Boletim Macro Agosto
16 Boletim Macro | Agosto 2021 Tais pilares sustentam o crescimento e o espalhamento da inflação conforme vem registrando o núcleo de inflação 2 e o índice de difusão 3 , indicadores utilizados para medir a aumento da persistência inflacionária. Das raz es que sustentam a inflação em alta, a crise hídrica possui a maior chance de se tornar um impulso mais forte à inflação de 2021. Ainda que os efeitos da seca sejam transitórios e mais intensos no inverno, ainda há grande chance de a seca se estender até o final do ano, reduzindo ainda mais os níveis dos reservatórios, que, neste momento, estão armazenando volumes semelhantes aos da crise hídrica de 2001/2002. A extensão do período mais seco repercutirá sobre safras, criação de animais e preço da energia. A Aneel poderá inclusive promover novo reajuste da bandeira vermelha patamar 2, passando o valor, para consumo a cada 100 kw/h, de R$ 9,49 para R$ 11,50. Esse reajuste de 21%, provocará aumento aproximado de 3% nas contas de energia em todo país. Afora os preços da energia, safras importantes, já afetadas por seca e geadas, podem ser ainda mais comprometidas. Na lista de culturas que já acumulam prejuízos estão: pecuária, cana, café, milho, hortaliças, entre outras. Todos esses alimentos podem encarecer itens componentes da cesta básica, cujos preços já subiram, nos úl- timos doze meses, 25%. Os impactos nos canaviais podem também afetar os preços do etanol e da gasolina, lembrando que esta última possui 27% de álcool anidro em sua composição. Afora as press es que vêm do campo, importantes cadeias produtivas seguem comprometidas pela falta de matéria-prima. Os preços dos automóveis, por exemplo, estão em aceleração. Com a paralisação de algumas montadoras - dada a falta de supercondutores – os veículos novos e usados seguem em alta. A falta de carros zero quilômetro está movimentando o mercado de usados, bem como as oficinas, contribuindo para o espalha- mento da inflação. Além disso, os preços dos serviços livres, segmento mais afetado na pandemia, voltaram a acelerar. Em julho, a variação média do grupo registrou a maior taxa de 2021, subindo 0,67%. Com esse resultado, a taxa em doze meses avançou para 3%, patamar em que estava em abril de 2020. A previsão é que esses preços continuem acelerando com a normalização da atividade econômica. A crise hídrica consolidará o setor de energia como principal vetor da inflação em 2021. A classe de preços administrados afetará os resultados do IPCA até setembro, meses em que a taxa em doze meses permanecerá acima de 9%, sendo este o provável ápice da inflação em 2021. A partir de outubro, a inflação recuará podendo fechar o ano em torno de 7,8%, caso a bandeira tarifária seja mantida em seu maior patamar até dezembro. No entanto, a prática de uma bandeira tarifária menos onerosa no último trimestre poderá manter a inflação em torno de 7%. 2 O núcleo de inflação, também denominado de inflação subjacente, procura captar a tendência dos preços desconsiderando choques temporários. 3 O índice de difusão do IPCA mostra o porcentual de itens com aumentos de preços.
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