RESENHAS

Gerenciamento de custos em indústrias avançadas

Claude Machline

Professor do Departamento de Administração de Produção, Logística e de Operações Industriais da EAESP/FGV

 

 

 


de CALLIE BERLINER, JAMES A. BRIMSON São Paulo: T. A. Queiroz, 1992, 256 p.


 

O Computer Aided Manufacturing -International (CAM-I) é um consórcio de pesquisas e desenvolvimento sediado em Arlington, Texas. Em 1986, essa entidade formou um grupo de trabalho composto de organizações industriais progressistas, empresas de consultoria contábil e agências governamentais, para definir o papel e a metodologia do gerenciamento de custos no moderno ambiente tecnológico. A automação, a robótica, a computação, o uso de softwares integrados, tais como o Manufacturing Resource Planning (MRP), a crescente utilização de CAD-CAM-CAE (Computer Aided Design Manufacturing, Engineering), de CIM (Computer Integrated Manufacturing), a criação de células de fabricação, a implantação de práticas como o Just-in-Time e outros métodos avançados vêm causando o maior impacto na organização e na administração das empresas e forçam a atualização das técnicas de contabilidade de custos.

O Grupo de Trabalho do CAM-I planejou a publicação de três livros para a divulgação dos resultados obtidos na sua análise. Cada livro corresponde a uma fase do estudo realizado.

• Primeiro livro: base conceitual do sistema de custos;

• Segundo livro: definição do sistema de custos;

• Terceiro livro: implantação do sistema de custos.

O livro aqui resenhado, Gerenciamento de Custos em Indústrias Avançadas, corresponde à primeira fase do projeto do CAM-I, ou seja, à base conceitual do sistema de custos.

A obra é dividida em nove capítulos.

O capítulo 1 expõe os conceitos essenciais do CMS - Cost Management System, ou Sistema de Gerenciamento de Custos. São apresentados os aspectos mais importantes da doutrina, a saber:

• eliminar custos que não adicionam valor;

• contabilizar custos na base de atividades;

• utilizar o conceito de custo-alvo;

• levar em conta o ciclo de vida do produto no seu custo;

• avaliar desempenhos, medir produtividade, qualidade, prazos;

• administrar investimentos, calcular rentabilidade dos projetos.

O segundo e terceiro capítulos expõem as tendências da indústria moderna; o quarto, as condições mínimas às quais um modelo contábil deve satisfazer para tornar a empresa competitiva e escapar das deficiências dos sistemas tradicionais de contabilidade de custos, cujas bases de rateio de custos fixos são inadequadas.

O quinto capítulo explica a noção de custo de ciclo de vida do produto. O sexto detém-se na medição do desempenho e sugere padrões físicos apropriados para um fabricante avançado. O sétimo capítulo enfoca a questão da avaliação e do gerenciamento dos investimentos em alta tecnologia; descreve dois novos modelos de tomada de decisão na seleção de tecnologias avançadas.

O capítulo 8 enfoca alguns aspectos legais da contabilidade de custos, por exemplo, a amortização de despesas de softwares e a depreciação do equipamento num ambiente de rápidas mudanças tecnológicas.

Após o capítulo 9, que trata do gerenciamento de custos no Japão, o livro se encerra com um glossário e algumas referências bibliográficas.

O assunto tratado na obra aqui resenhada é de grande atualidade. Elevado número de empresas nacionais está consciente de que o sistema tradicional de custeio apresenta sérias limitações, que podem chegar a distorcer custos e preços dos produtos, Estão dispostos a ensaiar novas metodologias e pensam seriamente em implantar o custeio baseado em atividades (Activity Based Costing). Esse sistema deve ser montado na área de produção, sob a égide da gerência industrial, e independe, em grande parte, do sistema de custeio tradicional.

Publicado em momento oportuno, esse trabalho constitui um dos poucos documentos existentes em português sobre moderno gerenciamento de custos. No exterior, a partir dos artigos e livros de Robert S. Kaplan, Robin Cooper, Peter Chalos, James A. Brimson e outros, já se registra, nesta década, apreciável literatura sobre o tema.

Por se tratar da parte conceitual de um conjunto de três livros, a obra não responde obviamente, a todas as dúvidas que de certo assaltarão o gerente ou o controller desejosos de implantar o novo sistema de custos. Assim, os leitores pedirão que sejam em breve traduzidos e publicados os livros que compõem a segunda e a terceira parte da trilogia do CAM-I, que lhes permitirão conhecer os aspectos práticos da montagem e implantação de um moderno sistema de custeio.

 

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