Orígenes Lessa

Entrevista

Orígenes Lessa

Esta entrevista é parte integrante de uma série de depoimentos realizados pela Associação Brasileira de Imprensa (ABI) entre 1977/1979 e doadas ao CPDOC em 15/08/1996. A escolha do entrevistado se justifica por seus trabalhos e contribuições em diversos meios de comunicação e por ter sido eleito, em 9 de julho de 1981, para a cadeira nº 10 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Osvaldo Orico.
Forma de Consulta:
Entrevista em áudio disponível na Sala de Consulta do CPDOC.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Não há informação
Data: 5/7/1977
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 0h45min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Orígenes Lessa
Nascimento: 12/7/1903; Lençóis Paulista; SP; Brasil;

Falecimento: 13/7/1986; Rio de Janeiro; RJ; Brasil;

Formação: Nível superior incompleto.
Atividade: Colaborou e trabalhou em diversos veículos de comunicação, tendo feito sua estréia nos jornaizinhos escolares, com 12 ou 13 anos. Tentou, sem continuidade, diversos cursos superiores. Ingressou como tradutor no departamento de propaganda da General Motors, que teria grande influência na sua vida profissional: tornar-se-ia um dos publicitários de maior renome do país. Tomou parte ativa na Revolução Constitucionalista em 1932. Em 42, fixou-se em Nova York trabalhando no Coordinator of Inter-American Affairs, tendo sido redator da NBC em programas irradiados para o Brasil. Regressou ao Rio de Janeiro em meados de 43. Escritor, com uma obra bastante extensa, publicou, entre outros: "rua do sal" (prêmio Carmen Dolores Barbosa - romance); "o escritor proibido" (contos); "garçon, garçonette, garçonnière" (menção honrosa da Academia Brasileira de Letras); "o feijão e o sonho" (romance - prêmio António de Alcântara machado, 15 edições com mais de 200.000 exemplares vendidos); "9 mulheres" (contos - prêmio Fernando Chinaglia); "o evangelho de lázaro" (romance - prêmio Luíza Cláudia de Souza do Pen Club do Brasil, 1972); e "beco da fome". Incursionou pela literatura infanto-juvenil com muito sucesso, publicando oito ou dez volumes, um dos quais, "memórias de um cabo de vassoura", bateu a vendagem de "o feijão e o sonho". Seus contos têm sido traduzidos para o inglês, espanhol, romeno, tcheco, alemão, árabe, hebraico, e várias vezes radiofonizados, não só no Brasil, mas também na Polônia.Foi eleito em 9 de julho de 1981 para a cadeira n. 10 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Osvaldo Orico. Casado com Elsie lLssa, jornalista, é pai do escritor Ivan Lessa.

Equipe


Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Sumário: Julio Augusto Nassar Alencar;

Temas

Associação Brasileira de Escritores;
Comunismo;
Ditadura;
História da imprensa;
Imprensa;
Jornalismo;
Literatura;
Partido Comunista Brasileiro - PCB;
Política;

Sumário

Entrevista: 5.7.1977

Fita 1-A: Considerações sobre autores esquecidos da literatura e do jornalismo do Rio de Janeiro (RJ): Benjamin Constallat, Manuel Teotônio de Lacerda Freire Filho "Théo Filho", Paulo Barreto "João do Rio"; menção do caráter literário e brilhante das reportagens antigas, em contraste com o aspecto atual mais objetivo e profissional; comentário sobre a demissão do entrevistado da General Motors do Brasil durante a crise econômica do início da década de 1930; referência ao trabalho com propaganda que desenvolveu durante mais de 40 anos (1932-1976) e que foi sua principal fonte de subsistência; considerações sobre sua atividade literária a partir de 1932: colaboração na condição de contista em jornais e revistas, edição de seus escritos em antologias nacionais e estrangeiras, livros e a prática da republicação dos contos; explicações sobre suas atividades durante o período que passou nos Estados Unidos da América (EUA) em 1942-1943: jornalismo de correspondente internacional literário e colaboração na condição de contista no Estado de São Paulo e em O Globo; referência ao livro Ok, América (1945) que resultou de uma reunião das principais reportagens feitas pelo entrevistado durante o período que passou nos EUA; lembranças da reportagem que fez em Nova York (EUA) com os sobreviventes do torpedeamento e naufrágio do cargueiro a vapor Gonçalves Dias (24-5-1942): a confirmação dos boatos de deserção entre os marinheiros brasileiros, que passavam a tripular navios estadunidenses para Murmansk na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS); impressões sobre a agitação política em 1935-1942: maior engajamento do que nos dias atuais, opressão governamental e um movimento dos militantes oposicionistas para a extrema esquerda comunista; referência do entrevistador ao semanário A Marcha em 1935, cuja redação era composta por Caio Prado Júnior, Francisco Mangabeira, Rubem Braga, Carlos Frederico Werneck de Lacerda, Newton Freitas e que tinha como ilustrador Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo "Di Cavalcanti"; considerações sobre a atividade política do entrevistado: a militância dentro do movimento literário na diretoria da Associação Brasileira de Escritores (ABDE) durante parte das décadas de 1930 e 1940, e sua relação pessoal com o movimento comunista; longo relato de um episódio em que os comunistas manipularam a eleição para a diretoria da ABDE e o entrevistado, apesar de membro da chapa vitoriosa e aliado aos comunistas, opôs-se à fraude e forçou a renúncia e a convocação de novo pleito; reflexão sobre o predomínio de comando dos comunistas no âmbito dos movimentos associativos, inclusive na ABDE; observações sobre a ética comunista; impressões sobre Graciliano Ramos de Oliveira e sua participação no episódio da eleição manipulada; menção da participação da nata da intelectualidade comunista no episódio dessa eleição: Astrogildo Pereira, Dalcídio Jurandir, Pedro Mota Lima; referência a obras de autoria do entrevistado lançadas até 1932: O escritor proibido (1929), Garçon, garçonnette e garçonnière (1930) e A cidade que o diabo esqueceu (1931).

Fita 1-B: Menção da influência modernista em A cidade que o diabo esqueceu (1931); repercussão editorial de outro livro do entrevistado: O feijão e o sonho (1938); referência à quantidade de livros que publicou: 40 ao todo, sendo mais de 20 volumes dedicados à literatura infantil; longas explicações sobre o seu direcionamento para a literatura infantil na década de 1970: efeito de uma experiência surpreendentemente positiva de contato com os alunos do Colégio Pedro Álvares Cabral em Copacabana, Rio de Janeiro, para falar sobre O feijão e o sonho (1938), resultando nas tentativas posteriores do entrevistado de criar livros mais adequados que pudessem substituí-lo nas salas aula; repercussão editorial de suas obras Memórias de um cabo de vassoura (1971) e Confissões de um vira-lata (1972); considerações críticas sobre o mercado editorial brasileiro: dificuldade para a publicação das obras e precariedade da remuneração dos autores; ressalvas e explicações sobre a relação do entrevistado com a editora Edição de Ouro: os contratos envolvendo livros de bolso e outras utilizações das obras, a divisão dos lucros e a regularidade dos pagamentos; opinião sobre as perspectivas do Brasil e dos brasileiros no momento da ditadura política: dimensão coletiva e esfera individual; diferenças entre o autoritarismo do Estado Novo e a ditadura militar após o Golpe de 1964.
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