Este artigo avalia o impacto sobre a economia brasileira de uma reforma tributária que reduza distorções e cumulatividade, utilizando para tal experimento a atual proposta do Ministério da Fazenda. Utiliza-se um modelo recursivo dinâmico padrão calibrado de forma a se aproximar o máximo possível da economia brasileira hoje. A simulações são implementadas ao se introduzir parâmetros correspondentes à reforma tributária: desoneração da folha de pagamentos, redução da cumulatividade com introdução do IVA-F e a desoneração dos investimentos com a redução do prazo de restituição de créditos de ICMS. Estima-se que a reforma tributária proposta provocaria um aumento de 1,5 pontos percentuais na taxa de crescimento do produto nos oito anos seguintes a sua implementação e um ganho de longo prazo de 16%. O impacto sobre o nível de investimento seria muito expressivo, 40% no mesmo período, de modo que a taxa de investimento saltaria dos atuais 20% para quase 24%. Os ganhos de consumo e bem-estar também foram estimados como bastante significativos.
Produtividade Agregada Brasileira (1970-2000): Declínio Robusto e Fraca Recuperação
Este
artigo discute o comportamento da Produtividade Total dos Fatores (PTF) no
Brasil entre 1970 e 1998. É feita uma análise de quanto da queda da PTF pode
ser explicado a partir de mudanças na forma tradicional de cálculo desta
variável. Entre as variações serão consideradas: utilização da capacidade instalada,
modificações no uso do capital, mensuração do capital por meio do consumo de
eletricidade, distorções no preço relativo, capital humano e investimento
específico à determinada tecnologia. O único caso no qual a PTF apresenta uma
modificação em seu comportamento é o de correção de distorções no
preço relativo, em que a PTF se recupera mais rapidamente.
Mauricio Canêdo-Pinheiro,
Este trabalho discute a conveniência do uso de políticas industrias no Brasil. Argumenta-se que o sucesso dos países do Leste Asiático, muitas vezes associado ao uso de política industrial (PI), é resultado principalmente de políticas horizontais. Além disso, aponta-se que a maioria dos argumentos utilizados para justificar a adoção de PI carece de fundamentação teórica e empírica e que PI deve ser motivada por algum tipo de falha de mercado. Nesse sentido, faz-se uma breve descrição das falhas de mercado que teoricamente justificariam algum tipo de PI, avalia-se a relevância empírica destas falhas e quais as ferramentas de intervenção seriam mais adequadas (se for o caso). A partir disso, avalia-se a atual política industrial brasileira, tal como descrita em Brasil (2003). Por fim, conclui-se que políticas horizontais, além de estarem menos sujeitas à pressão de grupos organizados, possuem maior potencial para impulsionar o crescimento econômico brasileiro.
O objetivo deste trabalho é
Published, Pesquisa e Planejamento Econômico,
2007
Este artigo utiliza um modelo dinâmico de equilíbrio geral para investigar os impactos de crescimento econômico e bem estar associados à política de parceria público-privada (PPP) no Brasil. Assume-se uma economia com capital privado e infra-estrutura pública e privada e um governo que, além de investir, arrecada impostos, recebe renda de seus serviços e transfere renda para os indivíduos. O modelo é calibrado para a economia brasileira utilizando metodologia padrão e buscando reproduzir os mecanismos da Lei 11.079, de dezembro de 2004, que criou a PPP no Brasil. As simulações indicam que o impacto potencial da Lei das PPPs sobre o crescimento e o bem estar é pouco significativo. No longo prazo, no melhor dos cenários, o produto estaria somente 5% acima de sua tendência atual. Se associada a uma política de investimento público financiado com redução de gastos correntes, o impacto poderia ser muito mais relevante. Entretanto, a redução temporária das transferências - que ficariam até 18 anos abaixo da tendência atual - configura-se como um sério impedimento político para este tipo de política.
Este artigo discute possíveis elos entre política industrial e comércio exterior, centrando em argumentos comumente encontrados no debate de crescimento e de apoio à indústria no Brasil. Discutiremos a racionalidade destes argumentos tanto do ponto de vista macroeconômico quanto microeconômico, e mostraremos que, enquanto no primeiro caso há graves inconsistências lógicas e teóricas, no segundo a evidência é amplamente desfavorável ou os argumentos em geral não se aplicam. Discutiremos também se experiências internacionais de crescimento rápido (e de expansão de comércio exterior) podem ser creditadas a políticas industriais e se estas podem ser facilmente reproduzidas no país. Nosso diagnóstico aqui também é pessimista.
Economia Aplicada, Vol. 9, nº 4, Dec. 2005
Este artigo discute comportamento da Produtividade Total dos Fatores (PTF) no Brasil entre 1970 e 1998. É feita uma análise de quanto da queda da PTF pode ser explicada a partir de mudanças na forma tradicional de cálculo desta variável. Entre as variações serão consideradas: utilização da capacidade instalada, modificações no uso do capital, mensuração do capital por meio do consumo de eletricidade, distorções no preço relativo, capital humano e investimento específico à determinada tecnologia. O único caso onde a TFP apresenta uma modificação em seu comportamento é o de correção de distorções no preço relativo, onde a PTF se recupera mais rapidamente.
Estudos Econômicos, Vol. 38 nº 1, 2008
Este trabalho investiga o impacto da escolaridade sobre a distribuição de renda do trabalho de estados/regiões do Brasil. Usando um método semi-paramétrico, discutido em DiNardo, Fortin & Lemieux (1996), mensuramos o quanto dos diferenciais de renda entre as Regiões Nordeste e Sudeste do Brasil - a mais pobre e a mais rica do país - e entre os Estados do Ceará e São Paulo, podem ser explicados pelas diferenças de escolaridade da população residente. Usando dados da PNAD construímos densidades contrafactuais reponderando a distribuição da região/estado mais pobre pelo perfil de escolaridade da mais rica. Concluímos que: (i) mais de 50% do diferencial de renda é explicado pelo diferencial de escolaridade; (ii) os decis mais elevados da distribuição de renda têm maior ganho com o aumento da escolaridade, se aproximando muito da distribuição de renda do trabalho da região/estado mais rica e; (iii) o aumento da escolaridade, mantendo-se a estrutura de salários, agrava a desigualdade de renda nas regiões/estados mais pobres
Published
in Econômica, V.6., nº2, 2003
Este trabalho tem como objetivo testar se os brasileiros que moram numa unidade federativa diferente da unidade em que nasceram - os migrantes - formam um grupo positivamente selecionado (isto é, um grupo que seja, em média, mais apto, motivado, empreendedor, agressivo, ambicioso do que outro grupo) da população brasileira. Utilizando a PNAD de 1999, mostramos que os migrantes ganham, em média, mais do que os não-migrantes, no Brasil, inclusive quando controlamos uma série de variáveis importantes na determinação da renda do trabalho. A partir desse resultado concluímos que, de fato, os migrantes, no Brasil, constituem um grupo positivamente selecionado. Como os migrantes saem das regiões mais pobres do país para as mais ricas, este fato pode estar agravando a desigualdade inter-regional de renda do país.
Published in the Pesquisa e Planejamento Econômico (PPE), Vol. 35, nº2, Dez. 2005
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Published in the Revista Brasileira de Economia, vol. 58, nº 4, 2004
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O estudo do impacto de ciclo econômico no bem-estar dos indivíduos de uma economia é um assunto de grande importância teórica. Ao considerarmos a economia brasileira, onde grande maioria dos indivíduos não dispõe de mecanismos de crédito, ele torna-se ainda mais relevante. Se os agentes não são capazes de suavizar consumo segundo a hipótese da renda permanente de Friedman é de se esperar que sofram impactos ainda maiores diante de flutuações na renda. Utilizamos o modelo proposto por Imrohoroglu (1989) para os dados da economia brasileira a fim de mensurar a perda de bem-estar causada por um ciclo econômico. A partir de resultados que mostram o significativo custo dos ciclos, propomos a introdução do governo no modelo. Agindo no sentido de completar mercados, o governo se mostrou eficiente. Apesar de simples, nosso experimento mostrou a importância de investigarmos a ação governamental como opção para elevação do bem-estar em economias restritas ao crédito ao longo de flutuações econômicas.
Published in the Estudos Econômicos, vol. 34, nº 2,
2004.
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O presente trabalho apresenta uma análise do setor de infra-estrutura brasileiro durante o período 1950-1996. Para isto foram levantadas séries de investimentos e medidas físicas para os setores elétrico, de telecomunicações, rodoviário, ferroviário, portuário e aeroportuário que até hoje estavam indisponíveis. Mostramos ( e mensuramos) que no período 1950-79 observa-se um crescimento acelerado dos investimentos no setor, principalmente em energia elétrica e transportes. Na década de 80, com a deterioração financeira do Estado, um endividamento crescente e um processo de aceleração inflacionária, os investimentos das estatais foram drasticamente reduzidos. Para isto também contribuiu os desvinculamentos de impostos aprovados na constituição de 1988. Em alguns casos os investimentos caem para menos que um quinto da média dos anos setenta, o que acabou provocando aumento dos custos e deterioração da qualidade dos serviços .
Impactos Produtivos da Infra-estrutura no Brasil: 1950-1995
O presente trabalho apresenta uma análise empírica do setor de infra-estrutura brasileiro no período 1950-1995. Concentra-se na estimação das elasticidades do produto e da produtividade em relação ao capital e investimento em infra-estrutura desagregados em cinco setores (energia elétrica, telecomunicações, ferrovias, rodovias e portos) bem como em relação a medidas físicas de estoque de capital. Investiga-se também o sentido de causação entre o capital de infra-estrutura e o PIB e a produtividade total dos fatores (PTF). Os resultados obtidos confirmam para o Brasil a existência de uma forte relação entre infra-estrutura e produto no longo prazo. As nossas estimativas para elasticidade-renda de longo prazo situam-se entre 0,55 e 0,61 sendo que os setores que influenciam mais intensamente o PIB são os de energia elétrica e transportes. As estimativas de longo prazo da elasticidade da PTF em relação ao capital em infra-estrutura são também altas e bastante significativas, da mesma forma que o impacto das medidas de estoque físico de capital sobre o PIB.
This
article was published in the Pesquisa e Planejamento Econômico, August/98, nº 2, pp. 315-338.
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This article
tests if standard business cycle models can reliably reproduce aggregate
Brazilian time series. The article first describes some features of the
Brazilian data that the models are meant to reproduce. Then it describes a
version of the standard business cycle model with indivisible labor, along with
the cash-in-advance extension of that model, both of which assume that
fluctuations in economic activity are caused only by shocks to technology. Some
key parameters are estimated using the Generalized Method of Moments but
others, such as taxes, by calibration. The fit of the standard models to the
data is disappointing, but adding tax distortions to the cash-in-advance model
is shown to significantly improve its ability to mimic some of the observations.
However, a number of key stylized facts, such as the excess volatility of
consumption, were not reproduced by any of the models studied.
This
article was published in the Pesquisa e Planejamento Econômico, August/2001, nº 2, pp.213-248
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