Jacques Danon

Entrevista

Jacques Danon

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por sua vida profissional.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Ricardo Guedes Pinto
Carla Costa
Data: 14/7/1977 a 19/7/1977
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 4h30min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Jacques Abulafia Danon
Nascimento: 23/8/1924; Santos; SP; Brasil;

Formação: Química pela Escola Nacional de Química da antiga Universidade do Brasil, atual UFRJ (1947).
Atividade: Foi bolsista do Centre National de la Recherche Scientifique, no laboratório Curie do Instituto do Rádio (1948); freqüentou os cursos de matemática geral, radioatividade, eletrônica e métodos matemáticos da física, ministrados na Faculdade de Ciências da Universidade de Paris (1949-1951); foi expulso da França em maio de 1952; foi contratado como pesquisador assistente do centro de física nuclear na Universidade Livre de Bruxelas, Bélgica (1952); foi assistente de Augusto Lopes Zamith no departamento de Físico-química da Escola Nacional de Química e lecionou nesta escola no período de 1953 a 1959; foi professor titular e chefe do departamento de química nuclear do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), 1960; organizou e coordenou o Instituto de Química da Universidade de Brasília (UNB) no período de 1962-1964; chefiou o departamento de física molecular e estado sólido do CBPF (1963); dirigiu o centro (1968-1970); foi nomeado professor titular dos cursos de pós graduação em física da UFRJ (1968).

Equipe

Levantamento de dados: Patrícia Campos de Sousa;
Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

América Latina;
Anistia política;
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico;
Bolsas de estudo e de pesquisa;
Carlos Lacerda;
Carreira acadêmica;
Centros de pesquisa;
Ciência e tecnologia;
Comunismo;
Congressos e conferências;
Conselho de Segurança Nacional;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
Crises políticas;
Darcy Ribeiro;
Desenvolvimento científico e tecnológico;
Ensino superior;
Escola Nacional de Química;
Estado Novo (1937-1945);
Estados Unidos da América;
Europa;
Exportação;
Faculdade Nacional de Filosofia;
Financiadora de Estudos e Projetos;
Física;
Formação profissional;
França;
Golpe de 1964;
Governo João Goulart (1961-1964);
História da ciência;
Instituições acadêmicas;
Instituições científicas;
Intercâmbio cultural;
Jacques Danon;
Jorge Amado;
Marxismo;
Metodologia de pesquisa;
Ministério das Relações Exteriores;
Missão científica;
Partidos políticos;
Pensamento político;
Perseguição política;
Pesquisa científica e tecnológica;
Petrobras;
Política científica e tecnológica;
Política energética;
Política externa;
Política nuclear;
Pós - graduação;
Professores estrangeiros;
Química;
Recursos minerais;
Redemocratização;
Reforma administrativa;
Segunda Guerra Mundial (1939-1945);
Sistema educacional;
Universidade de Brasília;
Universidade de São Paulo;

Sumário

Sumário da 1ª entrevista:
Fita1: origem familiar e a escolha da carreira científica; os primeiros estudos nos Colégios Anglo Americano e Andrews; a opção pela química: a influência de Ênio Leitão, o interesse pela mineralogia; as freqüentes visitas ao Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM); a expansão do DNPM durante a guerra: a contratação de Fritz Feigl e de Hans Zocher; a influência desses cientistas em sua formação; as linhas de pesquisa do Laboratório de Produção Mineral daquele departamento; o desprestígio do físico no Brasil antes da guerra; o curso de química industrial da Escola Nacional de Química da Universidade do Brasil: o corpo docente, a inexistência de atividades científicas; o desenvolvimento da engenharia química no país após a criação da COPPE e da Petrobrás; o ensino de física na Escola Nacional de Química e na Escola Politécnica do Rio de Janeiro: os limites da escola francesa; a Segunda Guerra Mundial e o início da física moderna no Brasil: a contratação de Giuseppe Occhialini e de Gleb Wataghin pela USP, a criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF); a influência de Augusto A. Lopes Zamith e de João Cristóvão Cardoso em sua carreira; a formação dos físicos e dos químicos de sua geração; o ambiente cultural do país durante o Estado Novo: a influência alemã; o papel da Faculdade Nacional de Filosofia: centro de debates políticos, culturais e filosóficos e de difusão das idéias democráticas; o grupo de estudos de filosofia com Plínio Sussekind da Rocha e Álvaro Vieira Pinto; o contato com a filosofia marxista após o término da guerra; a influência das idéias marxistas na comunidade de físicos brasileiros; a transferência para a França em 1948; a convivência com Jorge Amado, Carlos Scliar, Mário Schenberg e com os meios intelectuais franceses de esquerda; o contato com Frédéric e Irene Joliot-Curie e o ingresso no Laboratório Curie do Instituto do Rádio; o papel deste instituto no desenvolvimento da física francesa no após-guerra; a especialização em radioatividade com Irene Joliot-Curie; a influência do Partido Comunista Francês nos meios intelectuais e científicos; a participação em campanhas contra as perseguições políticas na América Latina e a expulsão da França em 1952, juntamente com Jorge Amado, Carlos Scliar e outros nomes da cultura brasileira; a experiência na França: a publicação de trabalhos em revistas internacionais, os cursos de especialização; a contribuição de Mário Schenberg à física brasileira; a influência do macarthismo sobre o ambiente científico europeu: a questão nuclear e a exoneração de Joliot da Comissão de Energia Atômica Francesa; o ambiente do Centro de Física Nuclear da Universidade Livre de Bruxelas; a volta ao Brasil em 1952; a formação científica e a orientação política dos jovens pesquisadores treinados nos EUA e na Europa; o ingresso no CBPF e a imediata demissão dessa instituição, por ordem do Conselho de Segurança Nacional; a política nuclear brasileira no início dos anos 50; o convite de Washington Amorim para ministrar um curso de radioatividade na UFPE; as relações com Cesare Lattes; o posicionamento político-social do entrevistado; a influência de Ricardo de Carvalho Ferreira em sua carreira; a química na USP: os limites da escola de Rheinboldt; o retorno à Escola Nacional de Química como assistente de Zamith; os trabalhos de radioquímica realizados na Escola de Química; a produtividade dos físicos brasileiros formados na Europa; a liberalização política no final dos anos 50: a obtenção de bolsa do CNPq, a indicação para integrar a Academia Brasileira de Ciências e o retorno ao CBPF; a crise do CBPF em 1954: o desfalque de Álvaro Biffini e a exploração política do caso por Carlos Lacerda; as rivalidades entre físicos teóricos e físicos experimentais no CBPF; a captação de recursos para o Centro através do prestígio político de seus pesquisadores; a participação da SBPC nos debates sobre a questão energética; o afastamento de Álvaro Alberto da presidência do CNPq; o rompimento das relações entre o CNPq e o CBPF em 1954; a oposição de Cesare Lattes à política nuclear defendida por Álvaro Alberto; a campanha dos físicos contra a exportação do tório; a eleição de Darcy Ribeiro para a presidência do CBPF; o apoio da Fundação Ford ao CBPF e à Universidade do Brasil; o início de suas pesquisas sobre o efeito Mössbauer.

Fita 2: ciência pura e ciência aplicada; a repercussão internacional de seus trabalhos sobre o efeito Mössbauer; a "superespecialização" dos físicos formados no exterior e as dificuldades de sua readaptação às condições de pesquisa do país; os recursos do CBPF e a importância de sua vinculação à universidade; a produção científica do CBPF no início da década de 60: a ênfase na física teórica; a física teórica e a física experimental; a participação do entrevistado na organização da UnB; o modelo da UnB; a gestão de Darcy Ribeiro; o intercâmbio científico com grandes universidades norte-americanas; o fim do auxílio do governo dos EUA à UnB durante o governo de João Goulart; a missão brasileira enviada à URSS e a vários países do Leste Europeu, com o objetivo de trocar o café brasileiro por equipamentos científicos; a oposição dos conservadores à nova universidade; a nomeação do almirante Otacílio Cunha para a direção do CBPF após a revolução de 64; a repercussão internacional dos trabalhos de Danon sobre o efeito Mössbauer: o livro publicado nos EUA e na URSS; a anistia do governo francês em 1966; o contato com Mössbauer; a participação na Conferência do Ministério das Relações Exteriores sobre a Energia Nuclear (1966), a convite do embaixador Sérgio Correia da Costa; a política nuclear defendida pelo ltamarati e a orientação imposta pelo Conselho de Segurança Nacional; a substituição a Hervásio de Carvalho na direção científica do CBPF em 1968; o auxílio do BNDE ao programa de pós-graduação do CBPF; a aposentadoria compulsória de José Leite Lopes, Jayme Tiomno, Mário Schenberg e Elisa Frota Pessoa da UFRJ; a demissão desses cientistas do CBPF em 1969 e a opção de Danon, então diretor-científico do Centro, pela manutenção das atividades da instituição; a incorporação do CBPF ao CNPq; o programa de intercâmbio científico entre o CNPq e a Academia de Ciências dos EUA; os desentendimentos entre Danon e a missão de professores norte-americanos enviada ao CBPF; a conseqüente crise entre o Centro e o CNPq; a pesquisa científica na universidade e nos institutos isolados: as divergências com Jayme Tiomno; o incentivo do BNDE e da Finep à incorporação do CBPF e demais centros de pesquisa isolados ao sistema universitário; a instabilidade financeira do CBPF e sua incorporação ao CNPq em 1976; a contribuição do entrevistado ao desenvolvimento da física experimental no Brasil.

Sumário da 2ª entrevista:
Fita 3: a fundação do CBPF; suas relações com a UFRJ e com a UnB; o credenciamento dos cursos de pós-graduação do CBPF pelo Conselho Federal de Educação; a valorização e massificação do ensino superior no Brasil e suas conseqüências para os centros de pesquisa isolados; a orientação das agências de amparo à ciência: a ênfase na pós-graduação; a pesquisa científica na universidade e nos institutos isolados; a crise do CBPF no início dos anos 70: o fim do apoio financeiro do BNDE, as tentativas de incorporação à UFRJ e às Faculdades Isoladas do Estado da Guanabara (FEFIEG); a criação do CBPF e do CNPq: a influência de Cesare Lattes e de Álvaro Alberto; as finalidades do Centro e seu rompimento com o CNPq em 1954; as descobertas de Lattes e a contribuição deste cientista à consolidação do CBPF; a crescente burocratização do CBPF, sobretudo após sua incorporação ao CNPq; a natureza "artesanal" e "libertária" da atividade científica e a incompatibilidade entre pesquisadores e administradores; a experiência da Unicamp; a carreira de pesquisador na universidade brasileira; o papel da Academia Brasileira de Ciências, da SBPC e da Sociedade Brasileira de Física; as linhas de pesquisa da física brasileira: a influência da ciência internacional; a importância da geofísica e da geoquímica no Brasil: a experiência do Instituto de Física e Química da Universidade da Bahia; o papel do administrador científico; o antagonismo entre administradores e cientistas; o prestígio político de nossos administradores; os critérios de avaliação da produtividade dos cientistas e das instituições; os limites do poder dos pesquisadores no CBPF; a captação de recursos para o Centro: o prestígio pessoal dos físicos e a crescente importância do administrador; a contribuição política, social e científica do CBPF; a situação atual dessa instituição.
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