Friedrich Gustav Brieger

Entrevista

Friedrich Gustav Brieger

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por sua atuação em importantes centros de pesquisa acadêmicos na área da Biologia. Coordenou o Instituto Central de Biologia da Universidade de Brasília - UnB (1966-1968) e chefiou o departamento de Genética da UNICAMP.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Tjerk Franken
Márcia Bandeira de Mello Leite Ariela
Data: 27/5/1977
Local(ais):
Piracicaba ; SP ; Brasil

Duração: 6h45min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Friedrich Gustav Brieger
Nascimento: 1/1/0001; Bad Dürrheim; --; Alemanha;

Formação: Formado em Botânica pela Universidade de Breslau (1921).
Atividade: Estagiou na Universidade de Munique (1921); integrou o corpo de docente da Universidade de Viena, iniciou suas pesquisas no campo de genética (1992); bolsista da Fundação Rockefeller; especializou-se em genética na Universidade de Harvard, nos EUA (1924); foi pesquisador do Kaiser Wilhelm Institut, atual Max Planck Institut (1926-1928); livre docente da Universidade de Berlim (1928); foi nomeado primeiro assistente do Instituto de Botânica dessa Universidade (1929); com a ascensão do Nazismo, foi afastado do Instituto (1993); trabalhou na John Innes Intitution da Universidade de Londres; transferiu-se para o Brasil, assumiu a cátedra de genética da Escola Superior de Agricultura Luis de Queirós (ESALQ) (1936); organizou e dirigiu o Instituto de Genética da ESALQ (1936-1967); coordenou o Instituto Central de Biologia da universidade de Brasília (1966-1968); foi vice reitor e coordenador geral da UNICAMP (1968); chefiou o Departamento de Genética dessa Universidade, deixou a UNICAMP em 1973, retornando à ASALQ.

Equipe

Levantamento de dados: Patrícia Campos de Sousa;
Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Agronomia;
Alemanha;
Atividade acadêmica;
Bolsas de estudo e de pesquisa;
Botânica;
Carreira acadêmica;
Ciência e tecnologia;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
Cooperação científica e tecnológica;
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior;
Ensino superior;
Estados Unidos da América;
Europa;
Fernando Costa;
Financiadora de Estudos e Projetos;
Formação de professor;
Friedrich Gustav Brieger;
Fundação Rockefeller;
História da ciência;
Instituições acadêmicas;
Instituições científicas;
Intercâmbio cultural;
Metodologia de pesquisa;
Nazismo;
Política científica e tecnológica;
Política salarial;
Pós - graduação;
Professores estrangeiros;
Recursos vegetais;
Universidade de Brasília;
Universidade de São Paulo;
Zoologia;

Sumário

Sumário da 1ª entrevista:
Fita 1: origem familiar; formação universitária; a experiência como professor assistente das Universidades de Berlim e Viena; a especialização em genética na Universidade de Harvard; a contratação pelo Kaiser Wilhelm Institut; a demissão da Universidade de Berlim, por ato do governo nazista, e a admissão na John Innes Institution da Universidade de Londres; a transferência para o Brasil em 1936; os primeiros anos na Escola Superior de Agricultura Luís de Queirós (ESALQ); a instituição do regime de tempo integral na ESALQ; o ensino de genética na época; os pioneiros da genética no Brasil: Friedrich Brieger, André Dreyfus e Carlos Arnaldo Krug; o apoio da Fundação Rockefeller à genética brasileira; as pesquisas sobre novos métodos de melhoramento do milho; as divergências com Carlos A. Krug; a contribuição de Dreyfus à implantação da genética no país; o contrato com a USP e a escolha dos assistentes; a ESALQ: o corpo discente, o nível de ensino, o auxílio da Fundação Rockefeller; as estratégias de Brieger e Dobzshansky para a implantação da genética no Brasil; as pesquisas sobre o melhoramento de hortaliças realizadas com Marcílio Dias; a criação do Instituto de Genética de Piracicaba, por iniciativa da Comissão Supervisora do Planejamento dos Institutos (COSUPI); a nomeação do entrevistado para a direção desse instituto; a reforma da ESALQ durante o governo de Fernando Costa; os recursos do Instituto de Genética: as verbas da COSUPI e da USP; a administração do Instituto: as relações com a estrutura universitária; a introdução da área de genética de microorganismos: os cursos de Demerec e Roper e o treinamento dos melhores alunos na Inglaterra; a formação de pesquisadores em universidades estrangeiras e a dificuldade desses elementos em readaptar-se às condições de pesquisa do país; o desenvolvimento da ciência na Europa; o sistema de cátedra e a carreira docente nas universidades alemãs e brasileiras.

Fita 2: o poder dos catedráticos nas universidades européias; o ensino de agronomia no Brasil; os salários dos professores universitários na Alemanha, nos EUA e no Brasil; a administração da universidade alemã; o sistema universitário brasileiro; o doutoramento na universidade de Breslau; o concurso para livre-docente da Universidade de Berlim; os sistemas de pós-graduação americano e alemão e o modelo adotado no Brasil; as pesquisas de Brieger sobre a evolução nos trópicos: os trabalhos sobre a origem do milho e das orquídeas; o convite para coordenar o Instituto Central de Biologia da UnB e a aposentadoria da ESALQ; a demissão da UnB em 1968; o convite de Zeferino Vaz para assumir a coordenação-geral e a vice-reitoria da Unicamp; a gestão de Zeferino Vaz nessa universidade; a experiência do entrevistado como coordenador-geral da Unicamp; a demissão do cargo em 1973 e o retorno à ESALQ; o livro sobre orquídeas; os discípulos; a genética brasileira contemporânea: a ênfase na pesquisa aplicada; a decadência do Instituto Agronômico de Campinas e do Instituto Biológico de São Paulo; a falta de renovação de quadros nas universidades brasileiras; os critérios de seleção dos professores.

Sumário da 2ª entrevista:
Fita 3: o botânico e o geneticista; o desenvolvimento da botânica e da zoologia no Brasil; a situação da botânica a nível internacional: o monopólio dos institutos tradicionais europeus; a contribuição de Correns à genética: a redescoberta das leis de Mendel; as características do "bom professor" e do "bom pesquisador"; a introdução do regime de tempo integral na USP; a massificação do ensino superior e o abandono das atividades científicas pelos docentes; o autodidatismo na formação do cientista; a colaboração da ESALQ aos agricultores e pecuaristas; o corpo docente da ESALQ: Carlos Mendes, Felipe Cabral de Vasconcelos, Atanazov, José de Melo Morais; o contrato inicial com a USP e a estabilização na universidade: a oposição dos colegas; a luta pela sua efetivação na cátedra: o apoio de Ernesto Leme; a contratação de professores estrangeiros pela ESALQ; os salários da ESALQ; a gestão de Jorge Americano na USP; os vencimentos dos docentes na Alemanha, nos EUA e no Brasil; o auxílio de particulares ao Instituto de Genética de Piracicaba.

Fita 4: os sistemas de financiamento do CNPq, da Finep, da CAPES e da FAPESP; a ciência brasileira: a ênfase em pesquisas aplicadas, a opção pelas temáticas desenvolvidas nos principais centros científicos do mundo; a utilização de aparelhagens sofisticadas na pesquisa genética; a orientação científica da Unicamp; os critérios de avaliação da produtividade dos cientistas brasileiros; as dificuldades de publicação das revistas nacionais; o programa de pós-graduação da ESALQ; a política nacional de treinamento de pesquisadores no exterior e a difícil readaptação dos bolsistas às condições de pesquisa do país; as relações da ESALQ com os institutos de pesquisa do Rio de Janeiro e de São Paulo; a Escola de Agronomia do Km 47; a administração da ESALQ: as antigas seções técnicas, o controle e fiscalização dos projetos de pesquisa; as relações do entrevistado com os alunos; o acesso às publicações especializadas; a carência de livros-texto de genética; a atividade científica na universidade e nos institutos isolados.

Fita 5: a inviabilidade da pós-graduação nos institutos de pesquisa; o papel da Sociedade Brasileira de Genética, da SBPC, da Academia Brasileira de Ciências e da Academia de Ciências de São Paulo; a participação do entrevistado nessas entidades; os congressos internacionais de genética.
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