Jorge Oscar de Mello Flores II

Entrevista

Jorge Oscar de Mello Flores II

Entrevista realizada no contexto do projeto "A Atividade de Seguros no Brasil", desenvolvido entre 1996 e 1998, na vigência do convênio entre o CPDOC-FGV e a Funenseg. Esta entrevista subsidiou a elaboração do livro: ENTRE A SOLIDARIEDADE e o risco: história do seguro privado no Brasil / Coordenadora: Verena Alberti. Rio de Janeiro: Editora Fundação Getulio Vargas, 1998. Rio de Janeiro, Editora Fundação Getulio Vargas, 1998. Foi precedido de uma entrevista preliminar. O entrevistado também gravou um depoimento em vídeo, tratando, resumidamente, dos mesmos temas aqui abordados. A escolha do entrevistado se justificou por ser executivo de diversas seguradoras brasileiras e por ser um profissional com mais de cinqüenta anos de experiência no mercado.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Maria Antonieta Parahyba Leopoldi
Teresa Cristina Novaes Marques
Data: 2/12/1996 a 28/1/1997
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 6h20min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Jorge Oscar de Mello Flôres
Nascimento: 6/5/1912; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Falecimento: 31/7/2000; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação: Doutorado em Ciências Físicas e Matemáticas na Escola Politécnica (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro); faculdade de Engenharia Geográfica e Civil na Escola Politécnica.
Atividade: Executivo de diversas empresas brasileiras; presidente do Sindicato das Seguradoras do Estado do Paraná; membro-fundador e presidente da Fundação Getúlio Vargas (1992-2000).

Equipe

Levantamento de dados: Maria Antonieta Parahyba Leopoldi;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Maria Antonieta Parahyba Leopoldi;

Conferência da transcrição: Teresa Cristina Novaes Marques;

Copidesque: Leda Maria Marques Soares;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Sumário: Teresa Cristina Novaes Marques;

Temas

Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico;
Bancos comerciais;
Companhias de seguro;
Energia elétrica;
Fundação Getulio Vargas;
Jorge Oscar de Melo Flores;
Mercado financeiro;
Política energética;
Política nacional;
Seguros;
Sistema financeiro;
Sul América Seguros;
Ulysses Guimarães;

Sumário

1ª Entrevista: formação intelectual e raízes familiares; o convívio com um tio comunista; as manifestações de habilidade matemática na juventude; passagem pela Escola Politécnica e convívio com professores e colegas; ingresso no Conselho de Águas e Energia, em 1939: apresentação de um projeto de regulamentação do Código de Águas; ingresso na Comissão de Mobilização Econômica durante a guerra e posterior ingresso no Dasp; a queda do Estado Novo e a incompatibilização com o governo Linhares; a indicação para integrar a Comissão de Planejamento Econômico, onde convive com Eugênio Gudin e Roberto Simonsen, dentre outros; a participação na criação da Fundação Getulio Vargas e os primeiros tempos dessa entidade; a carreira docente: catedrático da cadeira de hidráulica em 1949; convite simultâneo para trabalhar no grupo Sul América; a assessoria ao BNDE no período do governo JK, participando de discussões em torno da criação de uma indústria de material elétrico no país; a criação do Fundo Nacional de Eletrificação, em parte com recurso de seguradoras privadas e institutos de previdência social; a disputa em torno das aplicações de provisões técnicas das companhias seguradoras chega ao nível de ministério; a importância do título debênture conversível em ações para a preservação dos interesses das seguradoras quanto às aplicações das provisões técnicas; a interferência do BNDE no estabelecimento dos critérios de aplicações de investimentos de seguradoras; o conflito entre a Sul América e o BNDE; a participação da FGV na elaboração da Lei de Previdência Scial de 1963; participação na elaboração do Decreto- Lei n° 200, juntamente com Hélio Beltrão e Simões Lopes, e as dificuldades de conciliar os interesses das forças armadas; a participação no Conselho Monetário Nacional entre 1978 e 1981, na qualidade de consultor especial para assuntos do mercado de capitais; críticas ao sistema nacional de habitação no tempo do BNH; a participação na Federação de Bancos, Fenaban; sua atuação como conselheiro do Conselho Nacional de Seguros Privados e Capitalização, entre 1967 e 1969: a indicação de Castelo Branco e o veto de Costa e Silva; as disputas no CNSPC em torno dos critérios para aplicações de provisões técnicas; a situação crítica do sistema segurador no final dos anos 60 e a questão das provisões técnicas.
A trajetória do grupo Sul América desde o fim do século XIX; o surgimento da Sul América Capitalização; o surgimento do Banco Hipotecário Lar Brasileiro e as peculiaridades desse empreendimento; os conflitos entre o Banco Lar Brasileiro e a Sumoc; a inflação crescente dos anos 50 e o setor de capitalização; as práticas do mercado de capitalização; os deslocamentos de posições dos ramos de seguros dentro do grupo Sul América; a sustentação das carteiras de capitalização através de aplicações rentáveis e o esgotamento dessa estratégia em face da aceleração inflacionária; a trajetória profissional no grupo Sul América; a importância da passagem pelo Dasp para o conhecimento das operações contábeis; a importância da Sul América Capitalização no mercado brasileiro; perfil do comprador de títulos de capitalização; o título de capitalização como instrumento de crédito privado; a sustentação da Sul América Capitalização apesar da pressão inflacionária; o acúmulo de funções também na Sul América Seguros a partir de 1957; o surgimento de novos setores dentro do grupo Sul América; o ingresso dos bancos no mercado de seguros e a posição da Sul América frente ao Bradesco.

2ª Entrevista: a participação no Sindicato das Seguradoras da Guanabara e, depois, na Fenaseg; o impacto da estatização dos seguros de acidentes de trabalho sobre o mercado segurador; a interferência do BNDE sobre a aplicação de provisões técnicas e a disputa judicial entre a Sul América Capitalização e esse banco; comentário sobre a Companhia Nacional de Seguros Agrícolas; a atuação no Sindicato das Seguradoras em defesa de interesses das companhias; o ingresso no Sindicato de Bancos da Guanabara em 1962; o conflito com João Goulart em torno de uma greve de bancários e as repercussões políticas desse episódio, inclusive com a ameaça de intervenção no sindicato; a proposta de reforma bancária do Plano Trienal; o surgimento do Ipês: as primeiras reuniões na Casa de Rui Barbosa; o papel do Ipês nas eleições de 1962; o papel da Conclap na criação do Ipês; o surgimento do Ibad e sua atuação; a relação entre o Ipês e a Ação Democrática Parlamentar no Congresso Nacional.
A trajetória do Banco Hipotecário Lar Brasileiro e a venda do controle acionário para o Chase Manhatan Bank: razões que levaram à venda; o problema de liquidez do Banco Lar Brasileiro; a relação entre o Banco Lar Brasileiro e o mercado imobiliário do Distrito Federal nos anos 30 e 40; a participação na empresa Crédito Comercial S.A., Sociedade de Crédito e Financiamento; a elaboração da reforma bancária durante a gestão de Otávio Bulhões no Ministério da Fazenda e de Roberto Campos no do Planejamento; a comissão encarregada de elaborar a reforma bancária e a proposta de Dênio Nogueira de reestruturação do setor; a ausência de representantes paulistas na comissão que elaborou a reforma bancária; comentário sobre Ulisses Guimarães; as dificuldades de aprovação da reforma bancária no Congresso, gerando a necessidade de intervenção direta dos interessados junto aos parlamentares; o papel de Thales José de Campos na elaboração do Decreto-Lei n° 73, em 1966; a relação entre o Estado e o mercado segurador; a ruptura com a direção da Fenaseg em 1967 por força da estatização dos seguros de acidentes do trabalho; ingresso no CNSP e atuação como conselheiro: a discussão em torno da Resolução 92 do Banco Central; o surgimento da seguradora Sasse na Caixa Econômica Federal; a questão da correção monetária sobre o pagamento de sinistros; a participação na Associação dos Exportadores Brasileiros nos anos 70; participação na União Brasileira de Empresários nos anos 80 e a tentativa de se preparar propostas comuns para a Constituinte de 1988; o papel de Albano Franco no esvaziamento do movimento; comentário sobre João Batista Leopoldo Figueiredo, Paulo Aires e Antônio Galloti; a formulação de uma proposta para o mercado de capitais durante o governo Geisel; visão dos rumos atuais do mercado segurador: como ficaria o IRB no novo cenário; a expansão da Sul América no mercado internacional; a extinção da Comissão de Tarifas dentro do IRB em 1968.

3ª entrevista: Atividades profissionais no setor público durante os anos 30 e 40 e a passagem para o mundo privado iniciada pela participação da constituição da Fundação Getulio Vargas. Os primeiros tempos da Fundação Getulio Vargas: ênfase no departamento de ensino e nos núcleos de economia e administração; a passagem para o setor privado por meio de convite para a direção da Cia. Sul América Capitalização; atividades profissionais como engenheiro no início da vida profissional: avaliação e fiscalização de obras para Institutos de Previdência, Banco do Brasil, entre outros; o ingresso na Divisão de Organização do DASP; a transferência à sua revelia para a Divisão de Pessoal do DASP, lá permanecendo por pouco tempo; a chegada à Sul América Capitalização e a introdução nesta companhia de métodos administrativos trazidos de sua experiência no setor público; a posição da Sul América Capitalização no conjunto da Cia. Sul América, o enfrentamento da questão das provisões técnicas insuficientes; o impacto da ascensão inflacionária em meados dos anos 50 sobre a capitalização; um comportamento característico do mercado de capitalização em trocar planos antigos por novos, prejudicando os consumidores, enquanto que a Sul América Capitalização seguia um padrão diferente, buscando cobrir os déficits de sobrecarga por meio de aplicações adequadas; os variados tipos de consumidores de capitalização nos anos 50 e a capitalização como alternativa aos que não podiam comprar seguros de vida; a dimensão da Sul América Capitalização no mercado brasileiro e internacional; a transferência para a Sul América Terrestres em 1957 para apaziguar uma crise interna da empresa; a difícil relação entre o Banco Hipotecário Lar Brasileiro e a Sumoc. A vulnerabilidade de um banco imobiliário em termos de liquidez. A alternativa da emissão de debêntures sendo vetada pela Sumoc; a gestão de Garrido Torres na Sumoc no início dos anos 60 e a tentativa de se estabelecer um diálogo entre o Banco Hipotecário e a Sumoc; avaliação da situação de liquidez do Banco Hipotecário e a associação com o Banco Chase para injetar capital. A redefinição do perfil do novo banco, desmontando a carteira imobiliária e investindo na carteira comercial; o papel do título debênture conversível em ações na preservação dos interesses das seguradoras quanto à aplicação de provisões técnicas. O surgimento da Cia. Nacional de Seguros Agrícolas em 54 e a subscrição compulsória do capital da companhia pelas empresas seguradoras privadas; a interferência do estado sobre o setor de seguros nos anos 50 e a necessidade de articular a defesa dos interesses do setor junto ao Congresso Nacional; o conflito com o BNDE acerca das provisões técnicas e o conflito com o PTB sobre a proposta de estatização dos seguros de acidente de trabalho; atuação em entidades de classe: a Associação Bancária do Rio de Janeiro, a FENASEG e a Federação Nacional de Bancos; o surgimento do Comando Geral Empresarial durante o governo Goulart, que se definia por ser uma organização de empresários de diversos setores que se reuniam para fazer avaliações semanais de conjuntura; a dissolução do Comando Geral Empresarial pelo governo Geisel; a atuação da Conferência das Classes Produtoras (CONCLAP) dando origem ao IPES e ao IBAD; influências do tio do entrevistado que era adepto do comunismo; comentário sobre o IPES; a crise provocada pela greve dos bancários e o diálogo com o presidente João Goulart. A solução do impasse através de um abono salarial trimestral; comentário sobre a inserção de Golbery no IPES como articulador do movimento político-militar de 1964; a participação do IPES no financiamento de campanhas de deputados e governadores em 1962; o início do Governo Castelo Branco e a saída de Mello Flores do IPES por desentendimentos internos; os percalços na aprovação da Lei de Remessas de Lucros em 1965. Após ter sido rejeitada na Comissão de Economia da Câmara dos deputados, o grupo (Roberto Campos, Raimundo Padilha, Senador Mem de Sá e Mello Flores) mudou a estratégia para aprovar o projeto na Comissão de Finanças e, posteriormente, em plenário; a participação na reforma bancária de 1965 como articulador do grupo de elaboração da proposta e como articulador junto ao Congresso visando obter a sua aprovação; comentários sobre a instituição da correção monetária sobre provisões técnicas, prêmios e sobre os ativos; a discussão em torno da incidência da correção monetária entre a ocorrência do sinistro e o momento da indenização; a estatização dos seguros de acidentes de trabalho pelo ministro Jarbas Passarinho em 1967; o impacto da estatização dos acidentes de trabalho sobre o setor segurador. Tendo sido maior sobre as grandes empresas do mercado; a regulação dos seguros de automóveis compensando a perda dos acidentes de trabalho; o papel do Brigadeiro Eduardo Gomes na perseguição a Celso da Rocha Miranda ao cassar as linhas da PanAir; a atuação do entrevistado como conselheiro do CNSP: a regulamentação do Decreto-Lei 73; a defesa dos interesses das seguradoras quanto aos critérios de aplicação de provisões técnicas instituídos pelo Banco Central; a organização da UBE em 1977; um balanço da relação entre as companhias de seguros e os bancos; comentários sobre a associação da Atlântica Boavista com o Bradesco e sobre sua ruptura; a associação da Sul América com o Unibanco; um balanço da atuação do IRB: desde o sistema de monopólio até a desregulamentação do mercado em curso no presente momento; opinião pessoal sobre as transformações que passava o mercado segurador brasileiro à época da entrevista.
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