Diário Carioca, diagramação gráfica da Última Hora e do Diário Carioca, tratamento humanizado das matérias pelo Diário de Notícias e estilo artístico de fotografia das revistas; considerações sobre os canais de relacionamento dos leitores com o Jornal do Brasil na época da reforma: cartas pessoais e o movimento da portaria em decorrência dos pequenos anúncios comerciais; breve reflexão sobre os efeitos da reforma do Jornal do Brasil; menção do não seguimento da reforma do Jornal do Brasil por parte de outros jornais, passados mais de 20 anos; referência à atual acomodação jornalística e empresarial do Jornal do Brasil e especulação acerca de seus possíveis problemas financeiros.

Fita 3-B: Referências à trajetória profissional do entrevistado na imprensa carioca a partir de sua segunda saída do Jornal do Brasil em 1965: trabalho na cobertura política dos jornais Diário de Notícias, O Jornal, Jornal do Comércio e da revista O Cruzeiro; menção de outras atividades jornalísticas do entrevistado após 1965: trabalho nos jornais O País, Edição Final, Brasil Urgente, Diário da Tarde, Última Hora, colaboração nos jornais mineiros O Debate e Binômio e elaboração de textos para o "Repórter Esso" em Belo Horizonte; referência ao emprego atual na sucursal carioca da Folha de São Paulo e aos vários períodos de desemprego que enfrentou durante a vida; menção de uma tentativa de reforma do Jornal do Comércio que envolveu o entrevistado; explicações sobre o atual trabalho na sucursal carioca da Folha de São Paulo: reportagens e artigos políticos; experiências profissionais com Alberto Dines: Folha de São Paulo e Jornal do Brasil; referência a um período de sua vida profissional em que tinha textos publicados simultaneamente em vários jornais do Rio de Janeiro e de outros estados, com bom retorno financeiro; considerações sobre a cobertura política do Jornal do Brasil a partir do Golpe de 1964: censura do governo, enfraquecimento do noticiário e reformulação imposta ao editor-chefe Alberto Dines pela direção do jornal; principais efeitos da reforma do Jornal do Brasil: modernização do jornalismo e melhora da situação profissional; menção de Samuel Wainer como o verdadeiro pioneiro do processo que foi levado à frente pelo poderio econômico do Jornal do Brasil.
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