José Goldemberg I

Entrevista

José Goldemberg I

Entrevista realizada no contexto do projeto "História da ciência no Brasil", desenvolvido entre 1975 e 1978 e coordenado por Simon Schwartzman. O projeto resultou em 77 entrevistas com cientistas brasileiros de várias gerações, sobre sua vida profissional, a natureza da atividade científica, o ambiente científico e cultural no país e a importância e as dificuldades do trabalho científico no Brasil e no mundo. Informações sobre as entrevistas foram publicadas no catálogo "História da ciência no Brasil: acervo de depoimentos / CPDOC." Apresentação de Simon Schwartzman (Rio de Janeiro, Finep, 1984). A escolha do entrevistado se justificou por sua vida profissional. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Física e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, e Secretário de Ciência e Tecnologia da Presidência da República.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Tjerk Franken
Nadja Vólia Xavier
Ricardo Guedes Pinto
Simon Schwartzman
Carla Costa
Data: 29/11/1976 a 30/11/1976
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 6h45min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: José Goldemberg
Nascimento: 27/5/1928; Santo Ângelo; RS; Brasil;

Formação: Bacharel em Física da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP (1950); doutor em Ciências Físicas pela mesma Faculdade (1954).
Atividade: Foi assistente da cadeira de física geral e experimental da Faculdade de Filosofia da USP (1951); especializou-se em física nuclear na Universidade de Saskatchewan, em Saskatoon, canadá (1952-1953); foi pesquisador visitante do Departamento de Física da Universidade de Illinois, nos EUA (1953); foi assessor científico da delegação brasileira à I conferência internacional sobre o uso pacífico da energia atômica, realizada em Genebra (!955); foi professor do curso de física dos reatores, organizado pelo CNPq, na capital paulista (1956); livre-docente da cadeira de física geral e experimental da faculdade de filosofia da USP (1957); foi nomeado catedrático interno de física, em substituição a Marcelo Damy (1957); estagiou no departamento de física da Universidade de Illinois, EUA (1958); foi professor visitante do instituto de física de São Carlos, de Bariloche, Argentina (1961); foi pesquisador associado do laboratório de física de altas energias da Universidade de Stanford, nos EUA, com bolsa da OEA (1962); retornou à USP (1964); especializou-se em física nuclear na universidade autônoma do México (1965); foi professor associado pela Faculdade de Ciências da Universidade de Paris; foi professor associado da faculdade de filosofia da USP e assessor da diretoria técnico-científica do CNPq (1966); conquistou a cátedra de física geral da escola politécnica da USP (1967); foi professor titular do instituto de física da USP (1969); dirigiu esse instituto (1970-1974); chefiou a divisão de física nuclear do instituto de energia atômica da USP (1971-1972); gerenciou o programa de geração e oferta de tecnologia do departamento de cooperação científica e tecnológica do BNDE (1974-1975); integrou o comitê assessor de física do CNPq (1975); foi reitor da USP (1986-1989) ; foi Secretário de Ciência e Tecnologia do Governo Federal (90-91); foi Ministro da Educação Governo Federal (91-92); foi Secretário de Meio Ambiente do Governo Federal (92).

Equipe

Levantamento de dados: Patrícia Campos de Sousa;
Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Temas

Acordo Nuclear Brasil - Alemanha (1975);
Atividade acadêmica;
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico;
Biologia;
Carreira acadêmica;
Catolicismo;
Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq);
Desenvolvimento científico e tecnológico;
Empresas Nucleares Brasileiras S.A.;
Energia nuclear;
Ensino secundário;
Ensino superior;
Financiadora de Estudos e Projetos;
Física;
Formação profissional;
História da ciência;
Instituições acadêmicas;
Instituições científicas;
Intercâmbio cultural;
Jânio Quadros;
José Goldemberg;
Livro didático;
Mão de obra;
Mercado de trabalho;
Nacionalismo;
Pesquisa científica e tecnológica;
Política científica e tecnológica;
Política energética;
Política nuclear;
Pós - graduação;
Positivismo;
Professores estrangeiros;
Química;
Recursos minerais;
Universidade de Brasília;
Universidade de São Paulo;

Sumário

Sumário da 1ª entrevista:
Fita 1: origem familiar; os primeiros estudos em Porto Alegre; a influência do professor Cardoso em sua formação: o contato com o catolicismo e o humanismo; a motivação para a carreira científica; as dificuldades financeiras de sua família e a transferência para São Paulo; a formação secundária no Colégio Estadual Júlio de Castilhos: a influência positivista, o sistema de ensino, o curso de física e o interesse por essa ciência; a atração pela teoria comteana da organização racional do mundo; o prestígio das Faculdades de Filosofia, Ciências e Letras da USP e da UFRGS; o interesse pela física atômica e o ingresso no curso de química da Faculdade de Filosofia da USP em 1946; o início da vida profissional como datilógrafo; as debilidades do curso de química da USP: a influência da escola alemã; as divergências com Rheinboldt e Hauptmann e o abandono do curso ainda em 1946; o recrutamento dos professores estrangeiros da USP e o desenvolvimento da física e da química no país; o ingresso no curso de física da Faculdade de Filosofia da USP: o contato com Marcelo Damy e Gleb Wataghin; o curso de Wataghin e a contribuição desse cientista à física; a natureza da atividade científica e a importância da publicação de trabalhos em revistas internacionais; o "nacionalismo" dos jovens físicos; as rivalidades entre Damy e Wataghin e suas conseqüências para a formação do entrevistado; a física teórica e a física experimental; a contratação como assistente de Damy na Faculdade de Filosofia da USP e as primeiras pesquisas realizadas com o bétatron; o contato com David Bohm e sua teoria de mecânica quântica; o bétatron do Departamento de Física da USP; a pós-graduação na Universidade de Saskatchewan: as debilidades de sua formação teórica, a orientação de Leon Katz, as pesquisas sobre reações fotonucleares, a publicação de trabalhos em revistas internacionais; a repercussão de seus trabalhos nos EUA; a construção do primeiro monocromador, na Universidade de Illinois; a volta à USP e o doutoramento em 1954; os discípulos de Wataghin: Mário Schenberg, Cesare Lattes e Marcelo Damy; os recursos do Departamento de Física da USP; os discípulos de José Goldemberg; o Programa de Átomos para a Paz de Eisenhower: a crítica da comunidade de físicos; a opção de Damy pela aquisição do reator nuclear norte-americano.

Fita 2: o programa nuclear de São Paulo e o de Belo Horizonte; as divergências da orientação de Damy no Departamento de Física da USP; a atuação do CNPq e da Finep; a experiência como pesquisador associado da Universidade de Stanford; a produção dos primeiros aceleradores lineares e os trabalhos de Hofstadter sobre o formato dos núcleos atômicos; as pesquisas de Goldemberg com o acelerador linear Mark II da Universidade de Stanford: a determinação das medidas do magnetismo atômico; a relevância de seus trabalhos; a física teórica e a física experimental; o regresso ao Brasil em 1964: o ambiente pré-revolucionário; a experiência como gerente do BNDE; a repercussão internacional de seus trabalhos; a experiência como professor associado da Universidade de Paris; a dependência tecnológica nacional e o papel social da ciência no Brasil; o ensino de física nas Escolas de Engenharia e o prestígio dessas instituições de ensino; a resistência das escolas tradicionais à criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP; a obtenção da cátedra de física geral da Escola Politécnica da USP; o apoio à Reforma Universitária de 68; a nomeação para implantar e dirigir o Instituto de Física da USP; a experiência como administrador; a participação na Sociedade Brasileira de Física; a importância da participação dos cientistas na direção das instituições científicas e das agências governamentais de financiamento à ciência; o recrutamento de professores estrangeiros pela USP; a administração da ciência: a experiência de Sérgio Rezende na UFPE e a de Cesare Lattes no CBPF; a atuação de Goldemberg no BNDE; a influência dos físicos na política nuclear brasileira; a expansão e a situação atual do Instituto de Física da USP: o programa de pós-graduação; a formação dos jovens engenheiros; o prestígio da Escola Politécnica da USP; a influência dos cientistas na formulação e implementação da política científica nacional; ciência e política; a distribuição dos recursos governamentais entre as diversas ciências; a gestão de Zeferino Vaz na Unicamp; a contribuição da FAPESP e da Finep ao desenvolvimento científico do país; a administração de Marcelo Damy no Instituto de Física da USP; as atividades desenvolvidas pelo entrevistado na USP após 1970.

Sumário da 2ª entrevista:
Fita 3: as finalidades iniciais da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP e sua contribuição ao desenvolvimento científico e cultural do país; o modelo da UnB e o apoio dos cientistas paulistas a essa universidade; a reforma da USP: a participação da comunidade acadêmica, a resistência das escolas tradicionais, a extinção da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e a criação dos institutos centrais; o movimento de contra-reforma; a Congregação da Faculdade de Filosofia da USP; a crise dessa faculdade durante o governo de Jânio Quadros; os debates acerca do papel da universidade no desenvolvimento tecnológico nacional; a estrutura da Universidade do Brasil: o papel da Faculdade Nacional de Filosofia; a crítica dos estudantes à Reforma Universitária de 68; as revoluções da física e da biologia no século XX; a participação política e social dos físicos e demais cientistas brasileiros; Robert Oppenheimer e a descoberta da bomba atômica; a atuação contestatória dos físicos; a dependência tecnológica nacional e o papel social da universidade: os posicionamentos de Goldemberg e de Leite Lopes; a crise energética e a produção da energia nuclear; os programas nucleares norte-americano, soviético, francês, inglês e canadense; o início do programa brasileiro: a aquisição de reatores de pesquisa norte-americanos; a oposição de Goldemberg à estratégia governamental: a defesa de um programa nacional de desenvolvimento nuclear com base no urânio natural; a dissolução do "grupo do tório" pela Comissão Nacional de Energia Nuclear; Donald Richter e o programa nuclear argentino; a repercussão das críticas de Goldemberg ao reator da Westinghouse e a opção do governo brasileiro pelo acordo com a Alemanha; a assessoria governamental na área energética.

Fita 4: estratégias para a independência tecnológica do país: a contratação de especialistas estrangeiros; o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha e suas repercussões na comunidade científica: a reunião anual da SBPC de 1975; as conseqüências da incorporação do Instituto de Pesquisas Radioativas da UFMG à Nuclebrás; a atuação do Instituto de Energia Atômica da USP: a vinculação à Comissão Nacional de Energia Nuclear, a gestão de João Ribeiro Pieroni; o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha e o programa nacional de capacitação de mão-de-obra: o projeto proposto pela Sociedade Brasileira de Física e a criação do Pronuclear; a resistência da CNEN e da Nuclebrás à implementação desse programa; o monopólio do urânio enriquecido pelos EUA e pela URSS e suas conseqüências para o desenvolvimento da tecnologia nuclear nas demais nações; o apoio de Goldemberg e de José Israel Vargas ao Acordo Nuclear Brasil-Alemanha; a atual política nuclear brasileira: as orientações do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério das Minas e Energia; a dependência tecnológica nacional e o posicionamento da comunidade científica; a participação do entrevistado na conferência da OEA sobre o problema energético; a criação da Sociedade Brasileira de Física; a organização, os recursos, e as publicações dessa entidade; suas relações com a SBPC; a aposentadoria compulsória de Leite Lopes, de Schenberg e de Tiomno em 1969 e a resposta da Sociedade Brasileira de Física; a gestão do entrevistado nessa sociedade: as divergências com a nova geração de físicos; ciência e política; o mercado de trabalho para os jovens físicos na universidade, na indústria, no magistério secundário e nos institutos de pesquisa; o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo; o auxílio das agências governamentais de financiamento à física e à engenharia; as contribuições do Departamento de Física da USP às demais instituições brasileiras de física; a decadência desse departamento após a saída de Wataghin e o prestígio alcançado pelo CBPF; as gestões de Damy e Schenberg no Departamento de Física da USP; a situação atual do Instituto de Física da USP: as pesquisas em física nuclear, o intercâmbio com instituições científicas nacionais e estrangeiras.

Fita 5: a qualidade dos cursos de doutoramento em física existentes no país; a política do governo brasileiro de incentivo à pós-graduação de pesquisadores no exterior; o sistema de financiamento da Finep, do CNPq e do BNDE: a prioridade às pesquisas aplicadas; a avaliação e o controle da produtividade dos pesquisadores: os seminários científicos e a publicação de trabalhos em revistas internacionais; o desenvolvimento da ciência brasileira: a atuação das agências financiadoras do governo; os recursos do Instituto de Física da USP: o apoio da Finep; o mercado do livro didático no Brasil; os livros-texto de ciências adotados no país; a falta de apoio ao autor nacional.

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