João Alberto Meyer

Entrevista

João Alberto Meyer

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por sua trajetória profissional na área da física. Foi pesquisador pelo Instituto de Física da Universidade de Pádua, Itália (1995); integrou a equipe de físicos do Centro de estudos nucleares de Saclay, em Paris. O entrevistado foi ainda professor titular do Instituto de Física da UNICAMP e consultor científico do CNPq e da FINEP.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Nadja Vólia Xavier
Ricardo Guedes Pinto
Data: 11/5/1977 a 23/5/1977
Local(ais):
Campinas ; SP ; Brasil

Duração: 5h30min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: João Alberto Meyer
Nascimento: 8/4/1925; Danzing; --; Polônia;

Formação: Física na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP (1946).
Atividade: Trabalhou como operário na Orquima, Indústria Química Paulista até 1943; foi auxiliar de Ensino do Departamento de Física da faculdade de Filosofia da USP (1948); estudou na Escola Politécnica de Paris com bolsa da UNESCO (1951-1953); foi pesquisador pelo Instituto de Física da Universidade de Pádua, Itália (1955); integrou a equipe de físicos do Centro de Estudos Nucleares de Saclay, em Paris (1956); chefiou o serviço de câmara de bolhas (1966-1969); foi professor visitante da USP (1959, 1962 e 1965) e do instituto de Física e Matemática da Universidade da Bahia (1966); foi contratado como físico superior do Centre Européen de Recherches Nucléaires (CERN), Suíça (1969); membro vitalício desse centro (1972); foi professor titular do Instituto de Física da Unicamp (1975); foi consultor científico do CNPQ e da FINESP (1975); consultor da UNESCO para assuntos de energia solar e das centrais energéticas de São Paulo (CESP) (1978).

Equipe

Levantamento de dados: Patrícia Campos de Sousa;
Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Acordo Nuclear Brasil - Alemanha (1975);
Ademar de Barros;
Armamentos;
Centros de pesquisa;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
Desenvolvimento científico e tecnológico;
Ecologia;
Empresa Brasileira de Telecomunicação;
Energia nuclear;
Ensino superior;
Estados Unidos da América;
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São Paulo;
Financiadora de Estudos e Projetos;
Física;
Formação profissional;
História da ciência;
Indústria;
Inglaterra;
Instituições acadêmicas;
João Alberto Meyer;
Matemática;
Mercado de trabalho;
Metodologia de pesquisa;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política científica e tecnológica;
Política nuclear;
Segunda Guerra Mundial (1939-1945);
Subdesenvolvimento;
Universidade de São Paulo;
Universidade Federal da Bahia;

Sumário

Sumário da 1ª entrevista:
Fita 1: a transferência para o Brasil; os estudos secundários em São Paulo; as dificuldades econômicas de sua família e o início da vida profissional como operário da Orquima; o interesse pela química e o ingresso no curso de física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP; a influência de Pavel Kromholz em sua formação; Gleb Wataghin e o início da física moderna no Brasil; a contribuição de Marcelo Damy à física brasileira; o Departamento de Física da Faculdade de Filosofia da USP: o corpo docente, a relação entre alunos e professores, os seminários noturnos de Mário Schenberg, a ênfase na física moderna; o grupo de estudos nas residências de Wataghin e dos irmãos Leal Ferreira; o prestígio da física no Brasil durante a guerra: a contribuição do Departamento de Física da USP; André Weil e o Departamento de Matemática da USP; a matemática de Luigi Fantappié e a de Zariski; o relacionamento com Schenberg e Wataghin; a Segunda Guerra Mundial e o desenvolvimento da física brasileira; a participação dos físicos no esforço bélico; o desenvolvimento científico dos EUA e da Inglaterra após o término do conflito; o sucesso de Cesare Lattes no exterior e suas repercussões na comunidade científica brasileira; o apoio de Ademar de Barros ao Departamento de Física da USP; a volta de Wataghin à Itália para chefiar o Instituto de Física da Universidade de Turim; o corpo docente do Departamento de Física da USP; a contratação de David Bohm e sua influência entre os físicos brasileiros; o papel da ciência nos países subdesenvolvidos; o mito da energia nuclear no Brasil.

Fita 2: o treinamento de pesquisadores no exterior: a política do CNPq e da FAPESP; a demissão da USP e a contratação pela Universidade de Pádua; a construção da Câmara de Bolhas, nessa universidade, e o convite para integrar o Centro de Pesquisas Nucleares de Saclay; os trabalhos realizados com a Câmara de Bolhas; a experiência como pesquisador do Centre Européen de Recherches Nucléaires (CERN); a ciência nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos; a física brasileira: sua desvinculação dos problemas nacionais; o programa de pesquisa sobre fontes alternativas de energia elaborado para a Finep em 1972; as possibilidades da energia solar no Brasil; a demissão do CERN e a volta ao Brasil como professor titular da Unicamp; o papel do físico na sociedade brasileira; a física argentina: o programa nuclear; o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha: a exclusão da comunidade científica dos debates; a resistência dos cientistas europeus à instalação de novos reatores nucleares; as possibilidades da energia solar no país; a política nuclear brasileira: a interferência estrangeira, a participação dos cientistas; a visita ao Brasil em 1968, a convite de José Leite Lopes, para analisar o projeto de instalação de um acelerador linear na UFRJ; o contato com Bautista Vidal e a colaboração na organização do Instituto de Física e Matemática da Universidade da Bahia; a situação atual desse instituto: o acordo de colaboração científica com a França; as relações com Leite Lopes; o fracasso do projeto de Leite Lopes de estabelecimento de um centro de pesquisas nucleares no Rio de Janeiro; o desenvolvimento de novos métodos de secagem do cacau: a barcaça solar; a crescente importância da ecologia.

Sumário da 2ª entrevista:
Fita 3: o ensino de física no Brasil: a física moderna e a física clássica; as atividades desenvolvidas pelo entrevistado na Unicamp; o desenvolvimento acelerado da ciência contemporânea; a habilidade técnica dos jovens cientistas; a "personalidade neurótica" dos cientistas: o mito do gênio; a massificação do ensino superior no Brasil e a redução do mercado de trabalho para os jovens universitários; o interesse pela filosofia e a opção pela física; a dedicação à física teórica e à física experimental; a filosofia da ciência; as rivalidades entre a comunidade de físicos; a contribuição de Hans Stammreich à física brasileira; a vinda de David Bohm e Stammreich para o Brasil; o contato com a Finep, através de José Pelúcio Ferreira e Bautista Vidal; a responsabilidade social dos cientistas; a crescente importância da ecologia; a utilização da física para fins militares; o papel da ciência; ciência pura e ciência aplicada; a orientação da Finep; a participação nos simpósios sobre energias alternativas organizados por esse órgão; o grupo de energia da Finep; a opção pela Unicamp; as pesquisas realizadas nessa universidade: o apoio da Finep.

Fita 4: a atuação da Finep; a assessoria prestada a esse órgão; a orientação de José Pelúcio Ferreira na Finep; o contato inicial com o CNPq; a atuação como consultor científico desse Conselho; o CNPq e a Finep; a FAPESP: as finalidades, o sistema de financiamento, os recursos, os assessores; a elaboração de políticas científicas; a falta de apoio governamental às ciências sociais; os entraves ao desenvolvimento científico do país: a ausência de massa crítica; o Instituto de Física da Unicamp: o corpo docente, as linhas de investigação, o auxílio da Finep, o convênio com a Telebrás, os projetos de pesquisa; a participação, como representante do CNPq, no estabelecimento do convênio de colaboração científica entre o Brasil e a França; a SBPC, a Sociedade Brasileira de Física, a Academia Brasileira de Ciências e a Academia de Ciências de São Paulo; a importância da interação entre cientistas e industriais; o auxílio da Finep às inovações industriais; as aplicações da energia solar.

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