Hugo Jorge Monteiro

Entrevista

Hugo Jorge Monteiro

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por sua trajetória profissional. Destacou-se por seu trabalho no Instituto de Química Agrícola, vinculado ao Ministério da Agricultura. Trabalhou no Centro de Pesquisa de Produtos Naturais (CPPN) e chefiou o Departamento de Química do Instituto de Ciências Exatas da Universidade de Brasília (UnB).
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Nadja Vólia Xavier
Ricardo Guedes Pinto
Data: 19/5/1977
Local(ais):
Brasília ; DF ; Brasil

Duração: 6h30min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Hugo Jorge Monteiro
Nascimento: 3/7/1938; Cachoeiro de Itapemirim; ES; Brasil;

Formação: Farmácia pela Faculdade Nacional de Farmácia da Antiga Universidade do Brasil (1961): PHD em Química pela Universidade de Stanford, nos EUA (1966).
Atividade: Trabalhou no laboratório de controle da Companhia S. S. White (1958); trabalhou no Instituto de Química Agrícola, como bolsista do Ministério da Agricultura (1960); trabalhou no Centro de Pesquisa de Produtos Naturais (CPPN) da UFRJ, como bolsista do CNPq (1966-1968); foi professor do instituto de biofísica da UFRJ, do curso de pós-graduação do departamento de química da mesma universidade e do curso de engenharia química do Instituto Militar de Engenharia (IME); foi contratado como químico pesquisador pela Zoecon Corporation, em Stanford (1969-1970); foi professor da escola de engenharia de São Carlos (USP) (1971); retornou ao CPPN (1971-1972); foi professor colaborador pela Universidade de Brasília (UnB) (1972); chefiou o departamento de química do instituto de ciências exatas da UnB (1972); foi nomeado professor titular da Universidade (1973).

Equipe

Levantamento de dados: Patrícia Campos de Sousa;
Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Atividade acadêmica;
Bolsas de estudo e de pesquisa;
Carreira acadêmica;
Centros de pesquisa;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
Desenvolvimento científico e tecnológico;
Empresas multinacionais;
Ensino superior;
Estados Unidos da América;
Farmácia;
Formação profissional;
História da ciência;
Hugo Jorge Monteiro;
Importação;
Indústria;
Instituições acadêmicas;
Intercâmbio cultural;
Mercado de trabalho;
Metodologia de pesquisa;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política científica e tecnológica;
Pós - graduação;
Química;
Universidade de Brasília;

Sumário

Sumário da entrevista:
Fita1: os primeiros estudos e o interesse pela pesquisa química; o início da vida profissional como desenhista; a contratação pela S. S. White e o ingresso na Faculdade Nacional de Farmácia; o início da atividade laboratorial no Instituto de Química Agrícola, sob a orientação de Walter Mors; as pesquisas de Carl Djerassi sobre a química de produtos naturais brasileiros; a evolução da química orgânica: a importância inicial da química de produtos naturais e a atual ênfase na química sintética e no estudo dos mecanismos; o desenvolvimento da química de produtos naturais no Brasil; as atuais linhas de pesquisa nessa área; a produção científica de Carl Djerassi; o curso da Faculdade Nacional de Farmácia; a experiência laboratorial do entrevistado; a demissão da S. S. White e a obtenção de bolsa do Ministério da Agricultura; o doutorado na Universidade de Stanford; o intercâmbio entre os químicos brasileiros na época; a pesquisa química brasileira contemporânea; a produção científica do Departamento de Química do Instituto de Ciências Exatas da UnB: a publicação de trabalhos em revistas internacionais; os entraves ao desenvolvimento da pesquisa química no país: o difícil acesso aos materiais, a carência de técnicos especializados, a inexistência de massa crítica, a atuação paternalista das agências governamentais de amparo à pesquisa, as debilidades do ensino graduado e pós-graduado; o doutoramento na Universidade de Stanford: a orientação de Djerassi; a qualidade dos cursos pósgraduados brasileiros e a importância da formação de pesquisadores no exterior.

Fita 2: o interesse pela química sintética e os trabalhos realizados no Centro de Pesquisa de Produtos Nacionais (CPPN) da UFRJ; o convite para lecionar na UnB e a visita a essa universidade; o "professor itinerante" da UnB e o pesquisador-conferencista do CNPq; a especialização na Universidade de Colúmbia, sob a orientação de Gilbert Stork; a contratação pela Zoecon Corporation: o contato com o sistema industrial norte-americano; a química pura e a química aplicada; a contratação pela Escola de Engenharia de São Carlos (USP) e a volta ao CPPN em 1971; a admissão pelo Departamento de Química do Instituto de Ciências Exatas da UnB; os entraves ao desenvolvimento científico do país; as contribuições de Otto Gottlieb, Walter Mors e Gilbert Stork à química brasileira; a experiência como docente da Escola de Engenharia de São Carlos; a importância do intercâmbio entre os pesquisadores; a atual política científica brasileira; a evasão de cérebros e o programa do "pesquisador retornante" do CNPq; o inbreeding na universidade brasileira e a importância da especialização de pesquisadores no exterior; a utilização dos recursos destinados à pesquisa científica no Brasil; as restrições às importações e suas conseqüências para o trabalho científico; as linhas de pesquisa do Departamento de Química do Instituto de Ciências Exatas da UnB; a situação atual da química no Brasil: a inexistência de massa crítica; a opção do entrevistado pela publicação de trabalhos em revistas internacionais; a indústria farmacêutica nacional.

Fita 3: as condições de pesquisa no Brasil e nos EUA; a importância da pesquisa interdisciplinar; a química orgânica sintética no Brasil; o desenvolvimento da química nos EUA; a experiência como professor do IME e do curso de pós-graduação do CPPN; as debilidades da formação do universitário brasileiro: as conseqüências da massificação do ensino graduado e pós-graduado no país; a absorção dos melhores alunos pela indústria química; o preenchimento de cargos nas universidades após a Reforma Universitária de 68; a proliferação de cursos de pós-graduação em química e a falta de mercado de trabalho para os pós-graduados; a função social do cientista; o desenvolvimento da química brasileira: a influência de H. Rheinboldt e de H. Hauptmann, as principais linhas de investigação; a situação da físico-química, da química inorgânica e da química teórica no Brasil; a linha de pesquisa de Simão Mathias.

Fita 4: a atuação do antigo e do novo CNPq; as restrições às importações no país e suas conseqüências para o trabalho científico; os recursos e as condições de trabalho da UnB; a gestão de Jasvant Mahajan no Departamento de Química da UnB; a nomeação de Hugo Jorge Monteiro para a chefia desse departamento em 1972; sua experiência como administrador; as atividades docentes, científicas e administrativas desenvolvidas pelo entrevistado na UnB; a importância da vinculação do ensino à pesquisa; as bibliotecas da UnB; a pesquisa científica na universidade e nos institutos isolados; a experiência com pesquisador da Zoecon Corporation; o bloqueio da Food and Drug Administration (MA) à ação das indústrias químicas multinacionais nos Estados Unidos e a instalação de laboratórios de pesquisas dessas empresas no Brasil; a dependência tecnológica nacional; a revolução da química na década de 50; os principais centros de pesquisa química do mundo; a superespecialização do químico contemporâneo; a poluição de publicações; a importância do intercâmbio entre a comunidade científica: o papel da SBPC, da Academia Brasileira de Ciências e das revistas internacionais.
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