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1 de dezembro de 2005 Versão on line
PLANTÃO
30/11/2005 - 16h26m
Crise política foi fundamental para queda do PIB, diz economista da FGV

Rui Pizarro

RIO - Para o professor da Escola de Pós-Graduação de Economia da Fundação Getulio Vargas (EPGE/FGV), Rubens Penha Cysne, a crise política que envolveu integrantes do governo e que atingiu o ápice no terceiro trimestre do ano foi decisiva para o mergulho do Produto Interno Bruto (PIB) no período.

- É importante ressaltar que a crise mexe com o investidor privado, mas também com o dirigente de estatais. Ambos ficam mais comedidos na hora de fazer gastos. Assim, os investimentos estatais sofrem uma retração temporária que prejudica as encomendas junto às empresas do setor privado - explicou.

Ainda de acordo com o economista, reduzir juros para fazer a economia crescer em 2006, "até é fácil". Mas segundo o professor, é preciso olhar para o longo prazo, se o objetivo é conseguir um crescimento auto-sustentável.

- Não devemos olhar para a economia como se olha para uma árvore numa floresta; é preciso olhar para o conjunto da floresta. Em outras palavras, é necessário que a discussão sobre as metas de inflação seja aberta para toda a sociedade, já que ao contrário dos juros, se trata de uma variável política. E, principalmente, é fundamental que a qualidade das despesas públicas seja analisada criteriosamente e monitorada pela imprensa - acrescentou.

Rubens Penha Cysne citou ainda a atual Constituição como outro obstáculo ao pleno desenvolvimento, por ter, entre outras medidas, vinculado a aplicação de recursos a despesas. O economista destacou que o país precisa resolver esses impasses para poder crescer, no mínimo, no mesmo ritmo de outras nações emergentes, cujo PIB tem variado 5% ao ano, em média.


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