Boletim Macro - Janeiro 2021

12 Boletim Macro | Janeiro 2021 Gráfico 4: Ocupados por setor e Auxílio Emergencial per capita, por mês de 2020 R$ 0 R$ 50 R$ 100 R$ 150 R$ 200 R$ 250 R$ 300 35 37 39 41 43 45 47 49 51 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Milhões Formais Informais AE (per capita) Fonte: PNADC (IBGE) mensalizada com base na metodologia do BC e PNAD Covid-19. Elaboração: FGV IBRE. O movimento ainda é coincidente com a forte queda do volume de transferências do auxílio emergencial, tal como mostra a PNAD Covid-19, ao passo que um contingente maior de beneficiários passou da sua última parcela de R$ 600 para as últimas de R$ 300. Ainda que não se possa estabelecer qualquer nexo causal com tal conjunto de dados, é possível que, tendo em vista a maior flexibilidade do mercado de trabalho informal – especialmente aquele composto por ocupados por conta própria –, a redução do auxílio emergencial tenha tido importante papel na recuperação desse segmento de trabalhadores, cuja ocupação depende quase exclusiva- mente da própria participação na força de trabalho. Tendo em vista as novas reduções esperadas do volume de transferências do auxílio emergencial nos meses seguintes, além do seu fim em janeiro de 2021, podem se esperar novas altas da população ocupada do setor informal. No entanto, tal movimento pode ser limitado pela capacidade de absorção do mercado de trabalho de ocupados por conta própria, concentrado principalmente nos setores de pequenos comércios e serviços tradicionais. O emprego formal, por sua vez, tendo seu nível estagnado entre setembro e outubro na PNAD Contínua, pode apresentar novas altas até o fim do ano, mas será limitado no início de 2021 pela segunda onda, tendo em vista sua maior sensibilidade às restrições legais às atividades econômicas, princi- palmente de serviços. Desse modo, espera-se um aumento da população ocupada em 2021 de 1,2% (frente à queda projetada de 7,9% em 2020). A taxa de desocupação deverá ter uma média anual de 15,3% este ano. Desse modo, apesar da alta da PO, a taxa de desocupação estaria quase dois pontos percentuais acima do provável nível médio a ser registrado em 2020. O Caged, por sua vez, registrou a abertura de 414 mil postos de trabalho com carteira assinada – equivalen- te a 396,5 mil postos na série dessazonalizada –, influenciada por nova elevação do número de admissões, que mais uma vez ultrapassou o do mesmo mês de 2019. Para novembro, espera-se redução de 188 mil empregos, o que significaria uma criação de 206 mil postos com ajuste sazonal.

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