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02/12/2005 - 15h35

IBGE rebate crítica do BC e diz que queda do PIB é "coerente"

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JANAINA LAGE
da Folha Online, no Rio

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou nota em que nega que tenha havido qualquer tipo de erro no cálculo do PIB (Produto Interno Bruto), divulgado na última quarta-feira.

Segundo reportagem publicada hoje na Folha de S.Paulo, o Banco Central contesta a queda de 1,2% do PIB no terceiro trimestre. Em encontro com economistas, diretores do banco defenderam a política monetária e desqualificaram a metodologia usada no cálculo da soma de todos os bens e serviços produzidos no país.

Sobre a reportagem, o presidente do instituto, Eduardo Pereira Nunes afirmou: "O IBGE não comenta versões. O PIB é esse e é coerente com a metodologia que a instituição vem utilizando há anos para calculá-lo. Os números divulgados agora refletem os fatos econômicos que vêm se registrando no país nos últimos meses."

Desde que os resultados negativos foram divulgados, representantes do governo tentam justificar o desempenho da economia, avaliado como "um ponto fora da curva". Ontem, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, afirmou que a queda do PIB foi resultado da escolha tomada pelo governo no início do ano de combater a inflação, o que resultou em manutenção de juros altos, e dos efeitos da crise política sobre a confiança de empresários e consumidores.

Metodologia

Segundo o professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Rubens Cysne, a polêmica sobre o resultado do PIB do terceiro trimestre não é importante do ponto de vista econômico, e sim político.

"Do ponto de vista econômico, o que interessa é o crescimento da economia ao final de um, dois ou cinco anos. A discussão está mal focada, o que importa é que os outros países emergentes estão crescendo ao longo dos últimos anos com taxas maiores", disse.

Segundo Cysne, o acompanhamento de curto prazo das contas nacionais dá margem "a ruídos" e poucos conhecem com profundidade a metodologia de cálculo do PIB.

Na avaliação de Cecília Hoff, economista do grupo de Conjuntura da UFRJ, a crítica sobre a metodologia do PIB é pertinente, mas já deveria ter sido feita há mais tempo. "O PIB agrícola é um problema sempre, é uma surpresa, não se sabe exatamente os deflatores. Quando cai bastante, da forma que caiu nesse terceiro trimestre, volta para os holofotes", disse.

Segundo Hoff, outros pontos da metodologia que poderiam se tornar mais transparentes são o cálculo do consumo do governo e da construção civil. "O BC está chamando a atenção para isso porque quer se isentar dessa queda", afirmou.

Na avaliação de Hoff, a política monetária não deveria ser responsabilizada pela queda no trimestre julho-setembro e sim pelo desempenho nulo da economia no segundo e no terceiro trimestre. Neste período, a economia teve alta de 1,1%, seguida de uma queda de 1,2%.

"Deixando de lado as questões metodológicas, o fato é que houve um desaquecimento da economia no terceiro trimestre", afirmou a economista.

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