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RECEITA ORTODOXA
Média em janeiro é praticamente a mesma de dezembro
Redução na taxa de juros
não chega a empréstimo bancário
JANAÍNA LEITE
DA REPORTAGEM LOCAL
O corte da taxa de juros básicos (Selic) pelo
De acordo com pesquisa da Anefac (Associação Nacional
dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), a taxa de juros
média cobrada das pessoas físicas nos empréstimos realizados em janeiro ficou
em 140,3% anuais. O percentual é praticamente o mesmo registrado em dezembro
passado: 140,6% ao ano. No caso das pessoas jurídicas, a média do mês passado
foi de 68,23%, ligeiramente superior aos 68,04% registrados no último mês de 2005.
O
"Nossa expectativa era uma queda um pouquinho mais acentuada [nos juros
bancários]. O resultado, porém, não surpreendeu", ponderou o
vice-presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de
Oliveira.
Para ele, a timidez no corte de juros ao consumidor pode ser explicada por três
fatores. O primeiro é que há poucos atores no cenário financeiro do Brasil.
"Poucos bancos, pouca competição. Mesmo de forma tímida, os empréstimos
vêm crescendo.", disse o economista. "A concessão de financiamentos
segue a lei da oferta e da procura."
O segundo é o fato de o mês de janeiro ser, tradicionalmente, uma época na qual
aumenta a procura por crédito -como herança dos gastos de final de ano, os
brasileiros acabam obrigados a procurar por um dinheiro extra no começo do ano,
se quiserem garantir a compra de material escolar e o pagamento de impostos
extraordinários, como IPVA e IPTU, por exemplo.
A terceira razão lembrada por Oliveira é que a inadimplência caminha em uma
trajetória estável, sem dar sinais de ceder significativamente.
De acordo com dados do
Custo salgado
Os juros bancários cobrados no Brasil estão entre os mais altos do mundo. A
taxa resulta do custo de captação do dinheiro pelos bancos (os juros básicos
impostos pelo BC são a referência); de impostos incidentes sobre as operações;
despesas administrativas; do risco de crédito e da margem líquida de ganho das instituições.
O governo eleva os juros básicos para colocar um cabresto no consumo e, assim,
controlar a remarcação de preços. O aperto monetário, entretanto, tem efeitos
colaterais sobre a economia.
"O produtor precisa de estoque, e isso, em última análise, é dinheiro
transformado em produto e, portanto, parado até que a venda seja
realizada", explicou o professor Renauld
Barbosa, da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. "Assim, à medida em que os juros altos encarecem o custo do capital,
há desestímulo ao empresário para tocar seus negócios."
Especialista