Suzana Keniger Lisbôa

Entrevista

Suzana Keniger Lisbôa

Entrevista realizada no contexto do projeto “Arqueologia da reconciliação: formulação, aplicação e recepção de políticas públicas relativas à violação de direitos humanos durante a ditadura militar”, desenvolvido pelo CPDOC em convênio com a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e parceria com a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, entre maio de 2014 e setembro de 2015. O projeto visa, a partir das entrevistas cedidas, a criação de um banco de entrevistas com responsáveis por políticas públicas relativas à violação de direitos humanos durante a ditadura militar.
Forma de Consulta:
Entrevista em texto disponível para download.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Dulce Chaves Pandolfi
Angela Moreira Domingues da Silva
Data: 15/10/2014 a 4/12/2014
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 9h46min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Suzana Keniger Lisbôa
Formação:
Atividade: Militante da Ação Libertadora Nacional - ALN; fundadora do Partido dos Trabalhadores (PT); funcionária da bancada do PT no Rio Grande do Sul; representante da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos (1979/1989); integrante da Comissão de Cidadania e de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul - CCDH/ALERS (1994/2010); membro da Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República (1995/2005).

Equipe


Transcrição: Lia Carneiro da Cunha;

Técnico Gravação: Ninna Carneiro;

Temas

Aliança Libertadora Nacional;
América Latina;
Anistia Internacional;
Anistia política;
Arquivos públicos;
Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988;
Assuntos familiares;
Atividade profissional;
Carlos Lamarca;
Chile;
Civis e militares;
Congresso Nacional;
Cuba;
Departamento de Ordem Política e Social - DOPS;
Direitos humanos;
Diretas já (1984);
Ditadura;
Estado e sociedade;
Exílio;
Família;
Frei Betto (Carlos Alberto Libânio Christo);
Getúlio Vargas;
Governo Fernando Henrique Cardoso (1995-1998);
Governo Fernando Henrique Cardoso (1999-2002);
Governo Luiz Inácio Lula da Silva (2003 - 2010);
José Anselmo dos Santos;
Legislação;
Luiza Erundina de Sousa;
Militância política;
Militares e estado;
Movimento estudantil;
Nelson Jobim;
Partido Comunista Brasileiro - PCB;
Políticas de arquivo;
Rede Globo;
Regime militar;
Repressão política;
Rio de Janeiro (cidade);
São Paulo;
Sociedade civil;
Superior Tribunal Militar;
Teotônio Vilela;
Tortura;
Vladimir Herzog;

Sumário

1º entrevista: 15.10.2014

Arquivo 1: Data e local de nascimento; origem judaica da família; morte do pai em 1967; ingresso no Colégio Estadual Júlio de Castilhos; a participação do irmão na Campanha da Legalidade; lembranças do dia da morte de Getúlio Vargas; a participação na manifestação contra a proibição da minissaia no colégio e a decorrente intimação do DOPS; a militância estudantil com o futuro marido Luiz Eurico Tejera Lisbôa; a eleição de Luiz André Fávero à presidente da União Gaúcha de Estudantes Secundaristas; primeira prisão de Luiz Eurico e de Cláudio Antonio Weyne Gutiérrez; o casamento com Luiz Eurico; as dificuldades com os estudos; o trabalho em uma sinagoga e, posteriormente, no Banco do Estado do Paraná; primeiros contatos com Frei Beto e militância na Aliança Libertadora Nacional (ALN); o julgamento de Luiz Eurico e a sua entrada para a clandestinidade; a morte de Marighela; a prisão do Frei Beto; a clandestinidade; a conversa com Frei Beto após a Anistia; a viagem para São Paulo e, posteriormente, para Montevidéu; o encontro com Joaquim Câmara Ferreira; o encontro com Zilda Xavier Pereira; a ida e o treinamento em Cuba; os problemas de saúde que teve durante o treinamento em Cuba; a passagem por Roma e pelo Chile; o retorno ao Brasil em 1971; a dissidência da ALN, dando origem ao Movimento de Libertação Popular (Molipo); o retorno a Porto Alegre e o encontro com o irmão de Luiz Eurico, Nei Lisboa; breve referência ao livro “Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo”, de Mário Magalhães; a volta para São Paulo; o desaparecimento de Luiz Eurico; as tentativas de obter alguma informação sobre o paradeiro de Luiz Eurico; a certeza de que ele havia sido preso; a reação da família de Luiz Eurico sobre seu desaparecimento; os problemas de se falar da sua militância; a ida para o Rio de Janeiro; o momento em que soube do desaparecimento de Wilson Silva, marido de Ana Rosa Kucinski; as listas de desaparecidos do Comitê Brasileiro pela Anistia; a decisão de não ir ao primeiro Congresso da Anistia, sob orientação do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh; referência a Sérgio Soares Xavier Ferreira e seus primeiros contatos com o movimento dos familiares; o contato com a família; o contato com Antônio Modesto da Silveira; referência ao militante, então condenado Moacir Urbano Villela; a informação falsa obtida a partir de Otávio Medeiros, de que Luiz Eurico estava vivo; o contato com Iara Xavier Pereira e a descoberta de corpos de militantes desaparecidos no Cemitério Municipal Dom Bosco, no distrito de Perus, São Paulo; o momento em que, buscando o nome de Luiz Eurico no livro de indigentes do cemitério, encontrou o seu codinome, Nelson Bueno; os outros nomes encontrados, inicialmente, no livro: Antônio Bicalho Lana, Sonia Maria de Morais Angel Jones, Luiz José da Cunha, Elder José Gomes Goulart, entre outros; as investigações para confirmar que Nelson Bueno era Luiz Eurico.

Arquivo 2: Informação falsa de que o Luiz Eurico estivesse vivo; a criação de um comitê para buscar corpos de desaparecidos políticos nos cemitérios; o fato de terem encontrado o corpo de Pedro Pomar e de outros militantes; a percepção de que estava sendo seguida quando buscava os corpos dos desaparecidos; a denúncia do encontro do corpo de Luiz Eurico no dia da votação da Anistia no Congresso Nacional, em 22 de agosto de 1979; o texto “Eis aqui o paradeiro de dois desaparecidos” no qual anunciava que havia encontrado os corpos de Luiz Eurico e Dênis Casemiro, escrito pela entrevistada e por Ivan Seixas; a relação com Teotônio Vilela e sua atuação junto ao movimento de familiares; a manifestação no Congresso e a reação de Jarbas Passarinho e Cantídio Sampaio, contrários aos manifestantes; como foi tomada a decisão de anunciar a descoberta dos corpos de desaparecidos; os critérios de classificação de desaparecidos feito pela entrevistada e outros militantes do movimento de familiares; a resistência dos militantes do PCB de que o nome dos seus desaparecidos estivessem junto dos nomes de desaparecidos da esquerda armada; o encontro com Diogenes de Arruda Camara, Na reunião dos familiares durante o Segundo Congresso da Anistia; mais informações sobre o critério para a entrada na lista de desaparecidos; os casos de dúvida sobre colocar ou não o nome na lista; menção à militante Jane Vanini, amiga da entrevistada, morta no Chile; a mudança da legislação a respeito do que caracteriza um desaparecido; as dificuldades de acessar os atestado de óbito no cartório do Jardim América; o encontro do inquérito de Luiz Eurico sob o nome Nelson Bueno, onde consta fotos do seu corpo; o processo de retificação de registro de óbito de Luiz Eurico; a primeira exumação assistida pela entrevistada, no cemitério de Perus; a desconfiança dos laudos do IML, por ter sido feitos sob direção de Harry Shibata; as dificuldades impostas pelo delegado Francisco Baltazar Martins; o legista Daniel Ribeiro Muñoz, indicado por Shibata para examinar o corpo de Luiz Eurico e, posteriormente, para examinar as ossadas do cemitério de Perus; a não alteração do atestado de Luiz Eurico, mesmo após a Comissão da Verdade; as críticas por parte de militantes da esquerda, dirigidas à entrevistada de que ela estaria atrapalhando o processo de democratização ao fazer as investigações naquele momento; a mudança da entrevista de Porto Alegre para São Paulo; a participação no congresso da Federação de Familiares de Desaparecidos da América Latina (Fedefam); a diferença entre os movimentos de familiares de mortos e desaparecidos no Brasil e na Argentina; a criação do Associação Brasileira dos Familiares de Mortos e Desaparecidos (Abrafam); as divergências entre o grupo que queria criar a Abrafam e o grupo Tortura Nunca Mais; os objetivos e a situação atual do movimento; menção a diferença entre a lei 9.140 e a Lei da Anistia; a importância da participação na comissão da Lei 9.140; a relação com Nelson Jobim; a reação diante da Leia de Anistia; a acusação de “revanchismo”; a invasão da casa da entrevistada no dia da votação das Diretas; participação em manifestações pelas eleições diretas.

Arquivo 3: A questão da “reconciliação” e a relação dos movimentos de familiares de mortos e desaparecidos com este conceito usado, em diversos momentos, nos documentos oficiais; o caráter parcial e restrito da Lei de Anistia; o fato da Ditadura não assumir o assassinato dos militantes; a morte de Marcio Toledo pela ALN; as reuniões e discussões para a criação da Lei 9.140, especialmente, com José Gregori e com Nelson Jobim; a formação da comissão da Lei 9.140; a relação da entrevistada com a Eunice Paiva na comissão; as discussões em torno da lista de mortos e desaparecidos; as dificuldades da relação com filho em decorrência dos trabalhos na Comissão de Mortos e Desaparecidos; as exumações feitas no Rio de Janeiro, no contexto da Comissão; relata a exumação do corpo de Carlos Lamarca, e dos irmãos de Iara Xavier Pereira, Iuri e Alex; o embates dentro da comissão com o general Oswaldo Pereira Gomes; a necessidade do requerimento de algum familiar de um desaparecido para requerer a sua entrada na lista; menção ao possível desaparecimento de documentos relativos à comissão; relatos de casos de prisão e torturas que a comissão tomou conhecimento pelo requerimento de familiares; substituição de Eunice Paiva pelo advogado Luiz Francisco Carvalho Filho na comissão; menção a novas descobertas de torturas a partir da pesquisa feita no contexto da comissão; a demissão da entrevistada da comissão durante o governo Lula; a defesa de que a família pode permitir a busca do corpo de um morto ou desaparecido; a comissão durante o governo Lula; críticas a atuação de Nilmário Miranda durante o governo Lula; menção ao caso em que a Advocacia Geral da União recorreu contra a exigência de intimar todos os agentes militares que participaram das operações envolvendo a Guerrilha do Araguaia; a criação de uma comissão interministerial; a mudança da lei 9.140, no ano de 2004; a crítica à inclusão de nomes na lista após a sua saída da comissão; relato da entrevistadora Dulce Chaves Pandolfi sobre Teresa Chaves.

2º entrevista: 17.10.2014

Arquivo 1: A abertura da Vala do cemitério de Perus em 4 de setembro de 1990 e a mobilização resultante disso; a vinda ao Brasil do Secretário Geral da Anistia Internacional, Pierre Sané; a mobilização de Nilmário Miranda neste contexto; a decisão da participação de um membro da Comissão de Familiares para a Comissão da Lei 9.140; menção ao artigo de Marcelo Rubens Paiva intitulado “nós não esquecemos”; crítica à necessidade de requerimento dos familiares para que a Comissão pudesse agir em cada caso específico; a participação e proximidade de Belisário dos Santos Júnior; a militância entre 1979 e 1995; menção a criação da Associação Brasileira de Familiares de Mortos e Desaparecidos e dos grupos Tortura Nunca Mais; a participação na criação do Comitê Brasileiro de Solidariedade aos Povos da América Latina (CBS); a participação no programa da Danuza Leão pela CBS; a importância da então prefeita de São Paulo, Luiza Erundina (1989-1993), na abertura da vala do cemitério de Perus; a abertura dos arquivos do DOPS do Paraná com então governador Roberto Requião (1991-1994); o encontro de um fichário escrito “falecidos” com fichas de desaparecidos políticos no arquivo do Dops do Paraná; a ida ao IML de São Paulo, para tentar abrir os arquivos; a conversa com Quércia, então governador de São Paulo (1987-1991) sobre a abertura dos arquivos do IML; a demissão de José Antonio Melo, diretor do IML, que esteve envolvido com a morte de Vladimir Herzog em 1975; o sumiço do inquérito sobre a abertura da vala de Perus; a pesquisa nos arquivos do IML; a criação da comissão de acompanhamento das investigações da vala de Perus no governo Luiz Erundina; menção ao arquiteto e designer Ricardo Ohtake que fez uma série de trabalho para o movimento dos familiares dos mortos e desaparecidos; a militância durante a Constituinte de 1988; a luta pela abertura dos arquivos do Dops de São Paulo; a lista “retorno de exilados”; o caso de Ruy Berbert; o caso de Lilián Celiberti; o processo de abertura da vala de Perus; a participação de Caco Barcellos e Mauricio Maia na investigação da vala de Perus; o programa Globo Repórter sobre os corpos no cemitério de Perus.

Arquivo 2: O programa Globo Repórter com a entrevistada; a filmagem da abertura da vala de Perus; a censura do programa; a repercussão da abertura da vala; o retorno à prefeitura no cargo de administradora de cemitério; as ações feitas durante o governo Luiz Erundina; a criação dos grupos Tortura Nunca Mais e da Abrafam; a necessidade da criação de um grupo de familiares em nível nacional para articular-se com as associações latino-americanas; as divergências da entrevistada com os grupos Tortura Nunca Mais; as Comissões dos Familiares de Mortos e Desaparecidos; a criação do Instituto de Estudo da Violência do Estado (IEVE) em 1993; o cálculo das indenizações previstas na lei 9.140; o caso de Victor Luiz Papandreu; o trabalho na Comissão de Direitos Humanos do Rio Grande do Sul; a criação do Movimento dos Ex-presos e Perseguidos Políticos em Porto Alegre (MEPP); as divergências com o MEPP; sobre os critérios e valores das indenizações nos estados; a divergência com Nilmário Miranda a respeito da lei que responsabiliza os crimes do Estado durante a ditadura; os casos de não militantes ou infiltrados que pediam indenização do Estado; o caso do Cabo Anselmo; a atuação da Comissão de Familiares na Comissão da lei 9.140; a discussão em torno do caso do militante do Molipo, José Arantes; sobre a atitude da Comissão em relação ao infiltrados da ditadura nas organizações políticas e aos que entregavam companheiros sob tortura; o caso de Boanerges de Souza Massa; a reação da entrevista ao descobrir no arquivo do Dops que um companheiro havia entregado informações suas; críticas à Comissão da Anistia.

Arquivo 3: O funcionamento cotidiano e a dedicação na Comissão Especial (1995-2002); a atuação de Gilney Amorim Viana, então deputado; as possibilidades de acesso de arquivos nos governos Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luís Inácio Lula da Silva (2003-2010); menção ao sistema de informação das polícias, Infoseg; a existência de registros policiais de militantes de organizações políticas mesmo após a ditadura; a saída da comissão; menção à jornalista Juliana Dal Piva; a visita ao arquivo do Dops do Rio de Janeiro; os motivos da saída da comissão; a importância do papel desempenhado pela comissão; críticas à Abin por não ter passado informações à comissão; as tentativas para conseguir fazer atestados de óbitos para os desaparecidos e mortos pela ditadura; as categorias de morto e desaparecidos e as consequências legais dessas categorias; a importância da atuação dos familiares para reescrever a história com relação aos mortos e desaparecidos; a importância da atuação do Nilmário Miranda, do Francisco Carvalho Filho e de Celso Nenevê; críticas à Comissão da Verdade; o funcionamento da comissão após a saída da entrevistada; a participação nas buscas de corpos da Guerrilha do Araguaia; críticas à forma como essas buscas estão sendo feitas.

3º entrevista: 04.12.2014

Arquivo 1: A participação na Comissão de indenização do estado do Rio Grande do Sul; a composição desta comissão; os critérios e provas para a indenização; as diferenças de posições dentro da comissão; menção à campos de concentração que existiam no Rio Grande do Sul durante a ditadura; menção ao caso de José Luiz Savi, delegado envolvido no órgão clandestino conhecido como Dopinha, durante a ditadura; a crítica a política de indenizações por parte das demais organizações de familiares da América Latina, como por exemplo, as Madre de Plaza de Mayo; a posição sobre política de indenização; a discussão do pedido de indenização durante as discussões da lei 9.140; a dificuldade de requerer e usar o dinheiro da indenização referente ao assassinato de Luiz Eurico Tejera Lisboa; a questão dos beneficiários na lei 9.140; as discussões com José Gregori durante a criação da lei; as críticas à lei 9.140; a atuação da comissão que discutia a inclusão de nomes na lista de mortos e desaparecidos e as investigações nos diferentes estados; as investigações nos processos apresentados na comissão; as discussões dos casos do Lamarca e do Marighella na comissão; a importância da comissão e da lei 9.140; a ausência de apoio do Estado nas atuações e investigações da comissão; as dificuldades de conseguir acesso à informações e documentos pela Abin e pelo Superior Tribunal Militar (STM); o caso de Hamilton Pereira Damasceno; as dificuldades da pesquisa em diversos arquivos como no arquivo Edgard Leuenroth e os arquivos do IML e do DOPS de São Paulo; o caso de Luís José da Cunha, o comandante Crioulo da ALN; as investigações de circunstâncias da morte; menção ao caso da Chácara São Bento.

Arquivo 2: As investigações nas fotos de mortos em busca de indícios das causas e contexto da morte; as versões dos militares sobre as mortes e as provas que as contradiziam; menção a um documento feito pelo José Gregori pedindo ao chefe do gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República pedindo a abertura de arquivos em posse dos militares; as dificuldades e falta de apoio ou estrutura dos familiares nas investigações feitas no contexto da comissão da lei 9.140; a importância da atuação de Criméia Alice Schmidt de Almeida e de Gilney Vianna nos trabalhos da comissão; os casos em que a entrevistada fez o requerimento para a entrada de alguns nomes na lista de mortos ou desaparecidos, entre eles o caso de Luís José da Cunha, o Crioulo, comandante da ALN; menção a um álbum de fotos da morte do Carlos Lamarca e da Iara Iavelberg; o fato de não terem conseguido acessar os arquivos da polícia federal; a destruição e desaparecimentos de parte dos arquivos da comissão especial da lei 9.140; o caso de Amaro Félix Pereira, líder camponês e militante do PCR; menção ao depoimento do delegado Cláudio Guerra, durante a Comissão Nacional da Verdade e a possível confusão entre o contexto da morte de Amaro Félix e Manoel Lisboa; menção ao arquivo do Instituto de Estudos da Violência do Estado; mais informações sobre o desaparecimento de arquivos da comissão; a importância do trabalho de um funcionário da comissão chamado Elder, que posteriormente foi afastado; crítica a organização do arquivo após a saída de Elder; a assessoria da Comissão Especial durante a gestão de Paulo Vannuchi na Secretaria Nacional de Direitos Humanos; crítica às pesquisas feitas na comissão após a saída da entrevistada; o caso de Waldir Salles Sabóia; a proposta de trabalho voluntário enviado pela entrevistada, pela Criméia de Almeida e pela Iara Xavier no contexto da Comissão Nacional da Verdade; a mudança da classificação de desaparecido; as mudanças nos critérios de inserção dos nomes na lista de mortos e desaparecidos; as vítimas civis da esquerda durante a Ditadura Militar; a questão dos crimes de Estado durante a ditadura; a importância da responsabilização do Estado brasileiro com relação às mortes e crimes da ditadura; a especificidade dos assassinatos dos militantes de organizações políticas cometidos pelo Estado durante a ditadura; as discussões no contexto do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH 3); a inclusão do eixo “verdade e memória” pela proposta de Heloísa Greco; a inclusão do termo “reconciliação nacional”.

Arquivo 3: A criação da Comissão da Anistia em 2001; a pensão recebida pelo assassinato de Luiz Eurico Tejera Lisboa; a gestão do Miguel Reale Jr. como ministro da Justiça; críticas à Comissão da Anistia; a manifestação de ex-funcionários públicos e demitidos durante a ditadura em Brasília, no contexto do governo Lula; menção a reportagem na Carta Capital, chamada “Show do milhão”, denunciando a falta de equidade e o “fura fila” na Comissão da Anistia; crítica às formas de pagamento das indenizações; a votação do processo da entrevistada e do Luíz Eurico; a situação de trabalho da entrevistada e de Luíz Eurico antes de entrarem na clandestinidade; menção a um grupo de manifestantes no Rio Grande do Sul que faz passeatas contra a comemoração do golpe de 1964; o caso de Gilberto Giovannetti e de Maria Madalena Lacerda de Azevedo, dois infiltrados da ditadura; o caso de outros agentes da ditadura que requereram ou ganharam indenização no contexto da Lei de Anistia; a crítica à comissão especial após a saída da entrevistada; a relação com o serviço público; menção a mudanças na comissão com a entrada de Paulo Abrão; o Memorial da Anistia; mais informação sobre o caso de Maria Madalena Azevedo; o caso de Gilberto Prata Soares, infiltrado da ditadura na Ação Popular (AP).

Arquivo 4: O caso de Gilberto Prata Soares, infiltrado na Ação Popular (AP), responsável por diversas prisões de militantes da organização, entre eles do seu cunhado José Carlos da Mata Machado; a impossibilidade de perdoar ou desculpar colaboradores e torturadores da ditadura; as conversas com ex-delegado do DOPS Cláudio Guerra e sua versão sobre como teria sumido com corpos de militantes; menção a Perli Cipriano que teria ouvido pela primeira vez a versão de Cláudio Guerra; a gestão de Paulo Vannuchi na Secretaria Nacional dos Direitos Humanos; a possibilidade de renúncia de membros da comissão durante o governo Lula; a demissão da entrevistada da Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos Políticos; as condições materiais da atuação dos membros da comissão; sobre a possibilidade de construção de um bando de DNA na Polícia Federal; a relação com o PT e com o Lula; crítica à atitude do governo quando recorreu contra a exigência de intimar todos os agentes militares que participaram das operações envolvendo a Guerrilha do Araguaia; crítica ao governo Lula com relação ao tratamento dado a questão da memória e da anistia; menção ao desaparecimento de arquivos referentes à Guerrilha do Araguaia; o caso de uma carta anônima que dizia que os corpos do Araguaia haviam sido enterrados no Quartel em Marabá; críticas a atuação de Nilmário Miranda enquanto ministro; a participação de general Oswaldo Pereira Gomes na comissão especial dos mortos e desaparecidos e sua saída por pressão dos familiares, no governo Lula.

Arquivo 5: As diferenças da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos no governo Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva; a importância do trabalho feito na comissão e as críticas à entrevistada; a criação do Grupo de Trabalho Araguaia; a ausência do grupo de familiares da Comissão especial no Grupo de Trabalho Araguaia; crítica à participação do general Mário Lúcio Alves de Araújo no Grupo de Trabalho Araguaia; a crítica por ter sido hospedada em um quartel militar com o nome Castello Branco; o livro “Direito à memória e à verdade” organizado no contexto da gestão Paulo Vannuchi na Secretaria dos Direitos Humanos, publicado em 2007; críticas ao processo de organização do livro; os conceitos de “memória”, “verdade” e “justiça” e a incorporação destes pelo governo na gestão do Paulo Vannuchi secretário de direitos humanos; o traslado de Luís José da Cunha, o comandante Crioulo, da ALN; críticas à Daniel Ribeiro Muñoz, responsável por fazer o teste de DNA para comprovar que as ossadas pertenciam ao Luís José da Cunha, o mesmo que havia sido indicado por Harry Shibata a examinar as ossadas do cemitério de Perus; a Comissão Nacional da Verdade; a crítica a não participação dos familiares na criação da Comissão Nacional da Verdade; as emendas propostas pelos familiares; o questionamento da ideia de reconciliação nacional; as discussões acerca da Comissão Nacional da Verdade como investigadora dos crimes do Estado e não das ações da esquerda; a audiência da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Arquivo 6: As expectativas acerca da Comissão Nacional da Verdade; a atuação do Cláudio Fonteles; divergências internas à Comissão Nacional da Verdade; a atuação de Rosa Cardoso e as divergências entre ela e Paulo Sérgio Pinheiros; o caso de Epaminondas Gomes de Oliveira; críticas às formas de atuação e falta de estrutura da Comissão Nacional da Verdade; menção elogiosa ao trabalho de André Sabóia, Daniel Lerner, André Vilaron e o grupo de peritos da Comissão Nacional da Verdade; as divisões dentro do movimento de familiares; as críticas até mesmo da esquerda de que a luta pela memória seria revanchismo no momento da transição para a democracia; menção ao reconhecimento público feito pela Maria do Rosário ao trabalho da entrevista; a ausência de convites para participar da Comissão e as dificuldades impostas apesar dos reconhecimentos.

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