Revista Conjuntura Econômica - Maio 2019
ENTREVISTA 12 Conjuntura Econômica | Maio 2019 Conjuntura Econômica — Em seu livro, o senhor mostra que o Mé- xico registrou muitas conquistas de 1996 a 2015 em termos macro- econômicos – como controle da inflação, negociação de tratados comerciais, melhora nos níveis de investimento –, mas que o aumento da má alocação de recursos neutra- lizou os efeitos dessas conquistas para a produtividade. O que moti- vou esse aumento da má alocação? Esse período foi marcado por for- ças contraditórias. A política macro, em geral, esteve bem desenhada. O problema foi que as políticas micro- econômicas trabalharam no sentido oposto, e isso fez com que a produti- vidade crescesse quase zero durante essas duas décadas. Estabilidade macroeconômica, abertura comercial, aumento de investimento e de escolaridade. Apontados na literatura como fundamentais para um país próspero e produtivo, esses elementos não têm sido suficientes para garantir dinamismo econômico ao México. De 1996 a 2015, o PIB per capita do país ex- pandiu-se apenas 1,2% ao ano. Ao estudar as causas desse descompasso, o eco- nomista Santiago Levy – ex-ministro de Finanças e Crédito Público, criador do Bolsa Família mexicano, com passagem pelo BID – se tornou referência quando o tema é produtividade. No livro Under-rewarded efforts – the elusive quest for prosperity in Mexico , Levy aponta que sem combater a má alocação de recursos, especialmente a que estimula a informalidade, nenhuma receita para ampliar a produtividade vingará. Em conversa telefônica, de Washington ele detalha as conclusões de seus estudos e alerta que o excesso de atenção ao curto prazo pode desviar a atenção das causas de fundo que minam o crescimento. Santiago Levy Pesquisador sênior da Brookings Institution Foto:Divulgação Solange Monteiro, do Rio de Janeiro “É preciso ajudar pequenas empresas sem destruir o mercado de trabalho”
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