Boletim Macro Agosto

Agosto 2021 | Boletim Macro 3 Desafios para a retomada da economia Armando Castelar Pinheiro e Silvia Matos O mundo está entrando em uma nova fase, menos assustadora que a do auge da pandemia, mas menos brilhante que a do primeiro semestre. E uma fase com seus próprios desafios. No todo, o ambiente internacional ainda permanece favorável aos emergentes, mas menos do que o observado no primeiro semestre do ano, com alta relevante da volatilidade e da incerteza. Após uma recuperação robusta da atividade econômica nos países desenvolvidos na primeira metade do ano, devido às políticas de estímulos fiscais e monetários, em conjunto com ampla campanha de vacinação, a expectativa é de acomodação do ritmo de crescimento neste segundo semestre. Um crescimento bom, mas não mais espetacular. É o que mostram os Barometros Econômicos Globais Coincidentes do FGV IBRE 1 , que registraram quedas em julho e agosto. O recuo reflete, em parte, a desaceleraço das taxas interanuais de crescimento economico mundial no terceiro trimestre de 2021, quando o periodo-base de comparaço deixa de ser o fraco segundo trimestre de 2020. No entanto, os niveis dos indicadores sao ainda elevados e compativeis com a continuidade da retomada da economia mundial. Em termos setoriais, constata-se que todos os cinco setores da pesquisa contribuíram para o resultado agregado negativo, mas com destaque para a maior contribuição da indústria para a queda de agosto. Na mesma direção, o setor industrial também tem contribuído significativamente para a retração do Indicador An- tecedente, após ter sido o grande protagonista da recuperaço da economia mundial ate meados de 2021. Em termos regionais, o grupo “Ásia, Pacifico & África” foi o destaque negativo nos dois indicadores. Segundo a pesquisa, a desaceleraço do ritmo excepcionalmente forte de expansao deve, portanto, conti- nuar nos proximos meses. Uma tendência reforçada pela piora do quadro sanitario em algumas regiões e pelos gargalos no abastecimento de diversos insumos produtivos. É o caso da economia chinesa, por exemplo, que está gradualmente desacelerando. Desde a (primeira) saída da pandemia, o crescimento chinês se concentrou na indústria, pelo lado da oferta, e nos investimentos, pelo da demanda, para a qual também contribuiu o aumento das exportaç es, resultado da elevada demanda global por bens. Em especial, os investimentos nos segmentos de infraestrutura e imobiliário têm sustentado a economia chinesa, impulsionados pela forte expansão do crédito. No entanto, o quadro do segundo semestre tem se alterado com relação ao crédito. Os dados de concessão de julho mostram intensa desaceleração, com destaque para o componente não bancário (shadow banking). Segundo o pesquisador Lívio Ribeiro, do FGV IBRE, o PIB chinês deve crescer 8,7% este ano, em grande parte fruto do carregamento estatístico, que está em torno de 6% (ver Seção de Economia Internacional). Na Europa, a indústria alemã tem surpreendido negativamente, sugerindo recuo no ritmo de crescimento, mais intenso do que antes se projetava na maior economia da região. O resultado se explica por gargalos na 1 Os barometros economicos globais sao um sistema de indicadores que permite uma analise tempestiva do desenvolvimento economico global. Eles representam uma colaboração entre o Instituto Econômico Suíço KOF da ETH Zurique, na Suíça, e a Fundação Getulio Vargas (FGV). Ver https://portalibre.fgv.br/sites/default/files/2021-08/barometros-globais-kof-fgv_press-release_08_2021_0.pdf .

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