30/11/2005 -
16h26mCrise política foi
fundamental para queda do PIB, diz economista da
FGV

Rui Pizarro
RIO - Para o professor da Escola de Pós-Graduação de Economia da
Fundação Getulio Vargas (EPGE/FGV), Rubens Penha Cysne, a crise
política que envolveu integrantes do governo e que atingiu o ápice
no terceiro trimestre do ano foi decisiva para o mergulho do Produto
Interno Bruto (PIB) no período.
- É importante ressaltar que a crise mexe com o investidor
privado, mas também com o dirigente de estatais. Ambos ficam mais
comedidos na hora de fazer gastos. Assim, os investimentos estatais
sofrem uma retração temporária que prejudica as encomendas junto às
empresas do setor privado - explicou.
Ainda de acordo com o economista, reduzir juros para fazer a
economia crescer em 2006, "até é fácil". Mas segundo o professor, é
preciso olhar para o longo prazo, se o objetivo é conseguir um
crescimento auto-sustentável.
- Não devemos olhar para a economia como se olha para uma árvore
numa floresta; é preciso olhar para o conjunto da floresta. Em
outras palavras, é necessário que a discussão sobre as metas de
inflação seja aberta para toda a sociedade, já que ao contrário dos
juros, se trata de uma variável política. E, principalmente, é
fundamental que a qualidade das despesas públicas seja analisada
criteriosamente e monitorada pela imprensa - acrescentou.
Rubens Penha Cysne citou ainda a atual Constituição como outro
obstáculo ao pleno desenvolvimento, por ter, entre outras medidas,
vinculado a aplicação de recursos a despesas. O economista destacou
que o país precisa resolver esses impasses para poder crescer, no
mínimo, no mesmo ritmo de outras nações emergentes, cujo PIB tem
variado 5% ao ano, em média.