Revista Conjuntura Econômica - Julho 2020

ENTREVISTA 12 Conjuntura Econômica | Julho 2020 Conjuntura Econômica — Estamos atravessandoumapandemiagravís- sima que nos levará a uma recessão brutal, com uma queda do PIB que o FMI já projeta próxima dos 10%, e uma taxa de desemprego perto de 20%. Esse quadro é acompanhado de um acirramento da crise política com contornos preocupantes, como o aparelhamento de polícias milita- res e bombeiros. Será possível con- ter uma crise institucional? Infelizmente, olhando o Brasil hoje ( a entrevista foi realizada em 23 de junho ), estamos condenados a pas- sar por essa crise. Não é nenhum fatalismo histórico, mas uma leitu- ra da conjuntura. Acho que há duas vertentes principais que conduzem a esta inevitabilidade. Em primeiro lu- Entre os governadores que têm ganhado protagonismo frente ao aumento da tensão política no governo Bolsonaro, Flavio Dino (PCdoB) se destaca pela preocupação em articular. Das conversas com o ex-presidente Lula ao engajamento em frentes suprapar- tidárias de apoio à democracia, Dino defende a necessidade de se reorganizar o quadro político, tanto para conter excessos do Executivo federal, quanto para se preparar para o efeito das próximas eleições municipais, em que passa a vigorar o fim das coligações proporcionais.“Teremos um teste empírico, o momento em que o conjunto de forças políticas – à esquerda, ao centro e à direita – vai medir o seu tamanho”, diz. Em entre- vista para a Conjuntura por conferência online , o governador do Maranhão desde 2014 afirmou que a natureza extremista do presidente torna a crise econômica e social mais difícil de administrar, e que mesmo as Forças Armadas começam a colocar limites no apoio ao governo.“Temos uma nova tendência, a meu ver mais correta, no sentido de que uma instituição de Estado não pode se vincular visceralmente a experiências con- tingenciais, pois, se o faz, pode sofrer reveses com uma mudança política”, afirmou. Flávio Dino Governador do Maranhão Foto:Cadu Gomes Claudio Conceição e Solange Monteiro, do Rio de Janeiro “A posição de Bolsonaro é de muita força; mas é mais frágil que um ano atrás”

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