Yedo Ferreira

Entrevista

Yedo Ferreira

Entrevista realizada no contexto do projeto "História do Movimento Negro no Brasil", desenvolvido pelo CPDOC em convênio com o South-South Exchange Programme for Research on the History of Development (Sephis), sediado na Holanda, a partir de setembro de 2003. A pesquisa tem como objetivo a constituição de um acervo de entrevistas com os principais líderes do movimento negro brasileiro. Em 2004 passou a integrar o projeto "Direitos e cidadania", apoiado pelo Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex) do Ministério da Ciência e Tecnologia. As entrevistas subsidiaram a elaboração do livro "Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC." Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007. A escolha do entrevistado se justificou por ser um militante do Movimento Negro de grande representatividade.
Forma de Consulta:
Entrevista em áudio disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista em vídeo disponível na Sala de Consulta do CPDOC.
Entrevista publicada em livro.
Referência completa: Histórias do movimento negro no Brasil - depoimentos ao CPDOC. Verena Alberti e Amilcar Araujo Pereira (orgs.). Rio de Janeiro: Pallas; CPDOC-FGV, 2007.

Tipo de entrevista: Temática
Entrevistador(es):
Verena Alberti
Amilcar Araujo Pereira
Data: 30/10/2003 a 3/12/2003
Local(ais):
Rio de Janeiro ; RJ ; Brasil

Duração: 6h40min

Dados biográficos do(s) entrevistado(s)

Nome completo: Yedo Ferreira
Nascimento: 27/8/1933; Santo Amaro; BA; Brasil;

Formação: Formado em Matemática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Atividade: Militante do Movimento Negro desde o início da década de 1970. Foi fundador da Sinba (Sciedade de Intercâmbio Brasil-África) e fundador do MNU (Movimento Negro Unificado), ambos na década de 1970, além de ter atuado em diversas entidades do Movimento Negro durante toda sua trajetória de militante.

Equipe

Levantamento de dados: Amilcar Araujo Pereira;
Pesquisa e elaboração do roteiro: Verena Alberti;Amilcar Araujo Pereira;

Transcrição:  ;

Técnico Gravação: Clodomir Oliveira Gomes;

Sumário: Verena Alberti;

Temas

África;
Angola;
Comunismo;
Descolonização;
Direito civil;
Discriminação racial;
Governo Getúlio Vargas (1951-1954);
Governo João Goulart (1961-1964);
Imprensa alternativa;
Inquérito policial militar;
Moçambique;
Movimento negro;
Movimentos sociais;
Racismo;

Sumário

1ª Entrevista: 30/10/2003
Fita 1-A: origens familiares; o trabalho da mãe; lembranças da era Vargas e impacto da Lei dos 2/3 (1931) na vida familiar; a vinda para o Rio de Janeiro (1940); formação escolar em escolas públicas da Zona Sul do Rio de Janeiro (início da década de 1940) e no colégio interno Instituto Profissional Getúlio Vargas (1948-50); serviço militar voluntário na Aeronáutica, no Campo dos Afonsos (1950-51); o trabalho no palácio do Catete, como encarregado de limpeza do serviço médico da Guarda Pessoal de Getúlio Vargas (1951-54).

Fita 1-B: influências políticas e ideológicas sofridas no Instituto Profissional Getúlio Vargas, na Aeronáutica e no contato com a Guarda Pessoal de Vargas; o trabalho no Departamento de Correios e Telégrafos (entre os governos Juscelino Kubitschek e João Goulart) e a inclinação ao comunismo por influência dos colegas; a polaridade entre comunistas e anti-comunistas no ambiente de trabalho nos Correios (governos Jânio Quadros e João Goulart); experiência de trabalho como sub-oficial eletricista na Companhia de Navegação Costeira (durante o governo João Goulart).

Fita 2-A: a filiação ao Partido Comunista do Brasil (PCB) (1955); contatos com as Ligas Camponesas, na Paraíba; a continuação do trabalho na Companhia de Navegação Costeira e nos Correios, no Rio de Janeiro; relato da reação do entrevistado ao golpe de 1964; a instauração de Inquérito Policial Militar (IPM) nos Correios e o "confinamento" do entrevistado para Chapecó (SC), cidade na qual era o único negro em 1964; o retorno ao Rio de Janeiro, em 1965, onde foi transferido para a agência dos Correios de São Cristóvão, e a decisão de prestar o vestibular para o curso de matemática da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Fita 2-B: as discussões sobre questões raciais na universidade, onde conheceu Amauri Mendes Pereira; a encenação de peça de teatro por grupo de atores negros, no Rio de Janeiro, em reação à novela de televisão A cabana do pai Tomás, cujo protagonista era um ator branco pintado de negro (1968); referência ao grupo de teatro negro Ação e à organização Hífen, ambos de curta duração; primeiras reuniões no Centro de Estudos Afro-Asiáticos (CEAA) da Cândido Mendes, e a atuação de José Maria Nunes Pereira; a importância do CEAA para a fundação da Sociedade de Intercâmbio Brasil-África (Sinba); a discussão em voga nos anos 1970 em torno da diferença entre as lutas pelos direitos civis nos Estados Unidos e as lutas pela libertação africana; questões envolvidas na implantação de um projeto político do povo negro, discutido em um congresso do Movimento Negro Unificado (MNU) realizado em 1993, em Goiânia (o assunto continua no início da fita 3-A e na fita 6-B).


2a Entrevista: 5/11/2003
Fita 3-A: breve trajetória do grupo Hífen, formado em 1970, reunindo universitários e profissionais liberais negros em Niterói (RJ); referência aos bailes soul do clube Renascença, no início da década de 1970; importância de Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e Teresa Santos para o movimento negro; as reuniões no Centro de Estudos Afro-Asiáticos (CEAA), na Faculdade Cândido Mendes, em Ipanema, em 1972-73; as diferenças de opinião quanto à necessidade de se criar, naquele momento, uma organização de negros; análise da dificuldade do movimento negro estabelecer-se em organizações e referência ao Teatro Experimental do Negro, organizado por Abdias do Nascimento na década de 1940; contatos com o jornalista José Rufino, Rubens Confete e Nei Lopes, durante as reuniões no CEAA; menção à Companhia dos Homens Pretos, origem do primeiro sindicato de estivadores da história do Brasil; o fim das reuniões no CEAA.

Fita 3-B: relato detalhado da criação da Sinba, em 1974: relações com o CEAA, o apoio do cônsul geral do Senegal, o desenvolvimento de atividades culturais, como espetáculo de dança Olorum baba mi, para arrecadar fundos para a legalização da entidade, o funcionamento na sede inicial, em Guadalupe, e as divergências entre os participantes; opinião do entrevistado sobre a ausência de perseguição ao movimento negro por parte dos órgãos de repressão durante o regime militar.

Fita 4-A: reunião de membros da Sinba com outros grupos, na tentativa de fundar uma entidade única, que teve lugar no Teatro Opinião; contatos com o músico Candeia; a criação do Instituto de Pesquisa das Culturas Negras (IPCN); razões do grande número de entidades do movimento negro e de seu esvaziamento progressivo; as formas de atuação da Sinba e sua paulatina extinção; o uso das dependências do IPCN para a produção do jornal Sinba e a venda do jornal nas manifestações políticas do período da Abertura; outros jornais produzidos nas décadas de 1970 e 1980: Coisa/Koisa de Crioulo e Frente Negra; as características da imprensa negra no Brasil desde a década de 1930: vida efêmera dos jornais, tiragem reduzida e dificuldade de distribuição; o projeto de levantamento dos remanescentes da Frente Negra Brasileira realizado com apoio do Ibase e do sociólogo Herbert de Souza, o Betinho (o assunto continua no início da fita 4-B).

3a Entrevista: 3/12/2004
Fita 4-B: reuniões realizadas pelo IPCN no Instituto Cultural Brasil-Alemanha (ICBA), no Centro do Rio de Janeiro, até a compra da sede do IPCN, em 1977; as desavenças e o esvaziamento do IPCN após a compra da sede; o ato público em frente ao Teatro Municipal de São Paulo em julho de 1978, que deu origem ao MNU; descrição da participação do entrevistado e de Amauri Mendes nas reuniões de criação do MNU, em São Paulo, em julho de 1978.

Fita 5-A: formação da comissão interestadual (São Paulo e Rio de Janeiro) encarregada de elaborar a carta de princípios e o anteprojeto de estatuto do MNU; participação do entrevistado na elaboração das propostas da carta de princípios e do estatuto, junto com Amauri Mendes; utilização dos modelos de estatuto da Frente pela Libertação de Moçambique (Frelimo) e da carta de princípios da Organização das Nações Unidas (ONU); relato das divergências ocorridas na assembléia realizada no IPCN, no Rio de Janeiro, em 9 de setembro de 1978, para a escolha da carta de princípios e do estatuto; realização da primeira assembléia do MNU após sua consolidação, no ICBA de Salvador, na Bahia, no final de 1978; a situação do IPCN em 1979.

Fita 5-B: o IPCN entre 1979 e 1983; a eleição da diretoria do IPCN em 1983; explicação para a ausência de repressão policial ao ato público contra o racismo realizado no dia 7 de julho de 1978 nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo; casos de membros de órgãos de informação do regime militar que estiveram no IPCN no final dos anos 1970 e início dos 1980.

Fita 6-A: casos de membros de órgãos de informação que estiveram no IPCN nos anos 80 (continuação); a repressão à Marcha contra a Farsa da Abolição, ocorrida em maio de 1988, no Rio de Janeiro; formas de articulação entre entidades do movimento negro de diferentes estados no início da década de 1970 e a possibilidade de reconhecer militantes em locais públicos; relato de viagem do entrevistado e outros militantes para Brasília, em 1977; os encontros regionais da década de 1980; dificuldades engendradas pelas disputas políticas no interior do movimento negro.

Fita 6-B: críticas à organização do I Encontro Nacional de Entidades Negras (Enen), realizado em São Paulo, em novembro de 1991; razões das divergências entre o MNU e a Coordenação Nacional das Entidades Negras (Conen); o retorno do entrevistado ao MNU, em 1993, em função de resoluções da entidade tomadas em congresso nacional realizado em Goiânia; interpretações sobre diferenças entre o movimento negro na década de 1970 e na década de 1980, quando, na visão do entrevistado, surgiu a necessidade de traçar um objetivo político mais claro; opinião sobre políticas de ação afirmativa (o assunto continua na fita 7-A).

Fita 7-A: críticas ao sistema de cotas para ingresso de negros nas universidades; análise do conceito de reparação e defesa da reparação dos negros pela escravidão; transferência para a Rádio MEC após a Anistia, em 1980; análise da questão racial no Brasil: a dificuldade da percepção do racismo por parte dos negros.

Fita 7-B: Análise da questão racial no Brasil (continuação); balanço da trajetória do movimento negro da década de 1970 até a época da entrevista; menção à sede do MNU adquirida no Centro do Rio de Janeiro à época da entrevista.

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