Francisco de Assis Magalhães Gomes I

Entrevista

Francisco de Assis Magalhães Gomes I

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por ter sido pioneiro na física nuclear no Brasil. Participou da criação e dirigiu o Instituto de Pesquisas Radioativas, o IPR, da Escola de Engenharia da UFMG. E também foi imprescindivel no êxito do curso de Física da Faculdade de Filosofia e do Instituto de Ciências Exatas, o Icex, da mesma Universidade.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Ricardo Guedes Pinto
Simon Schwartzman
Data: 27/12/1976 a 28/12/1976
Local(ais):
Belo Horizonte ; MG ; Brasil

Duração: 5h0min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Francisco de Assis Magalhães Gomes
Nascimento: 16/1/1906; Ouro Preto; MG; Brasil;

Formação: Engenharia Civil e de Minas pela Escola de Minas de Ouro Preto (1928).
Atividade: Chefiou a seção técnica de águas e esgotos da Prefeitura de Belo Horizonte (1928-1938); lecionou física no curso anexo à Faculdade de Medicina da UFMG (1930); eleito catedrático interno de física pela Congregação da Escola de Engenharia da UFMG (1933); venceu o concurso As Cátedras de Física da Escola de Minas de Ouro Preto e da Escola de Engenharia da UFMG (1938); foi professor do Departamento de Física da faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da UFMG; saiu da Escola de Minas em 1950; organizou e dirigiu o Instituto de Pesquisas Radioativas (IPR) as UFMG (1954); foi professor titular e diretor do Instituto de Física da UFMG; dirigiu o Instituto de Ciências Exatas da Universidade (1964); aposentou-se da Escola de Engenharia em 1965, deixando a direção do IPR; concluiu sua gestão no Instituto de Ciências Exatas da UFMG em 1968.

Equipe

Levantamento de dados: Patrícia Campos de Sousa;
Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Acordo Nuclear Brasil - Alemanha (1975);
Astronomia;
Carreira acadêmica;
Ciência e tecnologia;
Congressos e conferências;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
Empresas Nucleares Brasileiras S.A.;
Energia nuclear;
Engenharia;
Ensino profissionalizante;
Ensino superior;
Estados Unidos da América;
Europa;
Financiadora de Estudos e Projetos;
Física;
Formação profissional;
Francisco Campos;
Francisco de Assis Magalhães Gomes;
Fundação Rockefeller;
Governo estadual;
Governo municipal;
Hervásio Guimarães de Carvalho;
História da ciência;
Igreja Católica;
Instituições acadêmicas;
Instituições científicas;
Intercâmbio cultural;
José Francisco Bias Fortes;
José Israel Vargas;
Juscelino Kubitschek;
Metodologia de pesquisa;
Minas Gerais;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política científica e tecnológica;
Política nuclear;
Pós - graduação;
Reforma administrativa;
Reforma educacional;
Revolução de 1930;
Universidade Federal do Rio de Janeiro;

Sumário

Sumário da 1ª entrevista:
Origem familiar e a opção pela carreira universitária; os primeiros estudos; a formação e a carreira de seu pai; outras influências familiares; o interesse pela ciência e o ingresso na Escola de Minas de Ouro Preto; a oportunidade frustrada de se doutorar na Europa; a formação européia de sua geração; a revolução científica norte-americana e sua influência no Brasil; o ensino de física na Escola de Minas; a formação autodidata em física e o início da carreira docente na UFMG; o curso de física para médicos; a gestão de Mendes Pimentel na UFMG e as conseqüências de seu afastamento da Universidade; a Reforma Francisco Campos; a Revolução de 30 e a crise na UFMG: a intervenção na Universidade e a exoneração de Mendes Pimentel de sua direção; a eleição para catedrático interino de física da Escola de Engenharia da UFMG; a luta pela melhoria do ensino de física nesta instituição: a influência indireta de Gleb Wataghin; a experiência no laboratório de física do padre Matias; a exoneração da prefeitura de Belo Horizonte; os concursos para as cátedras de física da Escola de Engenharia da UFMG e da Escola de Minas de Ouro Preto; a integração com a comunidade científica; o apoio de Álvaro Alberto à UFMG; a criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Minas Gerais, independente da estrutura universitária; as finalidades da nova faculdade e sua importância para o desenvolvimento das ciências básicas em Minas Gerais; os corpos docentes e discente e as instalações da Faculdade de Filosofia; a crise financeira da UFMG em 1943 e a luta pela sua federalização: a iniciativa do senador Melo Viana e o apoio do Congresso Nacional; a incorporação das Faculdades de Filosofia e Arquitetura à UFMG; a participação de Magalhães Gomes na vida universitária e sua contribuição ao desenvolvimento de um ambiente científico em Minas Gerais; a indicação para o conselho deliberativo do CNPq e o veto de Juscelino Kubitschek; a criação do Instituto de Pesquisas Radioativas (IPR) da UFMG: o apoio do CNPq; o treinamento de seus pesquisadores: o doutoramento de José Israel Vargas e Ramayana Gazzinelli em universidades estrangeiras; a mentalidade "nacionalista" dominante na Escola de Engenharia da UFMG; a saída do entrevistado da Escola de Minas de Ouro Preto; as atividades políticas; a criação do IPR: o apoio do governador Bias Fortes, a formação dos pesquisadores, as primeiras linhas de pesquisa; o laboratório de física dos sólidos do Instituto de Física da UFMG; a reforma da UFMG: a criação dos institutos centrais, a resistência das escolas profissionais, a autonomia do IPR; o programa de mestrado do IPR; a compra e instalação do reator Triga: o treinamento de pessoal na General Dynamics, o apoio da Comissão Nacional de Energia Nuclear, do Instituto de Energia Atômica da USP, do Conselho Técnico de Economia e Finanças e do CNPq; a equipe de pesquisadores e as linhas de pesquisa do IPR; o programa do reator de urânio natural e água pesada; a produção científica e o prestígio internacional de Instituto de Física da UFMG; a importância da pesquisa básica para o desenvolvimento científico das nações; a formação do físico atômico no país.

Sumário da 2ª entrevista:
A organização e os recursos do IPR; a participação do entrevistado em congressos internacionais e a visita aos principais institutos de pesquisa nuclear da Europa e dos Estados Unidos; a criação do IPR e o programa inicial desse instituto; a aquisição e a instalação do reator Triga: a fiscalização da Comissão de Energia Atômica dos EUA, os entraves alfandegários, a campanha oposicionista da imprensa; as possibilidades tecnológicas para a construção de reatores nacionais; a ética dos congressos científicos; os cientistas e as decisões de política nuclear; o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha: a oposição dos Estados Unidos; o projeto do reator de urânio natural e água pesada elaborado no IPR; o "grupo do tório"; a decadência do IPR após sua incorporação à Nuclebrás; a estabilidade das instituições universitárias; o intercâmbio do IPR com os demais institutos de pesquisa física; ciência e política; as relações com Jayme Tiomno, Mário Schenberg, Hervásio de Carvalho e Gerhard Jacob; a aposentadoria da Escola de Engenharia da UFMG e o afastamento da direção do IPR; a participação na Comissão Nacional de Energia Nuclear e sua exoneração desse órgão durante a gestão de Cintra do Prado; a obtenção do título de professor emérito da Escola de Engenharia e as relações mantidas com essa instituição; a instalação do Observatório da UFMG, em Piedade: a colaboração de Muniz Barreto e de Abraão de Morais; os telescópios de MG, do RJ e de SP; a evasão dos astrônomos formados na UFMG e a contratação de Teodoro Vives para o observatório mineiro; a carência de técnicos de nível médio; as atuais linhas de pesquisa do Observatório de Piedade; a formação do astrônomo no Brasil; o curso de astronomia da UFRJ; o programa do Observatório Astrofísico Nacional; o radiotelescópio paulista; a popularidade da astronomia entre os jovens cientistas; a situação atual do Observatório da UFMG e as propostas do entrevistado para a retomada de seu desenvolvimento; o amparo à pesquisa científica no país: o papel das agências governamentais de financiamento e o da universidade; a ética de recrutamento de pessoal; a importância da formação humanista dos cientistas; as aulas de história da ciência ministradas na UFMG; o papel dos cursos de extensão universitária; as conseqüências da expansão do ensino superior no país; a contribuição da astronomia para o desenvolvimento da física; os cursos e os programas aplicados do IPR; o prestígio desse instituto; as condições de segurança do reator Triga.

Sumário da 3ª entrevista:
A reforma da UFMG: a divisão das escolas em institutos básicos e escolas profissionais, a criação do Instituto de Ciências Exatas, a extinção da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras; os Anais da Academia Brasileira de Ciências e a Revista Brasileira de Física; as pré-publicações e a circulação de trabalhos entre as universidades; o apoio da Fundação Rockefeller, da Finep e do CNPq à UFMG; o amparo à pesquisa científica no Brasil: o papel da universidade; a organização do IPR: a escolha das linhas de pesquisa; as finalidades e o regime de trabalho desse instituto; a decadência do IPR após sua incorporação à Nuclebrás; a participação política do entrevistado, ao lado da Igreja; a Reforma Universitária de 68 e o perigo das listas sêxtuplas; a situação da Universidade de Ouro Preto; os concursos para as cátedras de física da Escola de Minas de Ouro Preto e da Escola de Engenharia; a Reforma Universitária de 68 e as transformações na carreira universitária; a propaganda nos meios científicos: o caso da Unicamp; a assessoria da comunidade científica aos órgãos governamentais de financiamento à pesquisa; a burocracia universitária; a administração do Instituto de Ciências Exatas da UFMG.
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