Gilberto Velho I

Entrevista

Gilberto Velho I

Entrevista realizada no contexto da pesquisa "Os anos de chumbo: memórias da guerrilha", desenvolvida por Alzira Alves de Abreu. Ela foi utilizada como subsídio em duas publicações de sua autoria: o livro “INTELECTUAIS e guerreiros: o Colégio de Aplicação da UFRJ de 1948 a 1968”/ Alzira Alves de Abreu. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1992, e o artigo de Alzira Alves de Abreu, “Os anos de chumbo: memória da guerrilha.” in: Marieta de Moraes Ferreira (org.) “ENTRE-VISTAS: abordagens e usos da história oral.” Rio de Janeiro, Editora da Fundação Getúlio Vargas, 1994, p. 14-32. A escolha do entrevistado se justificou por ter sido aluno do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CAp/UFRJ) e liderança do movimento estudantil.
Forma de Consulta:
Entrevista em áudio disponível na Sala de Consulta do CPDOC.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Alzira Alves de Abreu
Maria Clara Mariani
Data: 17/1/1986 a 23/1/1986
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 3h55min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Gilberto Cardoso Alves Velho
Nascimento: 15/5/1945; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação: Graduou-se em Ciências Sociais no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1968). Obteve o mestrado em Antropologia Social no Programa de Pós-graduação do Departamento de Antropologia do Museu Nacional/ UFRJ (1970). Especializou-se em Antropologia Urbana e das Sociedades Complexas na Universidade do Texas, em Austin (1971). É doutor em Ciências Humanas pela Universidade de São Paulo (1975).
Atividade: Professor titular e decano do Departamento de Antropologia do Museu Nacional da UFRJ. Membro da Academia Brasileira de Ciências. Ex-presidente da Associação Brasileira de Antropologia e da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais. Foi vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. É pesquisador I-A do CNPq. Também foi membro do Conselho Deliberativo do CNPq, do Conselho do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e do Conselho Federal de Cultura. É portador da grã-cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico e comendador da Ordem do Rio Branco.

Equipe


Transcrição: Ana Caroline Matias Alencar;

Conferência da transcrição: Juliana Athayde Silva de Morais;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Sumário: Tiago Coelho Fernandes;

Temas

Ação Católica Brasileira;
Ação Popular (1962);
Antropologia;
Cinema;
Colégio de Aplicação da UFRJ;
Colégio Militar do Rio de Janeiro;
Crise de 1961;
Ditadura;
Elites;
Ensino;
Faculdade Nacional de Filosofia;
Gilberto Velho;
Golpe de 1964;
Governos militares (1964-1985);
Guerrilha urbana;
Instituto Superior de Estudos Brasileiros;
Integralismo;
Intelectuais;
Lacerdismo;
Movimento estudantil;
Participação política;
Partido Comunista Brasileiro - PCB;
Partido Comunista do Brasil - PCdoB;
Protesto político;
Revolta comunista (1935);
Revolução Chinesa (1949);
Revolução de 1930;

Sumário

1a Entrevista 17/01/1986
Fita 1-A: Origens familiares; participação da família nas Forças Armadas; comentários sobre a carreira militar do avô materno, Maurício Cardoso: participação na Revolução de 1930; valorização do estudo e das atividades intelectuais e culturais pela família; o ingresso do entrevistado no Colégio de Aplicação (CAp), 1957; ida da família para os Estados Unidos (1948) e experiência escolar nesse país; estudos primários e preparação para o Colégio Militar; desinteresse do entrevistado pela carreira militar; a opção pelo Colégio de Aplicação; comentários sobre a mãe.
Fita 1-B: Crises familiares e psicanálise dos pais; relação especial do entrevistado e seu irmão com o avô materno; importância do CAp para a sociabilidade do entrevistado; leituras da infância e juventude; comentários sobre o irmão Guilherme Velho; breves comentários sobre a religiosidade na família; participação do pai, cadete da Escola Militar, no combate à Revolta Comunista de 1935; anticomunismo na família; trajetória política do pai: integralismo, lacerdismo, oposição ao Marechal Lott (1955), conspiração para o golpe de 1964 e nomeação para direção da Agência Nacional, oposição à censura e saída do governo; percepção do pai da situação pós-64; considerações sobre a ética militar; atuação do pai na libertação de presos políticos; início das aulas no Colégio de Aplicação (1957) e as impressões do entrevistado; dificuldades na transição do primário para o ginasial e a reação dos pais à repetência do 2º ano ginasial.
Fita 2-A: Decisão de continuar no CAp.; colegas e professores; impressões da família sobre o novo colégio; sociabilidade maior com os alunos mais adiantados, introdução às atividades políticas; participação no jornal A Forja; presença de pessoas ligadas ao Partido Comunista Brasileiro (PCB) no colégio; repressão do colégio às atividades do jornal (1958); comentários sobre os perfis ideológicos dos professores, segundo sua área; clima de debate político na segunda metade da década de 1950; a primeira manifestação, em função da renúncia de Jânio Quadros (1961); ligação do colégio com o movimento universitário; participação do entrevistado na delegação do CAp. ao Congresso da Associação Municipal de Estudantes Secundaristas (AMES), em 1962; a Caixa Escolar e o Clube de Geografia como espaços de atividades paralelas à vida escolar; leituras e primeiros contatos com o marxismo; estudos do curso clássico; a influência dos professores com posicionamento de esquerda; comentários sobre a formação do irmão do entrevistado, no Colégio Militar, e sua entrada na Escola de Sociologia e Política da Pontifícia Universidade Católica (PUC), 1961; relação com o pai a partir dos posicionamentos políticos assumidos pelos filhos.
Fita 2-B: Discurso de formatura do CAp. proferido pelo entrevistado; presença de militantes nas turmas mais novas; discussões sobre Cuba, especialmente no período da crise dos mísseis; comentários sobre a força política do grupo de militantes dentro do colégio; relação entre discussões políticas e vida social; influência do entrevistado e do grupo mais velho sobre os alunos novos; relação com as organizações políticas; ligações do entrevistado com os movimentos estudantis secundarista e universitário; cursos no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), ainda estudante do CAp.; recusa do entrevistado em entrar em organizações, a percepção da sua condição de elite; a visão do PCB pelos estudantes do CAp.; comentários sobre a Ação Popular (AP); abordagem das questões sexuais entre os alunos; influência do existencialismo, leitura de Sartre; divergências entre alunos e professores e composição social do colégio; leitura e discussão de psicanálise entre os estudantes.

2ª Entrevista 23/01/1986
Fita 3-A: Atuação política das mulheres; comentários sobre a atuação da Juventude Estudantil Católica (JEC) no CAp; perfil do jornal A Forja; diferenças entre os grupos de alunos do CAp.: estudantes dos cursos clássico e científico, alunos egressos de outros colégios e alunos antigos; a influência dos diferentes professores na formação dos alunos; descrição do funcionamento das aulas e dos estudos em geral, critérios de avaliação.
Fita 3-B: Contradição no CAp.: proposta progressista, com setores conservadores e repressores; discussão entre os alunos sobre as possibilidades de carreira, principais opções; diferentes atitudes dos alunos em relação ao CAp.; opção da carreira pelo entrevistado, preocupação em manter a atuação política; entrada na Faculdade Nacional de Filosofia (1965); choque na transição do colégio para a faculdade; impressões sobre a faculdade, os professores e os colegas; atuação do entrevistado e influência dos grupos políticos na faculdade; rumos seguidos por antigos alunos do CAp; a decisão do projeto de ser intelectual e o casamento em detrimento da atuação política.
Fita 4-A: Comparação entre os professores do CAp. e da faculdade; comentários sobre o curso de antropologia e os professores do entrevistado; comentários sobre as relações no CAp.: diferenças entre professores e alunos, rede de relações e cooperação entre os alunos, ISEB como espaço de sociabilidade; proximidade do entrevistado com o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), durante a faculdade; principais organizações políticas e ativistas na faculdade; comentários sobre carreira, militância e os processos sofridos pelo irmão do entrevistado; contato com pessoas da luta armada; comentários sobre filme produzido com Carlos Diegues, sobre a vida universitária (1966/1967); o primeiro trabalho publicado pelo entrevistado (1967), na área de sociologia da arte; ligação do entrevistado com a editora Zahar; mudanças no CAp., impostas pela ditadura.
Fita 4-B: Politização e participação na luta armada de antigos alunos do CAp.; o papel do colégio na formação de uma elite intelectual, suas características e sua relação com o Estado; divisão entre atividade intelectual e atuação política; particularidades do CAp. em relação a outros colégios de elite: presença marcante de judeus; comentários sobre a vida social; filmes vistos na juventude; comentários sobre a situação do colégio e do país durante e depois do período do entrevistado.
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