Mulheres já são maioria entre empreendedores
07 de abril de 2008
Faro mais apurado para identificar boas oportunidades e mais disposição
para correr riscos. Essas duas habilidades colocaram as mulheres na liderança
das estatísticas de empreendedorismo no Brasil.
Um estudo de abrangência mundial, feito pela Global Entrepreneurship Monitor
(GEM) e divulgado recentemente pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas (Sebrae) e pelo Instituto Brasileiro da Qualidade e
Produtividade (IBQP), mostra que elas já são 52% das pessoas de 18 a 64 anos que
abriram um negócio próprio nos últimos três anos e meio.
O porcentual caracteriza uma mudança histórica no País, já que os homens
sempre lideraram. Em 2001, por exemplo, eles representavam 71%. A pesquisa
revela ainda que, em 2007, de cada 100 brasileiras, 13 desenvolviam uma
atividade empreendedora, índice que rendeu ao Brasil o 7º lugar no ranking
mundial desse tipo de iniciativa.
Para o professor de empreendedorismo e inovação da Fundação Getúlio Vargas de
São Paulo (FGV-SP) Tales Andreassi, um dos motivos de tanto sucesso é que as
mulheres, assim como os mais jovens, têm mais liberdade para arriscar. "Por
terem menos coisas a perder elas se sentem livres para correr riscos."
No caso dos homens, afirma ele, a cobrança da sociedade tem um peso maior.
"Muitos homens são chefes de família e pensam duas vezes antes de sair do
emprego para tentar algo novo. A carga é mais pesada e há uma cobrança social
maior que a da mulher."
Outro motivo que tem levado o sexo feminino a empreender mais que o
masculino, na opinião de Andreassi, já é bem conhecido pela sociedade,
principalmente por elas: a distorção salarial. Estudo divulgado pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na semana da mulher, em março, com
base na Pesquisa Mensal de Emprego das seis principais regiões metropolitanas
brasileiras, revela que elas recebem, em média, 30% menos do que eles. E quanto
maior o nível de escolaridade de ambos, maior a diferença, que chega a 40%.
"A opção por empreender tem sido a forma encontrada por elas para sair da
empresa onde trabalham e conseguir melhores resultados financeiros com o seu
próprio negócio", diz Andreassi. Para ele, o fato de as mulheres estudarem mais
- 60% têm 11 anos ou mais de estudo, enquanto entre os homens o índice é de 52%
-, também se reflete na taxa de empreendedorismo feminino. "Elas estão mais
preparadas."
A empresária Iolani Tavares, de 44 anos, não hesitou em montar a Frutos da
Amazônia, quando se deu conta de que os biscoitos que fazia com produtos do Pará
não existiam no mercado.
"Começou por acaso, na cozinha da minha casa, fazendo para os amigos", lembra
Iolani. Em 1995, ela montou a empresa, num processo tijolo por tijolo. Hoje, com
16 funcionárias e uma filial em Belém, sua terra natal, ela planeja colocar seus
produtos nas prateleiras dos supermercados.
Fonte: Último Segundo - SP