Jayme Tiomno

Entrevista

Jayme Tiomno

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por ter sido fundador e professor titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), além de ter reorganizado e coordenado o Instituto de Física da Universidade de Brasília (UnB).
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Ricardo Guedes Pinto
Márcia Bandeira de Mello Leite Ariela
Carla Costa
Data: 26/4/1977 a 9/5/1977
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 2h15min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Jayme Tiomno
Nascimento: 16/4/1920; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação: Física pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (1941); mestre em Física pela Universidade de Princeton, nos EUA (1949); doutor em Física pela mesma Universidade (1950).
Atividade: Foi assistente de Joaquim Costa Ribeiro na cadeira de física geral e experimental da Faculdade Nacional de Filosofia (1942); foi contratado como assistente das cadeiras de física superior e mecânica racional da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP; trabalhou com Gleb Wataghin e Mário Schenberg (1947); fundou e foi professor titular do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), 1952; foi assistente da cadeira de física teórica, regida por José Leite Lopes na faculdade Nacional de Filosofia da UFRJ (1953); foi professor visitante no departamento de física do Imperial College de Londres (1959); foi professor adjunto de física superior da faculdade de Filosofia; reorganizou e coordenou o Instituto de Física da Universidade de Brasília (1965-1966); obteve a cátedra de física superior da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP (1967); teve seus direitos políticos cassados pelo AI-5 (1968); foi professor visitante do Instituto de Altos Estudos e do departamento de física da Universidade de Princeton (1971); foi professor associado pela PUC- RJ(1972).

Equipe

Levantamento de dados: Patrícia Campos de Sousa;
Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Bolsas de estudo e de pesquisa;
Carreira acadêmica;
Centros de pesquisa;
Ciência e tecnologia;
Crises políticas;
Darcy Ribeiro;
Denúncia política;
Desenvolvimento científico e tecnológico;
Desenvolvimento industrial;
Ensino superior;
Estados Unidos da América;
Física;
Formação de professor;
Governo João Goulart (1961-1964);
História da ciência;
Instituições acadêmicas;
Intercâmbio cultural;
Jânio Quadros;
Jayme Tiomno;
Juscelino Kubitschek;
Metodologia de pesquisa;
Minas Gerais;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política educacional;
Pontifícia Universidade Católica;
Pós - graduação;
Professores estrangeiros;
Rio de Janeiro (estado);
São Paulo;
Universidade de São Paulo;
Universidade do Brasil;
Universidade do Distrito Federal;
Universidade do Estado da Guanabara;
Universidade Federal do Rio de Janeiro;

Sumário

Sumário da 1ª entrevista:
Fita 1: os pioneiros da física no Brasil: Luís Freire, Gleb Wataghin, Bernhard Gross e Francisco Magalhães Gomes; o ingresso no curso de física da Universidade do Distrito Federal; o desenvolvimento da física no RJ e em SP: as contribuições de Wataghin, Gross, Joaquim Costa Ribeiro e Luiz Sobrero; a contratação de professores estrangeiros pelas Faculdades de Filosofia da USP e da Universidade do Brasil; a criação da UDF e sua extinção em 1939; a contribuição de Francisco Magalhães Gomes ao desenvolvimento da física em Belo Horizonte; a expansão da física no Brasil; a formação universitária de Jayme Tiomno; sua experiência como assistente de Costa Ribeiro na Faculdade Nacional de Filosofia; o interesse pela física teórica e a transferência para a USP em 1947: o contato com Mário Schenberg e Wataghin; o intercâmbio entre a Faculdade Nacional de Filosofia e a Faculdade de Filosofia da USP; o papel da Academia Brasileira de Ciências em sua época; o contato com Marcelo Damy, Paulus Pompéia, Oscar Sala, Cesare Lattes e José Goldemberg; a contratação pela USP e a ida para os EUA; a bolsa da Fundação Zerrener, obtida em 1946; a pós-graduação na Universidade de Princeton: os trabalhos publicados com John Wheeler e Eugen Wigner sobre a física de partículas elementares; a volta ao Rio de Janeiro em 1952 como professor titular do CBPF; a contratação como assistente de José Leite Lopes pela Faculdade Nacional de Filosofia; os entraves à realização de pesquisas científicas na universidade brasileira; a resistência da Faculdade Nacional de Filosofia à implantação do regime de tempo integral e à criação do CBPF como órgão independente da estrutura universitária; o treinamento de alunos da Faculdade Nacional de Filosofia no CBPF; a organização do Instituto de Física da UnB, em colaboração com Roberto Salmeron e Elisa Frota Pessoa; a crise da UnB em 1965 e a saída de Zeferino Vaz de sua direção; a demissão de Tiomno e de outros docentes da UnB durante a gestão de Laerte de Carvalho; o Instituto de Física da UnB após a crise; a gestão do almirante Otacílio Cunha no CBPF; a obtenção da cátedra de física superior da USP; a organização do grupo de pesquisas em física teórica nessa universidade; a aposentadoria compulsória de Tiomno e de outros professores da USP; o auxílio dos professores visitantes estrangeiros à manutenção dessa universidade; a volta à Universidade de Princeton em 1971.

Fita 2: a contratação pela PUC-RJ e a organização do grupo de pesquisas sobre relatividade geral; a criação do CBPF, sob a liderança de João Alberto; os órgãos deliberativos e as instalações do CBPF; os recursos: o auxílio do CNPq até 1954 e a dotação permanente aprovada na Câmara Federal, por iniciativa de Juscelino Kubitschek; o prestígio internacional do CBPF; a decadência dessa instituição e a evasão de seus pesquisadores; o apoio de Jânio Quadros; a crise do CBPF em 1954: o desfalque de Álvaro Biffini e a denúncia pública do caso por Cesare Lattes; as conseqüências da crise: o fim do auxílio financeiro do CNPq, o afastamento de Álvaro Alberto da presidência desse órgão; a situação do CBPF durante o governo João Goulart: a gestão de Darcy Ribeiro; a eleição de Otacílio Cunha para a presidência do CBPF em 1964; os demais presidentes do CBPF; o afastamento de Tiomno e de outros pesquisadores durante a gestão de Otacílio Cunha; as tentativas de incorporação do CBPF à Universidade do Brasil, à Universidade do Estado da Guanabara e à UnB; as administrações de João Alberto e Otacílio Cunha no CBPF: a relação com os cientistas; a instabilidade do Centro e a importância de sua incorporação a uma universidade; o apogeu e a decadência do CBPF; a luta dos cientistas pela criação do Ministério de Ciência e Tecnologia; as relações do CBPF com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).

Fita 3: as relações do CBPF com o Instituto de Energia Atômica da USP; o contato com Richard Feynman e a vinda deste cientista para o Brasil; a contratação de Guido Beck pelo CBPF; o treinamento e aproveitamento dos alunos da Faculdade Nacional de Filosofia pelo CBPF; a atuação e os trabalhos de Joaquim Costa Ribeiro.

Sumário da 2ª entrevista:
Fita 3 (continuação): as linhas de pesquisa do CBPF; o desenvolvimento da física do estado sólido no Brasil: o apoio do CNPq e dos físicos teóricos; a física teórica e a física experimental no país; a contribuição da física do estado sólido para o desenvolvimento industrial; o Instituto de Física da UFRJ; o apogeu e a decadência do CBPF; as expectativas do governo brasileiro na aplicação dos resultados das pesquisas científicas; a importância da ciência para o desenvolvimento tecnológico e industrial do país; a física nuclear no Brasil; a política de patentes; a experiência do entrevistado como catedrático da USP: o apoio recebido da FAPESP; o papel da Sociedade Brasileira de Física; a pós-graduação nas universidades e nos institutos de pesquisa isolados; o programa de pós-graduação do CBPF: o convênio com a UFRJ; pesquisa básica e pesquisa aplicada; a importância da interação entre a ciência e a tecnologia: o papel da universidade, dos institutos de tecnologia e da indústria; as relações universidade-indústria no Brasil: a experiência da Unicamp; a regulamentação da pós-graduação no país e suas conseqüências para a formação do pesquisador; a implantação da estrutura departamental na UnB; a Reforma Universitária de 68: a imposição do modelo da UnB a nível nacional; a produção científica do entrevistado no Brasil e no exterior; a descoberta do quark e sua importância para a evolução da física; a importância dos vôos espaciais e da física nuclear para o desenvolvimento tecnológico do país; a experiência de Tiomno na UnB, na USP e na Faculdade Nacional de Filosofia; o programa de pós-graduação do CBPF.

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