Revista Conjuntura Econômica - Maio 2020

ENTREVISTA 12 Conjuntura Econômica | Maio 2020 Conjuntura Econômica —No meio da pandemia, temos uma grave crise política no país, com a desti- tuição e afastamento de dois mi- nistros, da Saúde e da Justiça. Qual a sua avaliação sobre os impactos disso nesse momento tão delicado para o sistema de saúde? Sem dúvida é muito ruim, pois enfra­ quece a política organizada no âmbi­ to do Ministério da Saúde para fazer frente à pandemia da Covid19. Ao in­ vés de estarmos focados na discussão sobre medidas de enfrentamento, esta­ remos despendendo energia para uma discussão que sem dúvida segmenta a população e os técnicos do ministério. O pior cenário que poderíamos ter neste momento é o da polarização que Por sua velocidade e extensão, a pandemia provocada pelo novo coronavírus colocou em xeque os sistemas de saúde do mundo todo.No Brasil não foi diferente, e para Mônica Vie- gas, especialista em economia da saúde, com mestrado e doutorado pela FGV/EPGE, será uma experiência que deixará lições importantes no endereçamento das ineficiências do Sistema Único de Saúde (SUS). Mas que também recolocará o SUS dentro das prioridades da população.“Por se tratar de um vírus, todos acabarão conhecendo de perto algum caso grave que demandou atenção,o que reforçará a importância da saúde pública”,afirmou,em live feita de sua casa, na capital mineira. Mônica concedeu esta entrevista no dia em que o Brasil superava a China em número oficial de mortes por Covid-19, com 5.017, também marcado pela reação pouco empática do presidente Bolsonaro ao repercutir esse número. E ressaltou os efeitos negativos da falta de envolvimento do Executivo nacional frente à gra- vidade da crise sanitária.“Algumas políticas têm necessariamente que ser definidas no âm- bito do governo federal.Sua ausência certamente afeta a capacidade de resposta do Brasil, assim como a compreensão e adesão da população na luta contra a Covid-19”,alertou. Mônica Viegas Professora associada do Departamento de Economia e coordenadora do Grupo de Estudos da Saúde e Criminalidade do Cedeplar, da UFMG Foto:Divulgação Solange Monteiro e Claudio Conceição, do Rio de Janeiro e Ribeirão Preto (SP) “O pior cenário é termos uma polarização no meio de uma pandemia”

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