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ECONOMIA
Rio, 19 de outubro de 2005 Versão impressa
Brasil caiu para 62 em ranking de corrupção

Fernando Duarte
Correspondente

LONDRES e BRASÍLIA. Um estudo divulgado ontem pela Transparência Internacional — ONG que monitora a corrupção no mundo — trouxe más notícias para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com a versão de 2005 do Índice de Percepção da Corrupção (IPC), que se refere aos últimos três anos e serve como um termômetro de investidores internacionais, agências de risco e think tanks , a nota do Brasil caiu de 3,9 para 3,7 (numa escala de zero a dez), com o país descendo do 59 para o 62 lugar do ranking. O estudo, porém, foi concluído em junho, antes do agravamento das denúncias de corrupção contra o governo e a direção do PT.



Ainda assim, a ONG reservou severas críticas para o país, sobretudo para o que classificou como extrema liberdade do poder público para fazer nomeações políticas em cargos administrativos — um exemplo do que a Transparência Internacional chama de vulnerabilidade das instituições brasileiras. Embora a queda do Brasil no ranking não tenha sido significativa, ela não apenas comprova a ineficácia do combate à corrupção, diz a ONG, como ainda é um péssima propaganda para a comunidade internacional, sobretudo investidores.



O IPC coloca o Brasil atrás de nações como Tunísia, Namíbia e Botswana, mas o país ao menos ficou fora da lista de 70 nações que receberam notas menores do que três, indicando casos severos de corrupção.

Governo: nunca se combateu tanto a corrupção como agora

Esse grupo correspondente à quase metade dos 159 países analisados pela Transparência Internacional, e inclui Argentina, Equador e Bolívia. Dos principais países latino-americanos, a melhor posição foi obtida pelo Chile (21), com uma nota 7,3.



— Mais do que nos atermos a posições do ranking, o importante é que o Brasil há oito anos estacionou no mesmo patamar. Um sinal de que as instituições não estão sendo transformadas e de que o país não é visto como um ambiente melhor quanto ao combate à corrupção — explicou Claudio Weber Abramo, diretor da Transparência Brasil, associado verde-amarelo da Transparência Internacional.

Apenas 42 nações receberam nota igual ou maior que cinco e ficaram na chamada zona segura da corrupção. A Islândia ficou em primeiro lugar. Para o presidente da Transparência Internacional, Peter Eigen, a corrupção está mantendo as populações dos países mais pobres num ciclo vicioso de miséria.

Para o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Waldir Pires, a corrupção se tornou um problema mais perceptível aos olhos da população. Ele sustenta que nunca se combateu tanto a corrupção no Brasil como agora, embora os resultados desses esforços não sejam imediatos.
COLABOROU Jailton de Carvalho

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